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5/10/2008

Cromos soltos - 2 - Vicente Lucas - CF Belenenses - 64/65

 

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Vicente Lucas, foi uma das grandes figuras do C.F. Os Belenenses. Jogou na selecção nacional de futebol, tendo participado e actuado na fase final do Mundial de 66, na Inglaterra.

5/05/2008

Heidi - A menina dos Alpes

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O período temporal dos anos 70 e início dos 80 foi profícuo em séries de animação, principalmente do mercado japonês, que então faziam a delícia da pequenada, e não só, e hoje são memórias e recordações incontornáveis.
Heidi - A menina dos Alpes, é uma dessas séries memoráveis e marcantes que passaram pela RTP cativando todo o país.

 
Heidi é uma menina orfã, de oito anos, nascida nos Alpes suiços, e que vive com a sua tia Dette. Esta acaba por arranjar um emprego fora da aldeia e vê-se impossibilitada de continuar com a sobrinha a seu cuidado pelo que decide entregá-la ao familiar mais próximo, seu avô, um homem que vive no cimo da montanha, pastor, tido por todos como solitário e de modos rudes. O avô em princípio mostrou-se renitente em a aceitar mas aos poucos o seu coração de ouro começou a afeiçoar-se áquela criatura tão irrequieta quanto amorosa. Simultaneamente, Heidi torna-se amiga inseparável de Pedro, o rapazito pastor que tomava conta do rebanho de cabras e ovelhas do avô de Heidi. Heidi torna-se também no anjo da guarda da avó de Pedro, uma sábia velhinha cega, que vive na aldeia.

Pouco depois, pensando num melhor futuro para a Heidi, a sua tia decide enviá-la para Frankfurt, na Alemanha, como moça de companhia de Clara, uma menina paraplégica, filha de uma família abastada. Aqui, apesar da sua profunda amizade com a pequena e dócil Clara, Heidi é constantemente hostilizada pela governanta, Rottenmeyer. Esta acaba por fazer com que Heidi seja expulsa e regresse à Suiça para a cabana do avô, em plena montanha. Clara fica desolada com a decisão dos pais, perpretada pela governanta.

As duas amigas embora separadas mantêm correspondência frequente e Clara acaba por convencer os pais a passar umas férias na aldeia de Heidi. Uma vez aqui, depois de várias peripécias, a saúde de Clara começa a melhorar com o ambiente saudável da montanha e da alegria em estar com a amiga , com esta sempre a encorajá-la até que num acidente provocado por Pedro, que tinha ciúmes de Clara , esta vê-se forçada a ficar de pé, sem a cadeira de rodas e então, como por milagre, começa a andar, para espanto dela própria e de todos. Até a antipática governanta se vê rendida ao coração dócil de Heidi.

A série de animação Heidi foi baseada no livro da escritora suiça Johanna Spyri, de 1871, que já vendeu milhões de exemplares em diversas línguas, tendo sido produzida em 1974, com um total de 52 episódios, com cerca de 30 minutos cada.

Heidi tornou-se popular em todo o mundo devido principalmente a esta série de animação, mas o livro que lhe deu lugar serviu também de adaptação a uma dezena de filmes, o primeiro dos quais em 1920, nos Estados Unidos, ainda na era do cinema mudo. No país de origem da história, a Suiça, foi realizado um filme em 1952. A última película conhecida data de 2005, uma produção inglesa.

Com todo o sucesso, o êxito de Heidi estendeu-se ao marketing, incluindo edição de vários livros, caderneta de cromos, banda desenhada, estampagem de roupa e muitas outras variantes. Na Suiça é fonte de orgulho e motivo de multidões de turistas, principalmente oriundos do Japão que visitam o local relacionado com a história.

Cromos soltos - 1 - Eusébio - SL Benfica - 71/72


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Iniciámos hoje uma rubrica designada de Cromos Soltos. De quando em vez serão aqui "colados" alguns cromos soltos de futebol, principalmente de cadernetas dos anos 60 e 70.
Para iniciar esta rubrica nada mais justo do que publicar o grande Eusébio, essa figura querida e incontornável da história do futebol português e do SL Benfica.

5/04/2008

Munique 74 - Campeonato do Mundo de Futebol - Alemanha 1974

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O Euro 2008 (Campeonato Europeu de Futebol, entre selecções) está a escassos dois meses do seu início. A respectiva edição terá lugar na Suiça e na Áustria, sucedendo esta dupla de países a Portugal, que organizou o evento em 2004.


