10/29/2011

Jacky, o urso de Tallac

 

Hoje trazemos à memória uma das mais populares séries de animação, “Jacky, o Urso de Tallac”, bem na linha de outras séries da época, como “Heidi” e “Marco”. Produzida em 1977 pela japonesa Nippon Animation, tendo como base o livro de Ernest Thomson Seton (1860/1946)

Em Portugal passou na RTP em 1979, com um total de 26 episódios de cerca de 30 minutos cada, cujo tema musical do genérico de abertura era cantado pelo “Avô Cantigas”, o Carlos Alberto Vidal e o Tozé Brito.

Passados quase vinte anos a série voltou à televisão portuguesa, na SIC, mas com o nome de “Jacky e Jill”. Há entre uma e outra versões algumas diferenças, tanto na dobragem como  até nos nomes das personagens devido ao facto da primeira ter tido origem na versão espanhola e a segunda na versão alemã.

A série, pela sua natureza, tornou-se popular e muito querida dos mais novos e não só. Deu origem a vários produtos de merchandising, nomeadamente vestuário, bonecos em PVC,  livros e, claro está,  uma caderneta de cromos, editada em 1980 pela Disvenda, composta por 410 cromos em 28 páginas, que contam de forma resumida a história de Jacky.

A série contava as histórias da relação de uma criança índia, Senda, e dois ursinhos, Jacky e Nuca, deixados órfãos de sua mãe, Grisle, morta a tiro por Bonamy, um caçador mau e sem escrúpulos.

Depois eram as peripécias do dia-a-dia, nos montes de Tallac, na Serra Nevada na Califórnia, as brincadeiras, os perigos, as relações com os animais e com a natureza, o envolvimento com a tribo de Senda e os mauzões dos caçadores, como o Bonamy, com seus cães e ainda o envolvimento da pequenita Olga, amiga de Senda e filha do rancheiro Sr. Forrester. que passava as férias na cabana da floresta próximo da tribo de Senda.

A série termina já com Jacky como um urso jovem adulto e que na impossibilidade de viver na companhia dos homens retirou-se com a sua irmã Nuca para o interior da montanha onde viverian a sua vida plena e em total liberdade.

Hoje em dia, este tipo de séries e as suas narrativas repletas de valores como a amizade, o respeito pelos animais e natureza, está bastante em desuso. Basta acompanhar o que vai passando na televisão, para se perceber que a preponderância é a violência, os tiros, as explosões, as fantasias dos heróis e super-herois muito pouco humanizados, e linguagem onde a violência e o sexo estão omnipresentes, mesmo em séries supostamente dirigidas a um público mais adulto mas que na realidade acabam por ser vistas pelas crianças, tal como as séries da FOX, “Family Guy”, American Dad”, “Cleveland Show, “South Park”, etc.

Depois, com toda esta carga negativa, ainda há quem se surpreenda pela violência e desrespeito que vão pautando o dia-a-dia nas escolas? É o que temos. Neste contexto, rever uma série como “Jacky, o urso de Tallac” é quase como uma desintoxicação.

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Lista dos episódios:

O Primeiro Amigo
Perigo Na Floresta
Alice e Jill
A Forte Mãe Ursa
O Trágico Fim
Onde Está a Mamã?
Valente Jacky
A Poção Mágica
Como Se Criam Os Ursinhos?
Urso Polar
Uma Dura Lição
A Armadilha De Bon Ami
O Ninho De Vespas
Uma Luta Difícil
Viagem à Grande Cidade
Um Dia Agitado em Sacramento
Fogo
Separação
Maus Dias para Jacky e Jill
O Novo Dono
A Fuga
Regresso Aventureiro
Incêndio na Floresta
O Primeiro Inverno
Finalmente Primavera
Um Final Feliz

Letra do tema de abertura em português

Jacky, Jacky, corre mundo,
Como é bom ser livre e feliz lá no fundo.


Jacky, Jacky, come fruta,
Com a barriga cheia está mais contente.


E procura uma casita,
Pois chega o Inverno e o frio já sente.


Pouco a pouco, cai a neve
E um manto branco o bosque terá.
Vem a noite, sente medo,
Seus amigos dormem já.


De manhã, nasce o sol,
Todo o bosque despertará.
Corre e salta o ursinho, sem nunca parar!

