9/30/2009

Outono – Cores quentes e nostalgias

livro de leitura da segunda classe outono sn 02

livro de leitura da segunda classe outono sn 01

Naquele que foi o meu livro de leitura da segunda classe, uma das características interessantes é que assinalava o começo das diversas estações do ano. Isso era feito com duas páginas ilustradas com as cores e elementos que caracterizavam cada uma dessas épocas do calendário do tempo. Tinha um bonito texto e uma música que se aprendia. Esse livro foi magnificamente ilustrado pela Maria Keil e pelo Luís Filipe Abreu, cujos estilos por vezes se confundem, mas creio que estas ilustrações a que me refiro são do pincel mágico do Luís.

Assim, e porque já estamos neste pleno período, trago à memória as páginas correspondentes ao Outono, com as suas cores quentes e brilhantes e alguns frutos lembrando o tempo de colheitas das coisas amadurecidas pelo Verão.

O Outono está fortemente associado ao tempo do início das aulas nos diferentes graus de ensino. Recuando no tempo e na minha memória, recordo-me do meu primeiro dia de escola e toda a expectativa e ansiedade que sentia, tanto no próprio dia como nos dias anteriores.

A minha primeira classe foi feita numa Escola Primária, localizada a 50 metros da casa de meus pais (idêntica à desta imagem mas apenas com um piso e por isso com duas salas). A partir da segunda classe e até à quarta, fui para uma outra escola, quase a estrear, pois tinha sido edificada há pouco tempo noutro lugar da freguesia (idêntica a esta).

Devido a essa proximidade, desde cedo observava com fascínio aquele ambiente de algazarra de crianças nas diversas brincadeira durante o recreio ou na entrada, silenciosa e disciplinada, para as duas salas. Este clima despertava em mim uma forte vontade de completar os 6 anitos para entrar e participar naquele mundo. Para além de todo este ambiente, que me era próximo, como disse, tinha um motivo acrescido que era o de desejar aprender para passar a ler e a compreender eu próprio as histórias e as lições que já via fascinado nos livros do meu irmão mais velho, então já na segunda classe a quem insistentemente pedia para me ler.

Por outro lado, o Outono significava já o tempo frio, com chuvas, ventos e geadas. Era, pois, imperioso o uso de roupas mais quentes, incluindo cachecóis e gorros. O tipo de escola que frequentei na primeira classe tinha uma lareira para aquecimento nos dias mais frios mas a verdade é que, por questões logísticas (nessa altura não havia pessoal auxiliar), nunca me recordo de ter funcionado. Por isso, as mãozitas tinham que se valer de luvas de malha (para os mais ricos) ou umas peúgas que se enfiavam. Outro estratagema, era trazer de casa uma pedra ou uma cunha de ferro aquecidas no lume e embrulhadas em papel de jornal, funcionando assim, por pouco tempo, é certo, como um aquecedor portátil.

Por vezes, no recreio, que se estendia para um largo terreiro adjacente à escola, a criançada fazia fogueiras com gravetos que colhia no pinhal próximo.

Por tudo isto, são sempre fortes e nostálgicas as recordações do tempo que passamos na escola primária. Certamente que voltaremos a estas memórias que não são apenas minhas mas de todos nós que já passamos sobre essa fase da nossa vida.

9/29/2009

Mafalda – 45 anos


mafalda 45 anos santa nostalgia

Mafalda, a personagem de Banda Desenhada que nasceu da criatividade do artista argentino Quino, faz hoje 45 anos.
Mafalda começou por ser desenhada para um simples anúncio de electrodomésticos mas depressa passou para a Banda Desenhada. Esta menina com uma personalidade muito própria, com um olhar muito adulto sobre o mundo, rodeada de um grupo de amigos igualmente interessantes, depressa se tornou num êxito mundial e actualmente continua a ser muito popular. Dos livros passou também para o cinema de animação.

Caderneta de cromos de caramelos – ASES DAS MULTIDÕES – Universal – Época 55/56

 

Hoje trazemos à memória a caderneta de cromos de caramelos ASES DAS MULTIDÕES, uma edição da Universal referente à época futebolística de 55/56.
A caderneta representa 16 equipas: Benfica, Sporting, Belenenses, FC Porto, SC Braga, Académica, Atlético, GD CUF, V. Setúbal, FC Barreirense, SC Covilhã, Lusitânio de Évora, Boavista, V. Guimarães, Torreense e Caldas SC.

