11/22/2010

Vasco da Gama – A caminho da Índia

Há 503 anos, em 22 de Novembro de 1497, Vasco da Gama dobra o Cabo da Boa Esperança, sensivelmente a meio de uma longa e imprevisível viagem  marítima, iniciada em 8 de Julho do mesmo ano, em Lisboa, e  que o levaria à India, onde atracou em Calecute, na costa ocidental, em 20 de Maio de 1498.

É uma data memorável para Portugal dos Descobrimentos. Todavia, o Cabo tinha sido dobrado pela primeira vez uns anos antes, em 1488 pelo navegador Bartolomeu Dias, então um feito assinalável  e fundamental para a posterior viagem de Gama. Esse acidente geográfico na costa sul do continente africano, devido às dificuldades de navegação, tinha sido baptizado pelo mesmo Bartolomeu como o Cabo das Tormentas ou Tormentoso, obscura e temida morada do Adamastor, mas quando vencido o medo e dobrado o “bicho de mares nunca dantes navegados”, fez renascer uma nova esperança para a empreitada das navegações quinhentistas pelo que foi rebaptizado por D. João II por ver no feito uma abertura da ampla porta que conduziria à Índia.

Pessoalmente, o mesmo 22 de Novembro é uma data sempre presente pois corresponde ao nascimento da minha filha, primeiro fruto surgido 3 anos e pouco após o casamento. Quase seis anos depois, seguiu-se mais um rebento, desta feita um rapaz.
Há assim datas que têm o dom de ter um duplo significado, seja colectivo ou pessoal.

A aprendizagem da História de Portugal no ensino primário teve sempre um peso significativo noutros tempos (actualmente nem tanto e apenas numa fase mais tardia) pelo que as grandes datas e os grandes heróis fazem parte da bagagem cultural e patriótica da malta da minha geração e o Vasco da Gama e o seu enorme feito, é uma espécie de 2+2, ou seja, coisa sabida e de fácil memória. É claro que igualmente muitos outros, mas o Gama e a sua viagem, que mudou indelevelmente o trajecto da nossa História, será sempre uma das primeiras figuras.

Para lembrar o facto e a data, deixo aqui uma das belas páginas do meu Livro de História da 4ª classe, o tal com o castelo de Almourol na capa. (Podem ser ampliadas).

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A seguir, do Google Maps, algumas imagens do Cabo da Boa Esperança (Cape of Good Hope), território da África do Sul, símbolo ou ponto de passagem do Oceano Atlântico para o Oceano Índico.

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11/21/2010

Livro de leitura para a 1ª classe – Romeu Pimenta e Domingos Evangelista

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Livro de Leitura para a 1ª Classe.
Autores: Romeu Pimenta e Domingos Evangelista.
Edição: Editora Educação Nacional – Rua do Almada, 125 – Porto.
Ano: 1938
Formato: 115 x 180 mm – 73 páginas a 2 cores.
Composição e impressão: Tipografia Sequeira, L.da.

Hoje trago à memória  este belo livro da primeira classe do Ensino Primário, utilizado por quem hoje anda na casa dos 80 anos. Portanto, alguns dos nossos pais ou avós, dependendo da nossa idade,  utilizaram este livro e com ele aprenderam as primeiras letras. Os temas giram à volta do amor pelos pais, pela família e pelas coisas que nos rodeiam na natureza, como os animais. Veja-se os títulos das diferentes lições: O novo livro; A nova escola; a,e,i,o,u; A obediência; Jesus e as crianças; O caminho da escola; O gatinho; Crucifixo; As flores; Os cinco sentidos; Não devemos mentir; A história do chasco e do pisco; Os ninhos; No recreio; As andorinhas; A fruta; Os bons irmãos, O meu pai; Casinha de pobres; Diana; Os transportes; O pião; A junta de bois; O boi; As vindimas; Uma lavrada; O rio; Ajudemo-nos uns aos outros; Natal; O rego da água; A merenda do Fernandinho, A árvore; A gratidão de um povo; Exercícios de caligrafia.

