8/05/2010

Cigarros de outros tempos

 

cigarros marcas antigas santa nostalgia 1

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Nota prévia: Este artigo tem um objectivo meramente documental, exibindo o grafismo de carteiras e maços de marcas de tabaco de outros tempos. Não tem pois, qualquer objectivo de promoção do tabaco e do seu consumo.

Não fumamos nem recomendamos que se fume. O consumo de tabaco está associado a doenças graves por demais conhecidas pelo que o seu consumo deve ser evitado.

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Nunca fui fumador. Os poucos cigarros fumados em adolescente, afastado dos olhares de meus pais, longe de viciarem, criaram-me uma total aversão ao tabaco e ao seu fumo pelo que o hábito  nunca pegou de estaca nem floresceu em vício. Ainda bem, por alma da minha saúde e da minha carteira.

Apesar disso, dessa quase aversão a tabaco, fumo e fumadores, tenho várias recordações ligadas aos cigarros, nomeadamente aos maços ou caixas onde estes eram embalados.

Recordo, por isso, todas as marcas acima exibidas, como o “mata ratos” do Kentucky, os Provisórios, os Definitivos e os escurinhos Negritas, bem como outras que ali não constam, de modo especial a marca Porto que tantas vezes ía comprar para o meu avô, à unidade (dois ou três) à mercearia próxima. Ou até mesmo da marca Sporting, que um vizinho barrigudo e idoso pedia-me sempre para comprar quando da sua janela me via a caminho da mercearia, pelo que atirava ao chão uma moeda luzidia de 1 escudo para a empreitada, com direito a dois tostões de rebuçados ou cromos de caramelos como gorjeta.

Herdados de um tio, guardo ainda alguns cromos ou cartões brindes que noutros tempos acompanhavam os maços e carteiras de tabaco, nomeadamente da Fábrica de Tabaco Michaelense – S. Miguel – Açores e outras.

Igualmente tenho recordações de vários vizinhos idosos que consumiam tabaco, daquele que tinha quer ser enrolado minuciosamente entre os dedos em finas e brancas mortalhas e depois colados a saliva.

Outros tempos, mas os mesmos hábitos e vícios.

8/04/2010

Broa de milho


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broa

forno pao santa nostalgia

masseira de pao
Hoje em dia o pão chega-nos fresco logo pela manhã, distribuído pelo padeiro da zona ou adquirido em qualquer estabelecimento de produtos alimentares.
Faz habitualmente parte das nossas refeições, mas é consumido de forma automática, sem sequer percebermos toda a lida que esteve por trás da sua confecção, ainda que em padarias modernas e automatizadas.
Mas nem sempre foi assim. Noutros tempos, principalmente em ambientes de aldeia, o pão para consumo durante a semana era confeccionado e cozido na própria casa.

Reavivando as memórias do meu tempo de criança, recordo que em casa dos meus pais, a exemplo de muitas outras famílias, existia o tradicional forno onde semanalmente, todas as quartas-feiras, a minha mãe reservava a parte da manhã para cozer o pão.
Para isso existia um móvel em madeira, designado de masseira, onde a farinha misturada com a água era amassada à força de braços e mãos. 
  
Como era tradicional na minha região, era utilizada principalmente a farinha de milho, quase sempre pura mas por vezes misturada com farinha de centeio, emprestando ao pão uma cor mais escura e diferente sabor. A farinha de trigo era muito raramente utilizada e apenas em ocasiões especiais e mais para confecção de regueifa doce, nomeadamente pela Páscoa.
O processo principiava na véspera, com a moagem de um saco de farinha no moinho de água, propriedade da família. Depois a farinha deveria ser bem peneirada.
À mistura de farinha e água quente era acrescentado o fermento, chamado de crescente, que era um pouco de massa guardada da anterior amassadura. Este fermento era indispensável à levedura da massa. 
  
