7/21/2009

O macaco de rabo cortado – Viagens pelos livros escolares - 15

Do meu Livro de leitura da segunda classe, deixo aqui a história do Macaco de rabo cortado. Quem se recorda desta lição? Acredito que a maior parte de quantos tiveram este livro na sua escola primária jamais esqueceram a história. A sua estrutura do tipo banda desenhada, com belas ilustrações, ajudou à popularidade deste trecho do livro de leitura da segunda classe. Certamente que  muitos ainda sabem de cor-e-salteado a lenga-lenga final.

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7/20/2009

Férias grandes

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As escolas já estão de férias, nomeadamente para a comunidade de alunos. Para estes, são as tão esperadas férias de Verão, noutros tempos conhecidas como "férias grandes". Depois das férias do Natal e da Páscoa, chegam as mais longas e as mais ansiadas.

Noutros tempos eram quase três meses de tempo livre, destinado às brincadeiras mas sem se descurar a ajuda aos pais nas tarefas domésticas e até nos trabalhos do campo.
Hoje em dia os alunos, tanto os da escola primária como os mais velhos, já quase nada fazem de útil a não ser mesmo comer, dormir, brincar e preguiçar. Vejo isso pelos meus filhos e meus sobrinhos e de um modo geral por todos os outros. São uns autênticos inúteis. Diria até que as férias grandes representam para os pais responsabilidades e trabalhos acrescidos.

No meu tempo de criança, era frequente os rapazes que frequentavam a quarta classe ou Ciclo Preparatório irem trabalhar durante as férias ou parte delas, umas vezes como moços de trolha, ou até em fábricas e oficinas.  Era assim uma forma de ocuparem o excessivo tempo livre e de também ajudarem os pais, ou então ganharem alguns trocados para a compra de algumas coisas necessárias ou desejadas. Dessa forma ganhei parte do dinheiro com que comprei a minha primeira bicicleta. Sim, eu tive que ganhar o dinheiro para a minha bicicleta.

É certo que a questão do trabalho infantil é ainda hoje assunto de discussões. Se é consensual e não há grandes dúvidas quanto à proibição do trabalho em detrimento do percurso escolar, já no que diz respeito a trabalho sazonal num determinado contexto e com tarefas adequadas à idade e ao físico, há quem entenda ser uma forma positiva servindo como ambientação ou preparação para a vida activa anos depois. Eu também penso mais ou menos dessa forma. Mas há, no entanto, quem conteste mesmo esta posição mais soft e entenda que as crianças, por mais crescidas que sejam, não devem efectuar tarefas que consubstanciem trabalho.

Apesar disso, há muita hipocrisia e demagogia na interpretação do conceito do trabalho infantil. Considera-se como tal o trabalho no campo, na fábrica, na oficina ou até na construção civil, mas já não se constesta o trabalho infantil ao nível da indústria de audiovisual e produção de conteúdos de entretenimento. Veja-se a quantidade de crianças que trabalham actualmente em telenovelas, em televisão, cinema, etc. Não será isso trabalho infantil? Qual a diferença substancial? A quem importa esta dualidade?

Esta é de facto uma questão que dará "pano para mangas" e já foge ao objectivo do artigo. Para o caso, importa apenas deixar as comparações entre tempos diferentes como ponto de reflexão.
É certo que desde os meus tempos de criança até à actualidade as coisas melhoraram muito mas certamente com exageros nalguns aspectos. Com o alargamento da idade escolar obrigatória, pretende-se logicamente educar uma sociedade mais culta e torná-la supostamente mais qualificada. Infelizmente, outras medidas que deveriam ser paralelas e convergentes, ficaram para trás criando desequilíbrios sociais. Os filhos, deixaram assim de ser uma fonte de rendimento para as famílias, porque se empregavam cedo, e passaram a ser fontes de despesas e responsabilidades até idades tardias, muitas vezes para além dos recursos dos pais.

Não admira, pois, que tenhamos cada vez mais uma sociedade de gente jovem e adulta ociosa e que contacta cada vez mais tarde com o mundo do trabalho e das responsabilidades inerentes. São largos milhares os tais qualificados e licenciados desempregados ou em empregos precários e nada condizentes com as suas qualificações. Estaremos apenas a qualificar desempregados? Será caso para nos sentirmos orgulhosos de termos uma população desempregada mas qualificada e dependente ad aeternum da ajuda dos pais, com necessidades de cama, mesa e roupa-lavada?
O que mudou, o que falta mudar? Importa reflectir.

- Imagem retirada do Livro de leitura da primeira classe (clicar para ampliar).

7/19/2009

Produtos de higiene para bébé - Johnsons

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Num dos últimos artigos, falava aqui dos produtos de higiene de bébé da marca Ralay Baby. Hoje trago à memória um cartaz publicitário de outra marca, provavelmente uma das mais conhecidas neste sector de produtos, exactamente a Johnson´s.
Esta marca e os seus produtos são por demais conhecidos a nível mundial, fazendo parte do dia-a-dia da higiene diária dos bebés e não só.

