6/07/2010

Caderno Escolar – Pêbêcê – Anos 40

 

Já temos aqui falado dos emblemáticos cadernos escolares, preciosos auxiliares no percurso da nossa escola primária. Havia-os de diferentes tipos, tais como de folha lisa, duas linhas, linha estreita e quadriculados, por isso adaptados às diferentes funções, fosse de desenho, escrita ou aritmética. Os cadernos eram assim um auxiliar efêmero já que normalmente depois de totalmente utilizados eram deitados fora.  Por isso, e porque ao longo do ano escolar eram precisos vários, era um artigo muito usado pelo que tinha que ser de preço acessível às carteiras das famílias, por regra pobres e humildes. Não admira, pois, que os cadernos escolares doutros tempos fossem muito simples, quase sempre com poucas folhas e capas de papel muito delicado. Apesar disso, tinham uma beleza quase despropositada à sua função e hoje, observados à distância, eles têm um encanto acrescido e não surpreende que sejam um produto muito procurado por coleccionadores e saudosistas.

O caderno que hoje trazemos à memória é dos anos 40, associado à Mocidade Portuguesa. É um caderno produzido pela empresa Papéis PBC, que nesta área foi muito produtiva, especialmente nos anos 40 e 50, antes do domínio da Ambar a qual ainda hoje é uma das maiores produtoras de cadernos e material escolar. Quanto à PBC desconheço o seu destino e as informações sobre a empresa são praticamente inexistentes.

Este caderno em particular, é de linha estreita, adequado à aprendizagem da caligrafia, portanto normalmente na primeira classe. Na capa, a cores, está representado um menino muito compenetrado na arte da escrita, sobre a clássica secretária da escola, vendo-se ainda alguns símbolos característicos, como o globo terrestre, o mapa de Portugal e uma bandeira da Mocidade Portuguesa.

Na contra-capa, como era usual, estão representadas as tabuadas de multiplicar e dividir e ainda uma gravura com um menino e duas meninas a brincarem à bola.

É sem dúvida um caderno muito bonito e que ilustra muito bem um conjunto de símbolos ligados ao ensino primário do tempo do Estado Novo.

Voltaremos ao tema, com novos (velhos) cadernos.

caderno pbc sn 1

caderno pbc 2

Tópicos relacionados:

Cadernos escolares - A família Pituxa
Caderno escolar - João de Deus
Tabuada

6/04/2010

Jogo de palavras

 

Do meu querido livro de leitura da segunda classe, volto a “pescar” memórias. desta vez, da página 9, uma interessante lição sobre jogos de palavras, ou lengalengas.

Como a maior parte do livro, esta lição está superiormente ilustrada pela Maria Keil.

Quem ainda se recorda destes dois jogos de palavras?  o Manuel dos Matos e a casa de Viseu?

 

jogo de palavras sn1

(clicar para ampliar)

jogo de palavras 01

jogo de palavras 02

6/01/2010

Dia da Criança

 

criancas brincar

Ilustração: Maria Keil

donald zolan criancas 1

Ilustração: Donald Zolan

donald zolan criancas

Ilustração: Donald Zolan

donald zolan criancas 2

Ilustração: Donald Zolan

donald zolan criancas 3

Ilustração: Donald Zolan

donald zolan criancas 4

Ilustração: Donald Zolan

Hoje é o Dia Mundial da Criança. A data estabelecida não é uniforme, mas em Portugal, como em muitos outros países, o dia 1 de Junho foi o escolhido.
Hoje, mais do que nunca, é importante o dia e todas as evocações e reflexões que se possam fazer e estabelecer sobre a criança e todo o seu contexto, desde a sua concepção, nascimento, crescimento e formação. Afinal, ainda faz sentido a velha máxima de que as crianças são o futuro. Se queremos, pois, um futuro melhor para todos e em todos, torna-se então necessário que o seu presente seja devidamente equacionado e preparado.
Como é natural, este é um tema que merece e despoleta sempre novas reflexões e discussões e por mais que nelas nos debrucemos, fica sempre muito por falar e fazer.


