Cartaz publicitário ao produto branqueador de dentes "Torero". Ano de 1943.
Apesar do trocadilho, émail é a tradução do francês para esmalte.
Cartaz publicitário ao produto branqueador de dentes "Torero". Ano de 1943.
Apesar do trocadilho, émail é a tradução do francês para esmalte.
Hoje trago à memória o dístico autocolante com a indicação de 90, em caracteres a preto sobre fundo alaranjado, que durante vários anos e até final da década de 1980 era obrigatório afixar na traseira dos automóveis ligeiros conduzidos por quem tinha menos de 1 ano de carta de condução e que na prática limitava a velocidade máxima a 90 km.
Pela sua configuração, ficou conhecido popularmente como "ovo estrelado". Escusado será dizer que de um modo geral era algo que ninguém gostava de utilizar, pois revelava a todos que era um carro conduzido por um "maçarico", termo de calão para quem não tinha experiência, mas na verdade tinha a sua utilidade prática pois de algum modo, para além de servir de contenção para o próprio condutor, alertava os demais para terem algum cuidado e mesmo compreensão para com o novato na condução.
Ora nos últimos tempos têm circulado nas redes sociais e replicadas por jornais online, a quem se exige algum cuidado, publicações a sugerir quo o regresso do propósito deste dístico, mesmo que com outra configuração, seria novamente implementado, a partir do final do ano anterior, por via de alterações ao Código da Estrada, sendo mesmo invocado o seu art.º 122.º. Em contrapartida tal divulgação tem sido dado como falsa, nomeadamente verificada pelo fact-chech do Observador, e de facto o referido artigo do Código da Estrada nada fala sobre isso. Prova-se assim que uma mentira replicada muitas vezes parece tornar-se uma verdade. Mas não!
Eis a actual redacção do referido artigo:
1 - A carta de condução emitida a favor de quem ainda não se encontrava legalmente habilitado a conduzir qualquer categoria de veículos fica sujeita a regime probatório durante os três primeiros anos da sua validade.
2 - Se, no período referido no número anterior, for instaurado contra o titular da carta de condução procedimento do qual possa resultar a condenação pela prática de crime por violação de regras de circulação rodoviária, contraordenação muito grave ou segunda contraordenação grave, o regime probatório é prorrogado até que a respetiva decisão transite em julgado ou se torne definitiva.
3 - O regime probatório não se aplica às cartas de condução emitidas por troca por documento equivalente que habilite o seu titular a conduzir há mais de três anos, salvo se contra ele pender procedimento nos termos do número anterior.
4 - Os titulares de carta de condução das categorias T, AM e A1 ou B1 ficam sujeitos ao regime probatório quando obtenham habilitação para conduzir outra categoria de veículos, ainda que o título inicial tenha mais de três anos de validade.
5 - O regime probatório cessa uma vez findos os prazos previstos nos n.os 1 ou 2 sem que o titular seja condenado pela prática de crime, contraordenação muito grave ou por duas contraordenações graves.
Todos os anteriores pontos foram revogados com a mais recente actualização do Código.
Apesar disso e da suposta falsidade das publicações, há quem não concorde com estes limites pois no caso do "ovo estrelado" fez algum sentido quando foi implementado, numa época em que havia uma alta sinistralidade nas nossas estradas, os carros eram menos seguros e as estradas de pior qualidade, mas na actualidade, nesses aspectos as coisas melhoraram. Por outro lado também há quem considere, pelos mesmos motivos, que já não faz sentido que a velocidade máxima nas auto-estradas seja de 120 Km, limite que foi implementado em 1973.
Seja como for, sendo pretextos com algum sentido, a verdade é que na actualidade há muitos mais veículos a circular e o que não falta por aí é pilotos de Fórmula 1 a excederem bem acima dos limites de velocidade, tanto nas auto-estradas como dentro das localidades. De resto a maior parte dos acidentes rodoviários resultam de excesso de velocidade e incumprimento dos respectivos limites. Por isso tudo o que possa contribuir para o cumprimento dos limites, mesmo que com algum sinal que ningém gosta de estampar na traseira, será melhor. Caldos de galinha e água benta...
