8/23/2008

Publicidade nostálgica - Gillette

publicidade antiga_santa nostalgia_gillette

gillette_logo

lamina gillette caixa

gillette_003

O termo Gillette é sinónimo de láminas ou máquinas de barbear. Em todo o mundo, milhões de homens, e mesmo até mulheres, usam diariamente os produtos desta marca, para se barbearem ou depilarem.

É mais ou menos conhecida a história da Gillete. Em 1895, nos Estados Unidos, King Camp Gillette inventou o sistema chamado safety razor, barbeador seguro, substituindo com inúmeras vantagens, práticas e económicas, a tradicional e perigosa navalha por uma máquina de encaixe, protegendo a lámina e expondo ligeiramente apenas as duas faces de corte. A ideia principal do invento era criar um sistema económico de láminas descartáveis, pelo que interessava criar láminas baratas mas eficientes e de certa forma duráveis para diversos cortes.

No seguimento desta simples mas fantástica invenção e depois de ultrapassados os problemas técnicos com a produção de uma lámina eficaz, o que foi conseguido com a ajuda de William Nickerson, um reputado engenheiro mecânico, em 1901 foi fundada no Massachusetts, na cidade de Boston,  a empresa Gillette Safety Razor Company.

Passados dois anos foram comercializados as primeiras máquinas, ao preço de 5 dólares e as primeiras lâminas, com o custo de 1 dólar por um pacote contendo 20 peças.

O sitema foi patenteado a favor do inventor em 1904.

A partir daí o sucesso estava grantido e a empresa não parou de crescer e inovar, adaptando-se aos avanços tecnológicos e às características do mercado local e mundial, expandindo-se por vários países. Pelo meio desempenhou também o papel importante na mudança de mentalidade e de hábitos de forma a tornar o acto de barbear num simples e prático gesto quotidiano. Nesta política ficou célebre a campanha de oferta de conjuntos de barbear aos soldados americanos em serviço na II Guerra Mundial.

Atrás falávamos da utilização do sistema por muitas mulheres. Pois bem, a Gillette também pensou nisso e no início dos anos 50 lançou um sistema adaptado, o GILLETTE Milady Décolletée, e nos anos 90 o Sensor for Women e o GILLETTE Venus, versão feminina do Mach 3, também voltado para as características específicas de uso pelas mulheres.

A inovação esteve sempre presente pelo que ao longo dos tempos foram desenvolvidos e lançados sistemas cada vez mais sofisticados, como os conhecidos Sensor Excel, GILLETTE MACH3, GILLETTE MACH3 POWER, GILLETTE FUSION. Enfim, uma porfusão de sistemas, fortemente sustentados por grandes campanhas publicitárias e de marketing.

Actualmente a marca, é comercializada em mais de duas centenas de países, emprega cerca de trinta mil empregados e possuí mais de três dezenas de unidades industriais em 14 países de todo o mundo.  A Gillette actualmente é propriedade do grupo  multinacional Procter & Gamble, detentor de muitas e conhecidas marcas, desde a alimentação, passando pela limpeza, higiene e até electrodomésticos.

Nos anos 40 a marca iniciou uma forte ligação aos grandes eventos desportivos, estratégia que ainda hoje se mantém, assegurando uma contínua exposição mediática.

Estima-se que os produtos da Gillette, desde as máquinas, láminas, cremes e outros acessórios sejam utilizados diáriamente por cerca de 1 bilião de pessoas em todo o mundo.

Desde 1901 até aos nossos dias, a marca percorreu um longo caminho, sempre cheio de sucesso, fazendo assim parte das nossas memórias do passado mas também do presente.

Estas são as nossas memórias. Mas voltaremos ao assunto com novos velhos anúncios.

8/22/2008

O Barqueiro - Jogo de crianças

 

barqueiro_santa nostalgia

Jogo do  Barqueiro.

o Barqueiro era um jogo muito popular entre as crianças do meu tempo de escola primária. Era jogado no recreio mas exigia algum espaço pelo que de preferência era jogado no terreiro adjacente à escola.


Podiam participar várias crianças, quantas mais melhor. Duas delas, que seriam os porteiros da ponte, reuniam-se isoladamente do resto do grupo e combinavam entre si representar determinado elemento. Por exemplo, um representaria o trolha, o outro o pedreiro; um a rosa, o outro o cravo; um o Benfica, o outro o Porto; um o amarelo, o outro o vermelho; um a Espanha  o outro a França, e por aí fora. Era importante que fossem coisas com valores ou significados opostos mas semelhantes em termos de importância.

