3/06/2023

25 de Abril - Comunidades Portuguesas





Passados alguns poucos meses e e assente algum pó após a revolução de 25 de Abril de 1974, em 21 de Outubro de 1974 a Secretaria de Estado da Emigração lança a revista "25 de Abril - Comunidades Portuguesas". Tinha definida uma periodicidade mensal mas ao longo dos seus 44 números, até Fevereiro de 1980, várias edições  abarcaram dois meses. Teve como directores Amândio da Conceição Silva, José Cardoso e Manuel Árias. Graficamente a revista teve três diferentes séries.

O objectivo dessa publicação está expressa no editorial que abaixo se transcreve. Percebe-se pela sua leitura e análise que o conteúdo reflectia o momento político e de um modo geral tinha uma orientação muito marcadamente de esquerda. Veja-se, como exemplo, a imagem acima com a capa alusiva a eleições livres em que o símbolo do PCP aparece sobre os demais. Sendo direccionada à comunidade emigrante, era por conseguinte distribuída em alguns países europeus, nomeadamente na França, mas em rigor desconhecemos o alcance da publicação e do seu êxito ou importância. Em rigor, apesar dessas boas intenções e paninhos quentes para com a nossa comunidade, a verdade é que no geral este pouco ou nada pode contar com o Governo central, de resto durante toda essa década, muito instável com sucessivas formações.. Não havia, pois, tempo e condições políticas e de estabilidade para grandes acções incluindo as relacionadas à comunidade emigrante. Sinais dos tempos.

De entre os vários objectivos da Secretaria de Estado da Emigração, um dos mais importantes é, sem dúvida, a correcta informação da realidade portuguesa ao Emigrante afastado do cenário central da evolução sucio-política. Num processo que se pretende de radical transformação. porque democrática tal preocupação afigura-se-nos salutar e indispensável. Salutar, porque nas comprometemos a falar o que é e não o que convém, sem mascarar as deficiências tanto da evolução política em geral como do nosso trabalho em particular. Indispensável, porque se deseja e se garante uma participação efectiva do Emigrante, o principal protagonista. e o mais importante, desta mensagem-diálogo que pretende uma conjugação de esforços, cada mês mais ampla, cada mês  mais mais efectiva. 

«25 de Abril» é o nome da vossa revista. 25 de Abril é o simbolo de tudo o que se fizer de novo em Portugal. Para além do símbolo, o 25 de Abril é uma data E também um movimento. Na data, a esperança de que a revolução democrática estava começando. No movimento, a responsabilidade de que a revolução democrática não pode parar. Mesmo que a esperança não haja sido de todos, foi com certeza do Emigrante. Mesmo que nem todos queiram ou possam assumir a responsabilidade, o Emigrante quer, pode e deve assumi-la para que, pelo menos, o seu filho possa viver em Portugal. O Emigrante merece na sua revista o titulo-símbolo de uma data-movimenta marco importante. e lutemos para que decisivo, da História de Portugal. 

O Emigrante, sofrido, desrespeitado, explorado, tem todo o direito de esperar muito do Governo Provisório, mas não pode esquecer as limitações de sua potencialidade, por contingências de um período de transição, provisório que é no nome, na acção e no tempo. Agora, se o Governo Provisório, por honestidade, é forçado a dizer ao Emigrante «Tens de ficar no estrangeiro. Não te podemos ainda dar emprego em Portugal, deve pelo menos, e já, assegurar que o Emigrante seja menos sofrido e nunca desrespeitado ou explorado. No entanto, o Emigrante tem um papel decisivo para que o Governo Provisório através principalmente da Secretaria de Estado da Emigração e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o ajude a garantir um menor sofrimento, um completo respeito e a morte da exploração. O saneamento dos fascistas, dos corruptos. dos incompetentes. dos exploradores, que grassam no estrangeiro em toda uma máquina repressiva ainda em grande parte por desmantelar. é também obra do Emigrante. Mas por ser obra, tem de ser séria e responsável. justa e eficaz. Não será dada guarida, nem encaminhada, qualquer denúncia que não esteja devidamente caracterizada e assinada, que não seja, pois, compatível com o objectivo fundamental a democratização e, como consequência, a verdade, a dignidade e a liberdade como conquista dos trabalhadores portugueses, unidos dentro e fora do Pais.

