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6/15/2008

O meu relógio Cauny Prima

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O meu actual Cauny Calendario, de 17 rubis

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A característica marca no fundo da caixa

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O meu Cauny Major, com o inconfundível ponteiro vermelho

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A marcação no fundo da tampa do Major

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O Cauny Apollon, em homenagem da chegada do Homem à Lua. É um dos modelos mais populares

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O meu modelo mais recente, ainda embalado, de movimento automático e resistente à água

Actualmente o uso de relógio está extremamente vulgarizado, pelo que mesmo em idade pré-escolar já se vêem crianças ostentando estas máquinas de medir o tempo nos seus pequenos pulsos, mesmo que ainda não sejam capzes de ler as horas. Quase sempre modelos em plástico, coloridos e com temas dos desenhos animados.
As tendas dos vendedores asiáticos e marroquinos, instaladas em qualquer romaria, vendem ao preço da "uva-chorona" relógios para todos os gostos, quase sempre aparatosos, com muitos ponteiros e muitos botões laterais, e quase sempre imitações de grandes marcas como o Tag Heur, Rolex, Patek Philippe, Longines, Tissot e outras mais. Claro que a maior parte das vezes são relógios para durar alguns dias, pelo menos enquanto se aguenta a pilha.

Hoje, de facto, a abundância é geral, e para todas as carteiras, mas no que diz respeito aos relógios nem sempre foi assim. Recordo-me que no meu tempo de criança, o normal era receber-se o primeiro relógio de pulso no final da quarta classe ou aquando da cerimónia religiosa da Comunhão Solene, como foi o meu caso. Também por tradição, o relógio quase sempre era oferecido pelo padrinho.

Não deixo, por isso, de recordar o meu primeiro medidor do tempo, oferecido precisamente pelo meu padrinho e simultaneamente avô. Tinha eu dez anos e recordo-me perfeitamente que era um Cauny Calendário. As vicissitudes do tempo e as trapalhadas nas brincadeiras de criança ajudaram a que lhe perdesse o rasto. Felizmente, já tive a oportunidade de adquirir um outro exemplar, original, como novo, adquirido em Londres. Guardo-o religiosamente como se fosse aquele que recebi do meu saudoso padrinho e uso-o principalmente em dias mais ou menos festivos ou no fim-de-semana. Com um pouco de sorte, posso admitir que foi montado pelas mesmas pacientes mãos de um qualquer mestre relojoeiro.

Este "Calendário" trata-se de um dos muitos modelos clássicos, mecânicos, de corda, da famosa marca suiça, embora com várias variantes, mas quase todos de diâmetro generoso (35 mm) e extremamente delgados, isto é, muito elegantes, quase não se sentindo o mesmo no pulso.
A Cauny Prima é ainda hoje uma das mais emblemáticas e clássicas marcas de relógios, muito famosa nos anos 60 e 70, por produzir relógios de inolvidável qualidade e beleza a preços relativamente acessíveis à classe média. Daí a sua forte implantação nessas décadas.

A Cauny tem a sua origem em Le-Chaux-de-Fonds, na Suiça, em 1889, embora há quem afirme que apenas nos anos 20, sendo que nesta década principiou a sua comercialização. A marca ainda existe e, sem investigar, até porque não há muita informação disponível, ouvi falar que foi adquirida há algum tempo por uma empresa espanhola, que lhe recuperou a dinâmica e prestígio, continuando a produzir belos relógios com a mesma marca.

Conheço muitos modelos clássicos da Cauny, para homem e senhora, desde os mais simples e elegantes até aos de linhas desportivas e mais complexos, como o Chronograph Landeron e o Cauny Submarine; Desde os mais acessíveis até aos mais caros e luxuosos. Todos eles são de uma beleza que o tempo só veio reforçar.

Pessoalmente tenho talvez uma dúzia de modelos todos diferentes, incluindo o tal Cauny Calendário até ao Cauny Apolon, Cauny Cadet, Cauny Major, com o seu inconfundível ponteiro vermelho, que marca os segundos, e o mais recente, um Cauny automático, ainda por estrear.

