Por um mero acaso - as coisas interessantes chegam ao nosso conhecimento quase sempre dessa forma aleatória - hoje cheguei a um blog (Janela Aberta) onde o assunto gira à volta das harmónicas e dos seus mais famosos intérpretes, nomeadamente os portugueses, que sempre foram mestres na arte de soprar na gaita. Repleto de documentos e apontamentos, é um excelente sítio para os entusiastas do instrumento.
A harmónica, popularmente designada de "gaita de beiços", pela sua sonoridade algo parecida com a concertina ou acordeão, desde tempos antigos que foi um instrumento com fortes raízes populares. No tempo da meninice de meus pais e avós, era frequente armar-se um bailarico ao som da harmónica, que alguém sacava do bolso no momento mais oportuno. É claro que quando a ela se juntava uma viola braguesa ou um cavaquinho, então a festa tornava-se mesmo concorrida e animada.
Para além da harmónica como elo de vários grupos da especialidade, desde duos, trios, quartetos, quintetos, etc, e recordo sobretudo o famoso Trio Harmonia, que frequentemente passava na RTP de outras eras, este instrumento tornou-se companheiro de vários estilos musicais, nomeadamente dos blues. Uma das figuras mais conhecidas pela utilização frequente da harmónnica, nomeadamente nos seus primeiros tempos, é Bob Dylan.
Nas minhas memórias de infância, a harmónica também tem lugar porque nesses tempos era em si própria um brinquedo, sendo frequentemente comprada nas feiras e romarias. Nessa altura tinham alguma qualidade, sonora e construtiva, mas depois começaram a surgir as "Made in China" e a gaita em pouco tempo desafnava e enferrujava.
Por conseguinte, cheguei a ter várias harmónicas e alguém dizia que até tinha jeito no assopro.
Cheguei a ter uma excelente Hohner (muito semelhante à da ternurenta imagem do bébé) tal como nos acordeões e concertinas, uma das marcas mais prestigiadas e sinónimo de qualidade. Pena foi que nas curvas do tempo ficasse pelo caminho e fosse ter aos beiços de algém que a desviou. Mas fica a memória e o eco dos viras e rusgas que dela arrancava a força de pulmões e calo nos beiços.
- Alguns dos actuais modelos de hamónicas constantes do catálogo da Hohner.
- Bob Dylan, umas das figuras da música que frequentemente usava a harmónica nas suas interpretações.
- Quarteto Português de Harmónicas
“Fazem parte da história da harmónica em Portugal. Seus nomes, da esquerda para a direita: Manuel Gonçalves, José Peralta, Hermenegildo Mendes e Bastos de Almeida. O ano? 1957.” Fonte: Janela Aberta.
- Trio Harmonia
“O Trio Harmonia ao longo dos seus 25 anos de existência conheceu três formações. Assim a 1ª formação, de 1957 a 1966, foi constituído por Hermenegildo Mendes - Raul Mendes - José Peralta.
De 1966 a 1969 conheceu a 2ª formação Hermenegildo Mendes - Raul Mendes - Carlos Pais.
E finalmente a terceira e última formação Hermenegildo Mendes - Raul Mendes - José Correia.” – fonte: Janela Aberta