[imagens: Hemeroteca de Lisboa] 

3/04/2023

Cisne e Sino - Colas, tintas e outras coisas











Hoje trago à memória a marca Cisne, sobretudo na sua vertente relacionada à cola. 

Cola branca, cola-tudo e outras variantes pegajosas, a Cisne fez parte de muitas gerações de alunos que utilizavam estes produtos nas suas actividades de trabalhos manuais. Obviamente que as colas Cisne tinham aplicação em outros sectores de actividade que não apenas no âmbito escolar.

A Cisne terá sido fundada pela família Mendes Pereira, no Campo Grande, em Lisboa, há 127 anos, sendo que registada apenas no ano de 1929. Inicialmente os seus produtos eram sobretudo tinta para canetas de aparos, que praticamente até ao final de dácada de 1960 era comum utilizar nas escolas, até que se vulgarizaram as esferográficas, e ainda o característico lacre que continua a ser produzido. Logo depois surgiram as colas e pelo tempo fora novos produtos como tintas, tinta-da-china, tintas para carimbos, guaches, almofadas para carimbos, apagadores de quadros, gizes, etc.

Por muitos relatos da rapaziada da escola primária de outros tempos, parece ponto assente que a cola Cisne, pelo seu agradável aroma e consistência, era frequentemente usada para mascar a jeito de chiclete. Não seria saudável, certamente, mas não se consta que alguém tivesse perigado por a cheirar, manusear e mesmo mascar. Obviamente que noutros tempos em que estas coisas eram relevadas e tidas como próprias da idade.

A Cisne entretanto mudou de propriedade e actualmente pertence à Marouço, S.A. de Alcanena, que entre outros populares produtos comercializa as marcas de graxa e ceras Búfalo e abrilhantadores de madeiras e mobiliário, ceras e verniz,  Dabri. Faz ainda parte do universo de produtos da Marouço a também popular marca de cola Pica-Pau.

Também um marca emblemática, sobretudo no universo dos carimbos, com tintas e almofadas, mas também de colas e lacres, a SINO fez parte da Cisne sendo que originalmente era uma marca da A. Ferreira, empresa lisboeta, da Rua da Junqueira, que terá sido fundada em 1891. Desconhecemos em que ano terá sido integrada na Cisne sendo que na década de 1960 ainda fazia parte da A. Ferreira. De todo o modo, percebe-se que era uma empresa concorrente com produtos similares pelo que se percebe a junção mas simultaneamente mantendo as mesmas marcas, ambas prestigiadas.

Pela sua história e sobretudo pelas características dos seus produtos, como a cola, esta marca Cisne ficou desde sempre ligada ao universo escolar e sobretudo da escola primária, fazendo justamente parte das nossas memórias colectivas ligadas à infância e percurso escolar.

3/03/2023

Roger Ramjet - Série de animação




Hoje trazemos à memória a divertida série de animação "Roger Ramjet", criada pelo talentoso Fred Crippen (1928-2018). 

Dos Estados Unidos, como habitualmente, foi produzida entre os anos de 1965 a 1969, com cinco temporadas e 156 episódios, com estes a terem uma curta duração de aproximadamente 5 minutos e meio.

Entre nós foi passando em diferentes alturas na RTP, tanto na década de 1970 como na década de 1980 e mesmo já nos anos 90.

A série segue as aventuras de Roger Ramjet, um super-herói americano, piloto de um caça, que lidera uma equipe de combatentes do crime conhecida como American Eagle Squadron. Com a ajuda de seus jovens companheiros, Roger luta contra uma série de diferentes vilões internacionais e alienígenas para proteger a América e o mundo. A série é conhecida por seu estilo de animação único, diálogos cómicos e personagens caricatos. Desde sua estreia, Roger Ramjet se tornou um ícone da cultura pop e tem sido lembrado como um clássico da animação americana.

Roger Ramjet é apresentado como herói impregnado de patriotismo amercicano e com um padrão de moralidade muito apurado tipo da América do seu tempo. Está constantemente em acções heróicas a "salvar o mundo", em missões do Governo organizadas pelo General GI Brassbottom, contando para isso com a ajuda de suas pílulas de energia de prótons ("PEP"), que lhe dão "a força de vinte bombas atômicas por um período de vinte segundos". 

