6/09/2010

Malhas Ameal – Moda Jovem

 

ameal moda jovem sn

Cartaz publicitário da marca Ameal, publicado em 1973. Apregoada como uma linha internacional de moda jovem, igualando a mesma qualidade e o requinte de produções estrangeiras.
Ontem como hoje, Portugal produz excelentes artigos e produtos e continua actual a necessidade de valorizarmos o que é nosso.
Quanto à marca Ameal, não consegui grandes informações, mas penso que se refere à empresa Fabrica de Malhas do Ameal S.A. - Porto.
Numa altura em que ainda vigorava o velho regime, num período de censura e brandos costumes, é de registar a naturalidade com que estes anúncios em trajes reduzidos, com belas mulheres, apareciam já, tanto na televisão como nos jornais e revistas, acompanhando as tendências que vigoravam pela Europa.
Aqui tratava-se de roupa íntima feminina, e bem analisadas as peças, poder-se-á concluir que passados 40 anos,  a este nível, as modas pouco mudaram. É claro que, há uma linha mais arrojada, onde predominam as cuequinhas de "fio dental" ou "asa delta", sobretudo nas mulheres jovens, mas no essencial, pondo de lado alguma ousadia e sensualidade a favor do conforto, as cuecas ou calcinhas mais substanciais ainda continuam a imperar nos rabos das portuguesas.

6/08/2010

Mudanças

 

Para aqueles que são visitantes mais ou menos regulares deste humilde espaço, certamente que têm reparado que o layout-template do blogue tem apresentado algumas alterações. Deste modo queremos pedir desculpa, mas na realidade estamos a proceder algumas afinaçõestanto nas cores como nas dimensões base.
Em determinada altura era nossa intenção seguir com o projecto num outro domínio do Blogspot, com um layout-template totalmente reformulado, mas por questões práticas, que para o caso não interessa aqui justificar, abandonamos essa intenção.
Oportunamente o projecto seguirá em domínio próprio, mas enquanto isso não suceder nem for anunciado, continuará por aqui. As afinações ao template-layout vão continuar pelo que agradecemos a compreensão.

Tu e Eu – Leituras para o Ensino Primário – 1ª Fase

 livro tu e eu 02
Hoje trago à memória o manual escolar “Tu e Eu – Leituras para o Ensino Primário – 1ª Fase”, de autoria de António Branco.
O livro tem um formato de 147 x 206 mm, com 96 páginas, e está magnificamente ilustrado por Eugénio Silva.
Este livro é posterior ao 25 de Abril de 1974, uma vez que foi editado em 1976. 
 
As lições são interessantes , mas muito simples, com convém às crianças da primeira classe, de autoria de nomes conhecidos, como Irene Lisboa, Cecília Meireles, Alves Redol, António Torrado, Matilde Rosa Araújo, e outros mais.

Entre outras histórias contidas neste livro, não deixei de reparar na que narra as aventuras do Esgravata e da Bicadinha, de autoria de Cecília Gonçalves, que do meu livro de leitura da segunda classe já havíamos falado aqui.
Será que dos nossos habituais visitantes alguém aprendeu deste belo livro?

livro tu e eu 05

livro tu e eu 03

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6/07/2010

Caderno Escolar – Pêbêcê – Anos 40

 

Já temos aqui falado dos emblemáticos cadernos escolares, preciosos auxiliares no percurso da nossa escola primária. Havia-os de diferentes tipos, tais como de folha lisa, duas linhas, linha estreita e quadriculados, por isso adaptados às diferentes funções, fosse de desenho, escrita ou aritmética. Os cadernos eram assim um auxiliar efêmero já que normalmente depois de totalmente utilizados eram deitados fora.  Por isso, e porque ao longo do ano escolar eram precisos vários, era um artigo muito usado pelo que tinha que ser de preço acessível às carteiras das famílias, por regra pobres e humildes. Não admira, pois, que os cadernos escolares doutros tempos fossem muito simples, quase sempre com poucas folhas e capas de papel muito delicado. Apesar disso, tinham uma beleza quase despropositada à sua função e hoje, observados à distância, eles têm um encanto acrescido e não surpreende que sejam um produto muito procurado por coleccionadores e saudosistas.

O caderno que hoje trazemos à memória é dos anos 40, associado à Mocidade Portuguesa. É um caderno produzido pela empresa Papéis PBC, que nesta área foi muito produtiva, especialmente nos anos 40 e 50, antes do domínio da Ambar a qual ainda hoje é uma das maiores produtoras de cadernos e material escolar. Quanto à PBC desconheço o seu destino e as informações sobre a empresa são praticamente inexistentes.

Este caderno em particular, é de linha estreita, adequado à aprendizagem da caligrafia, portanto normalmente na primeira classe. Na capa, a cores, está representado um menino muito compenetrado na arte da escrita, sobre a clássica secretária da escola, vendo-se ainda alguns símbolos característicos, como o globo terrestre, o mapa de Portugal e uma bandeira da Mocidade Portuguesa.

Na contra-capa, como era usual, estão representadas as tabuadas de multiplicar e dividir e ainda uma gravura com um menino e duas meninas a brincarem à bola.

É sem dúvida um caderno muito bonito e que ilustra muito bem um conjunto de símbolos ligados ao ensino primário do tempo do Estado Novo.

Voltaremos ao tema, com novos (velhos) cadernos.

caderno pbc sn 1

caderno pbc 2

Tópicos relacionados:

Cadernos escolares - A família Pituxa
Caderno escolar - João de Deus
Tabuada

6/04/2010

Jogo de palavras

 

Do meu querido livro de leitura da segunda classe, volto a “pescar” memórias. desta vez, da página 9, uma interessante lição sobre jogos de palavras, ou lengalengas.

