10/07/2009

Dia Nacional dos Castelos

 Hoje, 7 de Outubro, é Dia Nacional dos Castelos.

Os castelos são símbolos presentes de tempos passados. Erigidos a granito pelo querer e força bruta do homem, estes monumentos assumiram no seu tempo posições estratégicas de defesa de regiões, territórios e cidades.
Dentro das suas muralhas ou ao redor das mesmas, floresceram vilas e cidades. Alguns de arquitectura tosca e rudimentar, mas outros como autênticas obras de engenharia e arquitectura militar.
Desde os mais discretos e elegantes até aos mais sólidos e consistentes, Portugal está semeado destes notáveis monumentos, repletos de História e de histórias, reais e lendárias. De norte a sul e de oeste a este, resistem ainda bons exemplos como verdadeiros e palpáveis pedaços da nossa nacionalidade, recordando os tempos de independência, expansão e defesa do território que é hoje o nosso Portugal. Alguns bem conservados e dinamizados pelas autarquias e associações, outros, porém, abandonados à sua sorte, padecendo as agruras do tempo e dos tempos, mas também da indiferença das entidades oficiais.
Esta importância e este testemunho destes nossos monumentos militares estão gravados na própria bandeira portuguesa com o simbolismo dos sete castelos.

Para além dos aspectos históricos ligados a estas construções, enquanto fortalezas militares, com origens que se perdem nas primeiras civilizações, os castelos sempre nos transmitiram os ecos desses longínquos tempos bem como das batalhas dentro e fora das suas torres e ameias. Muitas vezes palcos sangrentos de lutas senhoriais mas também de defesa de soberanias e identidades, de povos e nações.

Todo esse tempo, que decorre dos primeiros tempos do Condado Portucalense até à consolidação do país e depois todo o período da Idade Média até ao séc. XV, sempre exerceu em mim um fascínio especial, desde criança, desde que tomei contacto com os primeiros livros de História. Este fascínio era ainda alimentado pelos filmes e séries de TV, como o Robin Hood, a Flecha Negra, e na Banda Desenhada com Oliver (Robin dos Bosques) herói habitual da revista O FALCÃO e ainda as aventuras do PRÍNCIPE VALENTE, pela pena do mestre Hal Foster.
 
Como memória desta data, publicamos de seguida um conjunto de 16 imagens de outros tantos castelos, reproduções de um conjunto de cadernos escolares dos anos 70, editados pela Ambar, denominado “Colecção Castelos de Portugal”. Esta colecção, muito bonita, para além das gravuras dos diferentes monumentos, representadas nas capas, apresenta nas contra-capas as histórias de cada castelo. Tenho a colecção completa, com os 16 cadernos, em estado de novos.
É uma colecção bem representativa dos castelos portugueses mas outros mais, igualmente belos e repletos de História, poderiam aqui ser lembrados, como o Castelo de Linhares da Beira, o Castelo de Celorico da Beira, o castelo de Trancoso, de Penela, do Lindoso, de Lamego, de Chaves, de Ansiães, de Belmonte, de santaré, de Tomar, de Sesimbra, do Marvão, de Arraiolos, do Alandroal e muitos outros, incluindo os fortes de Valença e Almeida.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
castelo de alter do chao santa nostalgia 16

O “Jogo da Macaca”

 

macaca santa nostalgia

Dos jogos de crianças associados ao recreio da escola primária, o  "Jogo da Macaca" era um dos mais populares.
Este jogo é conhecido por todo o país, mas, naturalmente, com variantes de região para região, quer na forma geométrica da “macaca” quer nas suas regras.


Na minha aldeia, brinca-se assim o jogo da macaca: No chão, preferencialmente de terra, desenha-se de forma indelével a "macaca", constituída por sete "casas", sendo três seguidas de formato sensivalmente rectangular e terminando num círculo dividido em quatro quartos.


Habitualmente eram admitidas a jogo três crianças, quase sempre raparigas, que sorteavam entre si a ordem de começo. A primeira ficava com o nome de "primas", a segunda de "xigas", a terceira e última de "restas".

