8/21/2009

Sabonete Feno de Portugal - Os aromas da natureza


O sabonete FENO DE PORTUGAL é daqueles produtos que jamais se esquecem. Neste caso pela particularidade do nome, é certo, mas também pelo bucolismo que foi transmitido nos anos 80 pelo spot publicitário televisivo onde a jovem loura (do cartaz) esvoaçava graciosamente por entre um campo de feno, por entre flores, cores e aromas. Toda ela era leveza e transparência pelo que a imagem relacionada com os aromas e encantos da natureza foi muito bem conseguida e transmitida.
Nessa altura o slogan era "Feno de Portugal, o encanto da natureza". Penso que na actualidade é ligeiramente diferente, qualquer coisa como "Feno de Portugal, o aroma da natureza".

Este produto existe há várias décadas, pelo que pode ser considerado um artigo de tradição e nostalgia. Na sua origem era uma marca da Unisol, por sua vez pertencente ao grupo Quimigal, S.A. A Unisol foi adquirida em 1990 pela multi-nacional Colgate-Palmolive herdando assim a marca Feno de Portugal e outras bem populares como o lava-loiça Super POP, a lixívia Javisol e os artigos de higiene pessoal Festa e Vert Sauvage. Não tenho visto o Feno de Portugal nos locais habituais das minhas compras, mas ainda é fabricado e comercializado.

Ao longo dos tempos o grafismo do rótulo tem mudado mas creio que o aroma característico se tem mantido.
Pessoalmente, nunca fui muito de sabonetes, mas recordo-me que em adolescente era o meu sabonete preferido. Por isso, ainda hoje basta semi-cerrar os olhos e o aroma salta à memória bem como o momento em que acabava de sair do banho e vestia uma camisa ou uma t´shirt.
Os aromas têm de facto essa capacidade fantástica de ficarem retidos na nossa memória, principalmente aqueles que definimos como os mais característicos ou que de algum modo marcaram o nosso dia-a-dia, seja nos momentos do trabalho, da escola ou do lazer. Por isso, toda a nossa vida é assim um repositório de cheiros, perfumes e aromas, passe a redundância dos sinónimos.

Como disse, o nosso dia-a-dia está rodeado de cheiros e através do sentido do olfacto aprendemos a distingui-los, a diferenciá-los; os agradáveis e os desagradáveis; os intensos e os suaves; mas a nossa memória e a percepção dos aromas é tanto mais forte quanto a importância que damos ou guardamos das coisas, dos momentos e dos lugares relacionados.

Quem não tem presente o cheiro a bronzeador de coco nas quentes tardes de Verão na praia, ou o cheiro a mar ou maresia pela manhã? Que tal o cheiro agradável de um copo de leite com café ou uma cevada ou chocolate quentes, a fumegar? Em casa, o cheiro agradável de um refugado ou de um assado acabado de sair do forno? No jardim, o perfume a rosas e cravos ou ervilhas-de-cheiro? E as belas-donas, agora no final de Agosto, ou mesmo as açucenas? Ou até mesmo o cheiro a relva acabada de cortar pela manhã, com mistura de cidreira, hortelã e menta? Claro que no mundo das flores os perfumes são imensos e inconfundíveis. E na escola primária, o cheiro a lápis de cor acabados de afiar e o aroma fresco dos livros novos?

Em casa, nas limpezas, o cheiro fresco a sabão Clarim, da cera de soalho ou do detergente OMO ou JUÁ ou ainda do aroma intenso da lixívia ou do petróleo? No campo, o cheiro fresco que se respira entre os milheirais orvalhados, ou o cheiro morno da terra acabada de lavrar? O aorma a uvas frescas ou acabadas de pisar no lagar? No pinhal, o perfume do eucalipto ou dos pinheiros bravos, resinosos, acabados de abater? O aroma inconfundível de um bom vinho tinto, o cheiro a leite-creme acabado de queimar, o aroma de vinho quente com canela (champarrião) ou a fragrância das castanhas assadas ainda a escaldar? O aroma das sardinhas assadas com pimentos, de um bife grelhado e do pão de milho acabado de saír do forno, ou mesmo um pão de trigo bem quentinho barrado de manteiga? Hummmmm.

