1/19/2010

Eugénio de Andrade – 19 de Janeiro de 1923

 

eugenio de andrade santa nostalgia_aniversario 

Se fosse vivo (que vivo continua), faria hoje 87 anos.

 

amoras silvestres sn

As Amoras

O meu país sabe as amoras bravas
no verão.     
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.


Eugénio de Andrade ("O Outro Nome da Terra")

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1/15/2010

Cromos Super – Caderneta de cromos de futebol – Época 76/77

 

 

Hoje trago à memória uma caderneta de cromos de futebol, a "Cromos Super", uma edição da editora Fonseca & Sequeira, L.da, de Lisboa, referente à época futebolística de 76/77.
Trata-se de uma colecção de 192 cromos, referentes a 16 equipas, correspondendo a cada uma delas 12 cromos (11 jogadores e o emblema). A cada página da caderneta corresponde uma equipa.
Equipas representadas: Benfica, Sporting, FC Porto, Belenenses, Boavista, setúbal, Guimarães, Varzim, Leixões, Estoril, Braga, Académica, Beira Mar, Atlético, Portimonense, Montijo.


Pela época e pelas características gráficas, esta é uma das cadernetas consideradas de transição, isto é, de um período marcado pelos abandono dos cromos de caramelos e generalização para os cromos em envelopes surpresa.


Tal como era norma das cadernetas dos caramelos, esta colecção também oferecia diversos brindes cujas senhas de acesso eram distribuídas aleatoriamente nos envelopes que continham os cromos.
A exemplo dos característicos cromos de caramelos, o esquema e a qualidade gráfica são bastante insipientes e mesmo a opção da cor utilizada nas margens de cada cromo, um cinzento incaracterístico, não é o mais apelativo, mesmo no resultado global por página. Em contradição, o grafismo da capa é relativamente interessante, com um apelativo contraste de cores, mas com um desenho de dois jogadores em acção, anatomicamente desproporcionados.
Mesmo assim, esta é uma caderneta relativamente rara e por isso com um valor algo elevado entre os coleccionadores. O exemplar que disponho está incompleto e faltam vários cromos, bastante difíceis de obter.


A título de curiosidade, a época de 77/78 foi vencida pelo F.C. do Porto, com 51 pontos, seguido do Benfica, com os mesmos 51 pontos e pelo Sporting, com 42 pontos. Esta vitória do F.C. do Porto, então treinado pelo recentemente lembrado José Maria Pedroto, a propósito dos 25  anos apoós o seu falecimento (7 de Janeiro de 1985), tornou-se famosa por ter decorrido 18 anos após a conquista do anterior campeonato, em 58/59. De recordar que também venceria o campeonato da época seguinte (78/79).

 

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1/14/2010

Inverno

 

É verdade que a estação do Inverno já principiou, um pouquinho antes do Natal, mas os recentes dias de frio, neve e muita chuva, incluindo ontem e hoje, fazem-nos ter a certeza que de facto estamos nesta tão característica estação do nosso clima. Este Inverno já é muito semelhante aos invernos de que tenho memória em tempos idos, com vários dias seguidos de chuvas intensas e ventos fortes, com as características próprias de cada estação muito mais marcadas, mais distintas.
Ilustrando esta memória, publico duas páginas do meu belo  livro de leitura da segunda classe, alusivas precisamente ao Inverno, incluindo uma bela canção, "Natal de Elvas", que então aprendíamos na escola já em clima natalício.

 

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(clicar para ampliar)

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1/10/2010

Automan – O Homem Automático

 

Quem não se lembra de "O Homem Automático", no original, "Automan"? Trata-se de uma serie de TV, com origem nos Estados Unidos, produzida por Glen. A. Larson, em 1983.
Tanto quanto se sabe, foram produzidos 12 episódios de cerca de 50 minutos cada e um episódio guia com cerca de 70 minutos.
A série girava à volta de um super-herói produzido por computador e que podia ser chamado à realidade através da materialização de um holograma num ser humano.  O seu criador era a personagem Walter Nabicher, um oficial de polícia, programador e expert  da informática e computadores. A sua criação, através dos seus super poderes, permitia-lhe uma preciosa ajuda no combate ao crime.


