6/12/2025

A perder gás


Algures numa aldeia portuguesa, a perder gás, como quase todas no interior. Os anos não perdoam, nem mesmo aos elementos publicitários afixados há décadas na fachada granítica de um estabelecimento que vendia de tudo um pouco, desde as botijas de gás butano, a linhas, botões e agulhas até o fazer de posto dos Correios.

Mesmo nos dias de hoje, ainda que de outras marcas e tamanhos, as botijas (garrafas ou bilhas) são uma das principais fontes de abastecimento doméstico de gás. Quando comecei a construir a minha habitação ali por 1994, fui obrigado a apresentar um projecto próprio, e dotá-la com os respectivos ramais interiores, incluindo a caixa para o contador no muro da rua, prevendo-se a "futura" ligação à rede de gás natural. Passaram 30 anos, imagine-se, e a tal previsão foi um ar, ou mesmo um "gás" que se lhe deu, porque embora a rede fosse instalada em alguns locais, nunca chegou, de todo, a todos. O mesmo com as redes de água e saneamento. As empresas, municipais ou concessionárias, só fazem onde lhes dá lucro. Servir lugares ou ruas com duas ou três de casas é má gestão. Mas, permitem estas discriminações mesmo que, como papagueavam o presidente e a escritora há dois dias, somos todos da mesma massa de pureza. Balelas. Continuamos a ser diferentes, em muitas coisas como nos acessos aos serviços, à Justiça, à Educação, etc.

Os nossos políticos foram sempre assim, visionários, a olhar para o futuro, sendo que o políticos passam, o seu futuro sabe-se como é, garantido, bem remunerado, mas o nosso, o do povo, nunca mais chega.

Andamos, pois, a pagar desmandos, a gastar dinheiro em projectos, licenças, tubagens e caixas de contadores para nada. Permanecem por ali, pelo menos, como atestado de incompetência e de desgoverno. 

Lido no sítio da própria marca, "fundada em 1931 por dois engenheiros visionários, a Butagaz foi inicialmente chamada de URG (Uso Racional do Gás). Isso marcou o início do botijão de gás azul de 13 kg, que competia com a lenha e o carvão. Esse impulso foi interrompido pela Segunda Guerra Mundial e pela destruição quase completa do parque industrial em 1945. A década de 1950 marcou o renascimento da URG. Graças à reconstrução do parque industrial e à ampla disponibilidade de botijões de gás, 2 milhões de usuários já estavam convencidos, nessa década, do uso do gás para cozinhar, produzir água quente e aquecer residências.

Em ascensão, a Butagaz lançou o gás em botijões para particulares na década de 1960, atendendo às suas necessidades de aquecimento, água quente e cozinha. Esse sucesso imediato levou à construção de centros industriais e à automação da distribuição para atender a todas as demandas dos franceses. Essa era viu o nascimento de um dos mascotes franceses mais populares: o Urso Azul.

No início da década de 1980, a URG adotou o nome de sua marca principal: BUTAGAZ. Para ampliar sua oferta, a Butagaz modernizou sua distribuição, entrou no mercado de supermercados em 1985 e lançou sua primeira campanha publicitária na televisão em 1986.

Uma nova era começa para a Butagaz.


6/02/2025

Canada Dry - Beba...como ela


A Canada Dry é uma marca de refrigerantes com uma história rica que remonta ao início do século XX, conhecida principalmente pela sua Ginger Ale (refrigerante de gengibre).

Origens e Inovação

A história da Canada Dry começa em 1890 com John J. McLaughlin, um farmacêutico e químico canadense que abriu uma fábrica de água carbonatada em Toronto. Em 1904, McLaughlin aperfeiçoou a fórmula da Canada Dry Pale Ginger Ale, uma versão mais leve e menos doce do que as outras ginger ales da época. O termo "Dry" no nome da marca refere-se justamente a essa característica menos açucarada, similar à classificação de um vinho "seco".

Popularidade e Expansão

A Canada Dry Ginger Ale começou a ganhar popularidade e, em 1919, McLaughlin expandiu a sua operação para Nova Iorque devido à crescente demanda. Após a sua morte em 1914, o negócio foi vendido em 1923, formando a Canada Dry Ginger Ale, Inc.

A sua popularidade disparou durante a Lei Seca nos Estados Unidos, pois o sabor marcante da ginger ale ajudava a mascarar o gosto das bebidas alcoólicas caseiras. Era frequentemente chamada de "champanhe dos refrigerantes" e comercializada para um público mais refinado. Nos anos 1930, a Canada Dry expandiu-se globalmente, chegando a cerca de 30 países.

