9/29/2010

LANDER – Desodorizante stick

 Há alguns dias falamos aqui do Lander, um clássico desodorizante do tipo stick, que ainda continua no activo.
Voltamos ao assunto e à marca com um novo cartaz publicitário da primeira metade da década de 1960.
Ah, já agora...ainda hoje, depois do banho matinal, uma aplicação ligeira de Lander nos sovacos. Espero que no escritório ninguém se queixe, caso contrário vou ter que lhes falar do passado nobre de tão clássico produto que me garante 24 horas sem odor corporal. A avaliar pelo cartaz, só tenho pena que no escritório não trabalhem mulheres.

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9/28/2010

Opilca – Sem sinal de pelo

 

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Cartaz publicitário de meados dos anos 60. A marca, Opilca, um creme muito popular usado nas depilações, hoje em dia já não um exclusivo das mulheres pois a depilação tem cada vez mais adeptos no género masculino. Modas.

À data do cartaz publicitário, o creme Opilca era uma marca da Olivin GmbH, por sua vez adquirida em 1975 pela Henkel. A Opilca tem sido representada em Portugal, desde 1962, pela F.Lima.

9/26/2010

Brinquedos de lata da PEPE e AML - Armindo Moreira Lopes


Com o jornal CORREIO DA MANHà foi hoje iniciada a distribuição de uma colecção de brinquedos de folha-de-flandres litografada, designada de “Brinquedos de outros tempos”. Serão 25 fascículos e a cada um corresponde a entrega de uma réplica de outras tantos famosos brinquedos. A primeira, feita hoje dia 26 de Setembro, com preço de lançamento custou 1,95 euros + compra do jornal, incluindo o respectivo fascículo e uma réplica de um modelo Bugatti de 1930, originalmente fabricado pela famosa marca Payá, de Ibi - Alicante – Espanha.

A réplica, já se vê, é made in China, e para além de todos os defeitos de uma réplica que se pretende económica, é produzida numa escala reduzida (19 cm) relativamente ao original  (50 cm). Mesmo assim, o resultado final não desmerece e todo o conjunto de 25 miniaturas será uma bela colecção a trazer à memória os brinquedos de outros tempos. O Bugatty funciona com um clássico sistema de corda, pelo que vem acompanhado de uma chavinha para dar-à-corda. Como não podia deixar de ser, acabei por comprar a réplica até porque o preço de lançamento era aliciante. Cada uma das restantes 24 entregas custará 9,95 euros + jornal.

Na sequência desta notícia, trago à memória um belo brinquedo de outros tempos, igualmente fabricado em chapa, mas com técnica diferente, e de fabrico português, concretamente pela AML - Armindo Moreira Lopes, a qual durante muitos e bons anos produziu fantásticos brinquedos que ainda hoje povoam o nosso imaginário infantil. Tenho a sorte de ter guardado desses tempos três exemplares que volta-e-meia devolvem-me esses deliciosos tempos em que à sombra de um velho carvalho, enquanto guardava o gado a pastar, me entretinha com este brinquedo.

Das minhas lembranças, recordo ainda a festa anual da minha aldeia com as tendas de venda de brinquedos, sempre ladeadas por olhitos arregalados fixos nesses artigos mágicos. Ganhava-se tostões durante o ano, fazendo-se diligentes recados e como paga de bons comportamentos (o que era difícil de ganhar), para que na hora da festa houvesse saldo pelo menos para um deles, fosse um camião de lata da APL ou da PEPE, uma espingarda que atirava paus ou qualquer outro.

As origens da PEPE recuam até ao ano de 1928, em Alfena – Ermesinde (terra de minha madrinha) fundada por José Augusto Júnior, então produzindo brinquedos em madeira e folha-de-flandres. Mais tarde, em 1946, essa instalação deriva para a Indústria de Quinquilharias de Ermesinde. Em 1955, é criada a marca JATO e é iniciada a inevitável produção de brinquedos em plástico mas mantendo-se a componente de fabrico em lata. Já nos anos 70, com a empresa a ser dirigida pelos filhos do fundador, a marca deriva para PEPE (do apelido Penela e Penela). Em 1977 é abandonada a produção dos brinquedos em lata passando o plástico a ser o material exclusivo.
Curiosamente, numa espécie de regresso ao passado, ainda hoje são produzidos alguns dos emblemáticos brinquedos da PEPE destinados a lojas de nostalgia, essencialmente para coleccionadores ou saudosistas.