Uma vez feita esta combinação, colocavam-se os dois de mãos dadas, levantadas em arco, de frente um para o outro. O resto do grupo participante formava uma fila, uns atrás dos outros, com as mãos apoiadas nos ombros do companheiro da frente e dava uma volta tipo combóio, de modo a passar entre a ponte e os porteiros. Logo que ali passasse, os porteiros apanhavam o último elemento da fila rodeando-o com os braços e então, em voz baixa e junto ao seu ouvido, perguntavam-lha qual a preferência entre as duas coisas combinadas. A criança escolhia uma delas e então era mandada para trás do porteiro que a representava. A volta recomeçava e o procedimento era o mesmo até que todos os restantes participantes da fila (que desconheciam os elementos em jogo e os seus representantes) tivessem escolhido e sido encaminhados para trás da fila que entretanto se formava atrás de cada porteiro. Terminada esta fase, entre os dois porteiros era traçado um risco divisório e então ambos os grupos, com os elementos agarrados à cinta uns dos outros, começavam a puxar para trás de modo a obrigar o grupo adversário a transpôr o risco. Quando isso sucedia, tal grupo perdia.
Neste sentido, residia aqui a importância dos elementos escolhidos serem equilibrados, pois caso contrário era normal que um grupo ficasse maior que o outro e na fase final um grupo inferior perderia pela certa.

Um dos aspectos interessantes do jogo era a cantilena que lhe estava associada. A fila quando dava a volta, e antes de entrar na portaria ou ponte, devia cantar:

Ó barqueiro, ó barqueiro,
dá licença de passar,
tenho filhos pequeninos,
que não posso criar.

Então os porteiros cantavam:


Passarás, passarás,
Mas algum há-de ficar,
Se não for o da frente
Será o de lá de trás.

Nesta altura, apanhavam o último elemento da fila, conforme já explicado, recomeçando a cantilena e o processo.

Notas:
Este jogo nalgumas zonas do país é conhecido como "Bom Barqueiro" ou "Combóio".

Também a cantilena pode ser diferente nalguns versos, mas de grosso modo é muito semelhante, por exemplo:

-Ó senhor Barqueiro
deixe-me passar,
tenho filhos pequeninos
não os posso sustentar.

Passará, passará ,
mas algum deixará,
se não for a mãe da frente
é o filho lá de trás.

Na minha terra canta-se assim:

o barqueiro_musica_santa nostalgia

Publicidade nostálgica - Laca Yenka - Memórias da ida ao barbeiro

publicidade antiga_santa nostalgia_yenka

Não é uma marca muito conhecida e provavelmente já nem se fabrica, mas ainda me recordo de levar com uma camada desta laca, pulverizada pela mão nervosa do barbeiro da aldeia na véspera da minha comunhão solene. Tão nervosa a mão que mutilou metade da minha franja à Beatles.

A ida ao barbeiro, ainda que sazonal (quase sempre no início do Verão) era um duro castigo para os rapazes, pois o barbeiro, o Ti  Tonico, era mais nervoso que a sua mão e, contraditoriamente, não suportava o nervoso dos seus jovens clientes. Ainda por cima, éramos obrigados a ficar sentados sobre três ou quatro almofadas para compensar a falta de altura e no cimo dessa poltrona oscilávamos mais do que um choupo em tarde de ventania. Com a História de Portugal na ponta da língua, não fora a imobilização forçada, sentir-me-ia como o Samorim de Calecute na sua poltrona de púrpura a receber o recém chegado Vasco da Gama.

Para forçar a posição, o Ti Tonico apertava-nos a cabeça com a sua grande e nervosa manápula, como quem prova a madurez de um melão na feira de Santa Eufémia. Outro calvário: Não havia uma única cabeça de rapaz de aldeia que não tivesse a sua criação de piolhos e lêndeas, pelo que o Ti Tonico teimava em exterminar a família esmagando cada gordo exemplar entre a sua unha suja do polegar contra o nosso couro cabeludo. Um autêntico piolhicida, o Ti Tonico.

 image

O castigo agravava-se pelo facto do Ti Tonico, neste processo, nos envolver numa branca mortalha a modos do que fazia com os seus mal-cheirosos cigarros Águia, que fumava durante a "ceifa", pelo que ficávamos apenas com a cabeça de fora, com jeito de maluco enfiado numa camisa de forças, sem poder usar as mãos para coçar as orelhas e o nariz coberto de cabelo de ano. Um autêntico suplício digno da Inquisição. Valha-nos que pelo menos podíamos coçar os co...testículos.