Roger Ramjet é retratado como um homem alto e musculoso, com um queixo proeminente e um penteado extravagante, envolto na sua roupa imaculadamente branca. Ele é extremamente corajoso e confiante em suas habilidades, mas muitas vezes age de forma impulsiva e ingênua, o que pode colocar ele e sua equipe em perigo. É claro que em rigor o herói é tudo menos isso e na maior parte das situações em que se envolve é apanhado, no que lhe valem os seus amigos do esquadrão, bem mais astutos e inteligentes.

Apesar dos quase 60 anos da série, o estilo de desenho é muito interessante e até dentro dos conceitos da animação actual, e muito caricatural, o que dá à série uma importância gráfica e identidade muito particulares.

3/02/2023

Lusiteca - Pastilhas elásticas Gorila e cromos de aeronáutica



Com muito tempo de atraso, confessemos, hoje trazemos à memória a Lusiteca e os seus doces produtos, sobretudo as já emblemáticas pastilhas elásticas Gorila.

Rezam as crónicas que a Lusiteca nasceu em 15 de Janeiro de 1969, então com o nome de Transformação e Embalagem de Produtos Alimentares, SARL, pela mão de três empresários vindos da indústria alimentar – de áreas como o café e o bacalhau. Os três criaram então uma empresa de embalamento, no mesmo sítio onde hoje mora a fábrica da Gorila, em Algueirão – Mem Martins. Com a evolução do mercado, o negócio passou a envolver também a produção de guloseimas no que se tornou de facto a principal actividade até aos nossos dias.

Em 1970 é criada a marca Penha, associada a caramelos de nata.

Em 1971 são criadas as pastilhas elásticas Gorila, com sabor original, que ao logo dos anos seguintes tornou-se, porventura, no produto mais popular e emblemático da Lusiteca.

Em 1973 são lançados os caramelos de fruta e chupas e em 1975 as Gorila têm uma versão em sabor de banana.

Em 1979 a marca lança uma extensa colecção de cromos associada às Gorila, sobre a temática da aeronáutica, com desenhos a preto-branco de aviões, helicópteros e outros ojectos voadores. 

Em 1981 as Gorila adquirem o sabor a morango com a denominação Super Gorila.

Em 1983 são lançados no mercado os caramelos de fruta coma  etiqueta Circo. 

Em 1986 novo sabor para as pastilhas elásticas Gorila, desta vez a laranja.

Em 1988 a Lusiteca inicia a exportação para os seus produtos e logo depois, em, 1990 obtém a certificação ISO22000.

Em 2012 a marca faz o rebrandig (alteração da imagem dos produtos) e no ano seguinte, 2013 são criadas as Gorila Go Up, sem açúcar e sabor a menta, entrando na moda das reduções e nos anos seguintes novas variantes na senda do sem açúcar.

Em 2018 a marca celebrou meio século a adoçar a boca aos consumidores e lançou os rebuçados Penha com alteia e mel, como peitorais, numa clara concorrência à popularidade dos rebuçados Dr. Bayard.

Seguiram-se os Penha com sabor a café e com recheio de chocolate.

Retomando o assunto dos cromos aeronáuticos das pastilhas Gorila, era de facto uma extensa colecção, anunciada como tendo 809 números divididos por sete parâmetros, mas que na realidade deles terão sido apenas impressos 407, já que da colecção original inglesa a Lusiteca, por motivos nunca devidamente explicados, não terá recebido a totalidade das chapas de impressão. Não sabemos se por acordo ou se por incumprimento dele.

Para além do inusitado número de cromos, mesmo com a tal supressão de parte da séria, a colecção é muito interessante e cultural sendo que pecava por não ter a caderneta onde os colar. Mas havia a possibilidade de troca da série da II Guerra Mundial (cromos 366 a 624) por um álbum colorido com os respectivos aviões. Por tudo e até mesmo por estes contornos enigmáticos, tornou-se, de facto, numa colecção popular e emblemática e ainda hoje detida por muitos.