Já agora, algumas curiosidades e evolução de regras ao longo do tempo:
1901 - limite de velocidade nas localidades: 10 km/h.
1928 – é estabelecida a circulação e cedência de passagem à direita
1931 - obrigatoriedade de equipamento dos veículos com pneumáticos
1973 - fixação do limite de 120 km/h nas autoestradas
1977 – utilização do cinto de segurança
1983 – definição do limite de taxa de alcoolemia
1992 – estipuladas as inspeções periódicas aos veículos
1994 – passa a ser obrigatória a utilização de sistemas de retenção para crianças, as “cadeirinhas”.
Hoje fazemos referência à marca de pomada Halibut, muito popular entre nós e conotada com a sua aplicação no rabinho dos bébés para prevenir assaduras pelo uso de fraldas, sendo que também com usos mais alargados. Dizem, por exemplo, que é igualmente muito usada por ciclistas por razões óbvias.
Da pesquisa que fiz sobre a origem e história desta popular pomada, terá sido criada pelos laboratórios espanhóis Andrómaco, de Barcelona, fundados em 1923 por dois amigos, Raúl Roviralta Astoul, médico, e Fernando Rubió i Tudurí, farmacêutico, e deve o seu nome a um peixe que vive nas profundezas do Atlântico, chamado precisamente Halibut ou Alabote, do qual se extrai um óleo do seu fígado, rico em vitamina A e D, altamente cicatrizante, usado como base da pomada, bem como de outras susbtâncias como óxido de zinco. Dizem os especialistas que o zinco é um elemento fundamental à actividade de mais de 300 enzimas que existem no corpo humano, entre as quais algumas necessárias à proliferação celular durante a cicatrização. Hoje em dia a fórmula da pomada mudou e já não tem óleo desse peixe, mas o nome, esse, manteve-se sempre inalterado.
Em Portugal, a Andrómaco estabeleceu-se em Lisboa pelo ano de 1931 e a pomada Halibut começou a ser comercializado a partir do ano de 1939, por isso já com uma provecta idade.
Em 1995 o grupo alemão Grünenthal adquiriu a Andrómaco (espanhola) e a Halibut passou a fazer parte do seu leque de produtos.
Por sua vez, pouco depois, por 1996/1997, a Grünenthal acabou por vender a marca à empresa portuguesa Medinfar, tornando-se para esta seu produto mais popular a par de outros também com relevância, como o Oleoban, Trifene, DVine, Magnoral, entre outras. Em 2017 atingiu a marca de 1 milhão de unidades.
Quando foi lançada, a Halibut era muito dirigida para a cicatrização das queimaduras da pele mas a partir dos anos 1990 a marca mudou o seu posicionamento para a muda da fralda e as assaduras dos rabinhos dos bebés.
Seja como for, em resumo, a Halibut pomada é uma marca e um produto muito reconhecida e popular no nosso mercado e memória colectiva e até susceptível de algumas brincadeiras e trocadilhos.
Ainda sobre o peixe, o halibut ou alabote, pertence à família dos Pleuronectídeos. É um peixe achatado, oval e com uma cabeça grande, que pode crescer até cerca de 1 metro de comprimento e pesar até 20 kg.
O alabote é encontrado em águas frias e profundas ao redor do mundo, incluindo o Oceano Atlântico e o Pacífico. Ele é conhecido por sua carne branca, macia e suculenta, com um sabor delicado e levemente adocicado.
Devido ao seu sabor e textura, o alabote é muito valorizado na culinária e é frequentemente usado em pratos de frutos do mar. No entanto, como muitas outras espécies de peixes, o alabote tem sido sobrecapturado em algumas áreas e, portanto, é importante garantir que sua pesca seja sustentável para garantir a preservação da espécie e de seu habitat natural.