Para além de toda a importância desportiva, com paralelo apenas no Campeonato do Mundo, também em futebol, e nos Jogos Olímpicos, este evento gera todo um potencial de interesses ao nível da televisão, imprensa em geral e indústria de marketing. Neste particular, a Panini, editora multinacional e líder no mercado de cromos, já produziu a sua caderneta dedicada ao Euro 2008, estando a mesma a ser comercializada em toda a Europa. Como não podia deixar de ser, como antigo coleccionador de cromos, já tenho a minha caderneta completa, a exemplo do que havia acontecido com as edições relativas ao Euro 2004, e Mundial 2006 e anteriores.

Fazendo uma viagem às minhas memórias, a minha primeira colecção de cromos a nível de selecções, foi a referente ao Mundial de 74, realizado na Alemanha (então Alemanha Ocidental).
A caderneta em causa designa-se de Munique 74, o que não deixa de ser uma opção esquisita já que o Campeonato do Mundo decorreu em várias cidades e não apenas em Munique. Talvez influência dos Jogos Olímpicos de Munique, que haviam decorrido nessa cidade dois anos antes.

A caderneta "Munique 74" é uma edição da Ediguia, com distribuição da Regimprensa, sob licença da AGEDI, com um formato de 240 x 340 mm. A colecção é composta por 256 cromos, 16 por cada uma das 16 selecções presentes, que foram as seguintes: Grupo I: Chile, Alemanha Ocidental, Alemanha Oriental e Austrália; grupo II: Jugoslávia, Brasil, Zaire e Escócia; Grupo III: Holanda, Uruguai e Suécia; Grupo IV: Haiti, Itália, Polónia e Argentina.
O título viria a ser conseguido pela selecção da casa vencendo na final a Holanda (cuja selecção ficou então conhecida por "laranja mecânica") por 2-1.

Ainda como curiosidade, a mesma ilustração da capa viria a ser adoptada também na capa da caderneta referente à edição seguinte, Argentina 78, uma edição do Clube do Cromo, caderneta de que falaremos noutra oportunidade.


Das edições do Campeonao do Mundo em Futebol, o Alemanha 74 foi aquela a que primeiro assisti pela televisão. Antes já tinha ouvido falar do Mundial 70, no México, mas não me recordo de ter visto algum encontro pela televisão.

5/02/2008

Os Pequenos Vagabundos


os pequenos vagabundos

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Das muitas séries de TV que passaram nos idos anos de 70 - tão caros à nossa infância de quarentões - não resisto a trazer à memória “Os Pequenos Vagabundos” (Les Galapiats, no original). A série foi repetida pela RTP no início dos anos 80.
Como série, até foi pouco extensa (apenas 8 episódios de cerca de 30 minutos cada), mas deixou marcas indeléveis no espírito aventureiro das crianças da altura, até porque cada episódio era a continuação do anterior, pelo que o suspense deixava marcas durante toda a semana.

A forte memória sobre Os Pequenos Vagabundos prevalece desde logo porque os heróis eram um grupo de crianças e jovens adolescentes, com os quais cada um de nós se identificava e personalizava de acordo com os seus sonhos, mas também pela envolvência e cenário da história. Como sinopse, importa lembrar aos mais esquecidos, que a aventura decorreu num campo de férias, onde um grupo de amigos partiu à aventura da busca de um tesouro perdido da antiga ordem dos Templários. O Castelo Sem Nome, imponente e deslumbrante na sua silhueta medieval, emprestou a toda a série um ambiente de mistério, segredos, perigos e coragem. Para apimentar a aventura, o grupo de amigos teve que lidar com um perigoso grupo de bandidos que haviam realizado um assalto a uma carrinha carregada de ouro, raptando a filha do condutor. Como convém, no final os criminosos foram derrotados e os jovens heróis foram os vencedores.

Quem não se lembra das fantásticas cenas da integração de Lean Loup no grupo, a escalada à torre do castelo, o percurso na gruta, o esconderijo dentro de uma armadura de cavaleiro, em plena reunião da quadrilha de ladrões e outras incríveis passagens, repletas de acção e suspense? A abertura da série e a sua inconfundível música, ainda prevalecem nas nossas profundas memórias, mas simultaneamente tão à superfície da alma e próximas como se tudo acontecesse ontem.
Apesar da série ter passado na RTP a preto e branco, tornou deveras coloridos os sonhos e fantasias de muitas crianças do nosso tempo.
Recordo-me que toda a rapaziada ficou apaixonada pela doce Marion-des-Neiges e nas diversas brincadeiras fingiam ser o Jean Loup ou Bruno, o Cowboy.