Recordo que quando a cozedura não era semanal, era necessário arranjar o crescente fresco pelo que era usual ir pedir a uma das vizinhas, pois era um risco usar fermento fora de prazo.
Depois de preparada a massa, esta era aconchegada num dos cantos da masseira. Era feita uma cruz em baixo relevo, com o topo inferior da mão e no meio da cruz era espetada uma cebola crua, que permitia acelerar a levedura.
Depois era feita a tradicional benção. A minha mão rezava assim:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo:
S. Vicente te acrescente,
S. Mamede te levede e
S. João de te faça pão.
Amem.
Por vezes rezava-se uma Avé-Maria.
Esta reza, ou esta benção, tem alguns pontos comuns noutras regiões do país mas, naturalmente, apresenta-se de forma diferente, mais simples ou mais complexa. Eis alguns exemplos que colhi aleatoriamente em diversos sítios da internet.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo:
S. Vicente te acrescente e
S. João de te faça pão.
Deus de acrescente
Dento de forno,
E fora do forno
E a quem te comer.
São Vicente te acrescente
São Romão te faça pão
O Senhor te ponha a virtude
De mim fiz eu o que pude.
S. Vicente te acrescente,
S. Humberto te levede,
S. João te faça pão,
Para comer e p'ra dar.
Deus te queira acrescentar.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Reza-se então um Padre Nosso e Avé Maria.
S. Vicente te acrescente,
S. Mamede te levede,
S. João te faça pão,
E Deus Nosso Senhor te deite
Sua divina benção.
O Senhor te acrescente,
E te queira acrescentar,
Para comer e mais para dar.
Em nome do Pai, do Filho
E do Espírito Santo, Amén.
S. João levede o pão
S. Vicente te acrescente
Sta. Marinha levede a beijinha
Em honra de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso com uma Avé Maria
S. Vicente te acrescente,
S. Sebastião te faça bom pão e
Deus te cubra de divina bênção.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
São Vicente te acrescente,
Sã Mamede te levede,
E todas as almas santas
Te ponham a sua virtude.
São João te faça pão,
Com a graça de Deus e da Virgem Maria.
Cresça ó pão no forno
E o bem pelo mundo todo.
Nós a comer e ele a crescer,
Que não possamos vencer,
P’rá minha alma quando for
O eterno descanso, Senhor.
Para a massa levedar
S. Vicente te acrescente
S. João te faça pão.
Em louvor da Virgem Maria
Um Padre-nosso e uma Avé Maria.
Quando a massa se mete no forno
(com a pá faz-se uma cruz)
Cresce o pão no forno.
Ele a crescer
Nós a comer
Nunca o poderemos vencer.
Deus que te levede
Deus que t’acrescente
Com a graça de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria

S. Mamede te levede
S. Vicente t’acrescente,
S. João de ti faça bom pão,
Deus te ponha a virtude
Que da minha parte fiz tudo que pude.
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria.

O Senhor te levede
S. Pedro te acrescente
E o Senhor te faça pão
Com o poder da Virgem Maria
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria
IV
S. Vicente t’acrescente,
S. Mamede te faça pão,
Em louvor de Santiago
Não fiques nem insosso nem salgado

São João te faça pão,
S. Mamede te levede,
S. Vicente t’acrescente
Em louvor de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria.

S. Crescente t’acrescente
S. Mamede t’alevede
S. João te faça pão
E Deus te cubra de benção
VII
S. João te levede
S. João t’acrescente
S. João te faça pão
Pelo poder de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria.
Como se verifica, o S.Vicente está presente na quase totalidade dos exemplos. Apesar disso, S. Mamede, também muito participativo, é considerado o padroeiro do pão.
Depois de feita esta benção, a massa era coberta com um pano quente e era fechada a masseira. A levedura, dependendo da quantidade de massa, poderia durar mais ou menos uma hora.
Entretanto o forno já tinha sido acendido e nele laborava uma boa fogueira durante pelo menos duas horas para esquentar bem. No caso da cozedura da regueifa doce era usada preferencialmente lenha da poda da vinha e urze, queiró e carqueja do mato.

