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8/20/2010

Lápis Viarco

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Quem pelos anos 60 e 70, principalmente, frequentou a escola primária, é muito natural que desde a primeira classe tivesse por companhia os lápis de cor da Viarco, um marca e empresa portuguesa, com uma longa e rica história.

A Viarco, sediada em S. João da Madeira, a única fábrica de lápis existente em Portugal, como muitas empresas históricas, passou por um período difícil e de perda de mercado e notoriedade, mas de há alguns anos para cá foi retomada e com base numa política de respeito pela sua história, tradição e modernidade, depressa se transformou numa marca de referência e para além do fabrico de produtos de qualidade e com o cunho da inovação, tem sabido ainda tirar partido da vertente do marketing, com iniciativas e eventos ligados aos lápis e às artes plásticas, o que lhe tem granjeado reconhecimento no próprio país (o que não é fácil) mas também além fronteiras.

Ainda bem que assim é e a Viarco é apenas um feliz exemplo de que com determinação, investimento, qualidade e inovação é possível rentabilizar marcas, empresas e produtos históricos e dar-lhes o lugar que merecem. Infelizmente, muitos produtos, marcas e empresas ficaram pelo caminho do tempo e da História sem que ninguém as valorizasse. Em contrapartida, por regra preferimos os produtos estrangeiros, nem sempre baratos e nem sempre de qualidade. Está-nos na sina desprezar o que é nosso e só exemplos como a Viarco podem renovar alguma esperança de que as coisas possam ir mudando.

No caso dos clássicos lápis de cor, pessoalmente recordo com nostalgia aqueles primeiros dias de aulas da escola primária em que a professora distribuia por todos os alunos uma caixinha de 6 lápis. Como os motivos eram diferentes, a curiosidade levava a dar uma vista de olhos pelas caixas dos colegas. Pessoalmente sempre preferi a caixinha com a ilustração dos meninos com gatos. As caixas maiores, de 12 lápis, eram um luxo a que só os meninos mais ricos podiam chegar.

Tenho assim, como muitos portugueses, gratas e nostálgicas recordações dos clássicos lápis de cor da Viarco e das suas belas caixas e que ajudaram a colorir e a alegrar os nossos dias e aventuras.

Para reavivar a memória, publico abaixo algumas imagens das caixas dos lápis de cor Viarco.


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Nota: Reconhece-se que a Viarco tem sabido aproveitar todas as vantagens do marketing e mesmo a sua página chegou a ter bons apontamentos. Infelizmente, como não há bela sem senão, em diversos contactos que tentamos estabelecer com a empresa, a fim de colhermos elementos adicionais de apoio a este artigo, nunca merecemos qualquer resposta. É pena que a parte comunicacional de uma empresa associada à cor seja tão cinzenta, desconsiderada e desmazelada.

Por outro lado, não se compreende, ou talvez sim, que tendo em conta o seu rico património histórico, o seu museu virtual online já esteja fora de serviço e quando esteve aberto era bastante limitado e não se mostrava capaz de exibir imagens de algumas das suas caixas mais clássicas como as que aqui reproduzimos de algum material pessoal que sobrou doutros tempos.

8/17/2010

OLIVER – Robin Hood

 

KALAR, OGAN, OLIVER e SANDOR são quatro heróis da Banda Desenhada, publicados na origem pela editora francesa Editions Imperia. Em Portugal, cada um destes heróis foi publicado com frequência nas revistas de pequeno formato TIGRE e FALCÃO e ao longo dos tempos tornaram-se muito apreciados..
Aqui no Santa Nostalgia já falei do KALAR e do OGAN. Hoje trago à memória o OLIVER, nome na versão francesa para ROBIN DOS BOSQUES ou ROBIN HOOD.

As belas capas originais foram desenhadas por diversos artistas da Editions Imperia, como Juan Vilajoana, Andre Rey e outros. As histórias foram igualmente desenhadas por diversos artistas mas nem sempre com grande qualidade artística ou de impressão. Estas relatam o conhecido universo de Robin dos Bosques, com os seus companheiros nas florestas de Sherwood, nas suas intermináveis aventuras e lutas contra os vilões Xerife de Nottingham, Príncipe João, Gisborne e outros.
Tal como com outros heróis, OLIVER era uma fonte inspiradora mas as nossas brincadeiras e aventuras.
Abaixo publico algumas das capas de revistas que possuo deste herói inesquecível.