Evolução e Propriedade

Ao longo dos anos, a marca passou por várias mudanças de propriedade. A Canada Dry foi adquirida pela Dr Pepper em 1982, e depois vendida para a unidade Del Monte Foods da R.J. Reynolds em 1984. Em 1986, a R.J. Reynolds Nabisco vendeu o seu negócio de refrigerantes para a Cadbury Schweppes. Hoje, a Canada Dry pertence à Keurig Dr Pepper, que foi desmembrada da Cadbury Schweppes em 2008.

O logotipo da marca, que historicamente incluiu um mapa do Canadá com uma coroa real (adicionada em 1907), também evoluiu ao longo do tempo, com remodelações em 1975, 2000 e 2010 para modernizar o seu visual.

A Canada Dry continua a ser uma marca de refrigerantes reconhecida mundialmente, oferecendo uma variedade de sabores, embora a Ginger Ale permaneça o seu produto mais icónico e apreciado.

4/23/2025

Cartilha Moderna - M.A. Amor


AMOR, Manuel Antunes, 1881-1940

Cartilha Moderna : método legográfico analítico-sintético de ensino inicial educativo / por

Manuel Antunes Amor. – Nova ed. – Lisboa : J. Rodrigues [deposit.], 1930. – 2 vol. : il. ;

19 cm. – (Como Lili e Lulu foram educados no primeiro ano de escola).

1.ª Parte: Método. – 68 p.


MANUEL ANTUNES AMOR, Educador e Professor, natural da Freguesia de Igreja Nova (Ferreira do Zêzere), nasceu em 1881 e faleceu a 11-07-1940. Diplomado pela Escola Normal de Leiria, começou a exercer o magistério primário em 1902 no lugar da Serra, em Tomar. Posteriormente, foi transferido para a escola do Rossio ao Sul do Tejo (Abrantes). Em 1907, foi-lhe atribuída uma bolsa de estudo na Alemanha. Visitou escolas primárias alemãs, austríacas, suíças e francesas, frequentou em Leipzig, a Escola do Magistério Primário, o Instituto de Pedagogia e Psicologia Experimental e as cadeiras pedagógicas da Faculdade de Letras (onde foi aluno de Wundt). 

Regressou a Portugal em 1909 e, na escola primária do Rossio de Abrantes, utiliza os novos métodos pedagógicos que aprendeu na Alemanha. De 1911 a 1912 foi inspector primário nos currículos escolares de Abrantes e Moimenta da Beira. De 1912 a 1916 foi professor de Alemão e de Desenho no Liceu Colonial, em Cernache de Bonjardim. Em 1916 foi para a Índia, como inspector primário, e introduz nas suas escolas os mais modernos métodos de ensino. Em 1919, segue para Macau com a função de superintendente das escolas municipais, regendo também um curso de Pedagogia. Em 1922, voltou à Índia, reassumindo as suas antigas funções. 

Em 1930, aposentou-se devido a doença. Manuel Antunes Amor é um dos autores de referência da primeira metade do Século XX. Apesar de não ter tido uma acção preponderante no ensino normal, como desejava, o seu trabalho na divulgação de novos métodos de ensino foi extremamente importante. A sua carreira como autor didáctico iniciou-se em 1906 com a aprovação oficial do seu Compêndio de Desenho e continuou, em 1910, com a publicação do Manual de Estenografia e Caligrafia. No entanto, foi com a divulgação, que se iniciou nesse mesmo ano, da sua Cartilha Moderna, que o tornou conhecido. Esta obra, que tinha como subtítulo “Método Legográfico Analítico-Sintético de Ensino Inicial Educativo”, era produto da sua imaginação e dos princípios pedagógicos que observara no estrangeiro e ensaiara já em Portugal. 

