Avançar para o conteúdo principal

A panela ao lume

 

Com os tempos de crise económica que varrem este nosso pobre país, no sentido da redução de custos nos orçamentos familiares, começam já a ser adoptados alguns expedientes ou práticas comuns há três ou quatro décadas atrás. Uma dessas situações tem a ver com a poupança nos gastos com electricidade e gás, cozinhando-se com lenha, na lareira, pelo que voltam a estar em uso, pelo menos em ambientes rurais, as velhinhas panelas de ferro que noutros tempos tantas vezes vi na lareira da casa paterna. E que saborosa era a comida que daqueles potes enegrados de fuligem saía…

Adaptadas a essa função estavam as panelas de três pernas, em ferro fundido. Nesses tempos eram presença obrigatória nas feiras, vendidas em diferentes tamanhos.

Para se começar a usar uma dessas panelas, era necessária uma preparação  destinada a retirar o sabor do ferro e de outros produtos usados na fundição, que, no caso da minha aldeia, norma geral consistía em cozinhar-se durante longas horas uma mistura de farinha de milho com nacos de unto (gordura de porco). Este processo poderia ser repetido duas ou três vezes até que o interior da panela ficasse revestido com uma película de gordura. Uma vez preparada, podiam então ser confeccionadas as típicas comidas de lavrador, nomeadamente a sopa ou mais popularmente, o caldo, muito substancial com feijão, legumes, um talhada de carne de porco salgada e de quando em vez uns arrozeiros.

panela ao lume cozinhar

panela ao lume cozinha lareira

image

Comentários

Mensagens Populares

Livrinho da Tabuada

Já aqui tinha falado da Tabuada , que tão diligentemente aprendíamos na escola primária. Pois bem, hoje dou a conhecer mais um dos livrinhos onde se aprendia a mesma Tabuada. Para além das tabuadas propriamente ditas (somar, diminuir, multiplicar e dividir), este livrinho incluía a numeração, números cardinais, numeração romana e ainda trazia noções sobre as diversas operações aritméticas, incluindo os números decimais, números fraccionários, noções de moeda, sistema métrico, medidas de comprimento, de capacidade, massa ou peso, superfície, agrárias, volumes e ainda equivalências.  Até mesmo medidas de lenha, como a Decaster, a Ester e Decister. Um pequeno grande livro onde estava toda a base de um bom aluno em aritmética. No meu tempo da escola primária, estas eram coisas que tinham que estar sempre na "ponta-da-língua". Será ainda assim actualmente?

Memórias revisitadas - Séries TV

Séries TV - Memórias por aqui publicadas: A abelha Maia AFamília Bellamy A família Boussardel - Les Boussardel A Flecha Negra - La Freccia Nera A hora de Alfred Hithcock A ilha da fantasia A Pedra Branca - Série TV A rapariga que sabia de mais Abbott and Costello Adeus Meus Quinze Anos – Série TV ALF – Uma coisa do outro mundo Allo! Allo! A Morgadinha dos Canaviais Ana e o Rei – Série TV Arthur and the Square Knights of the Round As aventuras de Flash Gordon As aventuras de Robin Hood As fábulas da floresta verde As Solteironas – Série TV As Trapalhadas de Robin dos Bosques – Série TV Automan – O Homem Automático Bana e Flapi Banacek Baretta Barbapapa – Uma família colorida e maleável Blackadder Bonanza Bozo, o palhaço mais famoso do mundo Calimero - É uma injustiça, não é? Candy Candy – Um vale de lágrimas Charlie's Angels - Os Anjos de Charlie Chefe, mas Pouco - Who´s the Boss Colditz Crime, disse ela...

Mapa administrativo de Portugal

Quem não se recorda dos antigos mapas de parede que existiam nas nossas escolas primárias, tanto o de Portugal como o dos arquipélagos da Madeira e Açores e ainda de todas as províncias ultramarinas, como Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Ango, Moçambique, Índia Portuguesa (Goa, Damão e Diu) e finalmente o longínquo Timor? Quanto de nós nessa altura não fomos chamados ao quadro para indicar cidades, capitais, províncias, rios, serras e caminhos de ferro? É certo que à conta de tanta disciplina e método, nessa altura aprendia-se mesmo, pelo que a História e Geografia tinham que estar na ponta da língua, ou seja, de cor-e-salteado, mas por vezes lá surgia a confusão: O rio Limpopo seria de Angola ou Moçambique? E o rio Cunene ? E o Kuanza ? Com esta santa nostalgia, hoje publico um desses mapas, o do Portugal Administrativo, retirado de um dos meus antigos livros escolares, com a indicação das províncias, as capitais de distrito, os rios, as serras e os caminhos d...