 

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10/25/2011

Vamos jogar no Totobola


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O popular jogo de apostas TOTOBOLA , que está a comemorar os 50 anos, já foi motivo de um artigo aqui no Santa Nostalgia. Voltamos a reviver as memórias de outros tempos, desta feita com um cartaz publicitário ao não menos popular program de televisão “VAMOS JOGAR NO TOTOBOLA”, então apresentado pelo já saudoso Artur Agostinho.

Este programa televisivo, semanal, foi exibido nos anos 80 e 90. Foi tendo diversos formatos, mas quase sempre durava  entre 5 a 10 minutos e para além de um curto documentário, nem sempre relacionado ao tema do desporto ou do futebol, culminava com um prognóstico dos resultados para a chave proposta para a respectiva semana. Era frequente ser um determinado convidado a fazer o palpite. Nunca se constou que um desses muitos palpites fosse vencedor.

- Recorde o genérico inicial.

10/23/2011

Ontem fui à bola

 

Ontem fui ao futebol. Com uns amigos, como não podia deixar de ser.
Fomos a Aveiro assistir ao Beira-Mar - Benfica, a contar para mais uma jornada do Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão, que por acaso agora até tem um nome esquisito, tipo qualquer coisa como Super Liga Zon Sagres. Adiante, pois bem sabemos que estas coisas hoje em dia andam ao ritmo do dinheiro e a competição maior do nosso futebol terá sempre o nome de quem mais pagar, seja de canais de televisão, marcas de cerveja, de papel higiénico, pasta de dentes ou pastilhas para a azia, o que, diga-se, até viria a propósito pois muito do que vamos vendo no nosso futebol, no propriamente dito e no que à volta dele se diz ou faz, só nos desperta a vontade de ir à casa de banho, sujar a boca de asneirada e encher o estómago com  tanta acidez.


Seja como for, fui à bola, o que é raro. Todavia, não pude deixar de evocar as diferenças de uma ida ao futebol noutros tempos, quando em vez de roulotes a despachar cachorros, bifanas e coca-colas era  o bar do clube a fornecer de couratos e copos de tinto o apetite e sede da malta. Não havia seguranças nem stewards mas  meia-dúzia de ge-ene-erres a fazerem a companhia aos bandeirinhas como que a partilhar os mesmos impropérios e palavrões.

Não havia torniquetes nem revistas nem lugares marcados por portas, sectores e cadeiras. Não era necessário estar no estádio antes  duas horas e a malta chegava mesmo em cima da apitadela  inicial.

Nesses tempos os jogadores quase pagavam para jogar e tinham mesmo amor àquela camisola grossa e suada que vestiam e ao clube que representavam. Naquele tempo os jogadores eram mesmo homens; raçudos, de bigodaças e cabeleiras revoltas. Hoje têm todos caras de meninos, vaidosos, empertigados, no geral bem pagos e tratados como príncipes.
É claro que o futebol, há muito que mudou. Continua a despertar entusiasmo e a mover multidões, é certo, mas se calhar de forma mais irracional, ainda com paixão mas com menos amor; Ora bem sabemos que as paixões normalmente são cegas e mancas.

Por outro lado, não deixa de ser questão para reflectir como é que um clube sobrevive à paixão dos adeptos quando, veja-se o Benfica, dos 14 que jogaram no relvado de Aveiro apenas por lá andou um rapazito mesmo português, o Rúben Amorim, e isto porque o uruguaio do Maxi está a contas com uma lesão. Dá que pensar ou nem por isso, já que este mal de estrangeirismo é quase global? Pois é mesmo.

Por tudo isto, deixem-me que lhes diga, tenho verdadeira saudade da ida à bola à moda de outros tempos.

Outra coisita: Só mesmo o Benfica e a sua imensa massa adepta para tirar as teias de aranha das cadeiras deste elefante branco às cores do Estádio Municipal de Aveiro, como outros, edificado em plena bebedeira do Euro 2004.

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10/17/2011

Pelos caminhos do Montemuro

 Ontem, com um grupo de três casais amigos, fomos dar uma voltinha por zonas de Montemuro, aproveitando este Verão tardio em que era suposto chover e estar frio. Rimou, mas este calor que esvazia os copos e enche esplanadas soa-nos a algo fora do sítio, desarrumado da cristaleira do tempo onde se alinham os delicados ciclos da natureza. Mas há que aproveitar até porque as cores quentes de Outono são sempre fascinantes por estas encostas do Douro.