[créditos do cartaz no topo: Garfadas online]
Hoje trazemos à memória o filme clássico "Dr. Jivago", do original "Doctor Zhivago", um drama romântico épico lançado em 1965, realizado por David Lean e baseado no romance homônimo de Boris Pasternak. A história se passa na Rússia czarista e segue a vida do médico e poeta Yuri Jivago, interpretado por Omar Sharif, durante a Revolução Russa.
Jivago é casado com a bela Tonia, interpretada por Geraldine Chaplin, mas se apaixona pela jovem Lara, interpretada por Julie Christie. A trama segue a jornada de Jivago e Lara, enquanto lutam para ficar juntos em meio ao turbilhão político da Rússia, que culmina na Revolução Bolchevique.
Enquanto isso, Jivago também se envolve com a luta política, ao ser arrastado para o movimento revolucionário liderado por seu meio-irmão, interpretado por Alec Guinness. O filme retrata de forma realista e emocionante a luta pelo poder na Rússia, enquanto Jivago tenta manter sua vida e seu amor intactos em meio ao caos político.
"Dr. Jivago" foi um grande sucesso de bilheteira no seu tempo e aclamado pela generalidade da crítica, tendo sido indicado a 10 Oscars, dos quais ganhou 5, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor. O filme é lembrado como um dos grandes épicos românticos da história do cinema, com suabanda sonora marcante, cenários deslumbrantes e performances memoráveis de todo o elenco.
O filme "Dr. Jivago" foi rodado em diversas localizações na Europa e na Ásia. Algumas cenas foram filmadas na Finlândia, na Espanha e no Egipto, mas a maior parte do filme foi filmada na Itália. O cenário da neve foi filmado nos Alpes italianos, enquanto a cidade de Moscovo foi recriada em estúdios de filmagem em Roma. Alguns locais notáveis em Roma usados para filmar o filme incluem o Cinecittà Studios e a Praça de Espanha. A produção também usou algumas locações naturais na Rússia, como o rio Volga e o deserto de Karakum.
Hoje trazemos à memória a série de animação "Sport Billy", que conta as aventuras de um jovem alienígena chamado Billy, proveniente do planeta imaginário Olympus. Ele tem a capacidade de viajar no tempo e no espaço para salvar pessoas em apuros através do desporto.
Billy é acompanhado por sua amiga, a menina Lilly, e seu fiel companheiro de equipe, o cachorro Willy. Juntos, eles enfrentam vilões, como a malvada Raínha Vanda e salvam o mundo através de competições desportivas, usando os objectos que transportava dentro do seu super-saco. De facto de acordo com as exigências de cada momento, Billy retirava objectos em miniatura do seu saco dourado que rapidamente se transformavam no tamanho normal, fosse uma bola, um automóvel ou um helicóptero ou outros quaisuqer. Aquele saco, uma espécie de lancheira, era um poço sem fundo onde cabia tudo e mais alguma coisa.
A série é uma mistura de ficção científica e dsporto, com elementos de ação e aventura. Em cada episódio, Billy e a sua equipe viajam para diferentes períodos da história e diferentes partes do mundo para participar de jogos desportivos e ajudar aqueles que precisam. Eles jogam desde futebol até outras modalidades como esgrima e tiro com arco.
A animação "Sport Billy" foi produzida pela Filmation Associates, um estúdio de animação americano que produziu diversas séries animadas durante as décadas de 60, 70 e 80, como He-Man e She-Ra. A série teve uma grande repercussão na época de sua exibição e foi exibida em diversos países ao redor do mundo, se tornando um grande sucesso entre o público infantil. Pela sua popularidade a figura foi adoptada pela FIFA como mascote do Fair Play por alturas do Mundial de Futebol de 1982 que se disputou em Espanha. De resto o primeiro episódio da série tinha como tema o Mundial de 82.