Mais tarde, em 1929, criou a Caixa Legográfica, ou seja “uma máquina universal para o ensino inicial da leitura e da escrita simultâneas e combinadas”, cuja patente registou em vários países e que ganhou a medalha de prata da Exposição Colonial de Paris, em 1931. Para além desta actividade central, Manuel Antunes Amor colaborou regularmente com a imprensa pedagógica, com artigos sobre “o professor actual e o mestre-escola antigo” (Revista Pedagógica, 1904), o “ensono do Desenho” (Revista Pedagógica, 1904), o “Cinema na Escola” (Revista Escolar, 1923-1924), a “Instrução Elementar na Índia” (Educação Nova, 1924), o “Ensino da Escrita” (Revista Escolar, 1933-1934). Manuel Antunes Amor deu um contributo importante para a inovação do ensino da leitura e da escrita em Portugal. A sua “Caixa Legográfica”, que doou à Biblioteca-Museu do Ensino Primário e que, ainda na década de 1980, se encontrava exposta na Escola do Magistério Primário de Lisboa, ilustra bem o seu esforço como educador.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Ferreira do Zêzere (Penedinho, Freguesia da Igreja Nova – Estrada Manuel Antunes Amor).

Fonte: “Dicionário de Educadores Portugueses”, (Direcção de António Nóvoa, Edições Asa, 1º Edição, Outubro de 2003, Pág. 90, 91 e 92)

4/09/2025

Abel Manta - Povo, MFA

Cartaz de João Abel Manta - 1975

João Abel Carneiro de Moura Abrantes Manta, nasceu em Lisboa a 29 de Janeiro de 1928, sendo um reconhecido arquitecto, pintor, ilustrador, cartoonista e caricaturista português. É filho dos também pintores Abel Manta e Maria Clementina Carneiro de Moura Manta

Com uma produção artística diversificada, destacou-se principalmente na arquitectura, no desenho e na pintura, consolidando a sua presença no cenário cultural português desde o final dos anos 1940. Inicialmente dedicado à arquitectura, foi gradualmente direccionando o seu percurso para as artes visuais, tornando-se um dos mais importantes cartoonistas das décadas de 1960 e 1970.

Nos anos que antecederam e sucederam a Revolução de 25 de Abril de 1974, Abel Manta publicou, em jornais de grande circulação, trabalhos marcantes que retratavam o contexto político e social português durante esse período de transição — desde o fim da ditadura até à instauração da democracia. Foram populares, e já icônicos, os cartazes em que associava o povo ao MFA - Movimento das Forças Armadas. As suas caricaturas e desenhos satíricos são considerados documentos visuais importantes da história contemporânea portuguesa

Na década de 1980, voltou a reorientar a sua carreira, dedicando-se sobretudo à pintura, onde continuou a demonstrar o seu talento e versatilidade artística.

É ainda vivo, a caminho do centenário.

3/23/2025

Máquina de tricotar ERKA


Pouco se sabe desta marca, para além de que, como nos diz o cartaz publicitário do final da década de 1960, era francesa e que terá revolucionado a simplicidade na arte de tricotar. Seria verdade porque se generalizou e recordo-me que por cá na aldeia eram várias as mulheres e raparigas que trabalhavam em casa no tricô.

Outros tempos, outras modas, outras necessidades.

3/22/2025

Tergal - Impermeáveis


Vai de chuva o tempo, de norte a sul. Vinham, pois, a jeito, os impermeáveis Tergal. Mas desconheço se ainda se fabricam e comercializam. Provavelmente, não. Mas sim pela década de 1960, altura em que foi publicado este cartaz publicitário.

A Sociedade Portuguesa La Cellophane, L.da, terá sido constituída na década de 1960, com sede na cidade do Porto, mas em 1968 foi tranferida para Grijó - Seixezelo - Vila Nova de Gaia. A empresa era detida por vários sócios incluindo a francesa Societé Anonyme La Cellophane, fundada em 1913 por J. E. Brandenberger, com sede em Paris. Em Portugal representava os produtos Tergal.

Segundo a Wikipédia, Tergal é uma marca registrada de uma fibra sintética feita de poliéster . A palavra tergal também se refere ao tecido produzido a partir desta fibra, muitas vezes misturada com algodão ou lã 

Tergal é uma fibra sintética, formada a partir de tereftalato de polietileno e obtida pela condensação de ácido tereftálico e glicol , que foi inventada em 1950 pela británica Imperial Chemical Industries.

"Tergal" é uma palavra formada a partir de "ter" (para ácido tereftálico) e "gal" ( (la) gallicus , gaulês), que se tornou um substantivo comum. Marca registrada do tecido fabricado na França, em Besançon , desde 1954 pela firma Rhodiacéta , é o equivalente ao terylene inglês e ao Dacron americano.

Em 1972, a Rhône-Poulenc iniciou a produção de tergal na antiga fábrica da Société de la Viscose française em Gauchy , na região de Aisne . A empresa, que se tornou Tergal Industries, foi liquidada em 2009.

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