O objecto que serviria para percorrer a "macaca", em forma de disco ou patela, chamava-se "malha" e habitualmente era feita toscamente com um caco de barro que poderia ser de uma telha ou de um prato. Também poderia ser em pedra, desde que regular e achatada.

A primeira jogadora lançava a malha com a mão de modo a que esta ficasse no interior da primeira "casa", mas sem que ficasse a "pisar" ou a “queimar” o risco. Se assim fosse teria que dar o lugar à jogadora seguinte e assim sucessivamente. Este princípio aplicava-se também no caso da "malha" caír na "casa" errada ou saltar fora da "macaca". Sendo que a "malha" ficava na casa de forma correcta, a jogadora saltava de pé-coxinho para a mesma casa e sempre nessa postura posicionava a ponta do pé junto à malha e com um movimento rápido atirava com a "malha" para para a “casa” imediata no sentido contrário ao movimento dos ponteiros de um relógio, até que dessa forma completasse todo o percurso até saír para a zona do “céu”, no exterior da “macaca”.

Importa esclarecer que quando a "malha" ficava posicionada de forma legal mas muito próxima do risco fronteiro com a "casa" anterior, o que impedia o posicionamento do pé sem que calcasse o respectivo risco, era permitida uma manobra que consistia em posicionar o pé de forma lateral à "malha", mas sem calcar o risco e depois num rápido movimento de vai-e-vem, jogava a "malha". No entanto, quando o pé retornasse à primeira posição não poderia ficar em cima do risco, a “queimar”,  sob pena de perder a vez. Sempre que se retomava a vez de jogar, reiniciava-se no ponto onde se havia perdido a vez.


O processo repetia-se de forma sucessiva até que cada jogadora percorresse todas as "casas". Sempre que isso acontecia, a jogadora colocava-se de costas junto à extremidade da "macaca" na chamada zona do "céu", e lançava a malha sobre o ombro para dentro da "macaca". Se a "malha" caísse numa das casas vazias assinalava a mesma com o seu nome ou uma marca que a diferenciasse. Neste caso dizia-se que tinha feito uma "rola". Se nessa etapa do lançamento "às cegas" da "malha" para o interior da macaca falhasse, saindo fora da "macaca" ou caíndo numa "casa" já assinalada, perdia a vez para a jogadora seguinte. O número destes lançamentos poderia ser combinado previamente, mas não poderia ultrapassar as três tentativas.


O "Jogo da Macaca" terminava quando todos os sete espaços da "macaca" estivessem com "rolas". Ganhava a jogadora que somasse mais "rolas".


Resta acrescentar que à medida que a "macaca" ía ficando preenchida com "rolas" o jogo tornava-se mais difícil pois não era permitido lançar a malha para as casas com "rolas" adversárias nem passar por lá, pelo que exigia por vezes grandes saltos. Todavia, cada jogadora podia calcar ou passar pelas "casas" com "rolas" desde que fossem suas ou se autorizada pela dona das “rolas”. Esta situação de autorização por vezes criava conflitos e rivalidades já que comportava regras de favorecimento. Por isto, por vezes determinava-se previamente que essa situação não seria permitida.


Esta era a tradicional "macaca" da minha aldeia. Muito raramente era jogada a versão mais vulgarizada de nove "casas".

 

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10/05/2009

Cães de Raça – Caderneta de cromos dos gelados Olá

 

Os gelados Olá sempre tiveram uma tradição de oferta de brindes que muito ajudou a cimentar a popularidade da marca junto dos consumidores mais novos. É o caso da colecção de cromos CÃES DE RAÇA. Esta colecção é constituída por um total de 96 cromos, representando igual número de raças das mais conhecidas a nível mundial.

As raças portuguesas estão representadas com três cromos referentes ao Cão Serra da Estrela, cromo Nº 4, o Cão Castro Laboreiro, cromo Nº 14 e o Cão Perdigueiro Português, cromo Nº 22.

A capa da caderneta, para além do título e do logotipo da marca Olá, apresenta um vistoso cão da raça Collie, talvez pelo oportunismo da popularidade da série de TV, Lassie.

Não cheguei a coleccionar esta caderneta mas recordo-me de me passarem pelas mãos alguns cromos. Do exemplar que obtive não consegui determinar o ano da publicação mas tenho algumas referências de que será do ano de 1969.