Por tudo isso, dos objectos pessoais que nos marcam, os relógios ocupam um lugar de destaque. Não tanto hoje, com toda a facilidade com que se adquire, mas principalmente num tempo já distante e com todas as dificuldades próprias a ponto de se considerar então um relógio como um objecto de luxo, estimado e de valor sentimental. Devido a essa memória, a Cauny será sempre uma marca nas referências da minha memória, como também, estou certo, de muitos rapazes e raparigas da minha geração.

6/08/2008

Kalar - Banda Desenhada - Revista "O Falcão"


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"O Falcão" Capa da edição N.º 1, 1ª Série, publicado em 18-12-1958

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Como aconteceu com muitos colegas da minha geração, o meu gosto e a paixão pela Banda Desenhada surgiram logo nos primeiros anos da escola primária, fortalecendo-se nos anos seguintes e hoje, embora com outra maturidade, a sétima arte continua a exercer o mesmo fascínio. Assim, desde cedo entrei no universo dos heróis e das suas fantásticas aventuras, embora, como seria natural, com preferências bem definidas, quer quanto ao género, quer quanto ao herói e mesmo considerando os respectivos criadores.

Neste contexto, para quem tomou conhecimento com a Banda Desenhada a partir dos anos 60 e 70, conhece perfeitamente a revista juvenil "O Falcão", de tiragem semanal, hoje extinta, mas que durante muitos anos fez a delícia de todos os entusiastas das aventuras desenhadas, dos seus heróis, cenários e personagens. A par da revista Mundo de Aventuras, será talvez a edição mais conhecida e popular  de todas quanto se publicaram entre nós.

A revista foi quase sempre semanal mas também quinzenal e até mensal. Foi publicada em 3 séries, a primeira com 82 números (formato maior e com várias histórias em continuação), a segunda (formato bolso) com 1286 e a terceira, mais recente, com apenas 25 números.
Em cada edição (a partir da 2ª série) era publicada uma aventura de um determinado herói, por isso alguns ganhavam certa preferência junto dos leitores. No meu caso, sempre preferi as aventuras de Kalar, Ogan (o Viking), Sandor (o corsário) e Oliver (Robin dos Bosques). Mas muitos outros herois eram os preferidos de outros colegas, nomeadamente o muito conhecido Major Alvega (intérpido piloto da RAF) um dos mais representados na colecção), ENE 3, Arizona Jim, Caribú, Dogfight Dixon, Jim Canadá, Texas Kid e outros mais. Todas as histórias eram provenientes de diversas editoras europeias.

Do leque dos meus preferidos, hoje destaco o herói Kalar: Kalar é uma criação do mestre espanhol Tomas Marco Nadal (Marco, como nome artístico), catalão, nascido em 1929 e falecido em 2000. Marco é um dos nomes grandes da Banda Desenhada europeia e espanhola, tendo produzido sobretudo em França, onde nasceu Kalar. A sua obra é de profunda qualidade, muito vasta e o herói da selva é apenas parte dela.
Kalar começa com a a queda na selva de um avião, onde seguia um playboy milionário, Jean Calard. O avião não resistiu à tempestade que sobre ele se abateu mas Calard sobrevive. Encontra então o pigmeu Bongo, que traduz à sua maneira o nome para Kalar. Kalar rapidamente se sente atraído pela selva e por lá fica, aprendendo os seus segredos.
Kalar tem muito do herói Tarzan, nomeadamente na sua relação com a selva, os seus habitantes e toda a envolvência humana, mas mais modernizado, sempre com a sua farda de explorador tropical, com a sua espingarda e o seu jipe. Kalar tem em muitos animais grandes amigos que o ajudam em muitas das aventuras, principalmente o inseparável chimpanzé Gib e o leão Simba. Kalar também tem a sua amiga e namorada, a bela Pamela, que faz papel de médica e que é figura muito regular nas suas aventuras. O cenário de Kalar localiza-se nas frondosas selvas do Quénia, na África.