Quando a massa estivesse preparada, o forno era limpo dos resíduos da fogueira e varrida a cinza.
Depois, em cima de uma pá de madeira, era colocada uma camada de farinha fina e sobre ela era colocada uma porção de massa, entretanto preparada em forma de bola. Uma vez na pá era ligeiramente moldada de forma a ficar com uma base plana. Depois de assim preparada era introduzida no forno. Este processo era repetido de acordo com a quantidade de broas. Normalmente a minha mão cozia quatro a cinco broas.

Importa dizer que, antes da entrada no forno da broas, eram cozidos de forma rápida os bolos, um pão em forma circular, achatados, com uma espessura de cerca de 2 a 3 centímetros a que algumas vezes eram revestidos superiormente com sardinhas ou carne. Para mim e para os meus irmãos, a minha mão habitualmente preparava uns bolos de tamanho pequeno (os bolinhos), talvez com cerca de 10 centímetros de diâmetro e também os chamados picões, que eram redondos e pontiagudos nas pontas.

Depois destas cozeduras rápidas, então eram colocadas as broas, cobertas com uma camada de farinha, para melhor formar a côdea (parte dura da superfície superior da broa) e fechado o forno. A maior parte dos fornos não tinham porta com sistema de fecho pelo que era necessário vedar a porta, sendo para isso utilizado o resto da massa. Isto em minha casa, pelo que em tempos de maior crise, para não se desperdiçar a massa, era utilizado barro. Havia até quem utilizasse uma mistura de terra com bosta de vaca que pela quantidade de fibras era adequada à consistência da massa de vedar.

Uma vez fechada e vedada a porta do forno, esta era benzida com o Sinal da Cruz, feito com a pá. Estava terminada a tarefa pelo que restava aguardar uma a duas horas, conforme o tamanho do forno, a sua capacidade de aquecimento e da quantidade de broas.
Um dos momentos mais apetecidos era o da abertura do forno, pelo qual saía uma bafarada quente com aroma a pão quente. Só isso confortava a alma pelo que a barriga só depois de arrancado um naco de broa. Era conveniente, contudo, deixar arrefecer um pouco pois o ditado popular dizia que "Pão quente, diabo no ventre", o que significa que é perigoso comer pão muito quente.

As broas já cozidas eram retiradas com uma outra pá, esta em chapa de ferro, própria para se introduzir debaixo da broa para facilitar a sua remoção.
O pão então era colocado numa caixa de madeira e coberto e assim serviria para a companhar as refeições durante toda a semana. Claro que também servia de petisco fora das refeições, acompanhando uma mão-cheia de azeitonas, também da casa ou um pouco de salpicão de lavrador.

Com o avançar dos anos, estas práticas deixaram de ter lugar na maioria das famílias e já mesmo na aldeia são raros os exemplos deste tipo de confecção caseira. Claro que ainda subsistem, principalmente em aldeias do interior, ainda muito dependentes de uma agricultura de subsistência, mas são uma espécie em vias de extinção. Na minha aldeia ainda há pelo menos duas casas que produzem semanalmente a broa de milho caseira, seguindo praticamente os métodos artesanais de tempos antigos, mas já com uma vertente comercial. Mesmo assim, fazem com que ainda se coma broa de milho à moda dos nossos avós, dando um melhor acompanhamento a certas comidas, nomeadamente uma sardinha assada ou uns bons rojões caseiros.

7/30/2010

Pó Talco Tandem

 

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Cá temos o talco Tandem, publicitado como ideal para bébés, com o seu ingrediente exclusivo, o H-3, que elimina rápidamente e previne as irritações da pele provocadas pelas fraldas.

Verdade se diga, tenho muitas memórias à volta do pó-de-talco, desde logo porque muitas vezes o usei na muda das fraldas a alguns dos meus irmãos mais novos, mas a marca que nessa altura se usava, quase omnipresente, era a Johnsons, nuns frascos cilíndricos, cor de rosa.

Deste Tandem, cujo nome nem é lá muito apelativo, não me lembro de ter passado pela farmácia da casa e por conseguinte não deve ter ajudado a suavizar as partes íntimas dos meus manos. Seja como for, o pó-de-talco, numa altura em que as fraldas não eram descartáveis, mas sim uns quadrados de pano de algodão, reutilizados até se romperem, afixados com o famoso alfinete de bébé (rosa para meninas e azul para meninos), era um produto com grande importância nos cuidados da higiene intíma, sobretudo de bébés e crianças. Merece, pois, um destaque especial nas nossas memórias nostálgicas, seja da marca Johnsons, da Tandem ou qualquer outra.

