7/20/2010

A Comunhão Solene ou Profissão de Fé

 A Comunhão Solene, ou Profissão de Fé, é uma rito ou celebração do percurso da Catequese dos fiéis da Igreja Católica e que ocorre sensivelmente por volta dos 10 ou 11 anos das crianças, pré-adolescentes. Actualmente creio que essa etapa está relacionada com o 6º ano de catequese.
A Profissão de Fé, em traços gerais, pretende ser uma confirmação ou o consentimento próprio, livre e individual de cada cristão face aos compromissos antes assumidos pelos pais e pelos padrinhos aquando do sacramento do Baptismo. Será assim o renovar do compromisso, o professar da sua própria fé perante Deus, perante si próprio e perante a comunidade. Por isso, um rito fundamental da celebração é o Credo, em que todos juntos, mas em nome individual, cada participante compromete-se a renunciar ao mal simbolizado por Satanás e depois profere e exclama a sua crença na fé em Deus e na Sua Igreja.

Esta celebração nos dias de hoje continua a ser importante e regra geral é motivo de festa na comunidade paroquial e nas famílias e para além da componente cerimonial, dá lugar a um lauto banquete.
Verdade se diga, apesar dessa mesma importância, muita coisa mudou e, no caso, para pior. Por regra realiza-se nos meses de Verão (Junho, Julho e Agosto).
Recordo-me perfeitamente do ano de 1973, quando num Junho muito quente, a 21, Dia de Corpo de Deus, juntamente com cerca de três dezenas de crianças entre rapazes e raparigas, vivi a minha Comunhão Solene. De facto foi um dia inesquecível, o culminar de uma longa preparação, com os 4 anos de catequese, a aprendizagem da doutrina que dava lugar a um exame escrito e oral realizado pelo pároco e os exigentes ensaios preparativos da cerimónia que incluiam cânticos, desfile em procissão e alguns discursos de ocasião. Recordo-me que ao lado de uma colega, e alternadamente, li a chamada Oração Universal ou Oração dos Fiéis, para além de ter cantado a solo um refrão de um cântico.

O dia da Comunhão Solene na minha aldeia, e até recentemente, por ser pequena, realizava-se apenas de 2 em 2 anos juntando em média cerca de 30 crianças. Por essa época e durante mais alguns anos, era de facto um dia de festa vivido de forma especial e que envolvia não só as crianças e famílias mas toda a comunidade.
Uma das etapas da cerimónia, logo pela manhã, consistia no ponto de encontro junto a uma capela existente num dos lugares altos da aldeia e depois um desfile encabeçado pelos “anjinhos” (crianças pequenas vestidas de anjinhos com tule colorido e com asas nas costas e aura de flores na cabeça) até à igreja matriz . Já na parte da tarde, depois do almoço, era rezado o terço cerimonial na igreja matriz e de novo uma procissão, tradicionalmente organizada, acompanhada por Banda de Música, rumando até à capela  onde perante a figura de Nossa senhora, uma menina fazia um discurso de agradecimento. Depois a procissão, com a mesma pompa e circunstância, mas já com alguns “anjinhos” de asa caída, regressava de novo à igreja matriz onde terminava a cerimónia com o bonito rito da oferta dos ramos de flores a Nossa Senhora. Diga-se que a capela está afastada da igreja matriz cerca de 1,5 Km. Era assim um dia em cheio e cansativo.

Mas dizia que toda a comunidade se envolvia e com a devida antecedência, as mulheres organizadas por lugares, preparavam os enfeites, que consistia em fabricar flores de papel colorido e adornar com papel recortado centenas de metros de corda que depois serviriam para adornar o trajecto da procissão entre a capela e a igreja matriz. Os homens, na véspera da festa, tratavam de instalar os mastros com bandeiras nas bermas da rua do percurso, sendo a estes afixadas as decorações feitas pelas mulheres e nas bases dos mastros eram também afixadas folhas de palmeira às quais eram penduradas as flores de papel. O chão era enfeitado com plantas verdes, alecrim e rosmaninho.

Para além de tudo, e ao contrário do que hoje em dia acontece, havia muita simplicidade e autenticidade em tudo o que se fazia. As crianças regra geral íam vestidas de cerimónia mas de forma modesta. Os vestidos das meninas, quase sempre alugados,  eram sempre brancos mas muito simples e homogéneos. Os rapazes levavam um simples fato mas com o casaco coberto por uma alva ou opa branca. Hoje em dia é o que se sabe, com autênticos desfiles de vaidades onde cada criança, sobretudo as raparigas, procuram exibir a importância social dos pais, com autênticos vestidos de noivas, complexos e demasiado caros, penteados elaborados e adornos desnecessários como colares, pulseiras, relógios e anéis. É verdade que ainda há paróquias que lutam contra estas “feiras de vaidades” e todas as crianças vão vestidas com hábitos todos iguais, mas no geral a cerimónia da Comunhão Solene está transformada num acto de exibicionismo num desfile de modelos, mais virada para o exterior, para a imagem e menos para o essencial à luz da vertente religiosa e espiritual.

