1/10/2011

O tempo das coisas

 

cerejas

Aqui há dias, um pouco antes da passagem de ano, assistia na RTP a uma das costumeiras e triviais reportagens da época, numa qualquer pastelaria, numa espreitadela sobre a confecção do popular bolo-rei. Para além de tudo o que se viu e ouviu, retive a afirmação de que apesar desta ser a época alta, todavia o bolo-rei confecciona-se e consome-se todo o ano. De facto assim é, como também é verdade realativamente a muitos produtos de origem sazonal ou identificados com épocas específicas.

É o caso do bolo-rei, conforme referimos, mas também o pão-de-ló e as amêndoas, tradicionalmente ligadas à festividade da Páscoa, as rabanadas, ligadas ao Natal, etç, etç.
No caso das frutas: Noutros tempos, no nosso país, morangos e melões vendiam-se nos meses de Verão, as cerejas em Maio e Junho, as castanhas, nozes e figos no Outono e por aí fora.
Hoje em dia, pelos efeitos da globalização, desenvolvimento das tecnologias de produção, confecção e armazenamento e conservação, temos quase tudo isso em qualquer dia do ano.


Certamente que esta abundância e disponibilidade por si só não têm nada de negativo mas, verdade se diga, perdeu-se muito do encanto próprio dessas coisas, quase como uma magia desvendada ou um segredo revelado. Dito de outro modo, as coisas vulgarizaram-se, tornaram-se rotineiras sem qualquer deslumbramento. Perderam assim o sabor e o aroma.


Consequentemente, as coisas e as situações tendem a cair numa espiral de vulgaridade que vai aumentando. Veja-se o caso do Natal, que outrora confinado à quadra, hoje já se começa a revelar em princípios ou meados de Novembro, porque o consumismo e os aparelhos que o sustentam assim o determinam.
Por conseguinte, perdeu-se para sempre o tal encanto e deslumbramento das coisas que aconteciam na altura própria em todo o seu explendor, como o concretizar de um desejo. Se desejávamos cerejas, tínhamos que esperar pelo tempo delas; Se desejávamos grelos ou melões, tínhamos que aguardar pelo tempo deles. Era assim com tudo. Mas tudo mudou.


Sinais dos tempos em que deixou de haver tempo para a espera, para o ritmo próprio dos ciclos da natureza e da vida.


1/05/2011

Ainda Boas Festas

 

pai_natal 

Publico aqui um simples rabisco de um Pai Natal, atrapalhado com os presentes, que cheguei a esboçar para dele fazer um dos meus postais de Natal. À falta de tempo, ficou a meio do que pretendia mas mesmo assim fica por aqui a lembrar que a quadra natalícia só termina amanhã com o Dia de Reis, outrora um importante feriado, a exemplo do que actualmente sucede em Espanha. Infelizmente, entre nós, este dia apresneta-se quase sem significado apesar de em termos simbólicos o Dia de Reis ou a Epifania, ser entendido como o momento maior em que o Menino Jesus foi reconhecido como Deus Menino.
É claro que pela importância que pessoalmente ainda dou à data,  cá por casa amanhã, embora sem a mesma importância ou ênfase, voltará a haver consoada, novamente com a caldeirada de bacalhau e as rabanadas de vinho.


Censos – Há 40 anos

 

Está a arrancar a campanha dos Censos 2011, a levar a efeito pelo INE – Instituto Nacional de Estatística, estando já abertas as candidaturas para os recenseadores (o que pessoalmente já fizemos). Será o XV Recenseamento Geral da População e do V Recenseamento Geral da Habitação, o que, desde 1864, tem acontecido com regularidade de 10 em 10 anos.

Pela primeira vez os inquéritos serão processados via internet, o que não deixa de ser uma situação normal tendo em conta a crescente dependência desta plataforma de comunicação e informação face aos serviços e entidades da administração pública.

A propósito, publicamos hoje um artigo de Março de 1970 relacionado aos Censos desse ano, correspondentes ao XI Recenseamento Geral da População, o que não deixa de ser interessante por se verificar os meios informáticos assegurados na altura, cujo computador e unidades periféricas foram alugados nos Estados Unidos, por 450 contos mensais, uma fortuna.

