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5/24/2008

A Biblioteca Itinerante da Gulbenkian








Hoje trago à memória a Biblioteca Itinerante, da Fundação Calouste Gulbenkian, que durante muitos anos percorreu o país de lés-a-lés, especialmente em aldeias onde o acesso aos livros e à leitura era inexistente.
Não pretendo aqui fazer a história deste fantástico serviço, até porque há locais onde isso já é feito, como neste sítio, por exemplo, e pela Internet não faltam referências ao mesmo. Apenas de referir que o serviço foi criado pelo administrador da Fundação, Branquinho da Fonseca, em 1958.

O que quero recordar de modo especial é que a visita da Biblioteca Itinerante ao largo da minha aldeia acontecia uma vez por mês, sempre num dia certo, que agora não rcordo, mas tenho ideia de ser a uma quarta-feira, sempre a meio da tarde, e que eu frequentei durante toda a década de 70. Sei que depois continuou por mais alguns anos, acabando por terminar talvez no início dos anos 90. Sei também que oficialmente o serviço durou de 1958 a 2002. Durante esse período adquiriu cerca de cinco milhões de livros (de todos os géneros) e fez 97 milhões de empréstimos. Os serviços foram então entreguesas às autarquias que serviam.

São inesquecíveis as recordações da chegada da Biblioteca Itinerante, com a sua carrinha enigmática, o modelo Citroen HY (fabricado entre os anos de 1947 a 1981), que só por si irradiava uma magia fascinante. A que vinha ao largo da minha aldeia era de cor verde velho (mais ou menos igual à da última imagem). Tinha duas portas na parte traseira que se abriam de par-em-par e uma parte superior que abria para cima, para dar acesso ao fantástico mundo dos livros, da leitura e do fascínio das histórias e das imagens. Essa aura de reino maravilhoso era reforçado pelo tipo de leitura dos primeiros anos, onde preferencialmente eu escolhia livros de contos de fadas, repletos de reinos, reis, rainhas, princesas, gigantes, anões, fadas, feiticeiras e todo o resto da família de seres que povoam o imaginário infantil.

Aos poucos fui deixando as histórias infantis e mergulhei em livros sobre a fauna e flora, repletos de ilustrações maravilhosas e muitos outros livros sobre a terra, a história, as artes e as ciências.
Recordo ainda que aguardáva-mos pelo dia da visita da Biblioteca Itinerante com justificada impaciência. Todos queriam ser os primeiros a ser atendidos para melhor escolher. 
Lembro-me que eram dois os senhores que acompanhavam a Biblioteca, sendo um o motorista e o outro o encarregado ou revisor, o que anotava as devoluções e as requisições.
Não tenho a certeza quanto ao número de livros que se podia requisitar, mas creio que eram cinco.

Também recordo os momentos angustiantes quando tinha que devolver os livros danificados pela ira da mãe, como censora inquisitória, quando, hipnotizado pela leitura, eu não cumpria os deveres da escola e da casa. Nessas alturas não havia outro remédio senão tratar dos ferimentos às páginas rasgadas colando-as com cola e com fita adesiva, daquela clássica, e dissimular o melhor possível os livros feridos entre os resistentes. Claro que o revisor dava por ela mas fazia vista grossa pois a devolução de livros danificados devia ser norma nas aldeias, resultado da luta dos pais, alguns analfabetos e pouco dados à leitura, preocupados apenas com a mão-de-obra da pequenada e o cumprimento das suas responsabilidades. A leitura e o tempo dispendido com os livros eram considerados  pura malandrice, pelo que habitualmente era paga ao tabefe. Pelo meio os livros também eram castigados.
Hoje, felizmente, há livros por todo o lado e qualquer concelho ou freguesia já dispõem de boas bibliotecas. O livro, apesar de relativamente caro, está bastante disseminado e tornou-se vulgar na casa dos portugueses e a pequenada desde cedo habitua-se a receber bons livros como prendas de aniversário, Natal, Páscoa e noutras ocasiões ordinárias.
Por tudo isto, toda a malta da minha geração tem uma profunda memória e admiração pelo serviço da Biblioteca Itinerante, já que graças a ele viajámos no tempo  por reinos maravilhosos, com histórias fascinantes e aprendemos coisas do mundo que nos rodeia. Enfim, crescemos ajudados por tudo quanto aprendemos através dos livros que num momento mágico chegavam ao largo da aldeia naquelas carrinhas maravilhosas.
(nota: as imagens estão linkadas aos sítios de origem)