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8/16/2010

Quem nos visita?

 

Durante algum tempo tivemos a decorrer aqui no Santa Nostalgia um simples inquérito com o qual se pretendia saber as faixas etárias de quem nos visitava.
Os resultados obtidos acabam, em certa medida, por serem naturais. Num espaço de memórias e nostalgias, sobretudo enquadradas nos anos 60, 70 e 80, seria expectável que a casa dos 40/49 anos fosse a mais representativa, e assim aconteceu, com 161 votos, representando 32% do total, bem como a segunda faixa etária mais votada, a dos 30/39, com 95 votos referentes a 19%.
Os restantes escalões aproximados aos dois primeiros acabam por ser considerados normais até porque entre si estão semelhantes.
Com estes resultados confirmamos assim o escalão etário predominante dos nossos visitantes regulares, o que confirma a orientação dos conteúdos do blog.
Agradecemos a todos quantos participaram no inquérito.

Eis os resultados:

10/19 anos: 069 (13%)
20/29 anos: 062 (12%)
30/39 anos: 095 (19%)
40/49 anos: 161 (32%)
50/59 anos: 060 (12%)
60/70 anos: 029 (5%)
+ 70 anos: 018 (3%)

8/12/2010

Caderno escolar - PBC

 

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Mais um belo exemplar de um caderno escolar (no caso de linha estreita). A exemplo de outros que já publicamos, este foi produzido pela Pêbêcê, provavelmente nos anos 40. As imagens acima referem-se à capa e contra-capa.

Estes belos cadernos, apesar da idade, ou talvez por isso, continuam a exercer um nostálgico fascínio e avivar memórias dos nossos tempos de criança, apesar deste em concreto e no meu caso, ser anterior. Hoje em dia ainda se conseguem encontrar em alfarrabistas ou em casas de antiguidades e são objecto de colecção.

 

- Tópicos relacionados [Link]

8/11/2010

Guloso – Polpa de tomate

 

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A GULOSO é uma marca portuguesa já com muitos anos e tradição. Foi fundada no ano de 1945, então propriedade da empresa Indústrias de Alimentação IDAL, L.da. Em 1965 a IDAL foi adquirida pela Heinz, multinacional norte-americana popularizada pelo seu ketchup.

Em 2007 a Heinz procedeu à venda da sua unidade de Benavente,  pertencendo na actualidade à empresa Sugalidal, S.A. Da sua gama de produtos, destacam-se os populares concentrado e polpa de tomate, refogado de tomate, tomate pelado, tomate em pedaços, molhos e ketchup. transformados nas duas unidades industriais localizadas na Azambuja e em Benavente.

No cartaz publicitário acima publicado, de Julho de 1968, então como marca da Indústrias de Alimentação IDAL, L.da, a gama de produtos estendia-se para além dos tomates, nomeadamente a pickles, ervilhas, feijão verde, azeitonas e pimentos.

Para além de ser líder em Portugal, a GULOSO tem uma posição importante no mercado europeu, sendo muito prestigiada. É assim uma empresa com tradição mas de imagem moderna, com processos de produção optimizados e que vão desde a selecção de sementes, plantação, colheita e transformação. Absorve uma parte substancial da colheita de tomate no Ribatejo.

Para além dos aspectos institucionais, a GULOSO de facto é uma das marcas que faz parte do nosso passado recente e a ela estão ligadas algumas nostalgias. A polpa e concentrados de tomate desde há muito que fazem parte da cozinha dos portugueses. É claro que nada chega ao tomate natural mas dá muito jeito ter sempre à mão este produto, nomeadamente fora da época.

Por cá, na aldeia, não há horta caseira que não tenha a sua plantação de tomate. Também na nossa horta neste momento é o pico da produção e tenho cerca de 50 tomateiros da variedade “coração-de-bói” a produzir em força. Diariamente é preparada salada de tomate, simples ou mista com alface. São uma delícia e até sabe bem, pela frescura da manhã, ir ao tomateiro, colher e comer de forma natural.

Fora do ambiente de estufa, cá por casa, o tomate é semeado em Janeiro e plantado por Abril e a partir de meados de Julho já produz. Habitualmente produzem até finais de Setembro, ou até mais tarde desde que o tempo seja favorável, sem grandes chuvas ou frios.