Também de Alfena - Ermesinde, a AML - Armindo Moreira Lopes & Filhos, L.da produziu entre os anos 40 e 70 fantásticos brinquedos em chapa que ainda hoje resistem não só no nosso imaginário como nos sótãos ou mesmo em montras e prateleiras de muitos saudosistas e coleccionadores. Encerrou as portas em 1975 depois de 37 anos a produzir brinquedos,

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- Fascículo 1 da colecção “Brinquedos de outros Tempos”.

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- O Bugatti, hoje distribuido com o CM.

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- Cartaz publicitário dos brinquedos Payá.

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- As minhas camionetas, da AML.

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- Moto com carrinho – Outro dos emblemáticos brinquedos da AML

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- Cavalinho com carroça – Outro nostálgico brinquedo da AML (ou da PEPE?)

Link interessante: História da JAJ, JATO e PEPE (Almatoys)

9/24/2010

Detergente AJAX – O do cavaleiro branco

 

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Hoje trago à memória o detergente AJAX. Para o efeito publico um belo e colorido cartaz publicitário de meados da década de 1960.

É verdade que esta marca ainda existe e faz parte da habitual panóplia de artigos de limpeza de qualquer casa (para pavimentos, louças sanitárias e vidraças), mas a sua longa história e popularidade merecem uma referência especial.


Para além da qualidade que lhe é reconhecida nos produtos actuais, e que já nesses tempos apregoava a tripla acção proporcionada pelos grânulos brancos, azuis e verdes, na variedade de detergente para a roupa, este produto, propriedade da Colgate-Palmolive, lançado em meados da década de 1940, tornou-se popular pela forte publicidade que com frequência passava na rádio e TV para além de ser presença habitual em jornais e revistas.
Dessa publicidade, ficou sobretudo na memória o reclame  que no início dos anos 70 passava na RTP onde surgia um cavaleiro branco, típico da Idade Média, montando um cavalo igualmente branco, empunhando uma lança que emanava uma espécie de raios que imediatamente tornava branca a suja roupa de uns miúdos traquinas que brincavam à luta no chão.
Esse cavaleiro branco tornou-se ainda mais popular porque, em miniatura de plástico dentro dos pacotes, era oferecido como brinde. Hoje em dia é uma peça rara e muito procurada por coleccionadores dos chamados "bonecos monocromáticos", também oferecidos com regularidade por outros detergentes como o JUÁ e até mesmo por marcas de gelados como a OLÁ e a RAJÁ.
O AJAX inicialmente era produzido em pó, idêntico ao igualmente popular OMO. Mais tarde o AJAX também passou a ser produzido na forma líquida, à base de amoníaco.

detergente ajax

Finalmente, confesso que em criança relacionava esta marca com a equipa de futebol holandesa, o AJAX de Amesterdão, então  com outra importância e notoriedade já que em 1970, 1971 e 1972, com jogadores fabulosos como Johan Cruijff, Johan Neeskens, Piet Keizer e Sjaak Swart, entre outrosvenceu a Taça dos Campeões Europeus. Mas isto já dava para outras memórias.

- Artigos relacionados, ou não:

Detergente JUÁ - A Régua Mágica e outros brindes
Detergente OMO - OMO lava mais branco!
Detergente OMO
OMO – Detergente que lava mais branco

9/23/2010

Meias C.D – Com C.D quem ganha é você!

