Por sua vez, em casa, esse bocado de barra ainda era mais fraccionado, mais ou menos no tamanho dos sabonetes, de forma a tornarem-se manuseáveis. Claro que nos primeiros dias de uso, era algo inconveniente, com as arestas demasiado vincadas. Depois, com o uso, o bocado de sabão tornava-se num autêntico sabonete, macio e arredondado, apenas, por norma, menos bem cheiroso. Neste aspecto, o Clarim, era dos mais perfumados.
10/27/2008
Sabonete Rexina - Há sempre lugar para mais um...
Por sua vez, em casa, esse bocado de barra ainda era mais fraccionado, mais ou menos no tamanho dos sabonetes, de forma a tornarem-se manuseáveis. Claro que nos primeiros dias de uso, era algo inconveniente, com as arestas demasiado vincadas. Depois, com o uso, o bocado de sabão tornava-se num autêntico sabonete, macio e arredondado, apenas, por norma, menos bem cheiroso. Neste aspecto, o Clarim, era dos mais perfumados.
10/23/2008
Domingo de Outono
DOMINGO DE OUTONO
Voltei a subir aos montes da minha infância
E percorri velhos caminhos,
Trilhos de sombras e murmúrios das águas.A brisa dos meus passos quando menino,
Afagou de leve o meus rosto de homem,
Deixando neblina na forma de lágrimas.Calcorreei tojo, silvados e subi ao velho carvalho,
Brinquei às escondidas na sua gasta folhagem
Tão quente como as suas cores.Ouvi os gracejos do melro preto
E avistei o pisco de peito ruivo.
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
É de facto uma emoção redobrada e sentida, sempre que percorremos caminhos e lugares que noutros tempos foram palcos das nossas brincadeiras de criança. A distância do tempo ajuda a sedimentar essa emoção e nostalgia.
Este local a que me refiro, neste meu simples poema, uma espécie de paraíso perdido, no fundo da minha aldeia, todo ele emana memórias e recordações: Os caminhos, os campos, os pinhais, a ribeira, as nascentes de água, a represa, o moinho de água, as levadas, os velhos carvalhos, os castanheiros, as cerejeiras e macieiras, os melros, os piscos, os cucos, as poupas, as rolas, os pombos, os seus ninhos e seus chilreios, são elementos inesquecíveis e que, apesar dos anos e do aspecto de abandonado, permanecem ali, como que a convidar ao regresso, ao trabalho duro do campo, é certo, mas também às folias, aos jogos, às escondidas, ao apanha, ao nadar na represa de água tão fria quanto límpida e à construção das cabanas num renque de árvores.
Mas não...Há por ali um sentimento de mera nostalgia e ao mesmo tempo um sentimento de comoção por algo que se perdeu e apenas revive na memória. A morte do local, desse pequeno paraíso, é irreversível quanto a impiedosa abertura de uma nova auto-estrada, que inexoravelmente vai rasgar aquelas entranhas, bem por cima da represa, bem por cima do moinho, bem por cima das nossas mais puras recordações.
Mas a memória tem o dom e o condão de ressuscitar esses momentos, de condensar esses istantes, esses lugares e como tal viverão dentro de nós para sempre. As fotografias que fui colhendo vão dar uma ajuda.
10/21/2008
O Livro da Segunda Classe - Edição de 1958
Termino com a publicação de um bucólico poema de Francisco Palha, incluso neste livro de leitura da segunda classe:
Avé Maria
No sino da freguesia
Três badaladas ouvi.
Sobre a terra úmida e fria,
De joelhos, mesmo aqui,
Oremos, que é findo o dia,
Avé Maria!
Descendo da serrania,
Já o pastor ao curral
Os fartos rebanhos guia.
De abundância ao de hoje igual,
Dai-lhe amanhã outro dia,
Virgem Maria!
A mãe, que o filho cria,
Já no berço o vai deitar.
Um sono tranquilo envia
Sobre o seu tecto poisar
Até ao romper do dia,
Virgem Maria!
Francisco Palha
10/20/2008
Kung Fu - As aventuras de Caine
Hoje trago à memória uma série de TV que também deixou profundas marcas à rapaziada da minha geração, ainda em idade da escola primária.
Trata-se da série Kung Fu, que passou na RTP nos anos 70, ainda a preto e branco.
A série desenvolveu-se em três temporadas, entre 1972 e 1975, com 16 episódios para a primeira, 23 para a segunda e 24 para a terceira, num total de 63 episódios, sensivelmente de 60 minutos cada, sendo que o primeiro filme, considerado o episódio piloto, teve a duração de 90 minutos.
A série tinha como actor principal David Carradine, que desempenhava o papel de Kwain Chan Caine, um monge Shaolin.