A Filmation Associates utilizava uma técnica de animação chamada "limited animation", que consistia em reduzir o número de quadros por segundo para economizar tempo e dinheiro na produção. Isso dava às animações da Filmation um estilo característico, com poucos movimentos fluidos e animações mais estáticas.
O personagem Sport Billy terá tido origem na Europa, a partir de banda desenhada, sendo depois adpatado como série de animação pelo estúdio norte-americano Filmation Associates.
Há algumas contradições quanto ao país e ano de exibição original sendo que terá sido por 1979-1980. Nos Estados Unidos foi exibida pela NBC.,
Em Portugal, a série de 26 episódios com cerca de 20 minutos cada, passou na RTP entre 03/07/1982 e 15/01/1983, por isso com início ainda durante a disputa do Mundial de Futebol de 1982. Ainda na década de 1980 a série foi reposta em 1986 mas então com legendas originais.
Pela sua popularidade e do próprio tema, "Sport Billy" deu lugar a vários produtos de merchandising, como uma colecção de cromos editada pela Disvenda (foto acima). Também a Editorial Notícias publicou durante cerca de um ano, uma revista quinzenal de banda desenhada, que mais tarde foi encadernada e venida em quatro volumes de capa dura.
Mas ainda outros produtos como autocolantes e até mesmo um disco com as canções na versão portuguesa interpretadas por Armando Gama. Ainda de destacar uma colecção de calendários de bolso editados pela Impala, com os personagens da série, ainda em poses de diferentes actividades desportivas e ainda sobre o Mundial de Futebol no México que se realizou nesse ano. Dessa colecção guardo algumas dezenas de exeplares sendo que não realizei a colecção completa que era de 104 calendários
Elenco de dobragem original (em inglês):
Russi Taylor como Sport Billy
Frank Welker como Willy
Nancy Cartwright como Lilly
Alan Oppenheimer como Vanda Darkstar
Lou Scheimer como Narrador
Dobragem em Portugal:
Ermelinda Duarte – Vanda
João Lourenço – Sipe
João Perry – Billy
Manuel Cavaco – Sportikus
Maria Emília Correia – Lilly / Pandusa
Rui Mendes
Passados alguns poucos meses e e assente algum pó após a revolução de 25 de Abril de 1974, em 21 de Outubro de 1974 a Secretaria de Estado da Emigração lança a revista "25 de Abril - Comunidades Portuguesas". Tinha definida uma periodicidade mensal mas ao longo dos seus 44 números, até Fevereiro de 1980, várias edições abarcaram dois meses. Teve como directores Amândio da Conceição Silva, José Cardoso e Manuel Árias. Graficamente a revista teve três diferentes séries.
O objectivo dessa publicação está expressa no editorial que abaixo se transcreve. Percebe-se pela sua leitura e análise que o conteúdo reflectia o momento político e de um modo geral tinha uma orientação muito marcadamente de esquerda. Veja-se, como exemplo, a imagem acima com a capa alusiva a eleições livres em que o símbolo do PCP aparece sobre os demais. Sendo direccionada à comunidade emigrante, era por conseguinte distribuída em alguns países europeus, nomeadamente na França, mas em rigor desconhecemos o alcance da publicação e do seu êxito ou importância. Em rigor, apesar dessas boas intenções e paninhos quentes para com a nossa comunidade, a verdade é que no geral este pouco ou nada pode contar com o Governo central, de resto durante toda essa década, muito instável com sucessivas formações.. Não havia, pois, tempo e condições políticas e de estabilidade para grandes acções incluindo as relacionadas à comunidade emigrante. Sinais dos tempos.