Os cromos fugiam do formato tradicional rectangular, já que cada figura era recortada sensivelmente pela silhueta de cada cão. Depois eram colados em sítio próprio na caderneta em cima de uma espécia de cenário. Na parte inferior de cada página da caderneta, era feita um breve síntese da raça referente a cada cromo.

Na contracapa era reproduzido um esquema de perfil de um cão com a indicação das diferentes zonas do corpo.

Fica a recordação desta caderneta muito simpática e instrutiva, como era norma na época.

Quanto às memórias pessoais relacionadas com cães, elas são muitas. Desde sempre os meus pais tiveram cães, sobretudo para guardar a casa. Eram essencialmente cães ditos rafeiros, até porque nesses tempos não tínhamos a noção das raças. Recordo-me sobretudo de um cão que tivemos, chamado Bobi, que era extremamente carinhoso e obediente para com o pessoal da casa mas deveras agressivo para com os visitantes. Das vezes que conseguia soltar-se, o primeiro que apanhasse na rua era mordidela certa. À custa desses problemas, um dia o meu avô que trabalhava na ocasião na zona de Coimbra, decidiu levá-lo para uma quinta de pessoas conhecidas, para ficar como cão de guarda.  A verdade é que o cão deve ter-se soltado na mesma ocasião pelo que volvida uma semana regressou a casa perfazendo uma distância de quase 80 quilómetros, o que é notável. Depois dessa façanha o Bobi passou a ser mais estimado pelo que voltou a ocupar o lugar de guarda da casa. Infelizmente, um dia soltou-se novamente e seguindo o meu pai para o trabalho, acabou por não mais regressar, talvez devido a atropelamento ou por algo envenenado que comeu por onde passou. Nunca o soubemos.

Depois do Bobi tivemos outros cães, igualmente dedicados à casa, igualmente com interessantes histórias que poderão ser recordadas noutra altura.

 

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Lucky Luke – O cowboy mais interessante do oeste

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Lucky Luke é um herói da Banda Desenhada, popular em todo o mundo, pelo que quase dispensa apresentações, para além de que a Internet está repleta de boas referência a seu respeito.

Em todo o caso, é nossa obrigação dizer que Lucky Luke é de autoria do ilustrador belga Morris, e grande parte dos argumentos das histórias são de autoria de René Goscinny,  também conhecido pela parceria com Albert Uderzo, autor do não menos popular herói BD, o Asterix.

As histórias e aventuras de Lucky Luke, conhecido por ser o cowboy que dispara mais rápido do que a sua própria sombra, centram-se no mítico oeste selvagem americano. Por isso, parte do seu sucesso deriva também da popularidade do tema no universo da Banda Desenhada e do cinema.

As aventuras estão recheadas dos clichés referentes ao oeste selvagam, como os índios e cowboys, cidades, saloons, duelos, combóios, diligências e as eternas lutas entre os bons e os maus, no caso protagonizados pelo Lucky Luke e pela quadrilha dos irmãos Dalton. Estes, Joe, Jack, William e Averell, são de facto as grandes figuras de quase todas as histórias de Lucky Luke e muitas das vezes são eles próprios os catalizadores das aventuras.

Outras importantes figuras da série: Jolly Jumper, o cavalo de Lucky Luke, tido como o cavalo mais esperto do mundo, que também expressa pensamentos, irónicos e mordazes; Rantamplam, o cão mais estúpido do mundo, também com pensamentos expressos nas histórias. Rantamplam, é ele próprio o principal herói de uma série de álbuns que Morris também desenhou.

Em algumas aventuras, o autor fez cruzar com Lucky Luke algumas figuras míticas do velho oeste americano, como Calamity Jane, Billy The Kid, Jesse James, incluindo a actriz francesa Sarah Bernhardt a propósito da sua digressão pelos Estados Unidos.

O primeiro álbum de Lucky Luke data de 1946, “Arizona 1880” e até ao falecimento do seu autor, em 2001, foram produzidos quase 90 álbuns.

