5/19/2008
Fungágá da Bicharada
O programa "Fungágá da Bicharada" estreou na RTP no longínquo ano de 1976, sendo apresentado, aos sábados, por Júlio Isidro, com José Barata-Moura, na altura com um aspecto de revolucionário, com cabelo e barba desgrenhadas, que era o autor e intérprete das famosas músicas, incluindo a do genérico.
Em cada programa, de forma divertida, era dado a conhecer um animal e armava-se um diálogo interessante entre o Tio Júlio e a criançada presente. Depois, o que marcava mesmo, era a musicazinha dedicada a esse mesmo animal, sempre com um nome divertido e que procurava caracterizar o bicho em destaque, interpretada pelo José Barata-Moura.
Recordo, de memória, que me pode atraiçoar, que mais tarde saíu o José Barata e entraram a Ana Mayer, a Cândida Branca-Flôr e o Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo. Esta dupla também compôs e interpretou muitas e lindas canções sobre a bicharada convidada semana após semana.
Para trás ficam músicas divertidas, como a “A sinfónica dos pinguins”, “Fernandol e Fernandel, os tigres do pincel”, “ O Mocho professor”, "O Porco Toneladas", "O Coelho Barafunda", "O Faisão Mestre Bento", "O Chimpanzé Barnabé", "Adriano Pelicano" e muitas outras.
o "Fungágá da Bicharada", na linha de muitos outros programas infantis da época, eram divertidos e acima de tudo instrutivos, o que, diga-se, nem sempre hoje acontece.
Foram tardes divertidas que hoje recordamos com saudade e nostalgia.
Fungágá da Bicharada
[refrão]
É o fungágá, fungágá da bicharada
É o fungágá, fungágá da bicharada
la la la la la la la la ra la la
Vamos falar de animais e de como eles são
Do piriquito do gato e do cão
E outros mais também virão
Talvez uma girafa um macaco ou um leão
[refrão]
Vamos todos aprender como vive a bicharada
O que é um cardume e uma manada
Vamos ver não tarda nada
Quem é que afinal tem a voz bem afinada
[refrão]
Vamos tambem descobrir uns amigos bestiais
Bem diferentes dos habituais
E vamos rir até não poder mais
Com as palhaçadas dos amigos animais
[refrão]
5/17/2008
Contigências do tempo
Para quem desde cedo começou a acompanhar o panorama futebolístico dos anos 60 e 70, e por aí fora, habituou-se a conviver com os nomes dos intervenientes: Os treinadores, os jogadores mas sobretudo as equipas. Deste modo, para além dos principais clubes, desde logo com os incontornáveis 3 grandes (Benfica, Sporting e FC do Porto), todos os habituais participantes no Campeonato Nacional.
Hoje, decorridos,trinta e muitos anos, não podemos deixar de trazer à memória alguns clubes que então passaram pela 1ª Divisão, e eram presença mais ou menos assídua no campeonato da 2ª Divisão, mas que actualmente andam perdidos pela remota 3ª Divisão ou até nas divisões distritais. Outros, porém, fizeram uma autêntica descida aos infernos e acabaram por se extinguir, se não como clube, pelo menos como equipa de futebol sénior.
Assim, sem qualquer ordem cronológica ou de outra natureza, recordo: SC Farense, Sport Comércio e Salgueiros, Campomaiorense, U. de Tomar, GD CUF, FC Tirsense, FC Barreirense, União de Coimbra, AD Sanjoanense, Académico de Viseu, Oriental de Lisboa, Lusitano de Évora, CD Montijo, Atlético CP, Torreense, Ginásio de Alcobaça, Sp. Espinho, O Elvas, Sp. Covilhã, FC Famalicão e, obviamente, muitos outros.
Esta é uma prova real de que mudam os tempos e mudam as vontades, mas também as realidades. É, em suma, a grande prova do tempo sobre a efemeridade das coisas, das pessoas e dos lugares.
Confrontados com a fatalidade das contigências do tempo, ficam, pelo menos, as memórias e a nostalgia.
Cromos soltos - Manuel Fernandes - Sporting CP - 78/79
Manuel Fernandes, um dos nomes grandes do futebol português onde se notabilizou como avançado.
Entrou para o Sporting Clube de Portugal em 74/75, contratado ao Grupo Desportivo da CUF, que acabara de fazer uma época extraordinária, conquistando o 4º lugar no Campeonaro Nacional e ganhando o direito de participar na Taça UEFA. No mítico clube do Barreiro, esteve de 67/68 a 74/75.
No Sporting, manteve-se até ao ano de 1987, transferindo-se já em fim de carreira para o V. de Setúbal onde ali esteve na época 87/88, findando aí o seu ciclo como jogador de futebol. Iniciou então a carreira de treinador, passando pelo Vitória de Setúbal, Campomaiorense, Sporting, como adjunto e principal e Santa Clara, dos Açores.
Vídeo do famoso Sporting 7 - Benfica 1, na época de 86/87, em que Manuel Fernandes esteve particularmente em foco. Contudo o título dessa época viria a ser ganho pelo Benfica. O Sporting não conseguiria melhor do que o 4º lugar, atrás do FC Porto e V.Guimarães.