Chega como amostra, porque é verdade que cada pessoa tem na memória os seus frasquinhos de aromas. Basta destapá-los, semi-cerrar os olhos e viajar pelo mundo das coisas, momentos e lugares.
Por mim, porque ainda de férias, estou mesmo de saída para almoçar num restaurante onde a vitela arouquesa no espeto, acompanhada de arroz de feijão em panela de barro, vão libertar agradáveis aromas.

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8/20/2009

OGAN o Viking


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OGAN é um herói do mundo da Banda Desenhada. O seu contexto histórico situa-se no reino de Hordaland, na actual Noruega, algures nos anos 800 da nossa era.
OGAN é um príncipe Viking que na maioria das suas aventuras luta contra o vilão rei Erik e seus lacaios. Percorrendo os mares do norte no típico barco viking, habitualmente chefia um grupo de valentes guerreiros escandinavos, nomeadamente o seu possante e fiel amigo Kiron, que também foi seu tutor, e o carismático Poulet. Outras figuras mais ou menos habituais, a bela Gunilda, a apaixonada de OGAN e Augustin, um eremita a quem o príncipe escandinavo deve a sua orientação espiritual.
Conheci o OGAN pelas edições portuguesas das revistas "O Falcão" e "Tigre", nos anos 70. Sendo publicado essencialmente em edições chamadas de pequeno formato, as suas histórias são relativamente pouco extensas, mas estão repletas de vivacidade, acção e aventura.

Na vertente técnica, sabe-se que OGAN foi desenhado por vários artistas, essencialmente espanhóis, como César Lopez, este o mais representativo e o que lhe dá a personalidade base, e ainda Jaime Brocal Remohi, Adolfo Buyalla, Jaime Juez, Auraleon e Francisco Puerta. Por conseguinte, verifica-se assim uma paleta de estilos diferenciados mas interessante e que conseguem manter a dinâmica e personalidade de OGAN e das suas aventuras.

As principais edições europeias são de origem francesa onde OGAN surgiu pela primeira vez nos anos 60, com destaque para as Editions Imperia.

Gosto da banda desenhada de OGAN, pela qualidade e estilo característico do desenho, onde predomina a subtiliza de um traço elegante, repleto de contrastes, sobretudo da mão de César Lopez. Apesar de relativamente pouco extensas, as histórias estão repletas de vivacidade, acção e aventura, quase sempre inspiradoras para as nossas brincadeiras de criança, povoadas de lutas, batalhas e guerreiros.

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Na página abaixo, OGAN rodeado à esquerda por Poulet e à direita pelo fiel amigo Kiron.
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8/14/2009

Batalha de Aljubarrota - 14 de Agosto de 1385

 

Passam hoje 624 anos sobre a histórica data da Batalha de Aljubarrota, travada entre os exércitos português e castelhano e que, segundo os historiadores, foi definitiva na consolidação da nossa independência face às pretensões de Castela. Era também o fim de um período conturbado da nossa História, a crise de 1383/1385.

Nos livros de História, este facto foi sempre retratado como expoente da determinação de uma pequena nação face a um vizinho maior e mais poderoso, onde a valentia, inteligência e fé se reuniam como factores determinantes na vitória de batalhas e guerras.

Associado a esta batalha de Aljubarrota, o nome do Condestável D. Nuno Álvares Pereira como general das tropas de D. João I. Também, como resultado de uma promessa de fé de D. João I, sensivelmente próximo do local do embate militar, foi mandado edificar o Mosteiro da Batalha, uma jóia da nossa arquitectura medieval que subsiste como recordação da importante e decisiva vitória das tropas lusitanas.