De entre os vários objectivos da Secretaria de Estado da Emigração, um dos mais importantes é, sem dúvida, a correcta informação da realidade portuguesa ao Emigrante afastado do cenário central da evolução sucio-política. Num processo que se pretende de radical transformação. porque democrática tal preocupação afigura-se-nos salutar e indispensável. Salutar, porque nas comprometemos a falar o que é e não o que convém, sem mascarar as deficiências tanto da evolução política em geral como do nosso trabalho em particular. Indispensável, porque se deseja e se garante uma participação efectiva do Emigrante, o principal protagonista. e o mais importante, desta mensagem-diálogo que pretende uma conjugação de esforços, cada mês mais ampla, cada mês mais mais efectiva.
«25 de Abril» é o nome da vossa revista. 25 de Abril é o simbolo de tudo o que se fizer de novo em Portugal. Para além do símbolo, o 25 de Abril é uma data E também um movimento. Na data, a esperança de que a revolução democrática estava começando. No movimento, a responsabilidade de que a revolução democrática não pode parar. Mesmo que a esperança não haja sido de todos, foi com certeza do Emigrante. Mesmo que nem todos queiram ou possam assumir a responsabilidade, o Emigrante quer, pode e deve assumi-la para que, pelo menos, o seu filho possa viver em Portugal. O Emigrante merece na sua revista o titulo-símbolo de uma data-movimenta marco importante. e lutemos para que decisivo, da História de Portugal.
O Emigrante, sofrido, desrespeitado, explorado, tem todo o direito de esperar muito do Governo Provisório, mas não pode esquecer as limitações de sua potencialidade, por contingências de um período de transição, provisório que é no nome, na acção e no tempo. Agora, se o Governo Provisório, por honestidade, é forçado a dizer ao Emigrante «Tens de ficar no estrangeiro. Não te podemos ainda dar emprego em Portugal, deve pelo menos, e já, assegurar que o Emigrante seja menos sofrido e nunca desrespeitado ou explorado. No entanto, o Emigrante tem um papel decisivo para que o Governo Provisório através principalmente da Secretaria de Estado da Emigração e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o ajude a garantir um menor sofrimento, um completo respeito e a morte da exploração. O saneamento dos fascistas, dos corruptos. dos incompetentes. dos exploradores, que grassam no estrangeiro em toda uma máquina repressiva ainda em grande parte por desmantelar. é também obra do Emigrante. Mas por ser obra, tem de ser séria e responsável. justa e eficaz. Não será dada guarida, nem encaminhada, qualquer denúncia que não esteja devidamente caracterizada e assinada, que não seja, pois, compatível com o objectivo fundamental a democratização e, como consequência, a verdade, a dignidade e a liberdade como conquista dos trabalhadores portugueses, unidos dentro e fora do Pais.
[imagens: Hemeroteca de Lisboa]
Hoje trago à memória a marca Cisne, sobretudo na sua vertente relacionada à cola.
Cola branca, cola-tudo e outras variantes pegajosas, a Cisne fez parte de muitas gerações de alunos que utilizavam estes produtos nas suas actividades de trabalhos manuais. Obviamente que as colas Cisne tinham aplicação em outros sectores de actividade que não apenas no âmbito escolar.
A Cisne terá sido fundada pela família Mendes Pereira, no Campo Grande, em Lisboa, há 127 anos, sendo que registada apenas no ano de 1929. Inicialmente os seus produtos eram sobretudo tinta para canetas de aparos, que praticamente até ao final de dácada de 1960 era comum utilizar nas escolas, até que se vulgarizaram as esferográficas, e ainda o característico lacre que continua a ser produzido. Logo depois surgiram as colas e pelo tempo fora novos produtos como tintas, tinta-da-china, tintas para carimbos, guaches, almofadas para carimbos, apagadores de quadros, gizes, etc.
Por muitos relatos da rapaziada da escola primária de outros tempos, parece ponto assente que a cola Cisne, pelo seu agradável aroma e consistência, era frequentemente usada para mascar a jeito de chiclete. Não seria saudável, certamente, mas não se consta que alguém tivesse perigado por a cheirar, manusear e mesmo mascar. Obviamente que noutros tempos em que estas coisas eram relevadas e tidas como próprias da idade.