Como se fossem poucos estes castigos, a máquina manual de cortar cabelo rapáva-nos o cachaço com forte pressão num trec-trec arrepiante. Finalmente, era temível ver o Ti Tonico afiar a navalha para nos acertar as suissas. Não raras vezes, a navalha deixava marcas.

Era, pois, com um forte sentimento de alívio quando saltávamos abaixo da poltrona, não sem antes sermos encharcados do cachaço à boca e de uma a outra orelha pela colónia Patcholi servida pela concha da manápula do Ti Tonico. Durante semanas, até porque os banhos eram raros, fedíamos a colónia mas parece que as raparigas gostavam, pelo menos achávamos que se encostavam mais.

Bons tempos, estas idas ao barbeiro da aldeia, pelo menos recordados agora à distância e à segurança de uma catrefada de anos, mas, verdade verdadinha, recordo-me que aqueles eram momentos deveras penosos.

Quanto ao Yenka (que parece nome de ucraniana), nada mais sei sobre este produto. A empresa fabricante, a Marcelle Bouhon, L.da ainda existe, pelo menos aparece listada nos directórios de empresas, com sede na Rua Latino Coelho, Venda Nova, Amadora, sendo referenciada no sector de armazenistas e fabricantes de produtos de cosmética e perfumaria.

Alguém saberá dizer se ainda se fabrica e comercializa esta marca? Pelo menos o Ti Tonico, que Deus o tenha em descanso, e que continue como o seu passatempo das tardes de domingo, a ouvir o Tannhäuser no seu majestoso gira-discos enquanto fumava os Águia, não tem comprado. Bem, também porque agora e desde há anos,  valha a verdade, não tem tido clientes, até porque os anjos não têm pelos na venta e os apóstolos e os grandes santos doutores da igreja, continuam a ter orgulho nas suas milenares e imponentes barbas, pelo que se conste também não recorrem aos serviços do Ti Tonico. Valha-lhe a afinação do coro dos peregrinos.

- Fragrância, suavidade, frescura!

8/21/2008

O balde e a pá da praia

praia_santa nostalgia_06

Ontem fui à praia. Esposa e filhos acompanharam e durante toda a tarde houve tempo para tudo: Apanhar sol, talvez até em demasia, mergulhar, lanchar e, claro, brincar. Vendo o meu filho a brincar com a areia, foi sobretudo um momento de voltar atrás no tempo, aos meus tempos de criança e recordar também as minhas brincadeiras na praia. Bem vistas, as coisas nesse aspecto até nem mudaram muito. Talvez mais brinquedos, e mais sofisticados, de resto a mesma alegria, imaginação e empenho, muito empenho na construção dos míticos castelos de areia, grutas, covas e outras coisas mais ou  menos parecidas, sempre com a areia, seca e molhada, os godos ou seixos e as conchas.

Os brinquedos da praia, o balde, de plástico e até de chapa, e a sua inseparável companheira, a pá. Não era necessário mais nada para se construir um mundo, um castelo. Estes dois objectos estão profundamente ligados à memória de milhares de portugueses porque lhes passaram pelas mãos, numa qualquer praia da extensa costa deste nosso Portugal.

É pois, com saudade, que recordo aqui, em meu nome e em nome de muitos portugueses, esses simples mas inestimáveis brinquedos, o balde e a pá, sempre incansáveis a construir castelos  de areia, com fosso, ameias, torres e torreões.

Claro que no meu tempo de criança, a ida à praia era mesmo mágica e especial, porque era rara; uma ou duas vezes em todo o ano, em todo o Verão. Vivendo a cerca de 20 Km da mesma, e com a família numerosa, e com parcos recursos, a oportunidade era quando o meu avõ materno, e padrinho, alugava a clássica carrinha "pão-de-forma" da Wokswagen e lá ía a família toda a banhos para Espinho (hoje muito diferente) ou para o Furadouro.

Momentos deliciosos, complementados com uma sande de compota caseira, feita de amoras, e gelados de gelo, com sabor a laranja, da Neveiros, da Rajá ou da Olá.