Para além do grande cosnumo diário, uma parte substancial da colheita caseira é congelada para outras alturas. Dos melhores exemplares são ainda colhidas sementes para produzir para a época seguinte.

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- Um dos tomates “coração-de-boi” cultivados cá na horta.

8/06/2010

Fruto Real – Refrigerante – A fruta que todos querem!

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O FRUTO REAL era um refrigerante muito apreciado nos anos 70 e 80. De certo modo era o principal rival do popular SUMOL. Pessoalmente preferia o FRUTO REAL até porque, volta e meia atribuía uns brindes à criançada. Era o caso de umas colecções sobre o Homem Aranha e o Flash Gordon, com gravuras estampadas nas películas vedantes do interior das caricas. Cheguei a coleccionar umas tantas mas acabaram por se perder.

Essas gravuras, que  representavam diversas cabeças do Homem Aranha e do Flash Gordon, podiam ser coladas nuns posters próprios que eram distribuídos nas revistas desses super-heróis, completando-se assim o corpo em diversos movimentos. Quando as colecções estivessem completas, havia direito a uuns distintivos ou crachats, que podiam ser reclamados em qualquer uma das camionetas da distribuição do FRUTO REAL. De referir ainda que muitas das caricas referiam-se a diversos prémios que também podiam ser reclamados.

Ao FRUTO REAL deve-se ainda a publicação de um conjunto de livros, tipo formato de bolso, editados com a designação BIBLIOTECA FRUTO REAL, e que comportava títulos recheados de aventuras, de que destaco, Coração, A Ilha do Tesouro, A cabana do Pai Tomás, Huckleberry Finn, As viagens de Marco Polo, Robinson Crusoé, Robin dos Bosques e Miguel Strogoff. Pessoalmente tenho uma meia-dúzia de números.

Relativamente à fabricante e proprietária da marca, não consegui descobrir grandes pormenores. Talvez um destes dias.

8/05/2010

Cigarros de outros tempos

 

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Nota prévia: Este artigo tem um objectivo meramente documental, exibindo o grafismo de carteiras e maços de marcas de tabaco de outros tempos. Não tem pois, qualquer objectivo de promoção do tabaco e do seu consumo.

Não fumamos nem recomendamos que se fume. O consumo de tabaco está associado a doenças graves por demais conhecidas pelo que o seu consumo deve ser evitado.

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Nunca fui fumador. Os poucos cigarros fumados em adolescente, afastado dos olhares de meus pais, longe de viciarem, criaram-me uma total aversão ao tabaco e ao seu fumo pelo que o hábito  nunca pegou de estaca nem floresceu em vício. Ainda bem, por alma da minha saúde e da minha carteira.

Apesar disso, dessa quase aversão a tabaco, fumo e fumadores, tenho várias recordações ligadas aos cigarros, nomeadamente aos maços ou caixas onde estes eram embalados.

Recordo, por isso, todas as marcas acima exibidas, como o “mata ratos” do Kentucky, os Provisórios, os Definitivos e os escurinhos Negritas, bem como outras que ali não constam, de modo especial a marca Porto que tantas vezes ía comprar para o meu avô, à unidade (dois ou três) à mercearia próxima. Ou até mesmo da marca Sporting, que um vizinho barrigudo e idoso pedia-me sempre para comprar quando da sua janela me via a caminho da mercearia, pelo que atirava ao chão uma moeda luzidia de 1 escudo para a empreitada, com direito a dois tostões de rebuçados ou cromos de caramelos como gorjeta.

Herdados de um tio, guardo ainda alguns cromos ou cartões brindes que noutros tempos acompanhavam os maços e carteiras de tabaco, nomeadamente da Fábrica de Tabaco Michaelense – S. Miguel – Açores e outras.

Igualmente tenho recordações de vários vizinhos idosos que consumiam tabaco, daquele que tinha quer ser enrolado minuciosamente entre os dedos em finas e brancas mortalhas e depois colados a saliva.

Outros tempos, mas os mesmos hábitos e vícios.

8/04/2010

Broa de milho


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forno pao santa nostalgia

masseira de pao
Hoje em dia o pão chega-nos fresco logo pela manhã, distribuído pelo padeiro da zona ou adquirido em qualquer estabelecimento de produtos alimentares.
Faz habitualmente parte das nossas refeições, mas é consumido de forma automática, sem sequer percebermos toda a lida que esteve por trás da sua confecção, ainda que em padarias modernas e automatizadas.
Mas nem sempre foi assim. Noutros tempos, principalmente em ambientes de aldeia, o pão para consumo durante a semana era confeccionado e cozido na própria casa.