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Ficou no ouvido o spot publicitário às meias ou peúgas C.D: “Com C.D quem ganha é você!” Esse spot, recordo-me, passava na rádio e também na TV, pelo início dos anos 80, vendo-se, num estádio de futebol, um pé descalço mas com meia às barras, sobre uma bola. Veja-se a imagem abaixo. Quanto nostalgia…

Este slogan é um bom exemplo da força que a publicidade consegue imprimir numa marca e produto, tornando-o popular mesmo decorrido mais de meio século.

Dentro dessa memória das meias ou peúgas C.D, publicamos ainda um cartaz publicitário do final dos anos 60. Neste caso, as meias de senhora, as Mitoulle, “uma fabricação francesa”, conforto, elegância e comodidade numa única peça.

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Pelas informações colhidas, a C.D existe desde 1946 e pelo menos na actualidade é fabricada pela Lucatextil, de Cascais. Ainda é sinónimo de qualidade. Pertence ainda à empresa a marca Goldfox, criada em 1980, especializada em meias e collants de criança.

9/21/2010

Quadro rústico – Camilo Castelo Branco

 

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(clicar para ampliar)

Lendo este belo quadro rústico, de Camilo Castelo Branco, encontro nele um retrato fiel do tanque de água de casa de meus avôs, à sombra da frondosa ramada de vinho “americano”, palco de tantas brincadeiras e fantasias. Fico assim com a impressão que o nosso tanque era exactamente como o de Camilo ou, o dele igual ao nosso.

Na realidade o tanque da casa de meus avôs, era um tanque duplo, onde a água do principal descaía alegre e cansada de sabão para um tanque secundário e adjacente, cujas águas no Verão eram aproveitadas para regas nas hortas. Nas mais das vezes, a água, porque era e ainda é de nascente, empurrada pela gravidade desde o monte, jorra dia e noite e onde cai, junto a cepas de videira e a um renque antigo de sabugueiro, forma uma pequeno charco onde existiam rãs. Noutros tempos, tínhamos ali à mão uma aula de biologia, vendo os girinos desenvolverem-se até ao estado de rãs até coaxarem alegres nas noites quentes de Verão. Hoje em dia, ainda há rãs, embora mais raras, e, claro, as galinhas, ainda andam por ali a piquenicar, e, imagine-se, de vez em quando, seguida das bolas douradas, os pintos.

Na correria dos tempos, porque hoje em dia tudo é a “assapar”, ainda há coisas que não mudarem e funcionam como portais ou máquinas do tempo, por onde ainda é possível entrar ou viajar até à nossa infância e reavivar as memórias dela emanadas como se o ontem ainda seja o presente.

9/18/2010

Family Ties – Quem sai aos seus

 

A RTP Memória está a passar diariamente (por volta das 21:00 h) uma das mais emblemáticas séries de TV produzida pela NBC entre 1982 e 1989. Foram 7 longas temporadas sendo realizados 180 episódios (pela lista da IMDB apenas 176), alguns com duas partes.

Em Portugal passou originalmente na RTP, também nos anos 80, certamente com desfazamento de episódios relativamente à exibição nos Estados Unidos.

Esta série é por demais conhecida mas é justo que seja aqui referida como parte das nossas memórias.

Sendo que “Family Ties” tem a tradução de “Laços Familiares”, confesso que nunca percebi o título adoptado em Portugal (Quem sai aos seus…), que neste aspecto até nem costuma inventar. Pior do que isso fizeram no Brasil, onde a série foi baptizada de “Caras & Caretas”. Anedótico. De todo o modo, o título foi sendo mudado nos muitos e diferentes países onde foi exibida sempre com êxito.

A história gira à volta de uma família típica americana da classe média alta, os Keaton. O chefe da família, Steve Keaton, é um produtor numa estação de televisão e a esposa, Elyse Keaton, é arquitecta. Os episódios decorrem num percurso normal de uma família normal, com as discussões (muitas vezes ideológicas e políticas, sobretudo entre o pai, de esquerda, e o filho Alex, conservador), os desentendimentos, a educação, o humor (omnipresente), o amor e os afectos, o lazer, os estudos, o trabalho. No fundo a família Keaton pode muito bem estar em qualquer uma das nossas casas.