Momentos inolvidáveis, que se perderam no tempo, como se perderam dezenas e dezenas de metros do extenso areal onde então brincava, com os meus irmãos. Perderam-se também os rudimentares castelos de areia limpa e dourada, que resistiram às investidas inventadas dos sarracenos mas que foram abalroados pelas doces ondas de um final de tarde de um qualquer longínquo Verão. Tudo isso se perdeu, é certo, mas tudo isso continua vivo nas minhas e nossas memórias. E recordar é viver.

(imagem acima, de autoria de Maria Keil, extraída do meu livro de leitura da primeira classe; imagens seguintes, desenhadas por mim para ilustrar o post.)

praia_santa nostalgia_03

praia_santa nostalgia_02

praia_santa nostalgia_01

praia_santa nostalgia_04

Vestuário em Dralon - Fibra acrílica da Bayer


publicidade antiga_santa nostalgia_dralon_01
publicidade antiga_santa nostalgia_dralon_02
publicidade antiga_santa nostalgia_dralon_03

Três cartazes publicitários à fibra acrílica alemã DRALON, uma marca da BAYER. Três modelos de vestuário a fazer inveja a muitas mulheres portuguesas.
Era uma época em que a forma de vestir das mulheres lusas estava em forte mudança, repercutindo-se, embora com atraso, no que estava a acontecer nos Estados Unidos e na Europa. Por isso era muito frequente nesta altura a publicidade a vestuário, aos seus modelos de linhas simples mas ousados e, claro, a par das maravilhas apregoadas às novas fibras sintéticas.
A DRALON foi introduzida em Portugal em 1965, tendo sido um êxito, como aconteceu com todas as fibras sintéticas dessa época.

Hoje em dia valorizam-se as fibras naturais, como a lã, o algodão, a seda e o linho, e evitam-se as sintéticas, pelo menos ao nível de roupas que contactam directamente com o corpo, como as cuecas, peúgas e camisas, mas nem sempre foi assim, pois nos anos 60 e 70 estas fibras, produzidas a partir do período pós II Guerra Mundial, eram muito populares pelo seu preço acessível, facilidade de manutenção, tratamento e sua durabilidade. Por conseguinte, são muito comuns dessas décadas os reclames publicitários tanto ao Dracon como ao Terylene e ao Nylon. Estas fibras, constituindo tecidos a 100% ou misturadas com as fibras naturais, permitiram um maior desenvolvimento da indústria têxtil e por acrescento, da moda e do vestuário.

As fibras sintéticas são produzidas a partir de polímeros derivados do petróleo e carvão. Os polímeros mais conhecidos são o Poliamida, o Polyester e o Acrílico. A partir destes três principais,  produzem-se o Nylon, a partir do Poliamida, o Terylene, Trevira e Dracon, a partir do Polyester e o Acrilon, Courtelle, Orlon e o nosso Dralon a partir dos polímeros de Acrílico.
A Dralon foi vendida pela Bayer em 2001 à Italy's Fraver Group.

- Dralon - url

8/20/2008

Crónica Feminina - 433, 434

 

cronica feminina_santa nostalgia_433

cronica feminina_santa nostalgia_434

aqui falámos da revista "Crónica Feminina", mas continuará a ser presença assídua neste nosso espaço de memórias e nostalgias. Estas são as capas dos Nºs 433 e 434, as edições de 11 e 18 de Março de 1965. Atente-se na simplicidade das capas. Agora imagine-se uma das revistas similares do nosso tempo, como as popularuchas e "quase pornográficas"  "Maria" e "Ana", já para não falar das de maior formato. De facto não têm nada a ver. É claro que os meios, as mentalidades e os tempos são outros, mas convenhamos que de um excesso de discrição e bons costumes passamos para uma situação de total indecoro e "à vontadex". No nosso tempo, se queríamos ter acesso à pornografia líamos às escondidas a GINA (falaremos oportunamente desta revista) ou entrávamos pela porta-do-cavalo no cinema da vila. Agora, mesmo crianças de 13 a 15 anos têm fácil acesso a essas revistas, caracterizadas por uma forte componente de conteúdo erótico a extravasar pró-pornografico, quer ao nível dos textos quer na profusão das imagens.

Esta realidade é boa, é má? Questionável, certamente, mas isso seria assunto para outros espaços, que não este.

Pesquisar no Blog

S.L. Benfica - 1974/1975

  Equipa do S.L. Benfica, na época 1974/1975 (Campeão Nacional). Do tempo em que os adeptos não andavam a torcer por uma equipa quase toda c...

Populares