Reavivando as memórias do meu tempo de criança, recordo que em casa dos meus pais, a exemplo de muitas outras famílias, existia o tradicional forno onde semanalmente, todas as quartas-feiras, a minha mãe reservava a parte da manhã para cozer o pão.
Para isso existia um móvel em madeira, designado de masseira, onde a farinha misturada com a água era amassada à força de braços e mãos. 
  
Como era tradicional na minha região, era utilizada principalmente a farinha de milho, quase sempre pura mas por vezes misturada com farinha de centeio, emprestando ao pão uma cor mais escura e diferente sabor. A farinha de trigo era muito raramente utilizada e apenas em ocasiões especiais e mais para confecção de regueifa doce, nomeadamente pela Páscoa.
O processo principiava na véspera, com a moagem de um saco de farinha no moinho de água, propriedade da família. Depois a farinha deveria ser bem peneirada.
À mistura de farinha e água quente era acrescentado o fermento, chamado de crescente, que era um pouco de massa guardada da anterior amassadura. Este fermento era indispensável à levedura da massa. 
  
Recordo que quando a cozedura não era semanal, era necessário arranjar o crescente fresco pelo que era usual ir pedir a uma das vizinhas, pois era um risco usar fermento fora de prazo.
Depois de preparada a massa, esta era aconchegada num dos cantos da masseira. Era feita uma cruz em baixo relevo, com o topo inferior da mão e no meio da cruz era espetada uma cebola crua, que permitia acelerar a levedura.
Depois era feita a tradicional benção. A minha mão rezava assim:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo:
S. Vicente te acrescente,
S. Mamede te levede e
S. João de te faça pão.
Amem.
Por vezes rezava-se uma Avé-Maria.
Esta reza, ou esta benção, tem alguns pontos comuns noutras regiões do país mas, naturalmente, apresenta-se de forma diferente, mais simples ou mais complexa. Eis alguns exemplos que colhi aleatoriamente em diversos sítios da internet.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo:
S. Vicente te acrescente e
S. João de te faça pão.
Deus de acrescente
Dento de forno,
E fora do forno
E a quem te comer.
São Vicente te acrescente
São Romão te faça pão
O Senhor te ponha a virtude
De mim fiz eu o que pude.
S. Vicente te acrescente,
S. Humberto te levede,
S. João te faça pão,
Para comer e p'ra dar.
Deus te queira acrescentar.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Reza-se então um Padre Nosso e Avé Maria.
S. Vicente te acrescente,
S. Mamede te levede,
S. João te faça pão,
E Deus Nosso Senhor te deite
Sua divina benção.
O Senhor te acrescente,
E te queira acrescentar,
Para comer e mais para dar.
Em nome do Pai, do Filho
E do Espírito Santo, Amén.
S. João levede o pão
S. Vicente te acrescente
Sta. Marinha levede a beijinha
Em honra de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso com uma Avé Maria
S. Vicente te acrescente,
S. Sebastião te faça bom pão e
Deus te cubra de divina bênção.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
São Vicente te acrescente,
Sã Mamede te levede,
E todas as almas santas
Te ponham a sua virtude.
São João te faça pão,
Com a graça de Deus e da Virgem Maria.
Cresça ó pão no forno
E o bem pelo mundo todo.
Nós a comer e ele a crescer,
Que não possamos vencer,
P’rá minha alma quando for
O eterno descanso, Senhor.
Para a massa levedar
S. Vicente te acrescente
S. João te faça pão.
Em louvor da Virgem Maria
Um Padre-nosso e uma Avé Maria.
Quando a massa se mete no forno
(com a pá faz-se uma cruz)
Cresce o pão no forno.
Ele a crescer
Nós a comer
Nunca o poderemos vencer.
Deus que te levede
Deus que t’acrescente
Com a graça de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria

S. Mamede te levede
S. Vicente t’acrescente,
S. João de ti faça bom pão,
Deus te ponha a virtude
Que da minha parte fiz tudo que pude.
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria.

O Senhor te levede
S. Pedro te acrescente
E o Senhor te faça pão
Com o poder da Virgem Maria
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria
IV
S. Vicente t’acrescente,
S. Mamede te faça pão,
Em louvor de Santiago
Não fiques nem insosso nem salgado

São João te faça pão,
S. Mamede te levede,
S. Vicente t’acrescente
Em louvor de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria.