Convém salientar que destas 16 equipas o V. Guimarães e o Boavista não fizeram parte desse campeonato (então com 14 equipas), já que desceram na época anterior.

Esta imprecisão no alinhamento das equipas, relativamente às participantes em cada época, era mais ou menos uma constante das colecções de cromos de então. Conveniências de ordem económica e logística, certamente.


Cada um dos cromos individuais faziam parte de um puzzle que por sua vez constituía a equipa. Apesar deste conceito de estrutura gráfica não ser novidade, fugia, contudo, da norma tradicional de representação de jogadores de forma individual. Para além do mais, os cromos de cada equipa não tinham todos o mesmo tamanho, já que os cromos das extremidades eram mais largos. Por outro lado há equipas constituídas por 12 cromos e outras por 13.

Outra curiosidade, a equipa do Sporting da Covilhã apresenta-se como cromo único.

A capa representa a selecção nacional vencedora do jogo com a selecção de Inglaterra, por 3-1, no Estádio das Antas em 22 de Maio de 1955, tendo então alinhado, Passos, Carvalho, Pedroto, Juca, Caldeira, C. Pereira, Dimas, Matateu, Travassos, J. Águas e J. Pedro.

Nessa época de 55/56 do Campeonato Nacional de Futebol da 1ª Divisão, o campeão foi o FC do Porto, com os mesmo 47 pontos do Benfica, mas com melhor confronto directo e diferença de golos. Na terceira posição ficou o Belenenses, com 37 e o Sporting obteve o 4º lugar com 36 pontos.

Como era norma com nestas colecções de cromos, ou estampas, em cada caixa de caramelos saíam diversos brindes cujas senhas estavam dentro dos invólucros. Eis os brindes indicados: Canivetes, lapiseiras, esferográficas, bolas de borracha de vários tamanhos, apara-lápis, apitos, emblemas de metal, estampas coloridas e cadernetas.

 

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9/27/2009

Páginas Amarelas – Vá pelos seus dedos

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Cartaz publicitário às PÁGINAS AMARELAS, publicado numa revista no ano de 1973.

Veja o historial das Páginas Amarelas em Portugal, desde a data da sua fundação, em 1959, até aos dias de hoje, desde as primeiras impressões em papel até à entrada na Internet, oferecendo novas ferramentas e serviços.
Durante muitos anos todos nós nos habituamos a ter em casa, ao lado do telefone, os calhamaços das Páginas Amarelas a par dos igualmente calhamaços das listas telefónicas. Para muitos era um bicho de sete cabeças tentar procurar um determinado número telefónico mas para outros era um sinal de destreza e rapidez.

Como seria natural, ao longo dos tempos as Páginas Amarelas no seu conceito inicial foi perdendo fôlego e importância, nomeadamente pela redução dos telefones fixos e pela proliferação dos telemóveis. Em contrapartida, a empresa soube adaptar-se às novas realidades, integrando-se em tecnologias disponibilizadas pela Internet de modo a não perder o combóio da inovação, mantendo-se assim num produto actual apesar das grandes transformações por que passou nomeadamente na sua estrutura e propriedade.

paginas amarelas logos

9/26/2009

TV Gente – Gente da televisão na revista Tele Semana

 Em 1973 a revista de televisão TELE SEMANA passou a ter uma rubrica, designada TV Gente, logo a abrir, na página 3, onde publicava uma espécie de cromos com personalidades ligadas à televisão da época.
Os desenhos eram de Edmundo Tenreiro.
Pessoalmente cheguei a juntar uns quantos mas, porque a revista era comprada ocasionalmente, fiquei sem saber que tempo durou a rubrica e quantos cromos foram publicados. Seja como for, recordo-me que na altura, sempre que podia, lá roubava o cromo às revistas que me paravam à mão, principalmente das que roubava às minhas primas.
Aqui ficam alguns exemplos.

tv gente maria elisa - santa nostalgia

tv gente david mourao ferreira - santa nostalgia

tv gente david caetano - santa nostalgia

9/24/2009

Uma família às direitas – All in the Family

 

Está  a passar na RTP Memória a fantástica série de TV “Uma família às direitas”, no original “All in the Family”.

