11/21/2010

Livro de leitura para a 1ª classe – Romeu Pimenta e Domingos Evangelista

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Livro de Leitura para a 1ª Classe.
Autores: Romeu Pimenta e Domingos Evangelista.
Edição: Editora Educação Nacional – Rua do Almada, 125 – Porto.
Ano: 1938
Formato: 115 x 180 mm – 73 páginas a 2 cores.
Composição e impressão: Tipografia Sequeira, L.da.

Hoje trago à memória  este belo livro da primeira classe do Ensino Primário, utilizado por quem hoje anda na casa dos 80 anos. Portanto, alguns dos nossos pais ou avós, dependendo da nossa idade,  utilizaram este livro e com ele aprenderam as primeiras letras. Os temas giram à volta do amor pelos pais, pela família e pelas coisas que nos rodeiam na natureza, como os animais. Veja-se os títulos das diferentes lições: O novo livro; A nova escola; a,e,i,o,u; A obediência; Jesus e as crianças; O caminho da escola; O gatinho; Crucifixo; As flores; Os cinco sentidos; Não devemos mentir; A história do chasco e do pisco; Os ninhos; No recreio; As andorinhas; A fruta; Os bons irmãos, O meu pai; Casinha de pobres; Diana; Os transportes; O pião; A junta de bois; O boi; As vindimas; Uma lavrada; O rio; Ajudemo-nos uns aos outros; Natal; O rego da água; A merenda do Fernandinho, A árvore; A gratidão de um povo; Exercícios de caligrafia.

Este livro, que se diferencia pela sua capa com motivo floral, com a particularidade de essa ilustração, de acordo com nota dos autores, ter sido realizada pela menina Helena da Silva Graça, de 11 anos, da Foz do Douro e aluna de um dos autores. De resto, a colaboração de alunos estende-se a outras páginas, nomeadamente a menina Júlia Cândida de Sá Barros, de 10 anos e também da Foz do Douro e Damião Reina, de Cerveira, de 11 anos. As demais gravuras do livro foram produzidas pela Simão Guimarãis, Sucrs.

O livro tem uma estrutura interessante, com uma lição numa página e na página seguinte, exercícios à volta do tema. É claro que, comparando este manual com um dos actuais livros da classe correspondente a diferença é abismal, não apenas nas considerações gráficas, mas na ilustração e programa. Nessa altura a primeira classe era de trabalho e no final dela devia saber-se ler e escrever correctamente, o que, diga-se, está longe de acontecer na actualidade, mesmo tendo em conta o ensino pré-primário, que se traduz essencialmente num tempo de brincadeira. Não nos interessa questionar aqui as virtudes e defeitos de um ou outro sistema, até porque os tempos são outros, mas regista-se a diferença.

Tendo sido editado há mais de 70 anos, é natural que a grafia de várias palavras seja diferente da actual, nomeadamente na acentuação. Exemplos: mãi, Pôrto, Guimarãis, dêle, cômo, êles, fôr, fôrça, rêgo.

Este livro é o primeiro de uma série dos mesmos autores, portanto com 3 outros manuais correspondentes às segunda, terceira e quarta classes. Refira-se que os demais livros da série, apresentam capas semelhantes mas com diferença na composição das flores e folhas, como abaixo se poderá destrinçar nas imagens que apresento.

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- Nesta última imagem, que se refere à capa do Livro de Leitura para a 3ª Classe, sendo semelhante à que ilustra a capa do livro da 1ª, tem notórias diferenças, nomeadamente no tipo de flor /pétalas abertas e fechadas). Acrescente-se, finalmente, que a ilustração da capa do livro da 1ª classe é também utilizada no livro da 2ª, enquanto que esta ilustração da capa do livro da 3ª classe é repetida no livro da classe seguinte, a 4ª.

Com tempo, trarei aqui à memória os demais livros desta série, dos professores Romeu Pimenta e Domingos Evangelista.

Nota final: Por coincidência, na data em que escrevo este post, no sítio de leilões online, o miau.pt está um livro desta série (da 4ª classe) em leilão.

11/19/2010

Há dias assim

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Hoje o dia começou cinzento, fechado, e com chuva. Não muito forte, mas daquela certinha e com um ligeiro vento. É o que eu chamo um típico dia de Inverno, se calhar em harmonia com a tão falada cimeira da NATO que quase fechou Lisboa e o país, controlando-se de forma apertada fronteiras, impedindo a entrada a eventuais manifestantes. 

Por estes dias é assim; depois poderá entrar livremente toda a espécie de gente, incluindo aqueles que têm engrossado o número de emigrantes ilegais, com gente boa e bem-vinda, mas também  com criminosos de toda a espécie,  que de forma avulsa ou organizada nos vem assaltar as casas e as lojas e a aumentar a criminalidade e a insegurança. Mas estas são outras histórias se bem que igualmente cinzentas ou bem mais negras.

 
Para evocar este tipo de dia, o de Inverno, uma página do meu livro de leitura da segunda classe, com uma bela ilustração da Maria Keil que transmite na perfeição todo o clima de um dia como o de hoje.