Hoje sabemos que a série foi uma co-produção da RTB da Bélgica, com outras televisões de outros países, ORTF-França, SSR-Suiça, SRC-Canadá, tendo sido rodada em 1969, com a novidade de então, ser já produzida a cores. Para além de Portugal, a aventura dos Pequenos Vagabundos foi um êxito de popularidade em muitos países.
A série foi captada em Stavelot, na Bélgica e as inolvidáveis cenas  foram rodadas no castelo de Beersel e as interiores no castelo de Velves.

O principal elenco: Philippe Normand (Jean-Loup), Marc di Napoli (Bruno, o "Cow-Boy"), Beatrice Marcillac (Marion-des-Neiges), Thierry Bourdon (Patrick), Jean-Louis Blum (Byloke), François Mel (Lustucru), Realizou Pierre Gaspard-Huit. Curiosamente, apesar de algumas experiências posteriores noutros filmes de alguns dos intérpretes, nomeadamente Marc di Napoli (que também participou na série igualmente popular, "Dois Anos de Férias") e Philipe Normand, a verdade é que todos tiveram carreiras discretas e pouco popularizadas. A loura Marion des Neiges, até há pouco tempo era uma discreta agente imobiliária. No entanto, para a geração dos da minha infância, prevalecem quase imortalmente como os famosos e aventureiros Pequenos Vagabundos.


5/01/2008

Roy Rogers - O rei dos cowboys

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Uma das grandes paixões da nossa infância era, sem dúvida, os filmes de cowboys, as "cowboyadas", principalmente aqueles que passavam com mais frequência na TV, normamente na forma de séries, tais como o Bonanza, Lancer, Chaparral, Daniel Boone, David Crockett e outros tantos.

Para além desta vertente ao nível da televisão, paralelamente, o interesse e fascínio pelo far-west americano extendia-se também à banda desenhada, a que chamávamos livros de cowboys. Neste universo, os artistas ou heróis eram muitos mais, tais como Lone Ranger, o Mascarilha, a própria família Cartwright, da série Bonanza, Matt Dillon, Matt Marriott, Tex Willer, Kit Carson, Tex Tone, Cisco Kid, Billy the Kid, Búffalo Billi, Arizona Kid, Buck Jones, Hopalong Cassidy, Jerry Spring, Jim Canadá, Kansas Kid, Nero Kid, Red Ryder, Tomahawk Tom e outros mais.

Para além de todos estes nomes que preenchem o nosso imaginário, desta vez destaco o herói Roy Rogers, um personagem não apenas nascido pela arte e imaginação do papel e tinta, mas interpretado por uma figura real, o actor e cantor Leonard Franklin Slye.

Mais do que alguns filmes da sua extensa filmografia, recordo especialmente a série de banda desenhada "Roy Rogers", no formato de revista mensal, propriedade de Aguiar & Dias, distribuída pela Agência Portuguesa de Revistas, nos anos 70. As capas habitualmente representavam o herói, em fotografia a cores, exibindo as suas folclóricas vestimentas de cowboy, especialmente os casacos tão característicos com bandas às tirinhas.

Outra das imagens de marca de Roy Rogers, para além do seu inconfundível sorriso e olhos de chinês, era a sua bela esposa e companheira, Dale Evans (Frances Octavia Smith), o cavalo Trigger e o cão Bullet.

Roy Rogers e toda a sua saga, com a imagem muito romantizada da figura do cowboy, foi e ainda continua a ser uma fonte de popularidade nos Estados Unidos, cuja memória se encontra explorada por diversas formas de comércio e marketing, incluindo um museu.

Quanto a nós, faz parte da nossa memória da infância, sobretudo pelas suas aventuras publicadas na banda desenhada.


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Sobre o tema dos cowboys: De algum modo Roy Rogers representa  o estereótipo do cowboy do oeste americano, nomeadamente pelo uso de indumentárias coloridas e espalhatafosas. Um estilo muito romantizado pelo cinema e que de algum modo tornou-se como padrão. Mas na realidade os cowboys do velho oeste americano não eram exatamente como são retratados nos filmes. A imagem que temos dos cowboys é, em grande parte, baseada na cultura popular e em representações cinematográficas, que muitas vezes romantizam e exageram certos aspectos da vida nessa região dos Estados Unidos.