Pessoalmente tenho centenas destes cromos, sendo que em rigor nunca tive tempo para ordenar a colecção a ponto de saber quantos tenho, incluindo repetidos, e quantos faltam. Um dia destes...

3/01/2023

Diploma da 4.ª Classe


Noutros tempos, o exame da quarta classe da escola primária era algo sério pelo rigor e disciplina que exigiam, a par das várias matérias e conhecimentos que abarcavam, que provavelmente hoje só se adquirem, e de forma muita relaxada, num nível do 9.º ano ou mais além. O exame regra geral consistia numa prova  escrita, com exercícios de língua portuguesa, com vocabulário, gramática e redacção, ainda aritmética, incluindo cálculo de fracções e geometria. Ainda a prova oral.

Entre os anos de 1948 e 1956, apenas era obrigatória a frequência escolar até às três primeiras classes, para crianças entre os 7 e 12 anos, terminando esse ciclo com um exame, chamado de Primeiro Grau. A partir do ano de 1956 os rapazes passaram a ser obrigados a frequentar os quatro anos de ensino primário e instituiu-se o correspondente exame. A partir de 1960 a obrigatoriedade dos quatro anos estendeu-se também às raparigas, passando então apenas a existir um exame final para a conclusão do ensino elementar, vulgo exame da quarta classe tendo sido suprimido o tal exame de primeiro grau..

Realizei o meu exame da quarta classe por meados da década de 1970 e tenho memória da data. Nos dias anteriores houve lugar a estudos de preparação com a diligente professora. No dia, eu e os meus colegas da escola da aldeia deslocamo-nos a pé a uma freguesia vizinha onde eram realizados os exames. Ou seja, não foi na nossa própria escola. Ainda em tempos mais recuados os exames eram por norma realizados nas sedes dos concelhos.

Os alunos foram dispersos pela sala de modo a impedir eventuais copianços. A prova escrita era realizada em folhas de papel azul de 25 linhas e toda a escrita era realizada com caneta de aparo, pelo que havia que ter o máximo cuidado para não esborratar ou rasurar. No final da prova escrita houve lugar a trabalhos manuais em que cada aluno tinha que já ter preparado. Na parte da tarde era a prova oral em que o aluno era interrogado sobre várias disciplinas, incluindo História de Portugal, Ciências Naturais e Geografia, abrancando nesta os temas relacionados às então províncias ultramarinas, sobre geografia, serras, rios, caminhos de ferro, etc, etc.

No final da tarde surgiu o momento esperado com a colocação dos resultados, afixados na porta da sala. Passei com distinção e alguns colegas rés-bés-campo de ourique  e ainda outros que reprovaram. Para além do desapontamento, certamente que a contarem com o castigo quando dessem a notícia aos pais. Era o que era.

A propósito do título deste artigo, infelizmente não me lembro nem tenho memória de ter recebido o então tão almejado Diploma. Este documento, com estampa clássica desenhado pelo artista Martins Barata, em 1937, uma edição exclusiva da Imprensa Nacional de Lisboa, foi usado praticamente até à mudança de regime, em 1974. O diploma tem as dimensões de  29,7x20,5 cm, por isso praticamente no formato A4, com a ilustração monocromática em tom azul escuro e com um rapazinho fardado a empunhar com ar solene a bandeira da Mocidade Portuguesa.  Sabe-se, que este rapazinho teve como modelo o próprio filho do artista, José Pedro, então com 8 anos.

Em 2017 li uma notícia de que o Arquivo Municipal da Guarda possuia no seu espólio 125 Diplomas comprovativos do exame da 4ª Classe., com datas compreendidas entre 1950 e 1967 e que pertenciam a pessoas naturais de várias freguesias do concelho da Guarda. Desconhecendo o Arquivo o motivo de tais documentos estarem então na sua posse, divulgou publicamente a lista dos titulares certificados e disponibilizou-se a devolver os mesmos aos diplomados ou a seus familiares, em sessão solene agendada. Desconheço o resultado da acção, supondo que pelo menos uma grande parte terá sido devolvida. É da página da referida notícia que retirei o exemplar do Diploma, pertencente a uma Maria Celeste Gonçalves, nascida em 25 de Março de 1949, com que ilustro este apontamento.