Kalar destaca-se essencialmente pelo rigor do seu desenho, o que não é muito comum na revista "O Falcão", quase sempre com arte de pouca qualidade. Marco desenvolve páginas de um rico pormenor e valor estético, com uma profunda textura, quer ao  nível da representação humana mas principalamente da fauna e cenários da selva. Cada página está sempre povoada de animais e impregnada da densidade da paisagem tropical africana. São famosos os seus desenhos de vários animais da série, que, inclusive, deram lugar a obras complementares, designadas de O Bestiário, publicadas em francês e em espanhol.
Por tudo isto, sabe sempre bem retirar da estante um dos diversos exemplares de "O Falcão" onde Kalar nos dá a conhecer mais uma aventura. Kalar, no entanto, foi publicado em outras colecções, nomeadamente a "Tigre", de formato idêntico à revista de "O Falcão" e também na Kuandor.

6/02/2008

Publicidade nostálgica - Cerveja Marina

 

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Cromos soltos - Humberto Coelho - S.L. Benfica - 72/73

 

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Humberto Coelho

Notabilizou-se como defesa-central ao serviço do S.L. Benfica, onde venceu 8 campeonatos, 6 taças e 1 supertaça. Esteve ainda na final da Taça UEFA, então a duas mãos, que perdeu para o Anderlecht, em 82/83. Do Benfica foi transferido para o Paris Saint Germain, de França (75/76, 76/77). De seguida passou pelos Estados Unidos no Las Vegas Quicksilver, mas por pouco tempo, regressando a Portugal e ao seu Benfica, onde terminou a carreira em grande.

Depois de abandonar o futebol chegou a ser seleccionador da selecção  de Portugal (onde como jogador fora internacional A por 64 vezes), tendo registado uma excelente campanha e presença no Euro 2000, onde chegou às meias-finais. Seguiram-se projectos internacionais como seleccionador de Marrocos e Coreia do Sul.

Por estes dias foi noticiado que vai abraçar um novo projecto como seleccionador nacional da Tunísia.

6/01/2008

Vickie o Viking

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Vickie, o Viking, foi uma das séries de animação passadas na nossa RTP, na década de 70, que mais memórias deixou.
Vickie era um rapazinho alegre e inteligente, filho de Halvar, chefe da aldeia viking de Flake, e Ilda, sua mulher. Devido à sua astúcia e inteligência, o pequeno viking cedo começou a acompanhar o pai e os seus guerreiros em algumas das suas expedições e aventuras, apesar da opinião contrária da sua mãe, Ilda, no papel de mãe galinha, equilibra e sensata.

Uma das características do Vickie era a solução que ele engendrava sempre que uma determinada situação se apresentava complexa e de difícil para seu pai e para o resto dos vikings. Então ele pensava, pensava, ...esfregava o nariz e a ideia surgia-lhe. Depois era só o tempo necessário para a mesma ser posta em prática e, pronto, tudo acabava em bem e o episódio tinha um final feliz.

Para além do próprio Vickie e seus pais, a série contava com várias personagens, todas elas divertidas e carismáticas: A amiga de Vickie, Ilvy, Gilby, o seu rival, Ulme, o músico, com a sua inseparável harpa, o alegre Gorm, os inseparáveis e casmurros amigos Snorre e Tjur, o bom gigante Fax, Urobe, o ancião e na parte dos inimigos o terrível Sven.

Para além de Vickie, a figura mais forte e omnipresente era seu pai, Halvar, sempre num papel de chefe sabichão, terrível e fanfarrão mas que no fundo era um coração bola de manteiga, sempre posto na linha pela sua cara-metada Ilda. Fartava-se de se meter em trapalhadas que o filho, com a sua astúcia e inteligência sempre acabava por resolver.

