Pode parecer mentira, mas só ontem, Domingo, na RTP Memória, tive a oportunidade e paciência de rever de forma completa o clássico filme "E tudo o vento levou", no original "Gone with the Wind".
Em algumas oportunidades, ficaram sempre algumas partes do filme por ver, pois afinal de contas são 3 horas e 42 minutos, dentro da habitual duração de outros grandes clássicos do cinema, como CLEÓPATRA (1963) 4h03; LAWRENCE DA ARÁBIA (1962): 3h42; OS DEZ MANDAMENTOS (1956): 3h40; BEN-HUR (1959): 3h32;SPARTACUS (1960): 3h18. Mesmo assim não vi as cenas iniciais, se bem que já as tinha visto noutras anteriores oportunidades. O facto de hoje ser dia de trabalho não ajudou nada mas lá fui aguentando.
Este filme é de 1939, com os principais papéis interpretados por grandes nomes de então, como Vivien Leigh (Scarlett O'Hara), Clark Gable (Rhett Butler), Olivia de Havilland (Melanie Hamilton Wilkes) e Leslie Howard (Ashley Wilkes).
O filme é por demais conhecido e sobre ele não faltam bons artigos e análises. Para mim é um grande filme e que segue a linha das grandes produções de Hollywood, com muitos figurantes e belos cenários e a clássica bela mulher e as atribulações de um romance à moda antiga. É claro que pelos padrões actuais o filme pode parecer pouco profundo, ligeiro até, com os temas sociais e históricos da época (guerra civil, escravatura) a serem pouco espremidos, e com os aspectos banais das relações humanas a ocuparem o grosso do tempo, mas tem que se perceber o contexto e a filosofia vigentes na indústria cinematográfica da época em que foi produzido. Afinal o cinema de então, tal como hoje, era sobretudo um espectáculo e entretenimento de massas e não tanto uma coisa dada a grandes reflexões.
Por tudo isso, para além da beleza omnipresente de Vivien Leigh, o filme tem o seu valor e por tudo o que representou, é hoje justamente um dos chamados grandes clássicos do cinema hollywoodesco que sabe bem rever, mesmo que com vários anos de atraso.
Ao conseguir ver o filme na totalidade, ao fim de tantos anos, aprendi também que nunca é tarde para alguns ajustes de contas com coisas que fomos deixando passar, seja um grande filme ou um grande livro.