6/19/2012

Rebuçados Zoológicos Vitória

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Quase 6 anos depois, volto às memórias relacionadas com a colecção de cromos “Rebuçados Zoológicos Vitória”, também conhecidos pelos “animais” ou pelos “bichinhos”.
Desta vez para publicar e comparar as páginas e cromos de duas diferentes edições; a primeira de meados dos anos 40 e a segunda do final dos anos 60, princípios de 70, precisamente a que coleccionei aquando criança.
As diferenças são notórias já que na edição mais antiga, os desenhos dos cromos eram mesmo muito básicos, certamente desenhados por alguém pouco habilidoso tanto nas questões de desenho como nos conhecimentos da anatomia animal.

Na edição mais recente, e certamente das últimas, os cromos foram redesenhados por Carlos Biel e de um modo geral são mais apelativos e agradáveis de coleccionar. De referir que nesta revisão, alguns dos animais foram substituídos por outros, mantendo-se, porém, o grosso da ordenação e correspondência entre todos os 200 “bichinhos”, nomeadamente os três carismáticos “bacalhau”, Nº 42, a “cobaia”, Nº  147 e o “cabrito”, Nº 199. Na edição antiga alguns animais eram representados nos dois géneros (masculino e feminino, como gato e gata), o que foi corrigido nas edições finais.

Uma das características comuns a ambas as edições é a impressão dos cromos com cores sortidas, isto é, o mesmo cromo poderia ter qualquer umas das várias cores adoptadas, como preto, azul, sépia, verde, vermelho, nuance que permitia que, depois de colados os cromos, as páginas ficassem com um colorido interessante. Resta acrescentar que alguns meus colegas, mais “esquisitinhos”, faziam por coleccionar cada página com cromos de cores iguais o que, é fácil perceber, dificultava bastante o preenchimento. Claro que havia outras opções, como colunas ou linhas com cromos de diferentes cores. Mas no geral, esquecendo esses preciosismos, que na realidade davam um interessante efeito, no geral a rapaziada ia colando conforme iam saindo, fossem pretos, azuis, vermelhos ou verdes.

Apesar da delicadeza ou fragilidade da caderneta e dos cromos, em “papel cebola”, prejudicados ainda pelas colas artesanais usadas pela criançada para fixar os cromos às cadernetas, a verdade é que as poucas sobreviventes continuam a exercer um encanto e fascínio próprios. Por outro lado, as colecções completas e em bom estado podem atingir valores exorbitantes, nomeadamente as primeiras edições, mais rústicas ou toscas mas muito mais raras e valiosas sob um ponto de vista de artigo coleccionável.

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Nota 1: Segundo informações, não confirmadas, a Fábrica de Confeitaria Vitória, da Rua da Vitória Nº 261 - Porto, terá sido fundada por Manuel Joaquim Dias, em 1924, que geriu a empresa até 1947 altura em que lhe sucedeu o filho e sócio, Manuel Amil Dias.

Nota 2: Já depois da publicação deste artigo, apareceu por aí à venda uma reedição desta colecção, mas, obviamente, que não é a mesma coisa. De todo. De resto, todo o encanto da colecção reside nas memórias e experiências ligadas à colecção original e a esses recuados tempos. Ora as reedições, podendo ajudar a memória, não podem, seguramente, substituir algo insubstituível. Ademais, tem dado azo a oportunistas que procuram vender as cadernetas ou os cromos avulso como se os antigos originais  fossem. 

6/11/2012

Maria Keil

maria keill

Ontem regressava de Resende, das suas cerejas e cavacas, do Douro e Montemuro, quando pela rádio tomei conhecimento do falecimento de Maria Keil . Mesmo sabendo que já tinha uma generosa idade, fiquei triste porque se imobilizaram as mãos que ilustraram muitas das páginas dos meus livros de leitura da primeira e segundas classes.


Ainda com a boca embriagada da doçura de uma barrigada de cerejas, senti por momentos um travo amargo, mas a doçura voltou porque as memórias ligadas à Maria Keil e às suas ilustrações só podem continuar a ser doces.


Obrigado, Maria Keill, e descansa em paz!

6/05/2012

Sandor – O corsário

 Aqui no Santa Nostalgia já tivemos a oportunidade de trazer à memória alguns dos interessantes heróis que povoaram  revistas de banda desenhada de pequeno formato, como "O Falcão" e  "Tigre", nomeadamente Kalar, Ogan e Oliver (Robin dos Bosques).
Hoje falamos do herói Sandor, um corsário do séc. XVII ao serviço do rei de França, que nos mares das Caraíbas e Antilhas, nas Índias Ocidentais, ao comando da fragata "Invencível" e liderando um grupo de valentes companheiros, como o negro Samsão, Bosco e Petit Louis, lutavam contra piratas e bandidos como com os inimigos ingleses e espanhóis.

Destas batalhas, entre assaltos e o troar fumegante de canhões, resultavam aventuras que deliciavam a criançada, leitores inefáveis destes revistas, oferecendo motivos e inspiração para as brincadeiras de capa e espada.