O que sempre me agradou e deslumbrou na série foi o percurso e a evolução da família. Foi quase uma década de série e por isso é notória a mudança física dos intervenientes, sobretudo nos filhos da família e de modo especial de Jennifer onde a meu ver se nota mais a transformação. Quase dez anos amadurecem um adulto e transformam uma criança num jovem adulto. Esta quase metamorfose, física e social, é um dos pontos fortes da série e que a tornam num ícone e emblema das séries de TV de todos os tempos mas seguramente dos especiais anos 80.

“Quem sai aos seus…”  tornou-se de facto muito popular bem como os seus intérpretes. Michael J. Fox, que interpretava o filho mais velho, Alex, foi sem dúvida um dos que tirou mais partido dessa popularidade até porque ainda durante a série (1985) teve o papel principal no filme “Regresso ao Futuro” com duas continuações em 1989 e 1990, que foram um êxito. Fox teve uma longa carreira no cinema e televisão mas em 1998 revelou que padecia da “doença de Parkinson”, a qual o tem vindo a debilitar. Afastado do cinema, criou uma fundação que desenvolve esforços no tratamento e na pesquisa  que um dia possa conduzir à cura desta doença.

Personagens e intérpretes:

Elyse Keaton
Steve Keaton
Alex P. Keaton
Mallory Keaton
Jennifer Keaton
Andrew Keaton
  Meredith Baxter-Birney
Michael Gross
Michael J. Fox
Justine Bateman
Tina Yothers
Brian Bonsall

 

- Uma das aberturas da série (diferentes nas temporadas)

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family ties 02

family ties 03

- Os Keaton.

9/15/2010

Santa Eufêmia – Paraíso – Castelo de Paiva

 

Hoje, dia 15 de Setembro, fui comprir uma tradição pessoal já com muitos anos. Fui à romaria de Santa Eufêmia que se realiza anualmente nos dias 14, 15 (dia grande) e 16 de Setembro, na freguesia de S. Pedro do Paraíso, concelho de Castelo de Paiva.
Esta santa, tem muita tradição em Portugal e a ela, sensivelmente por esta data, são dedicadas festas e romarias em algumas das nossas aldeias.
Por cá, das grandes romarias da nossa região e arredores, nomeadamente a Senhora da Saúde, em Carvalhos-Pedroso-Vila Nova de Gaia, S. João no Porto, Senhor da Pedra, em Gulpilhares - Vila Nova de Gaia, a Senhora da Saúde, em Gestoso -Vale de Cambra, S. Cosme, em Gondomar, S. Simão, em Urrô - Penafiel, S. Domingos da Queimada, Raiva - Castelo de Paiva, Senhora das Amoras, em Oliveira do Arda, Castelo de Paiva, Festa das Colheitas, em Arouca e Festa das Fogaceiras, em Santa Maria da Feira e outras mais,  pessoalmente considero que a romaria de Santa Eufêmia na freguesia do Paraíso, em Castelo de Paiva, será aquela que ainda conserva as características quase genuínas herdadas e transmitidas de há muitas décadas, relatadas pelos nossos avós e bisavós. A contribuir para isso, o facto de se situar numa região relativamente interior, ainda muito caracterizada pela agricultura e também pela localização do arraial, que, ao contrário do que é normal, não está no alto de um monte (como S. Domingos da Queimada)  mas sim num baixio encravado entre duas vertentes da serra e desenvolve-se em vários sucalcos ladeados de ruas estreitas.
Por conseguinte, a parnefália de enormes e ruidosos divertimentos, roulottes de vendas e grandes tendas comerciais, desde africanos a chineses, ciganos e marroquinos, que fazem parte da mobília das festas e romarias actuais, ali não têm lugar nem espaço e os vendedores ocupam os lugares desde há várias décadas. Apenas existe uma pequena pista de carrinhos, quase sempre parada e uma ou outra tenda de ciganos a vender roupas, mas no essencial todo o restante negócio está revestido das tais características tradicionais, assumindo plano de destaque a venda de doces, onde a primazia e a excelência recaem nos afamados doces de Serradelo, de fabrico familiar numa vizinha aldeia, próxima do Monte de S. Domingos da Queimada, e também os doces de Entre-Os-Rios, Sardoura e Pedorido, tudo aldeias ribeirinhas do rio Douro. Também marcam presença as tendas de cestaria, frutas, com destaque para uvas e melão de “pele-de-sapo”, enchidos, presunto e fumeiro, artesanato e brinquedos. Também ali já é possível beber o primeiro “vinho-doce” e comer as primeiras castanhas assadas