Questões fulcrais, nomeadamente quanto à educação, ocupam um dos primeiros lugares das preocupações. Numa época em que as famílias perdem cada vez mais os alicerces convencionais, com uniões de facto, sem factos ou sem afectos, separações, divórcios consecutivos, famílias monoparentais e até com adopção por parte de uniões homossexuais a entrar na ordem do dia, realmente é caso para dizer que as crianças estão mais desprotegidas do que nunca, isto num sentido dos equilíbrios emocionais, dos afectos e referências. Pode não ser uma perspectiva politicamente correcta mas é o que é.
Mas pronto...isto é pano para mangas e já foge do objectivo do post, que é o de apenas lembrar a data.


Nascido em meados de 60, eu também fui criança, e este simples blogue vive muito das recordações e memórias desses tempos. Hoje, mesmo comparando com os padrões da vida das nossas crianças, em todos os seus aspectos, desde a escola às brincadeiras e aos brinquedos, não tenho dúvidas de que, como os meus 7 irmãos, fui uma criança feliz, mesmo que entre as minhas brincadeiras também houvesse lugar aos trabalhos, especialmente na ajuda aos pais, quer em casa, quer no campo.
Tive uma infância repartida entre a escola, os estudos, as lições, as brincadeiras e os jogos no recreio, as brincadeiras nos fins de semana e nas férias, sobretudo as do Verão, entre caminhos, campos e pinhais. Nessa altura as crianças eram livres como pássaros e não havia motivos para preocupações excessivas como hoje, a serem quase prisioneiras, enjauladas em casa, sem ordens para saír à rua, recostadas nos sofás de um mundo fofo, tecnológico mas quase autista.


Os brinquedos desses tempos eram feitos por nós próprios e o contacto era directo com as coisas, com os lugares, a terra, as plantas, os animais. Conhecíamos cada insecto, cada pássaro ou cada bicho. Cada dia era uma nova aventura, uma viagem pelo imaginário infantil, adoçado pelo que se via na televisão e lia nos livros. Íamos em bando a pé para a escola e cada uma dessas viagens era por si só um palco e motivo de brincadeiras, mesmo que acabassem em zaragatas e pancadaria.


Tudo mudou, para o mal e para o bem, mas uma certeza fica: As crianças são sempre crianças, mas sem dúvida que os diferentes tempos e diferentes mentalidades tiveram sempre uma importância vital na formação das suas personalidades, nomeadamente pela transmissão dos bons valores, no respeito próprio, pelos pais, irmãos, familiares, vizinhos e pessoas idosas, na disciplina e responsabilidade. Nem de outra forma poderia ser, mas pelo que vejo, e pelo que consigo abarcar nas gerações que testemunhei e nas suas enormes diferenças, conclui-se que nem toda a mudança resultou num caminho de valor acrescentado.

Felizmente muita coisa mudou para melhor, nomeadamente na questão da saúde e protecção relativamente ao trabalho infantil forçado e castrador da génese e tempo da infância, mas muitos outros valores se perderam.
O tempo tem destas coisas e se é verdade que a natureza nos ensina que há um irrevogável caminho de evolução e adaptação, também é verdade que frequentemente nos lembra que há sempre algo que se perde, que se extingue, que fica pelo caminho, quantas vezes por desmazelo, incúria e desprezo pelas regras básicas dessa própria natureza, mesmo que na versão humana. Ainda hoje, mera coincidência, soube pela minha esposa que uma nossa vizinha de 14 anitos mal feitos, grávida de alguns meses foi abortar. Por toda uma série de situações, espera-se mais do mesmo. Banalizou-se a sexualidade e o seu usufruto e agora a sociedade colhe os frutos. É esta a colheita esperada e desejável? É este o cimento dos alicerces do futuro próximo?


Aproveitemos a data para reflectir no que de bom e menos bom tem orbitado no universo da criança.

Jabberjaw - I Don't Get No Respect!