A Cisne entretanto mudou de propriedade e actualmente pertence à Marouço, S.A. de Alcanena, que entre outros populares produtos comercializa as marcas de graxa e ceras Búfalo e abrilhantadores de madeiras e mobiliário, ceras e verniz, Dabri. Faz ainda parte do universo de produtos da Marouço a também popular marca de cola Pica-Pau.
Também um marca emblemática, sobretudo no universo dos carimbos, com tintas e almofadas, mas também de colas e lacres, a SINO fez parte da Cisne sendo que originalmente era uma marca da A. Ferreira, empresa lisboeta, da Rua da Junqueira, que terá sido fundada em 1891. Desconhecemos em que ano terá sido integrada na Cisne sendo que na década de 1960 ainda fazia parte da A. Ferreira. De todo o modo, percebe-se que era uma empresa concorrente com produtos similares pelo que se percebe a junção mas simultaneamente mantendo as mesmas marcas, ambas prestigiadas.
Pela sua história e sobretudo pelas características dos seus produtos, como a cola, esta marca Cisne ficou desde sempre ligada ao universo escolar e sobretudo da escola primária, fazendo justamente parte das nossas memórias colectivas ligadas à infância e percurso escolar.
Hoje trazemos à memória a divertida série de animação "Roger Ramjet", criada pelo talentoso Fred Crippen (1928-2018).
Dos Estados Unidos, como habitualmente, foi produzida entre os anos de 1965 a 1969, com cinco temporadas e 156 episódios, com estes a terem uma curta duração de aproximadamente 5 minutos e meio.
Entre nós foi passando em diferentes alturas na RTP, tanto na década de 1970 como na década de 1980 e mesmo já nos anos 90.
A série segue as aventuras de Roger Ramjet, um super-herói americano, piloto de um caça, que lidera uma equipe de combatentes do crime conhecida como American Eagle Squadron. Com a ajuda de seus jovens companheiros, Roger luta contra uma série de diferentes vilões internacionais e alienígenas para proteger a América e o mundo. A série é conhecida por seu estilo de animação único, diálogos cómicos e personagens caricatos. Desde sua estreia, Roger Ramjet se tornou um ícone da cultura pop e tem sido lembrado como um clássico da animação americana.
Roger Ramjet é apresentado como herói impregnado de patriotismo amercicano e com um padrão de moralidade muito apurado tipo da América do seu tempo. Está constantemente em acções heróicas a "salvar o mundo", em missões do Governo organizadas pelo General GI Brassbottom, contando para isso com a ajuda de suas pílulas de energia de prótons ("PEP"), que lhe dão "a força de vinte bombas atômicas por um período de vinte segundos".
Roger Ramjet é retratado como um homem alto e musculoso, com um queixo proeminente e um penteado extravagante, envolto na sua roupa imaculadamente branca. Ele é extremamente corajoso e confiante em suas habilidades, mas muitas vezes age de forma impulsiva e ingênua, o que pode colocar ele e sua equipe em perigo. É claro que em rigor o herói é tudo menos isso e na maior parte das situações em que se envolve é apanhado, no que lhe valem os seus amigos do esquadrão, bem mais astutos e inteligentes.
Apesar dos quase 60 anos da série, o estilo de desenho é muito interessante e até dentro dos conceitos da animação actual, e muito caricatural, o que dá à série uma importância gráfica e identidade muito particulares.
Com muito tempo de atraso, confessemos, hoje trazemos à memória a Lusiteca e os seus doces produtos, sobretudo as já emblemáticas pastilhas elásticas Gorila.
Rezam as crónicas que a Lusiteca nasceu em 15 de Janeiro de 1969, então com o nome de Transformação e Embalagem de Produtos Alimentares, SARL, pela mão de três empresários vindos da indústria alimentar – de áreas como o café e o bacalhau. Os três criaram então uma empresa de embalamento, no mesmo sítio onde hoje mora a fábrica da Gorila, em Algueirão – Mem Martins. Com a evolução do mercado, o negócio passou a envolver também a produção de guloseimas no que se tornou de facto a principal actividade até aos nossos dias.