Para além do sucesso em livro a nível mundial, com traduções e edições em dezenas de línguas, o herói teve direito a vários filmes Lucky Luke 1 e Lucky Luke 2, em 1991, realizados e interpretados por Terence Hill, conhecido por dar vida a Trinitá (Trinity), uma personagem famosa do oeste americano, ao lado de Bud Spencer, e ainda a uma série de 10 episódios (The Adventures of Lucky Luke), em 1993, novamente comTerence Hill no papel do herói e com a particularidade da ajuda directa de Morris na direcção da série. Finalmente, Les Dalton, em 2004, com Til Schweiger  e o mais recente, Lucky Luke, de 2009, realizado por James Huth, com Jean Dujardin, no papel do herói.

Lucky Luke também chegou à animação, com destaque para as duas séries de 26 episódios de 30 minutos cada, produzidos pela Hanna-Barbera, em 1983/1984 e 1991, ou seja, um total de 42. Já em 1999, a produtora gaulesa Xilam produz uma versão francesa com 52 episódios, "Les Nouvelles aventures de Lucky Luke". Antes conhecera filmes como a Daisy Town, em 1971, La Ballade des Daltons, em 1978 e Les Daltons en cavale, em 1983,

Grande parte destes filmes de animação podem ser visualizados no YouTube. NO entanto, o universo de Lucky Luke estende-se a muitos outros produtos do marketing moderno, como roupas, jogos, etc.

Pessoalmente, tenho um vasto número de álbuns de Lucky Luke e Rantamplam, talvez 60 números, entre capas duras e capas moles e de várias edições, como da Meribérica/Liber, Bertrand e Asa. Sempre que posso, vou adquirindo os números em falta.

Escusado será dizer que Lucky Luke é um dos heróis da Banda Desenhada que me acompanham desde tenra idade, embora a maior parte dos álbuns que possuo fosse adquirida já depois do 30 anos. Sempre adorei o estilo de Morris e a forma humorística como subverteu todo o conceito do farwest, sem, contudo, lhe retirar a magia e o encanto. Muitas das minhas brincadeiras de criança, dedicadas aos índios e cowboys, tinham a marca indelével de Lucky Luke.

Para terminar, fica a famosa exclamação do Lucky Luke, no último quadro de cada aventura em direcção ao pôr-so-sol:

“I´m a poor lonesome cowboy and a long way from home…”

 

lucky luke santa nostalgia 3

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lucky luke santa nostalgia 2

lucky luke daltons santa nostalgia

lucky luke final

10/04/2009

Sabonete Gessy

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No último artigo recordamos o sabonete Floral Nature, uma marca entre nós aparentemente pouco conhecida, comparativamente com outros sabonetes como o LUX, o REXINA, FENO DE PORTUGAL, PATTI, etc. Hoje, dentro da mesma linha, de sabonetes menos reconhecidos, trazemos um poster publicitário do ano de 1973, de um outro sabonete, o GESSY, com perfume de limão.

Todavia, no Brasil, de onde parece ser originário, dos sabonetes, Gessy é uma das marcas mais antigas e populares, já que foi lançado em 1913, inicialmente recomendado para a higiene pessoal da família mas mais tarde direccionado às mulheres.

Pela sua importância no mercado brasileiro, a Gessy, já nos anos 60, acabou por ser adquirida pela multinacional LEVER.
Para além da qualidade do sabonete, o cartaz de facto inspira frescura e leveza. Não fosse a referência ao sabonete e poderia perfeitamente ser um reclame a uma bebida refrigerante.

10/02/2009

Sabonete Floral Nature

sabonete floral santa nostalgia

Cartaz publicitário do ano de 1974.
Sabonetes Floral Nature. Não consegui obter dados sobre a marca e a propriedade. Sei que no Brasil existe a marca Floral, mas ignoro, igualmente, se existe alguma relação entre ambas.

Com o cartaz desta marca, bem como de outras já publicadas e ainda a publicar (Cadum, Patti, etc), verifica-se que os sabonetes sempre foram um produto muito popular na gama da higiene pessoal. Quer pela delicadeza das formas, cor e aromas, estes produtos continuam tão populares nos nossos dias quanto há 40 ou 50 anos atrás.

Anteriores artigos sobre sabonetes:
Lux
Rexina
Feno de Portugal

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