A figura do Automan tinha as típicas semelhanças dos super heróis da Marvel, com um jovem bonitão, encorpoado, com um fato azulado e com efeitos de circuitos brilhantes que lhe emprestava um ar francamente futurista e electrónico, como se pretendia afinal. Automan tinha a ajuda do Cursor, também uma criação electrónica, que se exibia como um ponto ou pequena bola de luz azulada brilhante, que interagia com o heroi e com as pessoas, emprestando quase sempre momentos de brincadeira.
No resto, Automan comportava, de facto , quase todos os clichês dos conhecidos heróis da Marvel, com muitos pontos fortes e poucos pontos fracos ou de vulnerabilidade, portador de poderes e forças especiais que desafiavam as leis da física, situando-se entre um misto de ficção científica e realidade terrena. No resto, as histórias e os seus enredos eram semelhantes a muitas outras séries da época, onde pontuava uma típica componente policial tão à americana. A eterna luta contra o crime e os criminosos, os bons contra os maus, com estes invariavelmente a perderem no final.


Pessoalmente assisti a alguns, poucos, episódios, mas não foi uma série que me marcasse. Todavia, entre a abundância das populares séries produzidas no início dos anos 80, Automan tem o seu lugar e merece ser realçada, até porque corporizou um estilo  ou tendência temática de filmes onde os computadores e as suas capacidades e interacções com as pessoas,  começavam a ganhar destaque. Por isto, quando recordo Automan, vem-me também à memória um filme do mesmo período (1984), o Electric Dreams, com a famosa banda sonora produzida pelo Giorgio Moroder, nomeadamente o tema “Together In Electric Dreams” interpretada por Philip Oakey, da banda Human League.
Actualmente, à luz das capacidades do mundo da informática e computadores, incomensuravelmente mais avançadas do que nos anos 80, esta série Automan, pelos seus princípios, não deixa de nos fazer sorrir pela ousadia de então. Afinal a ficção é um mundo onde vale tudo e isso vale para os dias de hoje como nos anos 60, 70 ou 80. Intemporal.
Mas este Automan, recordado ou revisto na actualidade, não deixa de despertar uma nostalgia muito própria. Valeu.

 

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1/08/2010

A paixão pelos cromos – Visão Júnior


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Num artigo sobre a paixão do coleccionismo dos cromos, no site da revista Visão Júnior, é feita uma referência o blogue Santa Nostalgia, o que nos enaltece, até porque de facto dedicamos um espaço e atenção consideráveis à temática dos cromos e do seu coleccionismo. Por conseguinte, continuará a ser um tema para nós querido e recorrente por cá, bem ao gosto dos muitos leitores que habitualmente nos visitam.

O Professor Baltazar

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Hoje trago à memória mais uma emblemática série de animação, "O Professor Baltazar". Esta série, que passou na RTP do "preto-e-branco" dos anos 70, divulgada pelo já saudoso Vasco Granja no seu programa "Cinema de Animação”, era proveniente da então Europa de Leste, mais concretamente da Croácia, então integrada na Jugoslávia.

A série é composta por 57 episódios, produzidos por Zlatko Grgić no estúdio Zagreb Film, entre 1967 e 1978 (1ª série de 12 episódios entre 1967/1969, 2ª de 13 episódios entre 1971/1972, 3ª série de 12 episódios em 1977 e finalmente a 4ª série de 20 episódios em 1978). Algumas fontes referem um total de 59 episódios e também há divergências quanto ao espaço temporal da produção.

A série teve ainda uma versão em 3D, “The return of professor Balthazar”, em 1999, também produzida pela Zagreb Film. Desconheço se passou em Portugal e qual o êxito, mas certamente sem a a magia própria do original dos anos 70. Há coisas que não funcionam mesmo quando adaptadas ou revestidas com novas tecnologias. Há vários casos desses fracassos.


"O professor Baltazar" tinha o cunho inconfundível de muitas outras boas séries produzidas na Europa de Leste, nomeadamente "O Lápis Mágico", da Polónia. Cada episódio é relativamente curto, entre 5 a 10 minutos, e onde a fala quase não existe, mas apenas sons e música, sempre de forma expressiva que acentua os ritmos e emoções das histórias.

Na Croácia, a figura do Professor Baltazar transformou-se num ícone ou ex-libris e deu lugar a vários produtos de marketing.


Baltazar, apresentado como professor, é mais do que isso, pois é também um cientista, um químico, um inventor, e até mesmo uma espécie de mágico que mistura líquídos e poções numa complexa maquineta, na extremidade da qual tem uma torneira de onde saem umas gotas da poção que resolverá determinado problema no contexto de cada história. Como inventor também constrói maquinetas e mecanismos deveras estranhos mas sempre funcionais.


Em criança, a exemplo do que acontecia com "O Lápis Mágico", eu ficava um pouco fascinado por essa magia do Professor Baltazar.
Para além do desenho animado em si, das suas histórias, da sua magia, a música de abertura, de autoria de Tomica Simović, tornou-se uma memória indelével e que ainda hoje nos sai facilmente dos lábios. Bal…Bal…Baltazar, Baltazar, Baltazar.

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