1/01/2010
Livros de leitura da Escola Primária
Balada da neve – Augusto Gil
(ilustração de baixo: pintado com a boca por Alexsandr Ivanov)
BALADA DA NEVE
Batem leve, levemente,
como quem chama por mim...
Será chuva ? Será gente ?
Gente não é, certamente,
e a chuva não bate assim...
E talvez a ventania:
mas há pouco, hà poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente ?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento, com certeza.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria.
- Hà quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pèzitos de criança...
E descalcinhos, doridos...
A neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!
Porque padecem assim ? ! ...
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa
Cai neve na Natureza...
e cai no meu coração.
Augusto Gil
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12/28/2009
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12/24/2009
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12/22/2009
Lengalenga
Hoje trago à memória outra bela página do meu livro de leitura da segunda classe.
Trata-se de uma bela lengalenga que nos recorda os preparativos para o casamento de uma franga.
Como quase todas as lengalengas, esta também é divertida e joga com as palavras. Era uma das histórias que habitualmente sabíamos de cor-e-salteado. Pode-se ampliar a imagem clicando sobre a mesma.
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12/16/2009
O rato do monte e o rato do moinho
Do meu livro de leitura da segunda classe, relembro hoje uma interessante historinha, que de vez em quando ainda me vem à memória; Trata-se de "O rato do monte e o rato do moinho".
A história tem uma mensagem explícita que pode ser facilmente transportada para a vida real já que tantas vezes, a troco de estilos de vida aparentemente mais modernos e confortáveis, corremos alguns riscos a eles associados. Poderia dar inúmeros exemplos mas fica o exercício para quem quiser.
Neste caso concreto, o rato do monte, bastante magro devido às suas privações, mas nem por isso menos ágil e saudável, percebe perfeitamente que a vida regalada do seu amigo, gorducho porque vivia na fartura, acabou por ser a sua perdição e terminou na boca do gato, afinal no papel de destino, de fatalidade.
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12/12/2009
Os nossos carrinhos de rolamentos
O nosso blog Santa Nostalgia, a propósito do tema de carrinhos de rolamentos, foi por estes dias citado na rubrica “Caderneta de Cromos”, de Nuno Markl, no programa que leva a cabo na Rádio Comercial.
Neste sentido, pelo que nos sentimos lisonjeados, voltamos a publicar o respectivo artigo.
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Hoje em dia as crianças estão "intoxicadas" com toda a qualidade de brinquedos, desde os mais simples aos mais sofisticados, incluindo leitores de música e vídeo, telemóveis, consolas de jogos e até carros e motos movidos a bateria.
Sempre que há aniversário, Páscoa ou Natal, esse arsenal de brinquedos aumenta consideravelmente. Por conseguinte, não há criança, por mais pobre que seja, que não tenha em casa uma panóplia de brinquedos.
Mas nem sempre foi assim. Se é certo que o brinquedo sempre ocupou um importante lugar no mundo da infância e sempre os houve, também é verdade que só as as crianças nascidas em boas palhas é que tinham direito a brinquedos mais ou menos sofisticados, de acordo com a época.
Ora no nosso tempo, os meninos ricos já dispunham de uns carrinhos em chapa, movidos a pedais e ainda de bonitos triciclos e até trotinetes. Eram um sonho. Porém, os meninos pobres, a maior parte, à falta de melhor, construíam eles mesmos os seus brinquedos e por conseguinte os seus próprios carrinhos.
Neste particular aspecto, o carrinho de rolamentos tornou-se assim num companheiro de brincadeiras e distracções. Tanta distracção que, invariavelmente, os mesmos acabavam destruídos e queimados na lareira pela mão impiedosa das mães furiosas pelas constantes distracções e incumprimentos dos deveres de casa e da escola. Pela parte que me toca, a minha mãe especializou-se na destruição deste tipo de bólides, mesmo aqueles mais sofisticados. Primeiramente era uma machadada e depois, uma vez esfrangalhado o carrinho, lareira ou forno com ele. Era uma tristeza que fazia doer a alma, mas pouco depois um novo carrinho nascia.
Mas enquanto duravam, as corridas eram a brincadeira preferida. Pelo meio ficavam as constantes cambalhotas como consequência natural de despistes. Afinal convém lembrar que os carrinhos não tinham sistema de travões a não ser a sola das botas (de quem as tinha) ou a sola de pele dos próprios pés.
Como variante dos carrinhos de rolamentos, a malta do meu tempo tambés se especializou em construir motos, também em madeira e com rodas de triciclos. A condução destes bicharocos exigia equilíbrio pelo que as quedas eram mais frequentes.
Bons e inesquecíveis tempos. Para além da essencial componente lúdica dos brinquedos, a arte e o engenho postos na sua construção eram também uma tarefa aliciante, em si mesmos uma brincadeira. Hoje, como diria alguém, já se compra tudo feito.
Volvido todo este tempo, os carrinhos de rolamentos sofisticaram-se e são motivo de corridas organizadas em algumas localidades do país, incluindo a freguesia de Sanguedo, do concelho de Santa Maria da Feira, que se auto proclama como capital portuguesa de Fórmula Roll. No YouTube estão disponíveis diversos vídeos destas corridas disuptadas um pouco por todo o país.
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