Este livro, que se diferencia pela sua capa com motivo floral, com a particularidade de essa ilustração, de acordo com nota dos autores, ter sido realizada pela menina Helena da Silva Graça, de 11 anos, da Foz do Douro e aluna de um dos autores. De resto, a colaboração de alunos estende-se a outras páginas, nomeadamente a menina Júlia Cândida de Sá Barros, de 10 anos e também da Foz do Douro e Damião Reina, de Cerveira, de 11 anos. As demais gravuras do livro foram produzidas pela Simão Guimarãis, Sucrs.

O livro tem uma estrutura interessante, com uma lição numa página e na página seguinte, exercícios à volta do tema. É claro que, comparando este manual com um dos actuais livros da classe correspondente a diferença é abismal, não apenas nas considerações gráficas, mas na ilustração e programa. Nessa altura a primeira classe era de trabalho e no final dela devia saber-se ler e escrever correctamente, o que, diga-se, está longe de acontecer na actualidade, mesmo tendo em conta o ensino pré-primário, que se traduz essencialmente num tempo de brincadeira. Não nos interessa questionar aqui as virtudes e defeitos de um ou outro sistema, até porque os tempos são outros, mas regista-se a diferença.

Tendo sido editado há mais de 70 anos, é natural que a grafia de várias palavras seja diferente da actual, nomeadamente na acentuação. Exemplos: mãi, Pôrto, Guimarãis, dêle, cômo, êles, fôr, fôrça, rêgo.

Este livro é o primeiro de uma série dos mesmos autores, portanto com 3 outros manuais correspondentes às segunda, terceira e quarta classes. Refira-se que os demais livros da série, apresentam capas semelhantes mas com diferença na composição das flores e folhas, como abaixo se poderá destrinçar nas imagens que apresento.

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- Nesta última imagem, que se refere à capa do Livro de Leitura para a 3ª Classe, sendo semelhante à que ilustra a capa do livro da 1ª, tem notórias diferenças, nomeadamente no tipo de flor /pétalas abertas e fechadas). Acrescente-se, finalmente, que a ilustração da capa do livro da 1ª classe é também utilizada no livro da 2ª, enquanto que esta ilustração da capa do livro da 3ª classe é repetida no livro da classe seguinte, a 4ª.

Com tempo, trarei aqui à memória os demais livros desta série, dos professores Romeu Pimenta e Domingos Evangelista.

Nota final: Por coincidência, na data em que escrevo este post, no sítio de leilões online, o miau.pt está um livro desta série (da 4ª classe) em leilão.

11/19/2010

Há dias assim

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Hoje o dia começou cinzento, fechado, e com chuva. Não muito forte, mas daquela certinha e com um ligeiro vento. É o que eu chamo um típico dia de Inverno, se calhar em harmonia com a tão falada cimeira da NATO que quase fechou Lisboa e o país, controlando-se de forma apertada fronteiras, impedindo a entrada a eventuais manifestantes. 

Por estes dias é assim; depois poderá entrar livremente toda a espécie de gente, incluindo aqueles que têm engrossado o número de emigrantes ilegais, com gente boa e bem-vinda, mas também  com criminosos de toda a espécie,  que de forma avulsa ou organizada nos vem assaltar as casas e as lojas e a aumentar a criminalidade e a insegurança. Mas estas são outras histórias se bem que igualmente cinzentas ou bem mais negras.

 
Para evocar este tipo de dia, o de Inverno, uma página do meu livro de leitura da segunda classe, com uma bela ilustração da Maria Keil que transmite na perfeição todo o clima de um dia como o de hoje.

11/12/2010

Sunsilk Shampoo

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Já falamos aqui sobre o Shampoo Sunsilk. Na continuidade da nostalgia, publica-se mais um cartaz publicitário de outros tempos (anos 70), alusivo ao creme amaciador para os cabelos, com “nova fórmula” e “nova embalagem”.

Surpreendentemente, ou não, esta vasta gama de produtos de higiene pessoal, sempre viveram, publicitariamente falando, de “novas embalagens” e “novas fórmulas” como se estas fossem uma garantia da qualidade e evolução. 