S. Crescente t’acrescente
S. Mamede t’alevede
S. João te faça pão
E Deus te cubra de benção
VII
S. João te levede
S. João t’acrescente
S. João te faça pão
Pelo poder de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria.
Como se verifica, o S.Vicente está presente na quase totalidade dos exemplos. Apesar disso, S. Mamede, também muito participativo, é considerado o padroeiro do pão.
Depois de feita esta benção, a massa era coberta com um pano quente e era fechada a masseira. A levedura, dependendo da quantidade de massa, poderia durar mais ou menos uma hora.
Entretanto o forno já tinha sido acendido e nele laborava uma boa fogueira durante pelo menos duas horas para esquentar bem. No caso da cozedura da regueifa doce era usada preferencialmente lenha da poda da vinha e urze, queiró e carqueja do mato.

Quando a massa estivesse preparada, o forno era limpo dos resíduos da fogueira e varrida a cinza.
Depois, em cima de uma pá de madeira, era colocada uma camada de farinha fina e sobre ela era colocada uma porção de massa, entretanto preparada em forma de bola. Uma vez na pá era ligeiramente moldada de forma a ficar com uma base plana. Depois de assim preparada era introduzida no forno. Este processo era repetido de acordo com a quantidade de broas. Normalmente a minha mão cozia quatro a cinco broas.

Importa dizer que, antes da entrada no forno da broas, eram cozidos de forma rápida os bolos, um pão em forma circular, achatados, com uma espessura de cerca de 2 a 3 centímetros a que algumas vezes eram revestidos superiormente com sardinhas ou carne. Para mim e para os meus irmãos, a minha mão habitualmente preparava uns bolos de tamanho pequeno (os bolinhos), talvez com cerca de 10 centímetros de diâmetro e também os chamados picões, que eram redondos e pontiagudos nas pontas.

Depois destas cozeduras rápidas, então eram colocadas as broas, cobertas com uma camada de farinha, para melhor formar a côdea (parte dura da superfície superior da broa) e fechado o forno. A maior parte dos fornos não tinham porta com sistema de fecho pelo que era necessário vedar a porta, sendo para isso utilizado o resto da massa. Isto em minha casa, pelo que em tempos de maior crise, para não se desperdiçar a massa, era utilizado barro. Havia até quem utilizasse uma mistura de terra com bosta de vaca que pela quantidade de fibras era adequada à consistência da massa de vedar.

Uma vez fechada e vedada a porta do forno, esta era benzida com o Sinal da Cruz, feito com a pá. Estava terminada a tarefa pelo que restava aguardar uma a duas horas, conforme o tamanho do forno, a sua capacidade de aquecimento e da quantidade de broas.
Um dos momentos mais apetecidos era o da abertura do forno, pelo qual saía uma bafarada quente com aroma a pão quente. Só isso confortava a alma pelo que a barriga só depois de arrancado um naco de broa. Era conveniente, contudo, deixar arrefecer um pouco pois o ditado popular dizia que "Pão quente, diabo no ventre", o que significa que é perigoso comer pão muito quente.

As broas já cozidas eram retiradas com uma outra pá, esta em chapa de ferro, própria para se introduzir debaixo da broa para facilitar a sua remoção.
O pão então era colocado numa caixa de madeira e coberto e assim serviria para a companhar as refeições durante toda a semana. Claro que também servia de petisco fora das refeições, acompanhando uma mão-cheia de azeitonas, também da casa ou um pouco de salpicão de lavrador.

Com o avançar dos anos, estas práticas deixaram de ter lugar na maioria das famílias e já mesmo na aldeia são raros os exemplos deste tipo de confecção caseira. Claro que ainda subsistem, principalmente em aldeias do interior, ainda muito dependentes de uma agricultura de subsistência, mas são uma espécie em vias de extinção. Na minha aldeia ainda há pelo menos duas casas que produzem semanalmente a broa de milho caseira, seguindo praticamente os métodos artesanais de tempos antigos, mas já com uma vertente comercial. Mesmo assim, fazem com que ainda se coma broa de milho à moda dos nossos avós, dando um melhor acompanhamento a certas comidas, nomeadamente uma sardinha assada ou uns bons rojões caseiros.

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