No aspecto lendário, destaca-se o nome de Brites de Almeida, a famosa padeira de Aljubarrota.

A ilustrar este artigo, alguns cromos da caderneta "História de Portugal", uma edição da Agência Portugues de Revistas, de autoria do fantástico ilustrador/pintor Carlos Alberto Santos.

No fundo, o quadro sobre a padeira de Aljubarrota, de autoria de José Perez Montero, do livro História de Portugal, da Girassol, edições, l.da.

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(clicar nas imagens para ampliar)

 

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Catecismos da Primeira Comunhão

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- Versão ilustrada por Laura Costa

Já falei aqui do meu Catecismo da Primeira Comunhão, correspondente ao Volume I da série Catecismo Nacional, que vigorou nos anos 50 e 60 no ensino da Catequese.
Num destes dias, desfolhando com mais calma outros exemplares de catecismos, constatei que existe uma outra versão deste mesmo Catecismo da Primeira Comunhão, com semelhanças compreensíveis mas por outro lado intrigantes.

Ambos os catecismos são indicados como oficiais e emanam de uma directiva ou aprovação datada de 7 de Outubro de 1953, assinada por D. Manuel Gonçalves Cerejeira, Cardeal Patriarca de Lisboa. Por conseguinte, as lições são exactamente as mesmas.
Uma das versões está ilustrada com desenhos da artista Laura Costa e  foi impressa na Litografia União, Limitada - Vila Nova de Gaia enquanto que a outra, está ilustrada por Vitor Peón e foi impressa na Fotogravura Nacional - Lisboa.

Para além de tudo, a grande intriga está na semelhança das ilustrações de ambos os artistas. Não no estilo e na arte, que francamente são distintas, mas na estrutura de cada figura, incluindo as próprias legendas. Desconhecendo os motivos, e atendendo à mesma data da aprovação dos catecismos, fica a dúvida se foi Vitor Péon a copiar a Laura Costa ou vice-versa, ou se ambos se limitaram a seguir indicações pormenorizadas e superiores quanto à estrutura e descrição de cada quadro. A ter em conta as semelhanças de cada composição, tudo indica, porém, que um dos artistas copiou o outro. Pessoalmente acredito que os originais possam ser de Laura Costa, já que era a mais velha e consagrada  na ilustração de motivos e livros de temática religiosa.

Apesar de distintos, os dois estilos são interessantes, notando-se no traço de Vitor Péon a técnica proveniente da sua ligação à Banda Desenhada, com imagens e personagens mais dinâmicas e expressivas e Laura Costa com um estilo mais pictórico, com as suas figuras impregnadas de motivos folclóricos e de vestuário do Portugal rural de então, uma das marcas da pintora/ilustradora portuense.

Quanto ao facto de se terem publicado dois catecismos com estilos diferenciados, julgo que teve a ver com a política de distribuição, pelo que será natural que uma edição fosse destinada ao sul do pais e a outra ao norte.
Por outro lado, desconheço se esta situação aconteceu relativamente aos restantes volumes correspondentes aos demais anos e classes da Catequese.
De seguida reproduzimos algumas páginas dos respectivos catecismos para se verificar as tais semelhanças ao nível das ilustrações.

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- Versão ilustrada por Vitor Péon

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8/13/2009

Miguel Torga - 12 de Agosto de 1907



Fosse vivo e Miguel Torga (Adolfo Correia da Rocha) teria ontem completado 102 anos. Dos autores portugueses, passados e presentes, nenhum me seduz tanto como este agreste transmontano, de nariz adunco e rosto granítico a condizer com a rudeza do berço onde brotou.