Os cowboys do velho oeste não usavam necessariamente chapéus de cowboy, botas de cowboy, coletes de franjas ou bandanas de pescoço, que são elementos comuns em representações populares dos cowboys.

Os cowboys não eram todos brancos. Muitos cowboys eram afro-americanos, nativos americanos, mexicanos ou de outras origens étnicas.

A vida no oeste não era apenas sobre cavalgar e perseguir bandidos. Os cowboys eram, na maioria das vezes, trabalhadores rurais que trabalhavam em fazendas e ranchos, cuidando do gado, arando campos e realizando outras tarefas agrícolas.

A vida dos cowboys era difícil e perigosa. Eles trabalhavam longas horas em condições difíceis, suportando o clima extremo, os ataques de animais selvagens e a possibilidade constante de confrontos violentos com outras pessoas.

A violência era comum no velho oeste, mas não era tão romantizada como regra geral é transmitida nos filmes. A maioria dos cowboys preferia evitar confrontos violentos sempre que possível, e muitas vezes recorriam à negociação ou à persuasão para resolver conflitos.

Em resumo, os cowboys do velho oeste eram essencialmente trabalhadores rurais e ligados à criação de gado, que desempenhavam um papel importante na economia e na cultura da região então em franco desenvolvimento, mas sua vida era muito diferente da imagem idealizada que tantas vezes é retratada no cinema e na cultura popular, sobretudo nas produções das décadas de 1940 a 1960. De facto, nem sempr eo que parece, é.





4/25/2008

O pião - Jogos e brincadeiras de infância


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O pião, no meu tempo de criança, era um dos brinquedos inseparáveis, sempre pronto a entrar em jogos e brincadeiras.
O pião é um brinquedo fabricado em madeira, torneado, com forma sensivelmente de ás-de-espadas, e com um bico metálico espetado na sua parte inferior. Fazia ainda parte inseparável do pião um fio com um comprimento mais ou menos de 1,50 m, o qual era primeiramente preso na saliência superior do pião e depois enrolado em espiral a partir do bico metálico, envolvendo parte do corpo do pião. Seguidamente, a ponta restante do fio era enrolada no dedo indicador e o pião era aconchegado na palma da mão. Depois o braço era puxado atrás e num gesto rápido, lançava-se para a frente arremessando o pião ao chão, num movimento de retorno, de modo a que o fio nesse movimento fizesse rodar o pião.
O fio tem vários nomes, dependendo da região. Na minha zona chamava-se de liceira, mas também é conhecido por baraço, cordel ou guita.
O bico também pode ter vários nomes (ferrão, espeto ou cone). Pode, ainda, apresentar vários tipos, nomeadamente o bico grosso, em forme de cone e o bico fino, tipo ponta de prego. 

Os piões de bico grosso eram utilizados no "jogo da nica", em que o objectivo era acertar alternadamente no pião dos colegas de modo a pô-lo fora de um círculo e do combate, quanto mais danificado melhor. Por essa razão, nesse jogo eram utilizados piões velhos, já desgastados de anteriores batalhas, sendo assim menor o prejuízo. Quando se conseguia de um golpe rachar ao meio o pião do adversário era uma vitória inesquecível que, não raras vezes, era precedida de uma cena de pancadaria entre os intervenientes.
O pião de bico fino, que emprestava mais velocidade e tempo de rotação, era utilizado no "jogo do dura", em que os piões eram lançados em simultâneo, ganhando aquele que se mantivesse mais tempo "em pé", ou seja, a rodar. Também era muito popular o "jogo das conchas" (caricas ou cápsulas metálicas das cervejas e refrigerantes). Este jogo consistia num círculo desenhado no chão, com mais ou menos 1,20 m de diâmetro, para onde cada jogador atirava, a partir de uma distância mais ou menos de 2 a 3 metros, uma carica de acordo com uma ordem estabelecida pela declaração dos termos "primas", para o primeiro a lançar, "xigas", para o segundo e "restas" para o terceiro. Depois, cada jogador, na sua ordem, lançava o pião para o interior do círculo tentando acertar nas caricas de modo a que estas saltassem fora do círculo, conquistando assim as mesmas. De referir que enquanto o pião rodasse, era permitido o "apanhar" com a mão, o que se fazia com um movimento de mão aberta  de modo a que o pião saltasse para a mão por entre os dedos indicador e médio, sendo novamente lançado de encontro à carica. Por vezes conseguia-se desta forma vários movimentos. Para além das própias caricas, servia de pagamento nos jogos do pião, os cromos, botões e pincholas (botões grandes arrebatados aos sobretudos e casacos) ou até mesmo tostões, entre meninos mais endinheirados.