11/12/2010

Sunsilk Shampoo

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Já falamos aqui sobre o Shampoo Sunsilk. Na continuidade da nostalgia, publica-se mais um cartaz publicitário de outros tempos (anos 70), alusivo ao creme amaciador para os cabelos, com “nova fórmula” e “nova embalagem”.

Surpreendentemente, ou não, esta vasta gama de produtos de higiene pessoal, sempre viveram, publicitariamente falando, de “novas embalagens” e “novas fórmulas” como se estas fossem uma garantia da qualidade e evolução. 

Em face dessa filosofia, que de resto se alargava a outros produtos, mais tarde surgiriam os “2 em 1” e até os “3 em 1”  e todas as marcas concorrentes acabavam por embarcar nesse comboio de fórmulas combinadas e funções concentradas, e por isso chegamos a este ponto em que as virtudes da publicidade e do marketing se confundem com as qualidades intrínsecas dos artigos que anunciam ou promovem, tornando-se difícil avaliar onde começa a influência de uma – a qualidade - ou de outra – a publicidade - na decisão final do consumidor.

11/09/2010

Ferro de passar

 

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- Cartaz publicitário ao ferro de passar da General Electric Portuguesa, do final dos anos 60.

O ferro de passar tem uma longa história e há referências aos princípios da sua utilização desde o séc. VIII (há fontes que referem o séc. IV), nomeadamente na desde sempre inventiva China, embora na sua forma mais ou menos convencional e modo de utilização tenha sido desenvolvido a partir do séc. XVII altura em que o vestuário engomado caíu em desuso.

O ferro de passar eléctrico surgiu em 1882 com a patente a ser registada pelo norte-americano Henry W. Seely (2 de Julho de 1854, Richville, Kentucky) e uma década depois era introduzido o sistema de calor por resistência, tecnologia que embora com naturais desenvovimentos se mantém como o sistema dos actuais modelos de ferros eléctricos. Nos anos 20 foi introduzido o controlo de temperatura com termostato. O ferro de passar com intregração de vapor apareceu mais tarde, nos anos 1950 embora o seu sucesso e popularidade sejam relativamente recentes com os modernos sistemas de caldeira.
É verdade que na forma básica e na função não houve assim uma grande evolução (basta comparar um qualquer modelo actual com o do representado no cartaz publicitário dos anos 60), mas a tecnologia e eficiência conheceram naturais desenvolvimentos ao longo dos tempos incluindo a vertente dos materiais aplicados.


Da minha infância, recordo sobretudo os clássicos ferros de passar em ferro forjado, cuja base era aquecida por brasas que se introduziam no seu interior. Assim a sua característica "boca", na parte frontal servia para alimentar de ar o braseiro e para servir de chaminé aos fumos. É claro que deste modo não havia o cómodo controlo de temperatura, como nos ferros eléctricos, bem como para grandes quantidades de roupa a passar era necessário um constante abastecimento de brasas.

Mesmo dentro deste tipo de ferros, havia naturalmente os mais elaborados, com pinturas e alguns outros motivos decorativos, aos mais básicos e simples. Todos tinham em comum uma base ou grelha, também em ferro, que servia para pousar o respectivo equipamento, uma pega superior revestida a madeira que por sua vez estava afixada à tampa que era presa ao restante corpo ou caixa por um fecho. Também existiam outros que em vez de brasas usavam placas que eram previamente aquecidas no interior de uma fogueira.


Mesmo já existindo os ferros eléctricos (que eram um equipamento de luxo e condicionado a quem tivesse rede eléctrica, que não era para todos) foi assim que a minha mãe durante muitos anos passou a roupa a ferro, tarefa que fazia quase sempre ao Sábado de tarde. É claro que no meio de tantos afazeres numa casa com muita criançada, por vezes lá surgia uma queimadela (dizíamos xardadela) e para além de tudo havia o risco de alguém se queimar. Felizmente nunca aconteceu.

Actualmente estes modelos de ferros de passar, sobretudo os de placas e de caixa (aquecimento com brasas) encontram-se com relativa facilidade em feiras de velharias, sendo adquiridos agora como objectos meramente decorativos e testemunhos de outros tempos.

-Abaixo alguns modelos clássicos, sendo que o último é o mais semelhante com o ferro de passar que existia lá em casa.

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11/05/2010

Schweppes…uma boa aposta

 

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A laranjada Schweppes já mereceu a nossa atenção num anterior artigo. Hoje voltamos à nostalgia, com um cartaz publicitário publicado em meados dos anos 1960, em que é feito o trocadilho com as apostas do então popular Totobola. Por isso, a ter em conta a sorridente menina do cartaz, beber Schweppes seria sempre uma boa aposta.

11/02/2010

Lâminas de barbear Schick

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Já tivenos a oportunidade de falar, aqui no blog, das láminas e máquina de barbear Gillette.
Hoje publicamos um poster publicitário - da primeira metade dos anos 1970) de outra grande marca concorrente, a Schick, tal como a Gillette, também com uma longa história.