O cartaz é de 1975 e refere-se às virtudes do óle de bebé Johnsons, apontado como o ideal para a protecção da pele delicada do bébé, tanto perante os rigores do tempo de Inverno, como o vento e o frio, como do Verão, com o calor e transpiração. Por conseguinte, creio que quase todos os portugueses tiveram nos seus primeiros meses de vida o seu rabinho e o corpo em geral hidratado com o óleo Johnsons. Já agora, não esquecer o pó-talco indispensável nas zonas íntimas.

Veja a história da Johnson&Johnson, neste excelente artigo.

7/17/2009

LASSIE – Série TV

"LASSIE" é o nome de uma das séries TV mais populares e ainda recordadas entre nós.
Trata-se de uma série norte-americana, exibida inicialmente entre Setembro de 1954 a Março de 1974. Ao todo foram 19 temporadas e 588 episódios de cerca de 30 minutos cada. Um caso raro de longevidade televisiva.

Em Portugal, na RTP, passou no tempo do preto-e-branco, no início dos anos 70. Em 1973, por exemplo, era exibida às 19:45 horas das quintas-feiras. Apesar disso, no original, a série foi filmada no início também a preto-e-branco, mas nos anos 60 já era produzida a cores.
Todavia, à volta da figura de LASSIE, foram realizados vários filmes e séries. Destas, a que relembro de modo particular, e a mais popular entre os portugueses, é que falo no início.

Lassie é uma cadela da raça collie, que se destaca pela sua beleza, inteligência, coragem e fidelidade aos seus donos, quase sempre crianças, resolvendo e ajudando situações do dia-a-dia. Os donos de Lassie foram diversos de acordo com as alterações introduzidas à série, como de resto seria normal num período tão longo de produção. Jeff Miller (interpretado por Tommy Rettig dos episódios 1 a 116), um miúdo de 11 anos, desde o início da série até à quarta temporada, seguindo-se o pequeno Timmy Martin (interpretado por Jon Provost, dos episódios 116 a 352),, entre 1954 e 1964, Corey Stewart, de 1964 a 1968 e Lucy Baker, até ao final, a seguir a um período em que Lassie andava por um lado e por outro, sem dono específico, relacionando-se com várias pessoas, adultos e crianças.

Como já se referiu, devido à excessiva duração da série, a história acabou por ter várias reformulações, algumas delas quase radicais. Por um lado os produtores pretendiam ajustar a situação aos diferentes actores que íam entrando e saíndo da série e por outro lado tinham como objectivo manter um interesse consistente dos telespectadores. Penso que isso acabou por ter efeitos indesejáveis porque, falo por mim, às tantas, perdia-se o interesse no formato. Afinal de contas, o que fica é a primeira impressão.

Seja como for, Lassie tornou-se num caso único de popularidade mundial e ainda hoje é bastante reconhecida, tendo até o seu sítio na Net, onde se pode conhecer com mais rigor a sua já longa história.
Devido a essa popularidade, mesmo hoje-em-dia frequentemente confunde-se a raça canina collie com lassie.
Como curiosidade, apesar de na série Lassie ser identificada como sendo uma cadela, dizem que na verdade esse papel sempre foi interpretado por um macho. Verdade?
Como não podia deixar de ser, no início seguia esta série com entusiasmo infantil, a par da série Skippy. Afinal, as crianças sempre se sentiram fascinadas pelos animais e então quando eram eles os heróis dessas séries, esse fascínio aumentava.

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- Saiba mais: link

7/16/2009

Ralay Baby – a higiene para o bébé

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Hoje em dia quando se fala de produtos para a higiene dos bebés, inevitavelmente, entre outras marcas, fala-se da Johnsons, especialmente do seu óleo para a pele e champô para o banho.

Nos anos 60, era feita publicidade aos produtos Ralay Baby, como sejam a loção, óleo, champô e colónia. Estes produtos eram apregoados como “cientificamente estudados para a epiderme do bebé”.
Não consegui, contudo, confirmar se o laboratório e a marca ainda existem.

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Actualmente não há bébé que não tenha todos estes mimos mesmo os que não nasceram em berço de oiro. Noutros tempos, apesar de já existirem produtos sofisticados, como é o caso do Ralay Baby, nas famílias modestas o usual era o sabão vulgar para o banho e o pó-talco para amaciar e proteger a pele de humidades, especialmente nas zonas íntimas.

Mesmo as fraldas descartáveis eram um luxo. O usual era a utilização de fraldas de pano de algodão, que depois de lavadas serviam inúmeras vezes. Para isso, para prender as pontas, existia o famoso alfinete de bebé, nas cores azul para os meninos e cor-de-rosa para as meninas.