Gerês, 12 de Agosto de 1952

Quarenta e cinco anos. Numa solidão cortada por dois telegramas e dois postais, lá se passou mais este dia fatídico do meu aniversário. E digo fatídico, porque realmente o é todo aquele que assinala o nascimento de um poeta, mormente aqui em Portugal e nos tempos que vão. Desde que me conheço com alguma consciência que sinto isso. E sempre que me ponho a olhar do alto de cada marco do caminho andado, apenas consigo vislumbrar o rasto agonizante de um pobre destino humano, que nem ao menos se refresca  na bica de nenhum verdadeiro devotamento tutelar. Nunca se viu no pó da estrada peregrino tão sedento e desiludido da ternura dos semelhantes! 

Sismógrafo hipersensível, que regista os estremecimentos do mundo e de si próprio, e que um abalo mais brutal desafina, acabei por ficar desirmanado na sala do observatório, absurdo, espectral, a pulsar desalmadamente enquanto a corda se não acaba, sem conseguir ver do passado mais do que a serrilhada angústia de um gráfico incansável, que só meia dúzia de entendidos poderão mais tarde decifrar.

Miguel Torga, DIÁRIO Vols. I a VIII - Publicações D. Quixote.

Com este artigo e uns simples rabiscos feitos à pressa, fica aqui a minha rudimentar homenagem ao escritor e poeta.

8/12/2009

Caderneta de cromos de futebol - TV Bola - 84/85

 

Hoje trago à memória uma caderneta de cromos de futebol designada de TV BOLA. Trata-se de uma edição de Francisco Más, L.da e refere-se à época futebolística de 84/85.

A caderneta apresenta as dimensões de 170 x 235 mm e é composta por uma colecção de 256 cromos, correspondentes a 16 por cada uma das 16 equipas representadas.

A caderneta não tem nada de especial para além da curiosidade dos jogadores serem representados, ao nível do peito, no ecrã de um televisor de modelo clássico, daí a originalidade do nome. Por sua vez, cada televisor está centrado num cenário azulado composto por uma baliza de futebol.

Cada equipa tem direito a duas páginas, com 8 cromos cada. O nome da equipa abrange na parte superior as duas páginas.

A capa tem um grafismo simples e sem qualquer informação adicional para além do título. A contra-capa tem o mesmo grafismo da capa. Na parte interior da capa é representado o calendário para o campeonato da época 84/85. Como curiosidade referente a essa época, o FC Porto foi o campeão com 55 pontos seguido do Sporting, com 47 e do Benfica com 43. Foi, pois, uma vitória folgada da equipa das Antas. Desceram à 2ª Divisão os clubes do Rio Ave, Farense, Varzim e Vizela.

Numa época em que eram várias as editoras a publicar colecções de cromos, o factor originalidade era um dos aspectos reclamados mas nem sempre com a qualidade gráfica desejável.

Apesar de tudo, é uma caderneta obrigatória na lista de qualquer coleccionador.

 

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PS: Estamos já em período de férias pelo que os artigos não têm tido a regularidade habitual, pelo que pedimos a compreensão dos visitantes costumeiros.

 

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8/08/2009

Raúl Solnado - 19 de Outubro de 1929 / 8 de Agosto de 2009

 Nem sempre as notícias são as mais desejadas, mas a fatalidade da vida tem destas coisas. Partiu hoje Raúl Solnado, um nome que dispensa apresentações.
De Solnado diz-se que "reinventou o humor em Portugal" e nessa área da arte de fazer rir e alegrar as almas, em que era mestre, deu cartas e estabeleceu padrões.
Assim de repente, apesar de tantos marcos da sua profícua carreira de actor e comedista, recordo-o sobretudo numa das suas passagens pela televisão, nomeadamente como apresentador do inesquecível e popular concurso "A visita da Cornélia" ou ainda na sua participação no "Zip-Zip", com Fialho Gouveia e Carlos cruz, sobretudo nas suas fabulosas histórias como a da ida à guerra.
A guerra da vida acabou para Raúl; Na versão da sua "ida à guerra", quando lá chegou "as portas ainda estavam fechadas". Agora que partiu, que se abram as portas da paz à sua imensa alma, de artista e de homem!

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