Em face dessa filosofia, que de resto se alargava a outros produtos, mais tarde surgiriam os “2 em 1” e até os “3 em 1”  e todas as marcas concorrentes acabavam por embarcar nesse comboio de fórmulas combinadas e funções concentradas, e por isso chegamos a este ponto em que as virtudes da publicidade e do marketing se confundem com as qualidades intrínsecas dos artigos que anunciam ou promovem, tornando-se difícil avaliar onde começa a influência de uma – a qualidade - ou de outra – a publicidade - na decisão final do consumidor.

11/09/2010

Ferro de passar

 

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- Cartaz publicitário ao ferro de passar da General Electric Portuguesa, do final dos anos 60.

O ferro de passar tem uma longa história e há referências aos princípios da sua utilização desde o séc. VIII (há fontes que referem o séc. IV), nomeadamente na desde sempre inventiva China, embora na sua forma mais ou menos convencional e modo de utilização tenha sido desenvolvido a partir do séc. XVII altura em que o vestuário engomado caíu em desuso.

O ferro de passar eléctrico surgiu em 1882 com a patente a ser registada pelo norte-americano Henry W. Seely (2 de Julho de 1854, Richville, Kentucky) e uma década depois era introduzido o sistema de calor por resistência, tecnologia que embora com naturais desenvovimentos se mantém como o sistema dos actuais modelos de ferros eléctricos. Nos anos 20 foi introduzido o controlo de temperatura com termostato. O ferro de passar com intregração de vapor apareceu mais tarde, nos anos 1950 embora o seu sucesso e popularidade sejam relativamente recentes com os modernos sistemas de caldeira.
É verdade que na forma básica e na função não houve assim uma grande evolução (basta comparar um qualquer modelo actual com o do representado no cartaz publicitário dos anos 60), mas a tecnologia e eficiência conheceram naturais desenvolvimentos ao longo dos tempos incluindo a vertente dos materiais aplicados.


Da minha infância, recordo sobretudo os clássicos ferros de passar em ferro forjado, cuja base era aquecida por brasas que se introduziam no seu interior. Assim a sua característica "boca", na parte frontal servia para alimentar de ar o braseiro e para servir de chaminé aos fumos. É claro que deste modo não havia o cómodo controlo de temperatura, como nos ferros eléctricos, bem como para grandes quantidades de roupa a passar era necessário um constante abastecimento de brasas.

Mesmo dentro deste tipo de ferros, havia naturalmente os mais elaborados, com pinturas e alguns outros motivos decorativos, aos mais básicos e simples. Todos tinham em comum uma base ou grelha, também em ferro, que servia para pousar o respectivo equipamento, uma pega superior revestida a madeira que por sua vez estava afixada à tampa que era presa ao restante corpo ou caixa por um fecho. Também existiam outros que em vez de brasas usavam placas que eram previamente aquecidas no interior de uma fogueira.


Mesmo já existindo os ferros eléctricos (que eram um equipamento de luxo e condicionado a quem tivesse rede eléctrica, que não era para todos) foi assim que a minha mãe durante muitos anos passou a roupa a ferro, tarefa que fazia quase sempre ao Sábado de tarde. É claro que no meio de tantos afazeres numa casa com muita criançada, por vezes lá surgia uma queimadela (dizíamos xardadela) e para além de tudo havia o risco de alguém se queimar. Felizmente nunca aconteceu.

Actualmente estes modelos de ferros de passar, sobretudo os de placas e de caixa (aquecimento com brasas) encontram-se com relativa facilidade em feiras de velharias, sendo adquiridos agora como objectos meramente decorativos e testemunhos de outros tempos.

-Abaixo alguns modelos clássicos, sendo que o último é o mais semelhante com o ferro de passar que existia lá em casa.

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11/05/2010

Schweppes…uma boa aposta

 

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A laranjada Schweppes já mereceu a nossa atenção num anterior artigo. Hoje voltamos à nostalgia, com um cartaz publicitário publicado em meados dos anos 1960, em que é feito o trocadilho com as apostas do então popular Totobola. Por isso, a ter em conta a sorridente menina do cartaz, beber Schweppes seria sempre uma boa aposta.

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