Pessoalmente, apesar de criança, recordo-me de mudar as fraldas a alguns dos meus irmãos mais novos, o que, diga-se, era um frete desagradável. Mais inconveniente, contudo, era quando eles, já de fralda cheia começavam a gatinhar pela casa deixando um rasto como um caracol. Este assunto dá pano para outras mangas (histórias). Um dia destes….

7/15/2009

Água da fonte – Viagens pelos livros escolares - 14

 

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Actualmente, mesmo em muitas aldeias do interior, a água canalizada já chega com todo o comodismo às torneiras das casas. Mas nem sempre foi assim: Noutros tempos, o abastecimento público de água era um privilégio das cidades e vilas e nem todas. Por conseguinte, as fontes e poços tinham uma importância extrema no fornecimento de água às populações, tanto para consumo como para rega.


No tempo do Estado Novo, a construção de um lavadouro público, quase sempre ao lado de um fontenário, era uma obra deveras importante para as populações locais. Neste contexto, na minha aldeia, que até é pequena, existem pelo menos 6 desses equipamentos, quase todos construídos no início dos anos 60.
Com o tempo foram perdendo importância pelo que a utilização do lavadouro é já muito esporádica. As fontes continuam a funcionar, é certo, mas pouco aproveitadas, até porque a água que brota nalgumas delas estão consideradas impróprias para consumo. Dizem que estas análises oficiais têm uma estratégia  de obrigar as pessoas a solicitarem o abastecimento de água pela rede pública, que no caso já serve toda a freguesia. Será?


Actualmente, na minha freguesia e nas vizinhas, e isto deve ser uma tendência generalizada, é frequente as pessoas virem com uma carrada de garrafões abastecerem-se de água junto das fontes mais populares. É uma forma de pouparem no consumo da companhia mas também porque a água natural é de facto melhor.


Na casa de meus pais sempre existiu uma fonte de água permanente, entubada a partir de um monte próximo, percorrendo cerca de mil metros desde a mina de origem. Ainda hoje é dessa fonte que se abastece a casa.
Acresce dizer que essa água a partir da origem é distribuída em partes semelhantes por mais quatro proprietários ou consortes, como se diz por aqui. A divisão é realizada numa caixa central.


Por conseguinte, em criança nunca tive muito trabalho a água mas a minha mãe narra-me histórias em que ela, quando criança, tinha como uma das tarefas deslocar-se a uma fonte distante, várias vezes ao dia, transportando água num caneco de madeira. Tempos difíceis.

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Apesar, de como se disse no início do texto, a água canalizada já chegar a muitas aldeias, mesmo interiores, também é verdade que em muitas outras, o acesso e utilização da água é igual ao de outros tempos, com recurso a fontes e a nascentes, sendo necessário o transporte quase diário.


Os povos antigos tinham uma notável capacidade de aproveitamento da água. Na minha aldeia existem inúmeras represas (presas como por aqui se diz), minas, charcos e poços, para além das fontes naturais. Era notável o sistema de transporte por gravidade, usando-se os canais chamados regos, que em muitos casos percorrem enormes distâncias, desde a origem até aos campos.

O uso dessas águas e desses sistemas, era quase sempre comunitário ou de grupos de consortes. Nalgumas zonas existem mesmo associações de utilizadores de água para o uso de regas. Nesses antigos sistemas, a sua manutenção competia a todos, normalmente uma vez por ano antes do Verão, previamente ao tempo das regas. A distribuição obedecia a “giros” transmitidos de geração em geração e muitas vezes eram anotados nas escrituras testamentárias. Uns tinham água de manhã, outros só de tarde, outros todo o dia, uns apenas uma vez por semana ou de quinze-em-quinze dias e outros várias vezes por semana, etc.

Estes giros e estas distribuições nem sempre estavam relacionadas com a quantidade e área das propriedades mas principalmente com a importância dos proprietários na origem. Ou seja, se um rico proprietário investiu mais dinheiro na obra, naturalmente o usufruto ficou determinado pela importância dessa participação. Os proprietários com fracos recursos, resignavam-se a uma pequena parte no uso do sistema e da partilha da água, quase as sobras.

Tudo isto teve os seus dias, nos tempos dos nossos avós e dos pais destes. Na actualidade, por questões práticas e de funcionalidade, os novos proprietários modernizaram-se, realizando poços e furos equipados com bombas eléctricas, abastecendo modernos sistemas de rega,  pelo que o sistema antigo já quase desapareceu. Subsistem alguns poucos exemplos, em aldeias do interior ainda com forte predominância agrícola, mas até esses têm os dias contados. Quando muito, podem ser conservados como exemplos de património rural que algumas autarquias começam a valorizar como componente turística.


Também no vale da ribeira que atravessa a minha aldeia, existe todo um sistema de levadas e regos que possibilitava a rega  a quase todos os campos localizados nas margens. Hoje também quase não são utilizados.


Muito mais há a dizer sobre a água e sua importância económica, social e cultural, de modo especial nas aldeias, no contexto de consumo doméstico e da agricultura.


Prometemos voltar a este assunto.

(clicar nas imagens para ampliar)

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