À distância de 40 anos percebe-se que o desenvolvimento na área da informática foi imenso e não surpreende que hoje em dia um simples computador portátil tenha mais capacidade de cálculo, processamento e armazenamento do que uma enorme unidade que então ocupava uma grande sala e requeria vários operadores e que se vangloriava de processar 63000 caracteres por segundo, o que de facto na altura era obra.

 

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(clicar nas imagens para ampliar)

- História dos Censos


1/03/2011

Este blog não adoPta o acordo ortográfico

 

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Por regra, fazemos por escrever correctamente o português. Exceptuando uma ou outra situação, por vezes decorrente de uma edição apressada e sem revisão ou pela gralha provocada pela falta ou troca de um ou outro caracter teimoso; que nos julguem os leitores mais capacitados mas entendemos que por aqui o português ainda é português.
Esta introdução serve para avisar ou prevenir os leitores, pelo menos os habituais, que este blog, propositada e esclarecidamente, não vai cumprir o acordo ortográfico da língua portuguesa que dizem já ter entrado em vigor, precisamente no arranque do novo ano.


Para além das razões que os entendidos consideraram como justificáveis para o novo acordo, e foram sobretudo políticas, porque a variante científica foi omitida ou desprezada, não concordamos com as mudanças e a sua amplitude. De resto, pela discussão pública suscitada, viu-se que a sociedade portuguesa sempre esteve dividida nesta questão. Ficou afastado, pois, um concenso que deveria ter existido.

Não estamos de acordo com o acordo, desde logo porque pensamos que a língua mãe deve ser a matriz e quaisquer ajustamentos ou correcções devem fluir na sua direcção e não o contrário, ou seja, a língua mãe a adaptar-se a situações em que, essencialmente por um mau uso, ela foi degenerada ou adaptada. Por outro lado, consideramos que as diferenças ou variações existentes ao nível da grafia e oralidade entre os diversos países dos PALOP, nunca em momento algum foram pretexto, embaraço ou dificuldade na compreensão e entendimento mútuos. Compreendemos a questão e a justificação de que uma língua tem uma natureza viva, logo evolutiva, mas o que está em causa neste acordo e seus motivos é fundamentalmente de carácter mais económico do que cultural ou linguístico. Por outro lado, se deste acordo resulta uma suposta aproximação ao Brasil, também é verdade que nos afastamentos da origem latina e das línguas delas provenientes. Depois, como diria alguém, creio que a jornalista Inês Pedrosa, “…o acordo não vai unificar nada. Apenas estão a substituir umas diferenças por outras.”.

Finalmente, não restam dúvidas que este último acordo foi desequilibrado e resulta sobretudo numa cedência ou subjugação ao Brasil, portanto a língua a subalternizar-se aos interesses decorrentes de aspectos aconómicos.
Muitas outras razões existem para na generalidade não concordarmos com este acordo, mas para já ficam estes motivos como fonte do nosso desalinhamento, que, de resto, estamos certos será extensível a muitos autores.

Para além de tudo, acreditamos que muitos dos nossos leitores, do Brasil, compreenderão esta posição e em momento algum encontrarão no facto e na postura uma dificuldade de acesso ou compreensão. Obviamente, continuarão a ser bem-vindos.

PS: Já dentro do contexto da entrada en vigor do acordo ortográfico, veja-se o caricato à volta do “Lince”, o tal conversor adoptado pelo Governo, que parece que já está (bem à portuguesa) a fazer “merda”. Não nos surpreende que este Lince, tal como o verdadeiro, o da Malcata, seja uma espécie rara e em extinção.


1/01/2011

E tudo recomeça…

 

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E pronto...Não custou nada!
Cá estamos no ano de 2011, acabadinho de chegar. Faz-nos lembrar quando compramos um novo telemóvel em que lhe damos mil cuidados para se manter brilhante e impecável e até hesitamos em remover a película protectora do ecrã. Durante os primeiros dias anda todo embrulhadinho, mas volvidas duas ou três semanas, lá está ele como todos os anteriores, pousado em qualquer sítio, sujo, desmazelado, repleto de riscos e mossas de algumas quedas.