Vickie o viking nasceu a partir de uma série de livros infantis de autoria do sueco Runer Jonsson. Posteriormente foi feita uma adaptação animada pela televisão alemã e austríaca e um estúdio de animação japonês, o Nippon Animation, com uma série de 78 episódios, de 25 minutos cada, entre 1972 e 1974. 

Entre nós a série apareceu precisamente em 1974. Mais recentemente, recordo-me de ter passado novamente há dois ou três anos e sei que foi bem acolhida pela criançada pelo que há coisas que são intemporais e permanecem positivamente na nossas profundas memórias e nostalgias.

Para além de toda a envolvência da série, a música de abertura e o respectivo genérico ficaram sempre bem vivos. Como memória palpável guardo uma caderneta de 210 cromos, editada em 1975 pela Disvenda, que conta a história da caçada aos lobos e que o pequeno Vickie venceu pela astúcia.

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5/31/2008

Publicidade Nostálgica - Pastilhas elásticas Piratas

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As famosas pastilhas elásticas PIRATAS, fabricadas pela fábrica DIANA, sediada em Évora, para além de serem um excelente produto e muito popular entre a criançada, teve o mérito de lançar diversos artigos à volta da marca, como várias colecções de cromos, uma revista e até um clube de sócios que usufruía de diversas vantagens.

A revista. recheada de assuntos do agrado da malta, foi lançada em 1965 e durou até finais dos anos 70. Inicialmente era de publicação semanal mas posteriormente passou para uma periodicidade mensal.
Das colecções de cromos e respectivas cadernetas editadas, são conhecidas as famosas “COMBÓIOS”, “AVIÕES A JACTO”  e “EUROPA GEOGRÁFICA, POLÍTICA E ECONÓMICA” (possuo ambas). Famosa ficou também a colecção de cromos TRUQUES DE MAGIA.

Para além destas foram publicadas outras mais, porventura menos conhecidas.
Por tudo isso, por todo esse fantástico legado, as pastilhas elásticas PIRATAS merecem bem a nossa admiração e fazem parte do imaginário infantil de muitos portugueses.

5/27/2008

Calimero - É uma injustiça, não é?

 

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Das muitas séries de animação que passaram na RTP, hoje recordo o Calimero, o pintainho preto (não era preto, era sujo), com a sua característica e inseparável casca de ovo na cabeça.

Entre aventuras e desventuras, Calimero considerava-se sempre um infeliz e injustiçado, quer pelos amigos quer pelas situações em que se envolvia e que invariavelmente lhe corriam mal. Deste modo, lamentando-se constantemente, ficou célebre a sua frase "é uma injustiça, não é?" ou então, "Não é justo eles serem grandes e eu pequeno". Mas, no fundo, no fim de todas as peripécias do seu dia-a-dia, Calimero acabava por conquistar toda a gente com a sua simplicidade, honestidade e bom coração.

Ainda hoje o termo ou conceito do lamuriento e infeliz Calimero é frequentemente atribuído a quem passa o tempo a lamentar-se da vida, dos outros e até de si próprio.

Calimero fazia-se acompanhar nas suas aventuras pela sua namorada Priscila, sempre ajuizada e contraponto coerente às desventuras do seu amigo, também o aprendiz de cineasta, Valério, a gorduchinha Susi, o seu rival Papero Piero e a leal Rosella, entre outros.

A série, tal como se tornou famosa, foi produzida em duas épocas distintas: de 1973 a 1974 e de 1993 a 1994, mas já antes se tornou muito popular em Itália com uma série de anúncios publicitários para uma marca de detergentes. Calimero é uma criação dos irmãos Nino Pagot e Toni Pagot, datada de 1963.

A versão que faz parte das minhas memórias  é a produzida nos anos 70, em estúdio japonês, e que, se a memória não me atraiçoa, passou na RTP nos finais de 70 e princípios de 80. A série tornou-se muito popular, não só em Itália, como também em Portugal, França, Alemanha e Japão, entre muitos outros países. A segunda versão, com grafismo mais moderno, onde Calimero faz papel de jornalista, creio que não obteve o mesmo êxito.

- sítio oficial

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