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Conta-me como foi – O final













Terminou nesta segunda-feira, dia 25 de Abril, a série de televisão "Conta-me Como Foi", exibida na RTP.
A série teve um início prometedor, tornando-se numa fiel evocação de um período ocorrido entre meados dos anos 60 e 70 (25 de Abril de 1974).
Aos poucos, a par de alguma inconsistência nos horários e ritmos de exibição, a série foi perdendo gás e terminou quase esvaziada.
Em rigor, com excepção dos primeiros episódios, onde de facto se conseguiu transmitir de forma excelente o espírito desses tempos, toda a restante série tornou-se num caldo morno de situações inconsistentes e inconsequentes, de forma muito ligeira e rebuscada.

É certo que a série teve o seu valor, foi bem acolhida na generalidade, a ponto de haver movimentos a pedir o regresso, mas, e esta é apenas a nossa modesta opinião, deixou muito a desejar. Certamente que o objectivo era mesmo esse, ser um registo ligeiro, sem grandes rigores de argumento, um mero entretenimento.
Por outro lado, “Conta-me Como Foi” não deixou de cair na tentação de uso e abuso de alguns clichês e lugares comuns, pelo que a visão e a perspectiva dessa época, nos seus diversos aspectos, foi sempre num sentido muito confinando, quase parcial, logo pouco abrangente. 
 
Finalmente, sendo retratada uma família da classe média e um bairro na periferia da capital, o retrato ficou incompleto. A realidade noutros cenários era totalmente diferente. Teria sido importante que a série, um pouco como as novelas, abarcasse em simultâneo ou em paralelo, outros cenários, como o da cidade e da aldeia, focando tanto a classe média, como a classe alta e as classes mais pobres. Foram esboçados uns ligeiros traços dessa ideia , nomeadamente quando a Margarida regressou à terra natal, mas algo deturpados e demasiado confinados.
Mas, convenhamos, aspirar a tanto, seria demasiado pano para as curtas mangas da nossa televisão.
Apesar de tudo, o saldo é positivo, desde logo porque é uma produção nacional e sempre com o excelente desempenho de actores como o Miguel Guilhereme (António) e Rita Blanco (Margarida) e mesmo de Catarina Avelar (D. Hermínia).

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