Sandor foi um dos muitos heróis criados pela editora francesa Impéria, da arte do escritor e ilustrador José Maria Ortiz.
Ficam aqui as imagens de algumas das capas das revistas deste impetuoso herói francês. Das edições Impéria, são conhecidos 64 números editados entre 1965 e 1970. De momento não posso confirmar, mas tudo indica que foram igualmente publicados na revista “O Falcão”, mantendo as capas originais com arte de Juan Vilajoana e Rino Ferrari.
 
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5/20/2012

Apanhar grilos

 

Hoje não andei a apanhar grilos, no sentido do termo, como tantas vez fiz em criança, por estas alturas de Maio, pelo que não usei a palhinha para o tirar do seu buraquinho nem, como alguns, fiz xi-xi para o obrigar a sair do seu refúgio. Por outro lado, nada como ouvir as suas sinfonias de cri-cri ou gri-gri no próprio prado ao invés de o confinar numa pequena gaiola colorida atravancado de folhas de alface.

Hoje percorri o prado onde tantas vezes os apanhei e depois de intuir de onde vinha o seu cantar, aproximei-me e pacientemente esperei que viessem para fora apanhar os raios de sol deste Maio envergonhado. Para meu espanto, era um casal e, mesmo sem aproximar demasiado a câmara para os não assustar, lá consegui o retrato.

Os grilos, estes simpáticos insectos, remetem-nos para evocações de infância, quase sempre associadas às brincadeiras ou mesmo aos trabalhos do campo.

 

grilos apanhar grilos grilo

-clicar para ampliar

5/05/2012

A panela ao lume

 

Com os tempos de crise económica que varrem este nosso pobre país, no sentido da redução de custos nos orçamentos familiares, começam já a ser adoptados alguns expedientes ou práticas comuns há três ou quatro décadas atrás. Uma dessas situações tem a ver com a poupança nos gastos com electricidade e gás, cozinhando-se com lenha, na lareira, pelo que voltam a estar em uso, pelo menos em ambientes rurais, as velhinhas panelas de ferro que noutros tempos tantas vezes vi na lareira da casa paterna. E que saborosa era a comida que daqueles potes enegrados de fuligem saía…

Adaptadas a essa função estavam as panelas de três pernas, em ferro fundido. Nesses tempos eram presença obrigatória nas feiras, vendidas em diferentes tamanhos.

Para se começar a usar uma dessas panelas, era necessária uma preparação  destinada a retirar o sabor do ferro e de outros produtos usados na fundição, que, no caso da minha aldeia, norma geral consistía em cozinhar-se durante longas horas uma mistura de farinha de milho com nacos de unto (gordura de porco). Este processo poderia ser repetido duas ou três vezes até que o interior da panela ficasse revestido com uma película de gordura. Uma vez preparada, podiam então ser confeccionadas as típicas comidas de lavrador, nomeadamente a sopa ou mais popularmente, o caldo, muito substancial com feijão, legumes, um talhada de carne de porco salgada e de quando em vez uns arrozeiros.

panela ao lume cozinhar

panela ao lume cozinha lareira

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5/04/2012

Bilú Tetéia – Márcio Ivens

 

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Quem se recorda desta pérola musical dos anos 70, “Bilú Tetéia” cantada por Márcio Ivens ?

Independentemente da qualidade da música e da respectiva letra, hoje certamente analisada com outro olhar crítico,  a verdade é que na época o raio da música andava na boca de toda a gente que a cantarolava nos mais diversos sítios e ocasiões. Ainda hoje, para quem viveu esses tempos, pode surpreender-se com a coisa.

Fica a memória…e a letra:

Quando eu era criança mamãe dizia
Bilu Bilu Bilu, Bilu Tetéia
Pegava eu no colo, mostrava pra vizinha
Bilu Bilu Bilu, Biluzinho Tetéia
Que me segurava, dizia que gracinha...
Bilu Bilu Bilu, Bilu Tetéia
O tempo foi passando e eu fui crescendo
Bilu Bilu Bilu, Bilu Tetéia
E de fazer Bilu, mamãe foi se esquecendo
Bilu Bilu Bilu, Bilu Tetéia
Agora eu estou grande, estou é barbadinho não encontro
mais ninguém pra me fazer um Biluzinho

Bilu Bilu Bilu, Bilu Tetéia
Bilu Bilu Bilu, Bilu Tetéia
Bilu Bilu Bilu, Bilu Tetéia
Bilu Bilu Bilu, Bilu Tetéia

Brincava de casinha, ninguém dizia nada...
Bilu Bilu Bilu, Bilu Tetéia
E a filha da vizinha era minha namorada
Bilu Bilu Bilu, Biluzinho Tetéia
Agora eu estou moço não tenho liberdade
Bilu Bilu Bilu, Bilu Tetéia
Pra falar com a vizinha é uma calamidade...
Se quizer um Biluzinho tenho que fazer sozinho

Bilu Bilu Bilu, Bilu Tetéia
Bilu Bilu Bilu, Bilu Tetéia
Bilu Bilu Bilu, Bilu Tetéia
Bilu Bilu Bilu, Bilu Tetéia

 

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