11/25/2010

Eça de Queirós

 eca de queiros

Passam hoje 165 anos (25 de Novembro de 1845) sobre o nascimento de Eça de Queirós, um dos maiores vultos da literatura portuguesa.
Sobre a sua vida e obra, não faltam exaustivas biografias e referências, pelo que ficamos apenas pela lembrança da efeméride. 
 
Para além de tudo, é um dos meus autores preferidos e da sua obra conhecida e publicada já li tudo, de resto uma leitura que periodicamente se vai renovando como aconteceu recentemente com "As cidades e as serras".

Cada parágrafo de Eça de Queirós é um rendilhado pormenorizado e simultaneamente resumido da condição humana, das suas personagens e seus carácteres. É certo que retratou uma sociedade numa época muito própria mas, salvas as distâncias dos usos e costumes, a génese humana e os contornos relacionais da sociedade continuam quase os mesmos e por isso Eça, como os grandes escritores, permanece actual.
Como singela lembrança, ficam abaixo uns simples nossos rabiscos do grande Eça.


eca de queiroz

11/22/2010

Vasco da Gama – A caminho da Índia

Há 503 anos, em 22 de Novembro de 1497, Vasco da Gama dobra o Cabo da Boa Esperança, sensivelmente a meio de uma longa e imprevisível viagem  marítima, iniciada em 8 de Julho do mesmo ano, em Lisboa, e  que o levaria à India, onde atracou em Calecute, na costa ocidental, em 20 de Maio de 1498.

É uma data memorável para Portugal dos Descobrimentos. Todavia, o Cabo tinha sido dobrado pela primeira vez uns anos antes, em 1488 pelo navegador Bartolomeu Dias, então um feito assinalável  e fundamental para a posterior viagem de Gama. Esse acidente geográfico na costa sul do continente africano, devido às dificuldades de navegação, tinha sido baptizado pelo mesmo Bartolomeu como o Cabo das Tormentas ou Tormentoso, obscura e temida morada do Adamastor, mas quando vencido o medo e dobrado o “bicho de mares nunca dantes navegados”, fez renascer uma nova esperança para a empreitada das navegações quinhentistas pelo que foi rebaptizado por D. João II por ver no feito uma abertura da ampla porta que conduziria à Índia.

Pessoalmente, o mesmo 22 de Novembro é uma data sempre presente pois corresponde ao nascimento da minha filha, primeiro fruto surgido 3 anos e pouco após o casamento. Quase seis anos depois, seguiu-se mais um rebento, desta feita um rapaz.
Há assim datas que têm o dom de ter um duplo significado, seja colectivo ou pessoal.

A aprendizagem da História de Portugal no ensino primário teve sempre um peso significativo noutros tempos (actualmente nem tanto e apenas numa fase mais tardia) pelo que as grandes datas e os grandes heróis fazem parte da bagagem cultural e patriótica da malta da minha geração e o Vasco da Gama e o seu enorme feito, é uma espécie de 2+2, ou seja, coisa sabida e de fácil memória. É claro que igualmente muitos outros, mas o Gama e a sua viagem, que mudou indelevelmente o trajecto da nossa História, será sempre uma das primeiras figuras.

Para lembrar o facto e a data, deixo aqui uma das belas páginas do meu Livro de História da 4ª classe, o tal com o castelo de Almourol na capa. (Podem ser ampliadas).

vasco da gama sn2

A seguir, do Google Maps, algumas imagens do Cabo da Boa Esperança (Cape of Good Hope), território da África do Sul, símbolo ou ponto de passagem do Oceano Atlântico para o Oceano Índico.

image

 image

11/21/2010

Livro de leitura para a 1ª classe – Romeu Pimenta e Domingos Evangelista

romeu_pimenta_1_classe_sn_01

Livro de Leitura para a 1ª Classe.
Autores: Romeu Pimenta e Domingos Evangelista.
Edição: Editora Educação Nacional – Rua do Almada, 125 – Porto.
Ano: 1938
Formato: 115 x 180 mm – 73 páginas a 2 cores.
Composição e impressão: Tipografia Sequeira, L.da.