(sobre a Biblioteca Itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian)

(mais)

5/19/2008

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Publicidade Nostálgica - Gelados Olá

 

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Fungágá da Bicharada

 

fungaga da bicharada

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O programa "Fungágá da Bicharada" estreou na RTP no longínquo ano de 1976, sendo apresentado, aos sábados, por Júlio Isidro, com José Barata-Moura, na altura com um aspecto de revolucionário, com cabelo e barba desgrenhadas, que era o autor e intérprete das famosas músicas, incluindo a do genérico.


Em cada programa, de forma divertida, era dado a conhecer um animal e armava-se um diálogo interessante entre o Tio Júlio e a criançada presente. Depois, o que marcava mesmo, era a musicazinha dedicada a esse mesmo animal, sempre com um nome divertido e que procurava caracterizar o bicho em destaque, interpretada pelo José Barata-Moura.


Recordo, de memória, que me pode atraiçoar, que mais tarde saíu o José Barata e entraram a Ana Mayer, a Cândida Branca-Flôr e o Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo. Esta dupla também compôs e interpretou muitas e lindas canções sobre a bicharada convidada semana após semana.
Para trás ficam músicas divertidas, como a “A sinfónica dos pinguins”, “Fernandol e Fernandel, os tigres do pincel”, “ O Mocho professor”, "O Porco Toneladas", "O Coelho Barafunda", "O Faisão Mestre Bento", "O Chimpanzé Barnabé", "Adriano Pelicano" e muitas outras.


o "Fungágá da Bicharada", na linha de muitos outros programas infantis da época, eram divertidos e acima de tudo instrutivos, o que, diga-se, nem sempre hoje acontece.


Foram tardes divertidas que hoje recordamos com saudade e nostalgia.

excerto 1

excerto 2

excerto 3

Fungágá da Bicharada

[refrão]
É o fungágá, fungágá da bicharada
É o fungágá, fungágá da bicharada
la la la la la la la la ra la la

Vamos falar de animais e de como eles são
Do piriquito do gato e do cão
E outros mais também virão
Talvez uma girafa um macaco ou um leão
[refrão]

Vamos todos aprender como vive a bicharada
O que é um cardume e uma manada
Vamos ver não tarda nada
Quem é que afinal tem a voz bem afinada
[refrão]

Vamos tambem descobrir uns amigos bestiais
Bem diferentes dos habituais
E vamos rir até não poder mais
Com as palhaçadas dos amigos animais
[refrão]

5/17/2008

Contigências do tempo

equipas do passado santa nostalgia

Para quem desde cedo começou a acompanhar o panorama futebolístico dos anos 60 e 70, e por aí fora, habituou-se a conviver com os nomes dos intervenientes: Os treinadores, os jogadores mas sobretudo as equipas. Deste modo, para além dos principais clubes, desde logo com os incontornáveis 3 grandes (Benfica, Sporting e FC do Porto), todos os habituais participantes no Campeonato Nacional.

 
Hoje, decorridos,trinta e muitos anos, não podemos deixar de trazer à memória alguns clubes que então passaram pela 1ª Divisão, e eram presença mais ou menos assídua no campeonato da 2ª Divisão, mas que actualmente andam perdidos pela remota 3ª Divisão ou até nas divisões distritais. Outros, porém, fizeram uma autêntica descida aos infernos e acabaram por se extinguir, se não como clube, pelo menos como equipa de futebol sénior.


Assim, sem qualquer ordem cronológica ou de outra natureza, recordo: SC Farense, Sport Comércio e Salgueiros, Campomaiorense, U. de Tomar, GD CUF, FC Tirsense, FC Barreirense, União de Coimbra, AD Sanjoanense, Académico de Viseu, Oriental de Lisboa, Lusitano de Évora, CD Montijo, Atlético CP, Torreense, Ginásio de Alcobaça, Sp. Espinho, O Elvas, Sp. Covilhã, FC Famalicão e, obviamente, muitos outros.


Esta é uma prova real de que mudam os tempos e mudam as vontades, mas também as realidades. É, em suma, a grande prova do tempo sobre a efemeridade das coisas, das pessoas e dos lugares.
Confrontados com a fatalidade das contigências do tempo, ficam, pelo menos, as memórias e a nostalgia.