Neste cartaz, o famoso agente 007, James Bond, num dos seus filmes “Vive e Deixa Morrer”, usando a então novidade Schick Injector.

A história desta marca começa com Jacob Schick, oficial do exército dos Estados Unidos, a quem se deve a introdução e patente da primeira máquina de barbear eléctrica, no início dos anos 1930.
Em 1970 a marca foi adquirida pela Warner Lambert Group que em 1992 juntou ao seu espólio outra marca clássica, a Wilkinson Sword, esta também com um passado longínquo, formando pouco depois a Schick-Wilkinson Sword. A dança de propriedade não parou e em 2000 a Warner Lambert foi adquirida pela farmacêutica Pfeizer, que por sua vez em 2003 vendeu a divisão à  Energizer Holdings (a das pilhas Energizer).
A Schick é a marca que mais vende a seguir à Gillette, embora a uma cota de mercado bastante distante. Para além de produtos dedicados ao barbear dos homens, é muito forte na venda de máquinas usadas pelas mulheres na depilação.

Por todo esse passado e pelas inovações que foi introduzindo ao longo dos tempos e por se tratar de um produto de uso quase diário, as lâminas Schick são motivo de memórias e recordações nostálgicas de outros tempos, desde a fase de adolescência e a partir da necessidade de dar sumiço aos pelos que teimavam em crescer pela cara. Hoje em dia, ainda uso as lâminas clássicas acopladas na tal máquina da Gillette. Todavia, são cada vez mais difíceis de encontrar à venda e apenas as Wilkinson têm aparecido. É verdade que não me parecem tão eficientes quanto as antigas congéneres da Gillette ou da Schick mas mesmo assim uma lâmina permite-me fazer pelo menos uma vintena de barbas.

10/28/2010

Combóios e Pastilhas elásticas Piratas

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Hoje, 28 de Outubro, passam 154 anos (1856) sobre a primeira viagam de combóio realizada em Portugal, exactamente no troço de Lisboa ao Carregado.
De lá para cá, o caminho-de-ferro conheceu momentos de enorme interesse, expansão e desenvolvimento, levando o comboio a quase toda a extensão do território nacional, unindo o interior ao litoral, o norte ao sul e até mesmo a Espanha e à Europa, mas com o desenvolvimento paralelo do automóvel e da rede de estradas, este meio de transporte foi perdendo importância, nomeadamente nos troços do Portugal interior, cujos factores decorreram sobretudo dos interesses económicos e da pouca rentabilidade desses percursos. Apesar disso, apesar de algum desse património estar irrecuperavelmente perdido, há esperanças de que algumas clássicas linhas sejam postas ao serviço num contexto turístico.

Ao invés, as linhas principais, que ligam as maiores cidades do nosso litoral, foram sendo ajustadas e mantêm-se como eixos determinantes no fluxo de pessoas e bens, entre o norte e sul. A questão do TGV - Combóio de Alta Velocidade, (do francês: train à grande vitesse), muito actual, uma vez ultrapassada a questão política e económica, será uma importante etapa da já longa história do comboio e caminhos-de-ferro em Portugal, agora numa perspectiva de extensão à Europa.

A este propósito, o da efeméride, trago à memória uma das emblemáticas colecções de cromos editada pela empresa Fomento Eborense, ligada aos produtos Diana, de onde se destacam as pastilhas elásticas Piratas. Aliás a caderneta era considerada um exclusivo das Pastilhas Piratas. 
 
A caderneta dos comboios apresenta duas versões, uma com 170 cromos e outra com os mesmos 170 cromos e um puzzle nas páginas centrais que comportam 20 cromos adicionais, portanto com 190 cromos. Por sua vez, ambas as versões parecem ter conhecido diversas edições, situação que se deduz pelo diferente grafismo do verso dos cromos. Estes são belas aguarelas representando comboios de diferentes épocas e categorias, desde os primórdios até aos tempos actuais (meados dos anos 70).

A caderneta apresenta um formato generoso de 235 mm x 335 mm e cada página com 1 cromos, excepto na última, apenas com 9.
No âmbito da popularidade das pastilhas elásticas Piratas, a empresa produziu várias colecções de cromos, nomeadamente a "Aviões a Jacto", "Europa Geográfica, Política e Económica" e também uma colecção de cromos de truques de magia bem como diversos cromos de outros temas, tais como as 80 histórias da Pirata Milocas e o João Balão, que cheguei a ter completa mas que se extraviou. 
 
Destaque também para a revista "O Pirata" que conheceu mais de centena e meia de revistas desde o ano de 1968 até quase final dos anos 70, bem como ainda o "Clube Pirata", que chegou a reunir quase cem mil sócios os quais beneficiavam de algumas promoções ligadas à marca.
Não surpreende, pois, que as pastilhas elásticas Piratas e o seu universo editorial estejam ainda bem vivos em todos aqueles que foram crianças nos anos 60 e 70, como é o nosso caso.

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