 

TÓPICOS RELACIONADOS:

Produtos de higiene para bébé – Johnsons
Ralay Baby – a higiene para o bébé
Sabonete e pó-talco Bebex

7/29/2010

Chocolates Aliança


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Confesso que desconheço de todo o que aconteceu à fábrica de chocolates Aliança. Encerrou? Quando? Terá sido retomada por outra empresa, a exemplo do que aconteceu em 2000 com a popular Regina, agora propriedade da Imperial?
São questões que de facto desconheço e nem consegui apurar pois as informações disponíveis são reduzidas e quase inexistentes.
Apesar disso, tenho boa memória desse chocolate que nos anos 70 a minha mãe comprava de vez em quando para confeccionar uma guloseima, especialmente ao Domingo, ou em dia de festa.
O cartaz publicitário que acima publico refere-se, pois, ao chocolate Bleuville, da Aliança, utilizado na confecção de doces, bolos e mousses.
Fica a memória desses doces tempos de criança e das não menos deliciosas lambarices.

Actualização:
Já depois do post original, obtive mais algumas informações sobre a Aliança:
A Aliança na actualidade e desde 1997, ano em que foi adquirida,  pertence à empresa Vieira de Castro – Produtos Alimentares, S.A. cujos produtos são comercializados sob a marca Vieira, uma das maiores fábricas do país com instalações em Gavião – Vila Nova de famalicão. A Vieira de Castro foi fundada em 1943, então como fabricante de pastelaria tradicional e regional.

Por sua vez a Aliança remonta a 1919 altura em que é criada a Sociedade Industrial Aliança originada pela fusão das anteriores empresas "Fábrica do Caramujo" de Viúva de A.J. Gomes e C.ª e "Cruces & Barros", obviamente mais antigas.

7/28/2010

Desodorizante 8x4

 

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Como tempo passa… Na verdade vai para dois anos que falamos aqui do desodorizante 8x4, uma das clássicas e populares marcas detidas pela Beiersdorf, tal como o creme hidratante Nivea.

Volvido todo esse tempo publicamos um novo cartaz publicitário, desta vez dedicado à variante “sport”, então disponível em spray e em stick.

7/27/2010

Salazar

 

Passam hoje 40 anos (27 de Julho de 1970) sobre a morte de António Oliveira Salazar, primeira figura do regime de ditadura que vigorou no nosso país até 25 de Abril de 1974.
Amado por uns e odiado por outros, teve, contudo, a virtude de estabilizar o país após o caos, guerra civil, anti-clericalismo e anarquia geral em que vegetava a jovem República de Afonso Costa e companhia , mas o apego ao poder num contexto de um regime fechado e repressivo, agravado pelo tumor da guerra do Ultramar, uma política de "orgulhosamente sós", contra os sinais sentidos pela sociedade e ignorando os apelos da comunidade internacional, foram os seus grandes pecados. Com a sua morte, precipitada dois anos antes, pelo famoso caso da queda da cadeira de lona no Forte de Santo António do Estoril, esperava-se uma nova oportunidade de democracia, com Marcello Caetano, seu sucessor, mas foi uma Primavera curta e o regime durou quase 7 anos mais.
Seja como for, quer se queira ou não, Salazar será sempre uma figura incontornável na História Portuguesa e apesar dos seus pecados, as suas virtudes ainda merecem a admiração e respeito de grande parte da nossa actual sociedade e talvez por isso foi o vencedor do Concurso "Os Grandes Portugueses", organizado pela RTP em 2007, merecendo quase metade do total das preferências de quem votou.


Quando criança, as memórias pessoais que tenho de Salazar, remontam aos livros escolares e ao seu retrato (que abaixo reproduzo) que, tal como o presidente da República de então (Américo Tomaz) figurava no meu livro de leitura da terceira classe.

 

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