No fundo é mais ou menos isto: Nos dias que antecedem a passagem de ano somos bombardeados com um chorrilho de votos de um bom e próspero ano novo, uns sinceros outros apenas de forma maquinal. Creio até que o caminho que o Natal tem vindo a percorrer, muito consignado na matriz comercial e consumista, tem esvaziado a celebração do seu verdadeiro sentido e isso também reflecte-se na forma como o desejamos. Assim, os votos de boas festas, feliz natal e feliz e próspero ano novo, regra geral são desejos vazios, sem corpo e sem alma, expressados de forma rotineira e maquinal.


Ao fim e ao cabo, no que ao ano novo diz respeito, bem sabemos que regra geral tudo vai continuar na mesma e do ano velho, como quem muda de casa, transportamos toda a mobília e todos os problemas que tínhamos às costas a 31 de Dezembro. Bem podemos pensar que será sempre bom que pelo menos se aproveitem os também habituais votos de saúde, paz e amor. Porventura será nesta trilogia onde residirá alguma da esperança ao mudarmos de ano. Se é verdade que nos podemos manter fiéis ao amor, e dependemos de nós para o cultivar, já a saúde é um dom que dependendo também de nós, da forma como nos cuidamos nos diferentes aspectos da mente e do corpo, ela também depende do que a sociedade pode fazer por nós; A sociedade, o Estado e por conseguinte o seu sistema de Saúde. Aqui, quem tem dinheiro continua a ter um melhor acesso.


Bem sabemos com o que vamos contar ao nível da nossa governação, atolados em dificuldades, com um enorme desemprego, uma imensa dívida pública que cresce a olhos vistos, impostos gravosos e cortes orçamentais nos diversos sectores. Como alguém me dizia, a diferença substancial entre os antigos e os novos tempos, é que nos outros as pessoas viviam de acordo com as suas possibilidade e nestes vivem bem acima das suas possibilidades. Se queremos perceber a origem das nossas dificuldades, não haja mistificação quanto a esta leitura.


É esta a realidade. Logo depois de rebentados os últimos foguetes, tombadas no chão as rolhas do champanhe e curadas as bebedeiras do reveilon, os portugueses entrarão nela de queixos, como um forcado acagaçado que teme o cornos do bicho enfurecido que tem diante de si.
Não queremos abandonar a esperança e tudo o que possa significar. Ela ainda é uma das poucas âncoras que nos podem estabilizar neste fundo arenoso e instável que é o estado a que o país chegou.


Haja optimismo, mas até este voto pode ser vazio de sentido.


12/31/2010

Ano novo com Clarim

 

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- Cartaz publicitário de Junho de 1972 – clicar para ampliar

Bem sabemos que as nódoas deste ano de 2010 não se lavarão nem com a mais corrosiva das lixívias nem com o mais potente dos detergentes, muito menos com o delicado sabão Clarim.
A crise que dizem que é global e que é chapéu para toda a cabeça mal governada, o desemprego que teima em não descer e as gravosas medidas de austeridade, são realmente nódoas profundas no nosso lençol social.
Apesar disso, sendo hoje o último dia dessa mal-amado ano de 2010, esperemos que a sujidade de 2011 seja leve e superficial para que até possa ser lavada e perfumada com o saudoso sabão Clarim.
Para todos os visitantes, de modo especial os nossos mais fiéis leitores, votos sinceros de boas saídas, melhores entradas e um ano de 2011 melhor do que aquele que agora finda.

 


12/30/2010

Trevira - Polyester

 

A Trevira, marca de produtos têxteis de polyester, teve o seu início em 1956, portanto já com mais de meio século de História, numa época em que as fibras sintéticas começaram a ser popularizadas na confecção de vestuário.


A marca e a empresa ao longo de todo este tempo teve várias transformações, incluindo compras e vendas (Índia e Indonésia) e processos de reestruturação.
Actualmente os produtos da marca têm um maior leque de aplicação e utilização, nomeadamente no vestuário desportivo, lingerie, roupa de cama, e outros tecidos especiais.
Quem quiser saber um pouco mais sobre a marca e a sua História deverá visitar o respectivo espaço web.


Da marca, publicamos aqui um cartaz publicitário do início dos anos 70. Para além da mensagem do cartaz, onde se procura dar destaque à elegância e frescura dos fatos confeccionados com polyester Trevira, atente-se na curiosidade do pormenor das garrafas de cerveja Sagres, dispostas sobre a mesa na esplanada.

(clicar para ampliar)

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Vestuário em Dralon - Fibra acrílica da Bayer

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