Hoje trago à memória  este belo livro da primeira classe do Ensino Primário, utilizado por quem hoje anda na casa dos 80 anos. Portanto, alguns dos nossos pais ou avós, dependendo da nossa idade,  utilizaram este livro e com ele aprenderam as primeiras letras. Os temas giram à volta do amor pelos pais, pela família e pelas coisas que nos rodeiam na natureza, como os animais. Veja-se os títulos das diferentes lições: O novo livro; A nova escola; a,e,i,o,u; A obediência; Jesus e as crianças; O caminho da escola; O gatinho; Crucifixo; As flores; Os cinco sentidos; Não devemos mentir; A história do chasco e do pisco; Os ninhos; No recreio; As andorinhas; A fruta; Os bons irmãos, O meu pai; Casinha de pobres; Diana; Os transportes; O pião; A junta de bois; O boi; As vindimas; Uma lavrada; O rio; Ajudemo-nos uns aos outros; Natal; O rego da água; A merenda do Fernandinho, A árvore; A gratidão de um povo; Exercícios de caligrafia.

Este livro, que se diferencia pela sua capa com motivo floral, com a particularidade de essa ilustração, de acordo com nota dos autores, ter sido realizada pela menina Helena da Silva Graça, de 11 anos, da Foz do Douro e aluna de um dos autores. De resto, a colaboração de alunos estende-se a outras páginas, nomeadamente a menina Júlia Cândida de Sá Barros, de 10 anos e também da Foz do Douro e Damião Reina, de Cerveira, de 11 anos. As demais gravuras do livro foram produzidas pela Simão Guimarãis, Sucrs.

O livro tem uma estrutura interessante, com uma lição numa página e na página seguinte, exercícios à volta do tema. É claro que, comparando este manual com um dos actuais livros da classe correspondente a diferença é abismal, não apenas nas considerações gráficas, mas na ilustração e programa. Nessa altura a primeira classe era de trabalho e no final dela devia saber-se ler e escrever correctamente, o que, diga-se, está longe de acontecer na actualidade, mesmo tendo em conta o ensino pré-primário, que se traduz essencialmente num tempo de brincadeira. Não nos interessa questionar aqui as virtudes e defeitos de um ou outro sistema, até porque os tempos são outros, mas regista-se a diferença.

Tendo sido editado há mais de 70 anos, é natural que a grafia de várias palavras seja diferente da actual, nomeadamente na acentuação. Exemplos: mãi, Pôrto, Guimarãis, dêle, cômo, êles, fôr, fôrça, rêgo.

Este livro é o primeiro de uma série dos mesmos autores, portanto com 3 outros manuais correspondentes às segunda, terceira e quarta classes. Refira-se que os demais livros da série, apresentam capas semelhantes mas com diferença na composição das flores e folhas, como abaixo se poderá destrinçar nas imagens que apresento.

romeu_pimenta_1_classe_sn_02

romeu_pimenta_1_classe_sn_03

romeu_pimenta_1_classe_sn_04

romeu_pimenta_1_classe_sn_05

romeu_pimenta_1_classe_sn_06

romeu_pimenta_1_classe_sn_07

romeu_pimenta_3_classe_sn_01

- Nesta última imagem, que se refere à capa do Livro de Leitura para a 3ª Classe, sendo semelhante à que ilustra a capa do livro da 1ª, tem notórias diferenças, nomeadamente no tipo de flor /pétalas abertas e fechadas). Acrescente-se, finalmente, que a ilustração da capa do livro da 1ª classe é também utilizada no livro da 2ª, enquanto que esta ilustração da capa do livro da 3ª classe é repetida no livro da classe seguinte, a 4ª.

Com tempo, trarei aqui à memória os demais livros desta série, dos professores Romeu Pimenta e Domingos Evangelista.

Nota final: Por coincidência, na data em que escrevo este post, no sítio de leilões online, o miau.pt está um livro desta série (da 4ª classe) em leilão.