Em 1970 é criada a marca Penha, associada a caramelos de nata.
Em 1971 são criadas as pastilhas elásticas Gorila, com sabor original, que ao logo dos anos seguintes tornou-se, porventura, no produto mais popular e emblemático da Lusiteca.
Em 1973 são lançados os caramelos de fruta e chupas e em 1975 as Gorila têm uma versão em sabor de banana.
Em 1979 a marca lança uma extensa colecção de cromos associada às Gorila, sobre a temática da aeronáutica, com desenhos a preto-branco de aviões, helicópteros e outros ojectos voadores.
Em 1981 as Gorila adquirem o sabor a morango com a denominação Super Gorila.
Em 1983 são lançados no mercado os caramelos de fruta coma etiqueta Circo.
Em 1986 novo sabor para as pastilhas elásticas Gorila, desta vez a laranja.
Em 1988 a Lusiteca inicia a exportação para os seus produtos e logo depois, em, 1990 obtém a certificação ISO22000.
Em 2012 a marca faz o rebrandig (alteração da imagem dos produtos) e no ano seguinte, 2013 são criadas as Gorila Go Up, sem açúcar e sabor a menta, entrando na moda das reduções e nos anos seguintes novas variantes na senda do sem açúcar.
Em 2018 a marca celebrou meio século a adoçar a boca aos consumidores e lançou os rebuçados Penha com alteia e mel, como peitorais, numa clara concorrência à popularidade dos rebuçados Dr. Bayard.
Seguiram-se os Penha com sabor a café e com recheio de chocolate.
Retomando o assunto dos cromos aeronáuticos das pastilhas Gorila, era de facto uma extensa colecção, anunciada como tendo 809 números divididos por sete parâmetros, mas que na realidade deles terão sido apenas impressos 407, já que da colecção original inglesa a Lusiteca, por motivos nunca devidamente explicados, não terá recebido a totalidade das chapas de impressão. Não sabemos se por acordo ou se por incumprimento dele.
Para além do inusitado número de cromos, mesmo com a tal supressão de parte da séria, a colecção é muito interessante e cultural sendo que pecava por não ter a caderneta onde os colar. Mas havia a possibilidade de troca da série da II Guerra Mundial (cromos 366 a 624) por um álbum colorido com os respectivos aviões. Por tudo e até mesmo por estes contornos enigmáticos, tornou-se, de facto, numa colecção popular e emblemática e ainda hoje detida por muitos.
Pessoalmente tenho centenas destes cromos, sendo que em rigor nunca tive tempo para ordenar a colecção a ponto de saber quantos tenho, incluindo repetidos, e quantos faltam. Um dia destes...
Noutros tempos, o exame da quarta classe da escola primária era algo sério pelo rigor e disciplina que exigiam, a par das várias matérias e conhecimentos que abarcavam, que provavelmente hoje só se adquirem, e de forma muita relaxada, num nível do 9.º ano ou mais além. O exame regra geral consistia numa prova escrita, com exercícios de língua portuguesa, com vocabulário, gramática e redacção, ainda aritmética, incluindo cálculo de fracções e geometria. Ainda a prova oral.
Entre os anos de 1948 e 1956, apenas era obrigatória a frequência escolar até às três primeiras classes, para crianças entre os 7 e 12 anos, terminando esse ciclo com um exame, chamado de Primeiro Grau. A partir do ano de 1956 os rapazes passaram a ser obrigados a frequentar os quatro anos de ensino primário e instituiu-se o correspondente exame. A partir de 1960 a obrigatoriedade dos quatro anos estendeu-se também às raparigas, passando então apenas a existir um exame final para a conclusão do ensino elementar, vulgo exame da quarta classe tendo sido suprimido o tal exame de primeiro grau..