Apesar de tudo, a tradição e a fama da romaria de Santa Eufêmia assenta na devoção à santa, com pagamento de promessas, na actuação duas bandas de música (este ano com as bandas de Rio Mau - Penafiel e Bairros - Castelo de Paiva, e também nas afamadas barracas de comes-e-bebes onde o enorme bife de carne de vitela da raça arouquesa é rei, mas também a vitela estufada, dobrada ou feijoada. Normalmente são seis ou sete grandes barracas e quase sempre a abarrotar de gente esfaimada. Tanto na véspera como no dia, são milhares os forasteiros que chegam do concelho, Castelo de Paiva, mas também dos municípios vizinhos como Arouca, Santa Maria da Feira, Gondomar, Penafiel e não só.


Noutros tempos, recordo-me de nas imediações do proprio arraial se efectuar a matança de gado e mesmo ali, crucificadas num pinheiro, as rezes eram esquartejadas e cortadas em grandes bifes que depois eram fritos e acompanhados com batata e cebolada bem frita. Hoje em dia já não se mata ali o gado mas mata-se a mesma fome e a qualidade da carne é a de sempre bem como os modos de a preparar e servir. Impressiona, de facto, ver todo o movimento (durante o dia e pela noite fora) à volta das barracas improvisadas e numa luta com os enormes bifes bem regados com o grosso vinho verde da região de Paiva. Os clientes não conhecem idades nem classes sociais e misturam-se na mesma fartura os senhores doutores e engenheiros, vindos das cidades e vilas próximas (já por lá vi governadores civis, presidentes de câmaras e vereadores) com os operários e lavradores. Perante aquele quadro de abundância, seria difícil fazer alguém acreditar que estamos numa época de crise e fustigada pelo desemprego e falta de esperança no futuro.

Vê-se também muita gente e casais de idosos, que cumprem religiosamente votos, promessas e hábitos de décadas e para eles a Santa Eufêmia é um dia tão grande e alegre como um Natal ou Páscoa. Na freguesia é ponto de reunião de famílias que improvisam mesas onde os bifes serão a premissa da amizade fraternal. Os romeiros pagam as promessas, acendem velas e participam na missa e na procissão. Pelos músicos da Banda de Bairros, ouvem uma peçada de música e ficam com olhos enublados pelas emoções e sons da “1812” de Tchaikovsky, que não compreendem mas sentem. De seguida, já com a alma e o coração lavados, estendem uma ampla toalha no chão, à sombra de um carvalho,  oliveira ou plátano, e espalham o farto farnel caseiro, com o a panela do arroz envolto em jornais passados, ainda a fumegar de quente e bom, este sim, de comer e chorar por mais. Na véspera são muitos os peregrinos que em ritmo de fé sobem as encostas do Arda e chegam a pé, ainda por devoção e promessas, percorrendo várias dezenas de quilómetros, vindos de aldeias vizinhas ou bem mais afastadas.