Por outro lado, nessa altura o almoço de festa era realizado em casa, juntando-se à família os padrinhos e alguns familiares mais próximos e a melhoria do repasto poderia passar pela matança de um galo e pela compra de 2 Kg de carne de vaca num dos raros talhos das redondezas. A dona de casa também confeccionava um doce e uma ou outra lambarice. Hoje em dia organizam-se aparatosos banquetes, tanto em restaurantes como (seguindo a moda e a tendência) em quintas e espaços de eventos onde se servem caríssimos e pomposos copos de água, à laia do que é norma em casamentos.
Como prenda, e seguindo-se a tradição, recebi de meu padrinho/avô, um belo relógio Cauny Prima e 25 tostões de um ou outro familiar que poucas semanas depois gastava em lambarices na festa anual da aldeia. Quanto às raparigas recebiam por norma dos padrinhos uma volta ou pulseira de ouro ou mesmo uns brincos. Relógio para as meninas era mais raro.
A pretexto de toda esta recordação, publico uma ilustração do final dos anos 60 com vários modelos de vestido de menina para a cerimónia da Comunhão Solene e alguns dos tradicionais “santinhos” alusivos à cerimónia.

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Os tradicionais santinhos oferecidos na Comunhão Solene.

7/17/2010

Shampoo Sunsilk

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Shampoo Sunsilk, uma marca criada em 1950, propriedade da multinacional Unilever, com uma linha voltada para a higiene, tratamento e cuidados do cabelo, sendo no seu nicho uma das marcas mais vendidas mundialmente.   

Sempre foi um produto bem conceituado, quiçá com um preço médio acima da concorrência.
Em adolescente usava com frequência, sobretudo na variante de limão, ideal para cabelos um pouco oleosos mas era corrente a ideia de que o Sunsilk era sobretudo um shampoo para raparigas, sobretudo pelos aromas. Preciosismos. Em oposição à minha preferência pela versão limão, não gostava da versão Ovo, pois relacionava com ovos partidos em cima de uma cabeça.

Acima a nostalgia de um cartaz publicitário do início dos anos 70, concretamente de 1971, e suas variantes comercializadas, seguido de alguns actuais produtos da marca.

7/16/2010

Detergente OMO

 

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De novo trazemos à memória o popular detergente OMO, porventura mais nos anos 60 e 70 do que agora, um pouco ultrapassado por outras marcas.
Seja como for, e porque o OMO ajudou a lavar muita da nossa roupa, suja pelas traquinices e brincadeiras de criança, e porque é certamente uma marca nostálgica, sabe sempre bem publicar aqui os antigos cartazes publicitários.

 

TÓPICOS RELACIONADOS:

OMO – Detergente que lava mais branco
Detergente OMO - OMO lava mais branco!

7/15/2010

Matraquilhos e Mundial 82

 

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O Campeonato do Mundo em Futebol 2010, que decorreu na África do Sul, terminou no Domingo passado e já faz parte da história.
A este propósito veio-nos à memória outro Mundial de Futebol, o de 82, organizado pela Espanha (justa vencedora da edição recente), cuja mascote era o emblemático e sumarento Naranjito.
Parece que foi ontem, e por momentos regresso ao café da aldeia onde entre amigos, uma cerveja gelada e um abafado calor de trovão, assistia rendido ao futebol mágico do Brasil, de Sócrates, Zico, Júnior e Falcão, só travado pelo carismático e manhoso jogo de Itália e Paolo Rossi que arrecadaram o troféu de forma quase imprevista depois de uma parca prestação com apenas 3 empates na primeira ronda de grupos. E, contudo, entre ambas as edições decorreram 28 anos, quase três décadas. Se o vencedeor fosse determinado pela justiça e sobretudo pela beleza do futebol, o Brasil teria sido um excelente campeão.


Este cartaz publicitário dessa altura, para além da grata evocação do Mundial de 82, publicita um jogo de matraquilos, para crianças, um lançamento da Dinamização, empresa ou distribuidora pouco conhecida mas que por essa época estava associada a interessantes brinquedos e jogos.