Outra das brincadeiras que se praticava era "adormecer" o pião. Nesta situação o pião era lançado numa superfície dura e plana (soalho ou ladrilho) e este atingia uma rotação tal que ficava em rápido movimento mas imobilizado no mesmo sítio, sendo então possível ouvir o característico som do "adormecimento".
O pião era um brinquedo de rapazes, assim como os respectivos jogos, pelo que era raro ver-se uma rapariga participar nestas brincadeiras, excepto aquelas chamadas de "maria-rapaz", muito dadas a brincadeiras masculinas. As meninas praticavam sobretudo a "macaca", jogo de que falaremos noutra ocasião.

Noutras localidades existem diversos jogos associados ao pião, sendo alguns mais ou menos comuns a todo o país mas outros mais restritos. Em certas regiões, nomeadamente em Trás-os-Montes e Alto Douro, os jogos associados ao pião eram suspensos na Quaresma, por se considerar que a sua prática "era picar o Corpo de Cristo".
Hoje em dia os brinquedos das crianças e dos rapazes são outros, nomeadamente as consolas de vídeo-jogos, leitores de vídeo e áudio e telemóveis, pelo que este antigo brinquedo de madeira faz apenas parte do nosso imaginário ou apenas como elemento de decoração, fazendo lembrar, a quem o usou, os bons velhos tempos da sua infância e as brincadeiras sadias sempre aliadas ao recreio e ao exercício físico.

4/22/2008

Crónica Feminina


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A revista "Crónica Feminina" é um dos grandes ícones dos anos 60 e um marco editorial da já extinta Agência Portuguesa de Revistas, de Aguiar e Dias. O primeiro número foi publicado a 29 de Novembro de 1956, sendo dirigida por Milai Bensabat (directora e editora) e como chefe de redacção a Maria Carlota Álvares da Guerra.

A revista, em formato de bolso, 16,7x12 cm, apresentava a capa colorida, litografada, e o interior num característico tom de sépia. A cor extendia-se também por algumas páginas de anúncios, quase sempre em papel de melhor qualidade.

A revista, virada essencialmente para a classe média,  vivia fundamentalmente de temas queridos às mulheres de então, nomeadamente assuntos de sociedade, do espectáculo, do cinema, da rádio e TV, culinária, moda, lavores, o correio sentimental e mais tarde a popular fotonovela, que se acompanhava avidamente semana após semana.

Para além de tudo quanto se possa dizer sobre a "Crónica Feminina", apesar das restrições conservadoras e próprias do estado do regime, foi sem dúvida um meio de comunicação que chegou a milhares e milhares de mulheres portuguesas, da cidade e aldeias e até no ultramar, às quais ajudou a transmitir e a moldar todo um espírito de conhecimento e mentalidade de abertura e modernidade tão característico dos anos 60.

A revista conheceu os seus tempos áureos na década de 60 mas prolongou-se pelos anos 70. Depois de já ter terminado, ainda houve uma tentativa de retomar o título, creio que no início dos anos 80, mas, já inserida num mercado forte e diversificado, teve pouco êxito, não conseguindo impôr-se, pelo que terminou pouco depois. Não tendo informação da data rigorosa do seu último número, das várias dezenas, mesmo centenas, de exemplares que conservo, as edições mais recentes correspondem aos nº 1546, edição de 10 de Julho de 1986, na qual era dado destaque às novelas brasileiras"Corpo a Corpo" e "Vereda Tropical" e nº 1561 de 23 de Outubro de 1986 na qual, para além dos destaques às novelas referidas (que ainda duravam) se informa que a então popular Valentina Torres aguardava bébé, A revista Crónica Feminina tinha nesse final do ano de 1986 um preço de capa de  40$00.

A Agência Portuguesa de Revistas, depois de altos e baixos foi à falência, com esta a ser decretada em 7 de Abril de 1988, sendo que a componente editorial e gráfica já havia sido suspensa há vários meses. Neste contexto, mesmo que sem data e números rigorosos e documentados, será de supor que a embelmática revista "Crónica Feminina" tenha conhecido o fim do seu longo percurso editorial lá pelo ano de 1987.

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