Quanto a Santa Eufêmia, que se diz protectora sobretudo de quem tem males de pele, era descendente de uma família nobre da Calcedónia, cidade próxima de Bizâncio, actual Istambul na Turquia, por preservar na sua fé a Cristo, foi mártir aos 15 anos, em 304 DC, morta por enormes leões numa cena de martírio no tempo das grandes perseguições aos cristãos, pelo imperador romano Diocleciano.
O seu corpo foi recolhido pelos cristãos e depositado numa pequena igreja. Mais tarde, em 620 DC a cidade foi alvo das invasões pelos persas pelo que o corpo da jovem mártir foi deslocado para outro local e guardado numa nova igreja mandada edificar para o efeito pelo imperador Constantino. Posteriormente, já com o imperador Nicéforo, voltaram as ameaças aos cristãos ao seu culto e símbolos pelo que com medo, os devotos de Santa Eufêmia voltaram a fazer nova mudança do corpo para lugar incerto. Depois disso, reza a lenda que a seguir a uma noite de violenta tempestade o sarcófago com a mártir desapareceu e em Julho do ano 800 acabou por dar á costa  do mar Adriático, junto a Rovinj, na Croácia. Os locais abriram o sarcófago e nele observaram o corpo de uma bonita rapariga, vestindo um luxuoso vestido e junto dela, um pergaminho com a inscrição HOC EST CORPUS EUFEMIAE SANCTAE... (este é o corpo de Santa Eufémia, virgem e mártir da Calcedónia, filha de um nobre senador, nascida para o céu em Setembro 16, ano 304 AD...).
Os habitantes locais tentaram retirar das águas o sarcófago mas apesar dos esforços, a tarefa estranhamente parecia impossível e acabou por ser um rapazinho guiando uma parelha de bezerros quem o retirou facilmente e então foi depositado na igreja local, onde na actualidade na sua bela catedral se venera o corpo intacto da santa e mártir a qual atrai anualmente milhares de peregrinos e turistas.

Deixo alguns registos fotográficos da Santa Eufêmia e da sua romaria, em Paraíso, Castelo de Paiva.

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9/12/2010

O papel-de-lustro

 

O papel-de-lustro, essas follhas delicadas com cores brilhantes e garridas, fazem parte do imaginário do meu tempo de escola primária, nomeadamente na quarta classe onde se realizavam alguns trabalhos manuais, hoje dito manualidades.

No meu tempo, o exame da quarta classe constava de uma componente escrita (durante a manhã) e outra oral (da parte da tarde) e era realizado perante um colectivo de dois ou três professores, numa aldeia próxima, pelo que implicava uma jornada especial para as crianças, que quase sempre estranhavam a mudança de ares e, diga-se de responsabilidades. Nessa altura, também se acrescente, o exame da quarta era uma coisa a sério e não estou a ver que hoje em dia um mísero 9º ano (que agora se atribui às carradas a troco da narrativa de uma experiência de vida) chegue aos calcanhares dos conhecimentos então adquiridos com a 4ª classe da escola primária.


Ora uma das obrigações do exame era apresentar ao júri um determinado trabalho manual e aqui o uso do papel-de-lustro era um material a considerar embora ao nível do exame fosse de esperar algo mais substancial e não apenas recortes, colagens e dobragens (com o clássico vira-vento ou barquinho).


Hoje, por um acaso, ao comprar alguns materias de papelaria, dei de caras com o papel-de-lustro e não deixei de ficar surprendido que ainda se fabrique (pela Ambar) e use. Os tempos conduzem à utilização de ferramentas electrónicas nas escolas pelo que não deixa de ser quase anacrónico que o papel-de-lustro sobreviva, embora certamente com menos importância, digo eu. Julgo que se usa sobretudo ao nível da Pré-Primária.

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- Papel recortado sob papel de lustro

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- Trabalho com papel de lustro recortado

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- O meu papel de lustro, ainda fresco

 

- Tópico relacionado (ou não):

Rendas de papel

9/11/2010

Protex – Cuida dos seus pés

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Cartaz publicitário do início dos anos 80 ao PROTEX. Este produto, habitualmente vendido em creme ou spray, anda há décadas a tratar dos pés de muita boa gente. A ter em conta a publicidade, o produto elimina os cheiros desagradáveis e mantém os pés frescos durante todo o dia.
Em rigor desconheço a sua eficácia pois nunca o usei embora já o visse por casa. Prefiro um simples e ordinário sabão de barra.