Cromos soltos - Manuel Fernandes - Sporting CP - 78/79

 

cromos soltos_manuel fernandes_sporting_78_79

Manuel Fernandes, um dos nomes grandes do futebol português onde se notabilizou como avançado.

Entrou para o Sporting Clube de Portugal em 74/75, contratado ao Grupo Desportivo da CUF, que acabara de fazer uma época extraordinária, conquistando o 4º lugar no Campeonaro Nacional e ganhando o direito de participar na Taça UEFA. No mítico clube do Barreiro, esteve de 67/68 a 74/75.

No Sporting, manteve-se até ao ano de 1987, transferindo-se já em fim de carreira para o V. de Setúbal onde ali esteve na época 87/88, findando aí o seu ciclo como jogador de futebol. Iniciou então a carreira de treinador, passando pelo Vitória de Setúbal, Campomaiorense, Sporting, como adjunto e principal e Santa Clara, dos Açores.

Vídeo do famoso Sporting 7 - Benfica 1, na época de 86/87, em que Manuel Fernandes esteve particularmente em foco. Contudo o título dessa época viria a ser ganho pelo Benfica. O Sporting não conseguiria melhor do que o 4º lugar, atrás do FC Porto e V.Guimarães.

Carrinho de rolamentos

 

carrinho de rolamentos santa nostalgia 01

carrinho de rolamentos santa nostalgia

Hoje em dia as crianças estão "intoxicadas" com toda a qualidade de brinquedos, desde os mais simples aos mais sofisticados, incluindo leitores de música e vídeo, telemóveis, consolas de jogos e até carros e motos movidos a bateria.
Sempre que há aniversário, Páscoa ou Natal, esse arsenal de brinquedos aumenta consideravelmente. Por conseguinte, não há criança, por mais pobre que seja, que não tenha em casa uma panóplia de brinquedos.
Mas nem sempre foi assim. Se é certo que o brinquedo sempre ocupou um importante lugar no mundo da infância e sempre os houve, também é verdade que só as as crianças nascidas em boas palhas é que tinham direito a brinquedos mais ou menos sofisticados, de acordo com a época.


Ora no nosso tempo, os meninos ricos já dispunham de uns carrinhos em chapa, movidos a pedais e ainda de bonitos triciclos e até trotinetes. Eram um sonho. Porém, os meninos pobres, a maior parte, à falta de melhor, construíam eles mesmos os seus brinquedos e por conseguinte os seus próprios carrinhos.
Neste particular aspecto, o carrinho de rolamentos tornou-se assim num companheiro de  brincadeiras e distracções. Tanta distracção que, invariavelmente, os mesmos acabavam destruídos e queimados na lareira pela mão impiedosa das mães furiosas pelas constantes distracções e incumprimentos dos deveres de casa e da escola. Pela parte que me toca, a minha mãe especializou-se na destruição deste tipo de bólides, mesmo aqueles mais sofisticados. Primeiramente era uma machadada e depois, uma vez esfrangalhado o carrinho, lareira ou forno com ele. Era uma tristeza que fazia doer a alma, mas pouco depois um novo carrinho nascia.


Mas enquanto duravam, as corridas eram a brincadeira preferida. Pelo meio ficavam as constantes cambalhotas como consequência natural de despistes. Afinal convém lembrar que os carrinhos não tinham sistema de travões a não ser a sola das botas (de quem as tinha) ou a sola de pele dos próprios pés.
Como variante dos carrinhos de rolamentos, a malta do meu tempo tambés se especializou em construir motos, também em madeira e com rodas de triciclos. A condução destes bicharocos exigia equilíbrio pelo que as quedas eram mais frequentes.
Bons e inesquecíveis tempos. Para além da essencial componente lúdica dos brinquedos, a arte e o engenho postos na sua construção eram também uma tarefa aliciante, em si mesmos uma brincadeira. Hoje, como diria alguém, já se compra tudo feito.

Volvido todo este tempo, os carrinhos de rolamentos sofisticaram-se e são motivo de corridas organizadas em algumas localidades do país, incluindo a freguesia de Sanguedo, do concelho de Santa Maria da Feira, que se auto proclama como capital portuguesa de Fórmula Roll. No YouTube estão disponíveis diversos vídeos destas corridas disuptadas um pouco por todo o país.

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