11/19/2010

Há dias assim

tarde_de_inverno_sn 

Hoje o dia começou cinzento, fechado, e com chuva. Não muito forte, mas daquela certinha e com um ligeiro vento. É o que eu chamo um típico dia de Inverno, se calhar em harmonia com a tão falada cimeira da NATO que quase fechou Lisboa e o país, controlando-se de forma apertada fronteiras, impedindo a entrada a eventuais manifestantes. 

Por estes dias é assim; depois poderá entrar livremente toda a espécie de gente, incluindo aqueles que têm engrossado o número de emigrantes ilegais, com gente boa e bem-vinda, mas também  com criminosos de toda a espécie,  que de forma avulsa ou organizada nos vem assaltar as casas e as lojas e a aumentar a criminalidade e a insegurança. Mas estas são outras histórias se bem que igualmente cinzentas ou bem mais negras.

 
Para evocar este tipo de dia, o de Inverno, uma página do meu livro de leitura da segunda classe, com uma bela ilustração da Maria Keil que transmite na perfeição todo o clima de um dia como o de hoje.

11/12/2010

Sunsilk Shampoo

sunsilk shampoo sn

Já falamos aqui sobre o Shampoo Sunsilk. Na continuidade da nostalgia, publica-se mais um cartaz publicitário de outros tempos (anos 70), alusivo ao creme amaciador para os cabelos, com “nova fórmula” e “nova embalagem”.

Surpreendentemente, ou não, esta vasta gama de produtos de higiene pessoal, sempre viveram, publicitariamente falando, de “novas embalagens” e “novas fórmulas” como se estas fossem uma garantia da qualidade e evolução. 

Em face dessa filosofia, que de resto se alargava a outros produtos, mais tarde surgiriam os “2 em 1” e até os “3 em 1”  e todas as marcas concorrentes acabavam por embarcar nesse comboio de fórmulas combinadas e funções concentradas, e por isso chegamos a este ponto em que as virtudes da publicidade e do marketing se confundem com as qualidades intrínsecas dos artigos que anunciam ou promovem, tornando-se difícil avaliar onde começa a influência de uma – a qualidade - ou de outra – a publicidade - na decisão final do consumidor.

11/09/2010

Ferro de passar

 

ferro de passar general electric sn

- Cartaz publicitário ao ferro de passar da General Electric Portuguesa, do final dos anos 60.

O ferro de passar tem uma longa história e há referências aos princípios da sua utilização desde o séc. VIII (há fontes que referem o séc. IV), nomeadamente na desde sempre inventiva China, embora na sua forma mais ou menos convencional e modo de utilização tenha sido desenvolvido a partir do séc. XVII altura em que o vestuário engomado caíu em desuso.

O ferro de passar eléctrico surgiu em 1882 com a patente a ser registada pelo norte-americano Henry W. Seely (2 de Julho de 1854, Richville, Kentucky) e uma década depois era introduzido o sistema de calor por resistência, tecnologia que embora com naturais desenvovimentos se mantém como o sistema dos actuais modelos de ferros eléctricos. Nos anos 20 foi introduzido o controlo de temperatura com termostato. O ferro de passar com intregração de vapor apareceu mais tarde, nos anos 1950 embora o seu sucesso e popularidade sejam relativamente recentes com os modernos sistemas de caldeira.
É verdade que na forma básica e na função não houve assim uma grande evolução (basta comparar um qualquer modelo actual com o do representado no cartaz publicitário dos anos 60), mas a tecnologia e eficiência conheceram naturais desenvolvimentos ao longo dos tempos incluindo a vertente dos materiais aplicados.


Da minha infância, recordo sobretudo os clássicos ferros de passar em ferro forjado, cuja base era aquecida por brasas que se introduziam no seu interior. Assim a sua característica "boca", na parte frontal servia para alimentar de ar o braseiro e para servir de chaminé aos fumos. É claro que deste modo não havia o cómodo controlo de temperatura, como nos ferros eléctricos, bem como para grandes quantidades de roupa a passar era necessário um constante abastecimento de brasas.