No preâmbulo da história, o jovem monge, mestre da arte marcial Kung Fu, vinga a morte do seu querido mestre Po, derrotando, numa luta mortal, o seu assassino. Po é um um idoso sábio, que apesar de ser cego, transmite grandes e profundos ensinamentos ao seu pupilo, a quem chama de Gafanhoto. Na sequência do seu acto, o governo do Império Chinês coloca a sua cabeça a prémio e Caine vê-se perseguido de morte, pelo que, tal como muitos chineses, parte refugiado para a América, deslocando-se para o chamado oeste selvagem.
Caine viaja de terra em terra, sempre sob o estigma da perseguição. Desloca-se a pé, percorrendo enormes distâncias por zonas inóspitas. Não tem cavalo, nem armas. Apenas uma simples bagagem de peregrino errante.
Em cada episódio Caine envolve-se ou vê-se envolvido na trama do quotidiano das gentes daquele tempo e daquela região, entre cowboys, aventureiros, ladrões e gente sem escrúpulos, mas também de gente simples e indefesa por quem Caine sempre se coloca ao lado, fazendo prevalecer a justiça. É claro que Caine, apesar de ser um exímio lutador Shaolin da arte do Kung Fu, evita ao máximo envolver-se em lutas ou demonstrar as suas capacidades e só como último recurso recorria à força e quase sempre apenas na justa medida, nunca optando por violência gratuita apesar de muitas vezes estar ameaçado de morte. A sua principal força residia na sua mente, na sua agilidade e astúcia.
Uma das situações recorrentes em todos os episódios, era os interregnos narrativos, uma espécie de flash backs, onde Caine recuava à sua anterior realidade enquanto monge Shaolin, colhendo e recordando os diversos ensinamentos do sábio mestre Po. Estes ensinamentos, muitas vezes autênticos jogos mentais e de palavras, eram contextualizados a cada situação que Caine vivia em cada momento na sua peregrinação pelo oeste americano.
Mercê do êxito da série, em 1986 foi produzido o filme "Kung Fu: The Movie", novamente com David Carradine e quase de seguida a série: "Kung Fu - A lenda continua". Mas como quase sempre acontece com as sequelas, não conseguiu ofuscar o brilho e o êxito da primeira série.
Com esta série, a arte marcial do Kung Fu tornou-se muito popular entre nós, que já vinha dos êxitos de estrelas das artes marciais, como o popular Bruce Lee e Chuck Norris, cujos filmes passavam frequentemente nos cinemas da província nas tardes de Domingo. Assim, um pouco por todo o lado, começaram a aparecer as escolas do Kung Fu e de Karate.
Esta série Kung Fu, como muitas outras da altura, das quais já aqui tenho recordado, era motivo de grandes plateias junto às poucas televisões existentes na aldeia. cada episódio prendia a atenção do primeiro ao último minuto.
Boas recordações destas noitadas a ver estas fantásticas séries. Pelo menos na altura era assim que as víamos.
10/16/2008
Cantilenas e lengalengas - A chover e a dar sol na casa do rouxinol...
No Inverno, principalmente em dias de geada, o intervalo do recreio era aproveitado pelas crianças da escola primária para apanharem um pouco do sol saboroso desses dias bem frios.
Para o efeito, encostavam-se à fachada nascente da escola e ali mantinham-se como gatos ao borralho, soturnos e com as mãos no bolso.
Então sempre que alguém se colocava defronte, roubando assim o sol morno ao colega, era frequente este dizer a seguinte cantilena:
Quem está à frente do meu sol
É o diabo de Vila Maior,
Com o sangue a escorrer
E o gato a lamber.
Normalmente ninguém queria assumir o papel de Diabo, pelo que quase de imediato quem estivesse a provocar sombra mudava logo de posição.
Outra cantilena: Sempre que estava a chover mas em simultâneo, por entre o céu nublado, lá apareciam uns risonhos raios de sol, era comum dizer-se a seguinte cantilena:
A chover e a dar sol,
Na casa do rouxinol,
A velhinha atrás da porta
A remendar o lençol.
Esta cantilena, popular na minha aldeia, é, no entanto, conhecida noutras regiões com outras variantes. Por exemplo:
A chover e a dar sol
Na cama do rouxinol;
Rouxinol está doente
Com uma pinga de aguardente.
A chover e a dar sol
Na casa do rouxinol;
Rouxinol está no ninho,
A comer o seu caldinho.
À porta do rouxinol;
Rouxinol veio à janela,
Logo dar a espreitadela.
Como curiosidade, esta lengalenga, tem em comum o verso A chover e a dar sol e ainda a palavra rouxinol, daí que normalmente é conhecida pela cantilena do Rouxinol
10/12/2008
Iogurte Longa Vida
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