Os matraquilhos, sobretudo na versão clássica, sempre foram um jogo que despertou o interesse da rapaziada. À volta do mesmo organizavam-se renhidos torneios e havia verdadeiros especialistas, tanto na linha defensiva como na avançada. Esse interesse ainda se mantém, sobretudo em cafés de bairro, aldeia e associações culturais e recreativas, e, vejam só, até existe uma Federação Portuguesa de Matraquilhos.

Este tema dos matraquilhos está repleto de boas memórias de tempos passados pelo que voltaremos ao assunto. Para já fica o cartaz e a evocação.

7/11/2010

Velhos caminhos

 

Ontem, Sábado, já ao declinar da longa tarde mas ainda com o sol teimoso na descida, fui dar uma caminhada por velhos lugares e sítios percorridos em criança. Nessa altura, eram um palco misto de brincadeira e trabalho. Nas canseiras das lides do campo, ajudando os pais, havia sempre tarefas a cumprir, desde o tempo da preparação das leiras para receber as sementeiras até às colheitas, já por meados de Outubro, passando pelas mondas e regas, não faltavam motivos de cuidados e mil canseiras. A plantação da batata, do milho, feijão, centeio, aveia, até às podas e vindimas, ou mesmo no cuidado e guarda de algumas cabeças de gado, era sempre um pão-nosso-de-cada-dia, trabalhado, suado mas abençoado. Mas é claro que havia também tempo e lugar às brincadeiras, vestidas de aventuras de índios e cow-boys, Robin dos Bosques, Tarzan ou Pequenos Vagabundos.

Passados todos estes anos, quase tudo mudou: Essas generosas leiras, de onde se arrancava parte da subsistência diária, estão agora transformadas em extensões de pinhais bravios onde apesar da beleza das amoras silvestres, que já começam a engordar e a pintar, os silvados são reis e senhores. Os carreiros, ainda vincados de outros tempos, são mais estreitos e submersos pela vegetação que cresce a seu belo prazer. Os regos sinuosos por onde passavam ligeiras as águas cantantes a caminho das regas, como veias caudalosas levando vida aos grossos e verdes milheirais, estão quase impraticáveis porque já ninguém os usa. As represas, esses regaços límpidos de águas de nascentes e minas, são uma pálida imagem de outros tempos e outras necessidades mas nelas ainda moram as rãs e sapos e à sombras da densa vegetação que as adornam, ainda namoram piscos, rouxinóis, pintassilgos, melros, gaios e pegas. Os moinhos, tocados pela força dessas abundantes águas, estão já em ruínas, sem telhados e esventrados na sua inutilidade e dá pena ver os rodízios podres pelo tempo, evocando outros dias e  noites em que incansáveis giravam afogados no infinito corropio da moagem dos consortes.

Mesmo assim, mesmo com toda esta dor de alma e de coração, faz-nos bem este regresso aos palcos da nossa meninice porque apesar desse entorpecimento e abandono das coisas e lugares, ainda é possível absorver muitas marcas de coisas imutáveis, como um velho muro, um velho carvalho, um aqueduto de água, a represa, o moinho, etç. Não é difícil adivinhar as mulheres a cantar pelos campos, alegres e distraídas; Ainda é possível sentir o cheiro morno da leiva da terra rasgada pela charrua puxada a bois nas frescas manhãs da Primavera na companhia das irrequietas alvéolas; Quase que sentimos o cheiro maduro das uvas e um mosto doce como banquete de abelhas e pássaros ou, mais cedo, uma aguarela de flores que hão-de brotar frutos.

Num desses sítios, um autêntico paraíso na terra, palco verde e fresco de uma sinfonia matinal de chilreios e de águas cantantes, estão já a decorrer obras de mais uma auto estrada, a A32 e tudo está já de pantanas e mesmo ao lado do velho moinho, onde tanta farinha vi nevar, mas agora em tristes ruínas, estão já a nascer pilares para um longo viaduto. É verdade que já não tem as frescas vides e sombras dos frondosos carvalhos e castanheiros como companhia, mas parace que vai descansar o resto dos dias á sombra do viaduto. Felizmente, mesmo à passagem do pogresso e dos caminhos de betão e asfalto, ainda há umas résteas de alguma sensibilidade e, sempre que se pode, preservam-se essas marcas de um tempo, de um povo e de um viver.

Já com o sol a brincar às escondidas por detrás dos pinhais do monte, volto costas e subo de regresso a casa, não muito longe, o que permite outros e constantes regressos, mas não deixo de pensar: – Meu Deus, o que te fizeram, vellhos sítios, o tempo e os homens!

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(clicar nas imagens para ampliar)

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