Mesmo dentro deste tipo de ferros, havia naturalmente os mais elaborados, com pinturas e alguns outros motivos decorativos, aos mais básicos e simples. Todos tinham em comum uma base ou grelha, também em ferro, que servia para pousar o respectivo equipamento, uma pega superior revestida a madeira que por sua vez estava afixada à tampa que era presa ao restante corpo ou caixa por um fecho. Também existiam outros que em vez de brasas usavam placas que eram previamente aquecidas no interior de uma fogueira.


Mesmo já existindo os ferros eléctricos (que eram um equipamento de luxo e condicionado a quem tivesse rede eléctrica, que não era para todos) foi assim que a minha mãe durante muitos anos passou a roupa a ferro, tarefa que fazia quase sempre ao Sábado de tarde. É claro que no meio de tantos afazeres numa casa com muita criançada, por vezes lá surgia uma queimadela (dizíamos xardadela) e para além de tudo havia o risco de alguém se queimar. Felizmente nunca aconteceu.

Actualmente estes modelos de ferros de passar, sobretudo os de placas e de caixa (aquecimento com brasas) encontram-se com relativa facilidade em feiras de velharias, sendo adquiridos agora como objectos meramente decorativos e testemunhos de outros tempos.

-Abaixo alguns modelos clássicos, sendo que o último é o mais semelhante com o ferro de passar que existia lá em casa.

ferro de passar antigo

ferro de passar antigo 2

11/05/2010

Schweppes…uma boa aposta

 

schweppes sn_01

A laranjada Schweppes já mereceu a nossa atenção num anterior artigo. Hoje voltamos à nostalgia, com um cartaz publicitário publicado em meados dos anos 1960, em que é feito o trocadilho com as apostas do então popular Totobola. Por isso, a ter em conta a sorridente menina do cartaz, beber Schweppes seria sempre uma boa aposta.

11/02/2010

Lâminas de barbear Schick

laminas schick sn01

Já tivenos a oportunidade de falar, aqui no blog, das láminas e máquina de barbear Gillette.
Hoje publicamos um poster publicitário - da primeira metade dos anos 1970) de outra grande marca concorrente, a Schick, tal como a Gillette, também com uma longa história.

Neste cartaz, o famoso agente 007, James Bond, num dos seus filmes “Vive e Deixa Morrer”, usando a então novidade Schick Injector.

A história desta marca começa com Jacob Schick, oficial do exército dos Estados Unidos, a quem se deve a introdução e patente da primeira máquina de barbear eléctrica, no início dos anos 1930.
Em 1970 a marca foi adquirida pela Warner Lambert Group que em 1992 juntou ao seu espólio outra marca clássica, a Wilkinson Sword, esta também com um passado longínquo, formando pouco depois a Schick-Wilkinson Sword. A dança de propriedade não parou e em 2000 a Warner Lambert foi adquirida pela farmacêutica Pfeizer, que por sua vez em 2003 vendeu a divisão à  Energizer Holdings (a das pilhas Energizer).
A Schick é a marca que mais vende a seguir à Gillette, embora a uma cota de mercado bastante distante. Para além de produtos dedicados ao barbear dos homens, é muito forte na venda de máquinas usadas pelas mulheres na depilação.

Por todo esse passado e pelas inovações que foi introduzindo ao longo dos tempos e por se tratar de um produto de uso quase diário, as lâminas Schick são motivo de memórias e recordações nostálgicas de outros tempos, desde a fase de adolescência e a partir da necessidade de dar sumiço aos pelos que teimavam em crescer pela cara. Hoje em dia, ainda uso as lâminas clássicas acopladas na tal máquina da Gillette. Todavia, são cada vez mais difíceis de encontrar à venda e apenas as Wilkinson têm aparecido. É verdade que não me parecem tão eficientes quanto as antigas congéneres da Gillette ou da Schick mas mesmo assim uma lâmina permite-me fazer pelo menos uma vintena de barbas.