Das poucas informações colhidas sobre a marca e o produto, parece ser produzido pela PANGITER - COSMÉTICO-FARMACÊUTICA, LDA, mas desconheço se é sua propriedade ou se o fabrica sob licença.
Este produto ainda se comercializa, porque os pés, esses coitados que fazem o favor de nos aguentar o corpo, embora já não tanto como nos antigamentes, serão sempre susceptíveis de maus cheiros, comummente chamados de chulé (xulé).

Dizia que hoje os pés já não aguentam tanto o nosso corpo pois temos uma vida mais sedentária, passando muito tempo sentados, tanto no emprego, como em casa, e sobretudo nos transportes. Quase não damos um passo para nada e usamos o automóvel mesmo para a mais insignificante deslocação. Hoje já quase ninguém caminha por necessidade ou obrigação. É verdade que actualmente  anda muita gente a dar às pernas mas principalmente porque se tem valorizado os benefícios de uma boa caminhada diária para a saúde. Por moda ou por recomendação médica, na minha aldeia e vizinhas vejo magotes de pessoas, de todas as idades, a caminharem ao fim da tarde, no que aproveitam para “dar ao serrote” e pôr a conversa em dia. Creio que a tendência é geral.

Recuando uns bons anitos, recordo-me que a criançada do meu tempo frequentemente andava descalça e as plantas dos pés endurecidas e calejadas não escolhiam nem temiam caminho, desde o mais macio ao mais agreste. Recuando mais, ao tempo de minha mãe, que ainda cá está para o contar, quando criança, o andar descalço era mesmo regra, em casa, no trabalho no campo e na escola. Qualquer coisa parecida com chinelas, sandálias ou botas era um luxo destinado a cerimónias e reservado apenas aos domingos e dias-santos-de-guarda. Umas botas ou sapatos de cabedal eram luxo de gente rica e que se estimavam como se fosse ouro. São frequentes os relatos de gente que nos seus percursos levavam as botas penduradas ao ombro sendo só calçadas quando chegados ao destino.

Os mais pobres e engenhosos, faziam eles próprios umas espécie de socas, com uma sola em madeira e tira em tecido grosso ou cabedal grosseiro, a que chamavam de alpercatas. Os lavradores, para situações mais exigentes, nomeadamente no Inverno e tempo de geada, na ida à igreja ou em qualquer saída para tratar de algum assunto ou negócio, usavam umas chancas, uma espécie de bota grosseira com sola em madeira, à qual pregavam tachas metálicas para aumentar a resistência, e envolvente do pé em cabedal grosseiro endurecido, ou ainda de forma mais simples uns socos ou tamancos, mais ou menos do mesmo género mas de uso mais diário.

Nesses tempos, à falta dos meios de transporte e de boas estradas, as deslocações eram realizadas por fracos caminhos, penosos sobretudo no Inverno. Então, os percursos dos operários para algumas fábricas da zona de S. João da Madeira, eram feitos diariamente a pé, na ida e na volta, contabilizando-se 30 km, fosse dia ou noite, Verão ou Inverno.

Aqui há uns anos, creio que em 1993, falei com uma velhinha da aldeia, a saudosa Ti´Ana Alves, então com 90 anos, que me relatou que diariamente, depois de recolher o leite pela porta de alguns lavradores da aldeia, fazia um percurso de 15 km, levando à cabeça uma bilha com 30 litros, ganhando um tostão por litro, que por vezes era todo prejuízo quando nas pedras do caminho que serpenteava o monte se desequilibrava. A mesma pessoa, durante muitos anos, uma vez por semana fazia um percurso de quase 60 km (ida e volta) a Silva Escura - Sever do Vouga, levando à cabeça um recipiente com natas de leite para o fabrico de manteiga, igualmente por rigorosos caminhos, carreiros e atalhos.

Como se vê, um simples produto de disfarçar o desagradável cheiro de uns pés cansados, dá muito que contar.

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