Serve este artigo para supor, a ter em conta o sucedido na Guarda, que eventualmente também não terei recebido tal Diploma pelo que eventualmente terão também ficado lá pelo arquivo da escola onde foi realizado o meu exame. 

Seja como for, se por esses anos ainda era passado tal certificado, também pouco mais tempo terá durado pois logo depois deu-se a revolução do 25 de Abril de 1974 e de lá para cá todo o Ensino e a Educação têm andado aos trambolhões. Apesar de já decorrido meio século, dizem que ainda há problemas estruturais a emperrar a máquina, apesar do facilitismo e da perda de importância de exames, incluindo o do quarta classe que há muito foi morto, ressuscitado, novamente morto e enterrado. Importa ao sistema não criar traumas e dificuldades aos alunos nos diferentes escalões de ensino. Por isso suprimem-se os exames, porque no fim de contas, mesmo para quem as não saiba fazer, tudo será um faz de conta.

Chocolates PAN - Derreteu





Por estes dias (27 de Fevereiro) soubemos da notícia de que a Justiça brasileira, no Estado de S. Paulo, decretou a falência da PAN - Produtos Alimentícios Nacionais, S.A., popularmente conhecida por fabricar diversos itens comuns, como moedas, cigarros e lápis (os chocolápis)  mas em chocolate.

A empresa, na actualidade com pouco mais que meia centena de funcionários, nos últimos (2016) tempos passou por diversas mudanças na sua propriedade e capital social, com a compra pelo Grupo Brasil Participações, mas mesmo com essa reformulação não resistiu às vicissitudes do mercado e dos contextos dos últimos anos, afectados pela Covid 19, pelo que parece que agora a fábrica de chocolate, incapaz de cumprir as suas obrigações fiscais,  derreteu de vez.

Para os brasileiros ficam décadas de história e nostalgia dos emblemáticos produtos, mas mesmo em Portugal, pela década de 1970 e mesmo 1980 era comum encontrá-los à venda e foram comercializados, sobretudo na forma de moedas e os cigarrinhos, o que permitia à criançada simular que, tal como os irresponsáveis dos adultos, também fumavam, o que dava um certo estilo para além do sabor da guloseima.

A companhia foi fundada em 12 de dezembro de 1935, pelos engenheiros Aldo Aliberti e seu cunhado Oswaldo Falchero, com sede na Rua Maranhão, na cidade de São Caetano do Sul, no ABC Paulista. Os seus primeiros produtos foram o Cigarrinho de Chocolate e a Bala Paulistinha, esta inspirada na Revolução Constitucionalista de 1932 —, além de barras de chocolate em formato quadrado.

Em 1941, a PAN promoveu um concurso que consistia em completar um álbum de cromos (figurinhas) com figuras ligadas à astronomia, as quais eram fornecidas com as referidas balas paulistinhas. Para quem completasse a caderneta eram atribuidos vários prémios. Este concurso que terá durado dois anos ajudou em muito à popularidade da marca e dos seus produtos.

Algumas curiosidades: O menino negro, Paulinho Pompéia, que se tornou emblemático nas caixas dos cigarrinhos, foi na altura recrutado no popular Circo Garcia onde fazia de palhaço Berinjela. Foi o início de uma boa carreia no mundo da publicidade, da rádio e da televisão. Paradoxalmente, Paulinho, hoje com quase 70 anos,  nunca ganhou o vício de fumar nem consome chocolate pois não gosta.

Mais tarde, por meados da década de 1990, quando o "fumar" deixou de ser politicamente correcto, a fábrica foi obrigada a mudar essa imagem e os cigarros passaram a ter a designação de rolinhos e ainda mais tarde mudaram a ser os chocolápis, por isso na forma de lápis de cor. Certo é que a coisa acabou por perder a magia.

Infelizmente, como tantas vezes acontece no mundo empresarial, não basta que as empresas tenham história e popularidade para resistir às ondas do oceano dos mercados e por isso dá pena que esta história de uma fábrica de chocolates e guloseimas tenha tido um final amargo.


[imagens: Web, Folha de S. Paulo e Globo]

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