10/28/2010

Combóios e Pastilhas elásticas Piratas

 comboios piratas sn1

Hoje, 28 de Outubro, passam 154 anos (1856) sobre a primeira viagam de combóio realizada em Portugal, exactamente no troço de Lisboa ao Carregado.
De lá para cá, o caminho-de-ferro conheceu momentos de enorme interesse, expansão e desenvolvimento, levando o comboio a quase toda a extensão do território nacional, unindo o interior ao litoral, o norte ao sul e até mesmo a Espanha e à Europa, mas com o desenvolvimento paralelo do automóvel e da rede de estradas, este meio de transporte foi perdendo importância, nomeadamente nos troços do Portugal interior, cujos factores decorreram sobretudo dos interesses económicos e da pouca rentabilidade desses percursos. Apesar disso, apesar de algum desse património estar irrecuperavelmente perdido, há esperanças de que algumas clássicas linhas sejam postas ao serviço num contexto turístico.

Ao invés, as linhas principais, que ligam as maiores cidades do nosso litoral, foram sendo ajustadas e mantêm-se como eixos determinantes no fluxo de pessoas e bens, entre o norte e sul. A questão do TGV - Combóio de Alta Velocidade, (do francês: train à grande vitesse), muito actual, uma vez ultrapassada a questão política e económica, será uma importante etapa da já longa história do comboio e caminhos-de-ferro em Portugal, agora numa perspectiva de extensão à Europa.

A este propósito, o da efeméride, trago à memória uma das emblemáticas colecções de cromos editada pela empresa Fomento Eborense, ligada aos produtos Diana, de onde se destacam as pastilhas elásticas Piratas. Aliás a caderneta era considerada um exclusivo das Pastilhas Piratas. 
 
A caderneta dos comboios apresenta duas versões, uma com 170 cromos e outra com os mesmos 170 cromos e um puzzle nas páginas centrais que comportam 20 cromos adicionais, portanto com 190 cromos. Por sua vez, ambas as versões parecem ter conhecido diversas edições, situação que se deduz pelo diferente grafismo do verso dos cromos. Estes são belas aguarelas representando comboios de diferentes épocas e categorias, desde os primórdios até aos tempos actuais (meados dos anos 70).

A caderneta apresenta um formato generoso de 235 mm x 335 mm e cada página com 1 cromos, excepto na última, apenas com 9.
No âmbito da popularidade das pastilhas elásticas Piratas, a empresa produziu várias colecções de cromos, nomeadamente a "Aviões a Jacto", "Europa Geográfica, Política e Económica" e também uma colecção de cromos de truques de magia bem como diversos cromos de outros temas, tais como as 80 histórias da Pirata Milocas e o João Balão, que cheguei a ter completa mas que se extraviou. 
 
Destaque também para a revista "O Pirata" que conheceu mais de centena e meia de revistas desde o ano de 1968 até quase final dos anos 70, bem como ainda o "Clube Pirata", que chegou a reunir quase cem mil sócios os quais beneficiavam de algumas promoções ligadas à marca.
Não surpreende, pois, que as pastilhas elásticas Piratas e o seu universo editorial estejam ainda bem vivos em todos aqueles que foram crianças nos anos 60 e 70, como é o nosso caso.

comboios piratas sn3

comboios piratas sn4

comboios piratas sn5

comboios piratas sn2

pastilhas piratas diana fomento eborense

comboios piratas sn6

revista pirata

revista pirata sn2

10/27/2010

Vinagre Cristal – Espumante Magos

vinagre cristal sn

Hoje, com um cartaz publicitário do ano de 1974,  trago à memória o vinagre Cristal, que desde há muitos anos dá um tempero ou toque especial nas nossas saladas e alguns pratos típicos, sendo, por isso, presença habitual nas despensas domésticas ou em restaurantes.

O vinagre Cristal é produzido pela empresa José Marques Agostinho, Filhos e Cia. Lda, do Entroncamento, com uma história de mais de 100 anos, também conhecida pela comercialização de uma marca igualmente a merecer referência, a Magos, vinho espumante distribuído em pequenas garrafas.

"A marca Cristal foi registada em 1939 e já conta com mais de 75 anos de existência no mercado.
Começou em garrafa de vidro, a embalagem disponível nessa época, sendo depois adoptada a galheta em polietileno, que lhe trouxe bastante sucesso.
Mais tarde, nos anos 90, passou para embalagem PET desenvolvida especialmente para a marca, garantindo uma melhor conservação do produto.
Em 1985 foi criada a marca Cristal Gourmet com o intuito de abranger outros tipos de segmentos alvo nomeadamente os apreciadores de vinagres “à moda antiga” (com aroma distinto e uma acidez intensa).
A marca Cristal ao longo dos tempos tem acompanhado o mercado de uma forma dinâmica, lançando novos sabores e aromas."