A série, norte-americana, foi exibida na CBS entre Janeiro de 1971 e Abril de 1979, ao longo de 9 temporadas, com um total de 209 episódios com cerca de meia hora cada, sempre com um êxito assinalável  e nos tops de audiências, sendo distinguida com vários prémios assim como os seus intervenientes.

A série centra-se em histórias passadas no seio de uma típica família da classe média operária dos Estados Unidos, nos anos 70, num bairro da periferia de Nova Iorque.

A série vive do humor fantástico resultante das acesas discussões de Archie Bunker (Carroll O'Connor), chefe da família, com o seu genro, Michael Stivic (Rob Reiner).

A casmurrice preconceituosa e conservadora de Archie, esbarra constantemente no pensamento e atitudes liberais de  Michael, filho de emigrantes polacos. Acabam sempre por discutir conceitos e preconceitos passando pela política e problemas sociais.

Pelo meio, a incomparável Edith Bunker (Jean Stapleton), a esposa de Archie, um alvo constante do humor corrosivo de Archie mas com um poder de razoabilidade que serve de equilíbrio naquele lar americano. Digamos que de uma forma quase inocente, por vezes patética,  Edith consegue ser a única que tapa a boca a Archie, embora seja este que constantemente recomenda a Edith que o faça.

Quanto a Gloria Stivic (Sally Struthers), a filha única do casal Bunker, habitualmente fica no meio de todas as discussões tentando ser a medianeira entre o marido e o pai.

Esta série, no seu humor característico, por vezes demasiado contundente, acaba por abordar assuntos sociais muito importantes e que nessa época quase não eram debatidos na televisão, como o racismo, xenofobia, homossexualidade, drogas, etc.

Em Portugal, a série passou também nos anos 70 pelo que me recordo de a ver ainda a preto-e-branco. Agora na RTP Memória, por volta das 21:00 horas, a série tem passado a cores e estou a gostar de rever.

 

all in the family 1

Archie e Edith

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Gloria e Michael

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Todos em família

Genérico de abertura da série.

Air France – Os anos afinal passam para todos

air france santa nostalgia

Cartaz publicitário de Setembro de 1969, por isso com 40 anos.

Mais do que o anúncio aos voos da Air France, a companhia aérea francesa, bem como a promessa de “uma chuva de estrelas a mil quilómetros à hora, na sala de espectáculos mais alta do mundo”, ou um “festival nas nuvens, com cinema a cores e música estereofónica”, este cartaz chama-me a atenção por outros motivos. Desde logo o belo sorriso da graciosa rapariga e o olhar para as nuvens do homem com perfil de Cavaco Silva; mas, acima, de tudo, um pouco à laia da Edith da série “Uma família às direitas”, no original “All in the Family”, fico a divagar, introspectivo, no que será hoje a mesma bonita jovem, com mais 40 anos em cima. Supondo que ali no cartaz terá uns 25 aninhos, será, pois, uma senhora já na idade da reforma, com 65 anos, sendo, possivelmente mãe e avó, quiçá, bisavó, Isto na suposição de que ainda será viva.

Eu sei que este exercício comporta nostalgia, afinal faz-se juz ao nome do blogue, mas realmente faz-nos pensar que para além do papel, ali estão pessoas aparentemente paradas no tempo mas que, contudo, para além dessa cortina, quase diáfana, a vida e o tempo continuaram irreversivelmente também para elas, no melhor e no pior, enfim, em todas as contingências do nosso percurso neste mundo.

Não há volta a dar, mas este sentimento é aquele que experimentamos quando desfolhamos os nossos velhos álbuns de retratos de família e ali estão, paradas no tempo, pessoas conhecidas e queridas, como os nossos pais, os nossos irmãos, amigos e, imagine-se, nós próprios, tão diferentes do retrato que todos os dias vamos vendo de forma actualizada no espelho da casa da banho ou do guarda-fatos.
Não há volta a dar.

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