Realizei o meu exame da quarta classe por meados da década de 1970 e tenho memória da data. Nos dias anteriores houve lugar a estudos de preparação com a diligente professora. No dia, eu e os meus colegas da escola da aldeia deslocamo-nos a pé a uma freguesia vizinha onde eram realizados os exames. Ou seja, não foi na nossa própria escola. Ainda em tempos mais recuados os exames eram por norma realizados nas sedes dos concelhos.
Os alunos foram dispersos pela sala de modo a impedir eventuais copianços. A prova escrita era realizada em folhas de papel azul de 25 linhas e toda a escrita era realizada com caneta de aparo, pelo que havia que ter o máximo cuidado para não esborratar ou rasurar. No final da prova escrita houve lugar a trabalhos manuais em que cada aluno tinha que já ter preparado. Na parte da tarde era a prova oral em que o aluno era interrogado sobre várias disciplinas, incluindo História de Portugal, Ciências Naturais e Geografia, abrancando nesta os temas relacionados às então províncias ultramarinas, sobre geografia, serras, rios, caminhos de ferro, etc, etc.
No final da tarde surgiu o momento esperado com a colocação dos resultados, afixados na porta da sala. Passei com distinção e alguns colegas rés-bés-campo de ourique e ainda outros que reprovaram. Para além do desapontamento, certamente que a contarem com o castigo quando dessem a notícia aos pais. Era o que era.
A propósito do título deste artigo, infelizmente não me lembro nem tenho memória de ter recebido o então tão almejado Diploma. Este documento, com estampa clássica desenhado pelo artista Martins Barata, em 1937, uma edição exclusiva da Imprensa Nacional de Lisboa, foi usado praticamente até à mudança de regime, em 1974. O diploma tem as dimensões de 29,7x20,5 cm, por isso praticamente no formato A4, com a ilustração monocromática em tom azul escuro e com um rapazinho fardado a empunhar com ar solene a bandeira da Mocidade Portuguesa. Sabe-se, que este rapazinho teve como modelo o próprio filho do artista, José Pedro, então com 8 anos.
Em 2017 li uma notícia de que o Arquivo Municipal da Guarda possuia no seu espólio 125 Diplomas comprovativos do exame da 4ª Classe., com datas compreendidas entre 1950 e 1967 e que pertenciam a pessoas naturais de várias freguesias do concelho da Guarda. Desconhecendo o Arquivo o motivo de tais documentos estarem então na sua posse, divulgou publicamente a lista dos titulares certificados e disponibilizou-se a devolver os mesmos aos diplomados ou a seus familiares, em sessão solene agendada. Desconheço o resultado da acção, supondo que pelo menos uma grande parte terá sido devolvida. É da página da referida notícia que retirei o exemplar do Diploma, pertencente a uma Maria Celeste Gonçalves, nascida em 25 de Março de 1949, com que ilustro este apontamento.
Serve este artigo para supor, a ter em conta o sucedido na Guarda, que eventualmente também não terei recebido tal Diploma pelo que eventualmente terão também ficado lá pelo arquivo da escola onde foi realizado o meu exame.
Seja como for, se por esses anos ainda era passado tal certificado, também pouco mais tempo terá durado pois logo depois deu-se a revolução do 25 de Abril de 1974 e de lá para cá todo o Ensino e a Educação têm andado aos trambolhões. Apesar de já decorrido meio século, dizem que ainda há problemas estruturais a emperrar a máquina, apesar do facilitismo e da perda de importância de exames, incluindo o do quarta classe que há muito foi morto, ressuscitado, novamente morto e enterrado. Importa ao sistema não criar traumas e dificuldades aos alunos nos diferentes escalões de ensino. Por isso suprimem-se os exames, porque no fim de contas, mesmo para quem as não saiba fazer, tudo será um faz de conta.
A história da 7UP, conforme registada pela marca em Portugal, revela um percurso de inovação que começou muito antes da sua chegada à Euro...