O vinho espumante Magos ainda deve ser um produto popular, até porque se vê com facilidade nas prateleiras dos estabelecimentos de distribuição, mas pessoalmente, que ainda o compro ocasionalmente,  parece-me que já teve melhores dias. Recordo-me que pelos anos 80 o Magos era uma bebida muito requisitada mesmo pela juventude, sobretudo ao fim-de-semana, já que emprestava um certo ar de comemoração sem ser necessário abrir uma tradicional garrafa de 0,75 l. Penso que o sucesso do Magos se deveu e deve sobretudo à pequena embalagem e quantidade, uma espécie de venda em dose individual.

"Durante a 2ª Guerra Mundial, em 1940, o Sr. António Marques Agostinho procedeu à importação dos equipamentos e da tecnologia para fabricar vinhos espumantes sob a "inovadora" técnica denominada “Método Charmat”.
Esta técnica permite a produção de vinhos espumantes de excelente qualidade de forma mais rápida e económica.
A nova tecnologia permitiu servir os consumidores com doses individuais, uma vez que não existia então oferta de espumante em garrafas de 200ml.
Procedeu-se ao lançamento do novo produto-vinho espumante MAGOS.
O MAGOS foi desde o seu lançamento um êxito comercial.
A evolução do mercado de vinhos com gás ditou uma decisão implementada quarenta e três anos depois do lançamento do espumante MAGOS: a apresentação ao mercado do MAGOS Frisante, um vinho mais fácil de beber e em linha com as novas tendências de consumo."

Quanto ao vinagre, sua origem e utilização, fica aqui um texto extraído do sítio da própria empresa fabricante do Cristal:

Ao longo da história o vinagre provou ser o mais versátil dos produtos alimentares. Desde à 10.000 anos até hoje, os consumidores continuam a utilizar o vinagre das mais variadas maneiras. O vinagre produzido actualmente é muito semelhante ao produzido nos tempos antigos, mas hoje em dia o vinagre foi redescoberto através da utilização de novos sabores. Assim, aos clássicos vinagre de vinho e de cidra, juntaram-se os vinagres: balsâmico, de arroz, de framboesa, aromatizados, entre outros.
O vinagre é produzido através de dois processos biológicos distintos, ambos resultantes da acção de microrganismos que transformam açúcares (hidratos de carbono) em acido acético. Ao primeiro processo é dado o nome de fermentação alcoólica e ocorre quando a fermentação transforma os açúcares naturais em álcool, em condições controladas. No segundo processo, existe uma bactéria que converte a porção de álcool em acido. É a partir desta fermentação acética que se forma o Vinagre.
magos



A José Marques Agostinho, Filhos e Cia. Lda, tem nestes dois produtos e marcas as suas principais referências comerciais, mas o seu actual portfólio conta com outros artigos como o azeite, vinagres de diferentes variedades, bebidas licorosas, pickles, molhos e condimentos como a maionese e o ketchup e também geleias. Em suma, uma empresa cimentada no sucesso e qualidade dos seus produtos e marcas e cuja história é, ao contrário de outros casos, sinónimo de consolidação e enriquecimento.

Actualização: 30 Março 2020.
Entretanto soubemos que a empresa  teve algumas mudanças e agora refere-se à Contemp - Companhia dos Temperos, L.da. Resulta da fusão entre as empresas José Marques Agostinho, Filhos & Cª. e ICPA - António da Silva & Filho, Lda., ambas com tradição vinagreira desde o início do século XX

Por sua vez a Magos também mudou de imagem, nomeadamente nos seus rótulos.

Pesquisar no Blog

7UP - Beber e arrotar

  A história da 7UP, conforme registada pela marca em Portugal, revela um percurso de inovação que começou muito antes da sua chegada à Euro...

Populares