Como a maior parte do livro, esta lição está superiormente ilustrada pela Maria Keil.

Quem ainda se recorda destes dois jogos de palavras?  o Manuel dos Matos e a casa de Viseu?

 

jogo de palavras sn1

(clicar para ampliar)

jogo de palavras 01

jogo de palavras 02

6/01/2010

Dia da Criança

 

criancas brincar

Ilustração: Maria Keil

donald zolan criancas 1

Ilustração: Donald Zolan

donald zolan criancas

Ilustração: Donald Zolan

donald zolan criancas 2

Ilustração: Donald Zolan

donald zolan criancas 3

Ilustração: Donald Zolan

donald zolan criancas 4

Ilustração: Donald Zolan

Hoje é o Dia Mundial da Criança. A data estabelecida não é uniforme, mas em Portugal, como em muitos outros países, o dia 1 de Junho foi o escolhido.
Hoje, mais do que nunca, é importante o dia e todas as evocações e reflexões que se possam fazer e estabelecer sobre a criança e todo o seu contexto, desde a sua concepção, nascimento, crescimento e formação. Afinal, ainda faz sentido a velha máxima de que as crianças são o futuro. Se queremos, pois, um futuro melhor para todos e em todos, torna-se então necessário que o seu presente seja devidamente equacionado e preparado.
Como é natural, este é um tema que merece e despoleta sempre novas reflexões e discussões e por mais que nelas nos debrucemos, fica sempre muito por falar e fazer.


Questões fulcrais, nomeadamente quanto à educação, ocupam um dos primeiros lugares das preocupações. Numa época em que as famílias perdem cada vez mais os alicerces convencionais, com uniões de facto, sem factos ou sem afectos, separações, divórcios consecutivos, famílias monoparentais e até com adopção por parte de uniões homossexuais a entrar na ordem do dia, realmente é caso para dizer que as crianças estão mais desprotegidas do que nunca, isto num sentido dos equilíbrios emocionais, dos afectos e referências. Pode não ser uma perspectiva politicamente correcta mas é o que é.
Mas pronto...isto é pano para mangas e já foge do objectivo do post, que é o de apenas lembrar a data.


Nascido em meados de 60, eu também fui criança, e este simples blogue vive muito das recordações e memórias desses tempos. Hoje, mesmo comparando com os padrões da vida das nossas crianças, em todos os seus aspectos, desde a escola às brincadeiras e aos brinquedos, não tenho dúvidas de que, como os meus 7 irmãos, fui uma criança feliz, mesmo que entre as minhas brincadeiras também houvesse lugar aos trabalhos, especialmente na ajuda aos pais, quer em casa, quer no campo.
Tive uma infância repartida entre a escola, os estudos, as lições, as brincadeiras e os jogos no recreio, as brincadeiras nos fins de semana e nas férias, sobretudo as do Verão, entre caminhos, campos e pinhais. Nessa altura as crianças eram livres como pássaros e não havia motivos para preocupações excessivas como hoje, a serem quase prisioneiras, enjauladas em casa, sem ordens para saír à rua, recostadas nos sofás de um mundo fofo, tecnológico mas quase autista.


Os brinquedos desses tempos eram feitos por nós próprios e o contacto era directo com as coisas, com os lugares, a terra, as plantas, os animais. Conhecíamos cada insecto, cada pássaro ou cada bicho. Cada dia era uma nova aventura, uma viagem pelo imaginário infantil, adoçado pelo que se via na televisão e lia nos livros. Íamos em bando a pé para a escola e cada uma dessas viagens era por si só um palco e motivo de brincadeiras, mesmo que acabassem em zaragatas e pancadaria.


Tudo mudou, para o mal e para o bem, mas uma certeza fica: As crianças são sempre crianças, mas sem dúvida que os diferentes tempos e diferentes mentalidades tiveram sempre uma importância vital na formação das suas personalidades, nomeadamente pela transmissão dos bons valores, no respeito próprio, pelos pais, irmãos, familiares, vizinhos e pessoas idosas, na disciplina e responsabilidade. Nem de outra forma poderia ser, mas pelo que vejo, e pelo que consigo abarcar nas gerações que testemunhei e nas suas enormes diferenças, conclui-se que nem toda a mudança resultou num caminho de valor acrescentado.

Felizmente muita coisa mudou para melhor, nomeadamente na questão da saúde e protecção relativamente ao trabalho infantil forçado e castrador da génese e tempo da infância, mas muitos outros valores se perderam.
O tempo tem destas coisas e se é verdade que a natureza nos ensina que há um irrevogável caminho de evolução e adaptação, também é verdade que frequentemente nos lembra que há sempre algo que se perde, que se extingue, que fica pelo caminho, quantas vezes por desmazelo, incúria e desprezo pelas regras básicas dessa própria natureza, mesmo que na versão humana. Ainda hoje, mera coincidência, soube pela minha esposa que uma nossa vizinha de 14 anitos mal feitos, grávida de alguns meses foi abortar. Por toda uma série de situações, espera-se mais do mesmo. Banalizou-se a sexualidade e o seu usufruto e agora a sociedade colhe os frutos. É esta a colheita esperada e desejável? É este o cimento dos alicerces do futuro próximo?


Aproveitemos a data para reflectir no que de bom e menos bom tem orbitado no universo da criança.

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