A primeira paragem foi no centro de Cinfães, berço do explorador Serpa Pinto, cujo busto domina o belo jardim com o seu nome, ao lado da igreja matriz. 
Depois do pequeno almoço e um arejar no jardim, retomamos o passeio a caminho da Gralheira onde, com hora marcada, nos esperava um emblemático "cozido-à-portuguesa", esmerado e delicioso ou não fosse, a par da paisagem e os coelhos para os demasiados caçadores, o principal chamariz a esta aldeia de granito, em pleno Montemuro.
Paradoxalmente, neste terra de fortes sabores, a vitela arouquesa, cabrito e borrêgo, é apresentada como segunda especialidade a italiana "pizza". Ao que parece, como opção à mesa para os mais miúdos pouco dados aos substanciais comeres dos pais e avós.

Terminado o almoço, rumou-se a Resende, com um ligeiro desvio à curiosa Panchorra, onde a via e ponte romana sobre o rio Cabrum (minguado de águas) merecem destaque.
Já no alto do Montemuro, o soberbo miradouro no santuário de S. Cristóvao. Depois, a descida com passagem e paragem em S.ta Maria de Cárquere, um granítico monumento com elementos românicos e góticos, ligado historicamente às figuras de D. Afonso Henriques e Egas Moniz.
Belo, fotogénico, com as cores da História e do tempo, mas simultaneamente sujo e confundido com elementos urbanos numa espécie de anarquia visual que nos questiona sobre a qualidade da gestão destes espaços que deveriam estar melhor protegidos de certas misturas.

De Resende, terra de famosas cerejas e “cavacas”, um saltinho a Frende (Baião), já no lado norte do Douro, com um olhar rápido à capelinha de S. João e às enigmáticas sepulturas talhadas nos afloramentos rochosos.

Já com a tarde a declinar, voltamos para a margem sul e iniciamos o regresso, ainda com tempo para uma breve paragem na esplanada (cheia de gente) junto ao Douro em Caldas de Aregos.

Porque havia muita e sinuosa estrada (EN 222) pela frente, regressamos a casa com o disco alaranjado do sol a fazer companhia, esborratando de cor a limpidez do Douro em cada uma das suas muitas curvas.

Igreja matriz de Cinfães

Pórtico da Quinta da Fervença - Cinfães

Tendais - Moinho

Gralheira

Gralheira

Gralheira - Pormenor em fonte

Panchorra - Ponte romana sobre o rio Cabrum

Panchorra - Ponte romana sobre o rio Cabrum

Panchorra - Calçada romana

Vista do Santuário de S. Cristóvão

Mosteiro de Santa Maria de Cárquere - Resende

10/06/2011

Majora – Colecções Princesinha e Varinha Mágica

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“No universo dos livros infantis do meu tempo de criança, e de certamente de gerações anteriores e posteriores, a editora Majora tem um lugar especial, diria mesmo de primazia. Foram várias as colecçoes que marcaram de forma indelével o reino da imaginação e fantasia infantis nomeadamente com as chamadas histórias ou contos de fadas, a que acedia através da biblioteca itinerante da Gulbenkian.
Pessoalmente tenho exemplares de várias colecções de livros de contos infantis, nomeadamente  as mais luxuosas, como as séries Ouro e  Prata de “…e outros contos para crianças”, Varinha Mágica, Princesinha, Pintarroxo,  Pinto Calçudo, etç,.”

O texto de cima é um excerto de um anterior artigo que publiquei aqui no Santa Nostalgia, então a propósito dos pequeninos livros de contos infantis da colecção Formiguinha.
Aproveito o mesmo porque serve perfeitamente à introdução das ilustrações que agora publico e que se referem precisamente a algumas das muitas capas de livros e histórias das colecções “Princesinha” e “Varinha Mágica”, naturalmente da Majora.

Estas duas colecções em particular são muito semelhantes sendo que a “Varinha Mágica” apresenta um maior formato. De resto, a matriz das histórias ou contos, com fábulas, fadas, reis, príncipes e princesas encantadas,  é semelhante, para além de serem invariavelmente ilustradas pela artista portuense Laura Costa, sobre a qual pouca informação bibliográfica existe, mas que deixou uma marca e uma herança indeléveis no universo dos livros infantis em Portugal, sobretudo entre as décadas de 30 e 60. Ilustrou igualmente livros escolares e livros de temática religiosa, nomeadamente um catecismo católico.


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