 

Hoje trago à memória a série de desenhos animados "Jabberjaw". Esta série foi produzida pela profícua Hanna-Barbera, em 1976 e exibida pela ABC entre 1976 e 1977. Em Portugal creio que passou já na era da cor, isto na primeira metade dos anos 80. 
Jabberjaw era um divertido tubarão, de dorso azul e barriga branca, com um apurado sentido de humor, baterista de uma banda de rock, Os Neptunos, composta ainda por Biff, Shelly, Bubbles e Clamhead. O ambiente da série era futurista, numa cidade no fundo do oceano. As histórias giravam assim em torno do Jabberjaw e do seu grupo de amigos.
A série foi relativamente curta, saldando-se em 16 episódios de cerca de 30 minutos cada.
Dizem que esta série foi produzida à boleia de um popular filme da época (1975), Jaws, ou Tubarão, de Steven Spielberg, mas funcionando numa espécie de desmistificação, já que o simpático Jabberjaw era tudo menos aterrador e sanguinário.
Também falam da semelhança da estrutura com o popular Scooby-Doo, da mesma produtora, o que em muitos aspectos é verdade. No fundo Jabberjaw seguia apenas a linha de sucesso de muitas das séries da Hanna-Barbera, onde um animal, assumia características e comportamentos muito humanos bem como interagia com estes, tornando-se num semelhante. Esta é uma das fortes característica de diversas séries da produtora norte-americana. Assim de repente, para além do já citado Scooby-Doo, estou a lembrar-me do Zé Colmeia, a Lula Lélé, Pepe Legal, Wally Gator e muitos outros.
Recordo-me bem da série e para memória ficou sobretudo a sua famosa frase:  I Don't Get No Respect!

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[Youtube – Link]

5/31/2010

Brindes dos cromos de caramelos - repost

 

Há tempos publiquei aqui um post sobre os famosos brindes distribuídos com as colecções de cromos de caramelos, os sempre tão apetecidos e desejados brinquedos, incluindo a alegria da rapaziada, que aream as bolas de borracha, com as quais se disputavam grandes desfios de futebol no terreiro da escola ou no largo da capela que existia junto à minha escola primária.
Hoje dou à estampa mais algumas imagens desses brindes, desses simples mas nostálgicos brinquedos a que poucos podiam chegar. Por conseguinte, para além da paixão pelos cromos da bola e seus ídolos, a compra dos cromos de caramelos era um expediente para se sonhar em possuir um dos brinquedos expostos na mercearia ou quiosque da aldeia.

Bons e saudosos tempos.

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5/28/2010

Duo Tony Lemos

duo tony lemos 1

 Hoje são as figuras principais da banda "Santamaria", que arrancou em 1997, mas muito antes os dois irmãos, Tony e Marlene Filipa, como Duo Tony Lemos,  já se exibiam pelos palcos das romarias, sobretudo na zona norte. Ele no órgão electrónico e ela na voz. 

Hoje trazemos uma capa de cassete editada em 1985, então com a pequenita Marlene Filipa com apenas 7 anitos e o irmão com 12 anos, interpretando canções como “As nossas brincadeiras”, “O Sineiro”, “O meu amigo balão”, “Ai, ai, avozinha”, “Meu querido, meu velho, meu amigo”, “Vou levar-te comigo” e “Os meninos de Huambo”.

Abaixo, algumas fotos de um recente – Agosto 2009 -  espectáculo da banda “Santamaria”, com a Filipa, que esqueceu a Marlene, já uma mulheraça e peras. O tempo faz-nos destas coisas.

Actualização: 20/10/2020 - Tony Lemos, com 48 anos, decorrente de problemas depressivos terá posto termo à vida, sendo encontrado morto na sua casa em Barcelos na última terça-feira, 13 de Outubro. Paz à sua alma. Para além da dor e da perda para familiares e amigos, ficam as suas memórias e a música que compôs e produziu. Paz à sua alma.



Abaixo a sua irmã de cantigas, Marlene Lemos

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