Carrinho de rolamentos
Hoje em dia as crianças estão "intoxicadas" com toda a qualidade de brinquedos, desde os mais simples aos mais sofisticados, incluindo leitores de música e vídeo, telemóveis, consolas de jogos e até carros e motos movidos a bateria.
Sempre que há aniversário, Páscoa ou Natal, esse arsenal de brinquedos aumenta consideravelmente. Por conseguinte, não há criança, por mais pobre que seja, que não tenha em casa uma panóplia de brinquedos.
Mas nem sempre foi assim. Se é certo que o brinquedo sempre ocupou um importante lugar no mundo da infância e sempre os houve, também é verdade que só as as crianças nascidas em boas palhas é que tinham direito a brinquedos mais ou menos sofisticados, de acordo com a época.
Ora no nosso tempo, os meninos ricos já dispunham de uns carrinhos em chapa, movidos a pedais e ainda de bonitos triciclos e até trotinetes. Eram um sonho. Porém, os meninos pobres, a maior parte, à falta de melhor, construíam eles mesmos os seus brinquedos e por conseguinte os seus próprios carrinhos.
Neste particular aspecto, o carrinho de rolamentos tornou-se assim num companheiro de brincadeiras e distracções. Tanta distracção que, invariavelmente, os mesmos acabavam destruídos e queimados na lareira pela mão impiedosa das mães furiosas pelas constantes distracções e incumprimentos dos deveres de casa e da escola. Pela parte que me toca, a minha mãe especializou-se na destruição deste tipo de bólides, mesmo aqueles mais sofisticados. Primeiramente era uma machadada e depois, uma vez esfrangalhado o carrinho, lareira ou forno com ele. Era uma tristeza que fazia doer a alma, mas pouco depois um novo carrinho nascia.
Mas enquanto duravam, as corridas eram a brincadeira preferida. Pelo meio ficavam as constantes cambalhotas como consequência natural de despistes. Afinal convém lembrar que os carrinhos não tinham sistema de travões a não ser a sola das botas (de quem as tinha) ou a sola de pele dos próprios pés.
Como variante dos carrinhos de rolamentos, a malta do meu tempo tambés se especializou em construir motos, também em madeira e com rodas de triciclos. A condução destes bicharocos exigia equilíbrio pelo que as quedas eram mais frequentes.
Bons e inesquecíveis tempos. Para além da essencial componente lúdica dos brinquedos, a arte e o engenho postos na sua construção eram também uma tarefa aliciante, em si mesmos uma brincadeira. Hoje, como diria alguém, já se compra tudo feito.
Volvido todo este tempo, os carrinhos de rolamentos sofisticaram-se e são motivo de corridas organizadas em algumas localidades do país, incluindo a freguesia de Sanguedo, do concelho de Santa Maria da Feira, que se auto proclama como capital portuguesa de Fórmula Roll. No YouTube estão disponíveis diversos vídeos destas corridas disuptadas um pouco por todo o país.
5/11/2008
5/10/2008
Anita - As cores da infância
Evocar a literatura infantil, a que mais marcou o nosso tempo de infância, principalmente aquela em que a ilustração se apresenta como o ponto mais forte e predominante, é de toda a justiça falarmos da colecção Anita, publicação que em Portugal sempre esteve sob a alçada da editora Verbo, embora em diferentes colecções.
Os livros da colecção retratam Anita, uma criança rapariga, com a idade de 5 a 7 anos, mais ou menos, em diferentes situações do dia a dia, quase sempre acompanhada nas suas aventuras e peripécias pelo seu irmão Pedro e o cão Pantufa.
Anita é a versão portuguesa do original Martine, sendo uma criação do talentoso ilustrador belga Marcel Marlier, com textos de Gilbert Delahaye, que após o seu falecimento, em 1997, foram continuados pelo filho do próprio Marcel, Jean-Louis Marlier. A colecção principiou em 1954 mas em Portugal foi lançada apenas em 1965, com o título "Anita dona de Casa", publicada pelo editora Verbo, que desde então já lançou mais de 40 títulos, correspondendo a vendas de mais de 12 milhões de exemplares um sucesso que se extende a todo o mundo (com vendas superiores a 80 milhões de unidades), onde em vários países a petiz é conhecida por diferentes nomes (Martita, em Espanha, Debbie, nos Estados Unidos, Mimmi, na Suécia, Cristina, na Itália, entre outros nomes noutros países).
Os textos são muito simples e servem apenas de suporte às fantásticas ilustrações, sem dúvida alguma, a base, a génese e o fascínio das histórias. Cada ilustração, por si, só condensa uma história e todo o seu encanto e deslumbramento. Recordo-me de passar largos minutos hipnotizado por cada um dos quadros.
Anita reflecte principalmente a curiosidade pelas coisas, o amor das crianças pela natureza e pelos animais, mas deixa muitas mais mensagens tão caras a valores que hoje começam a dissolver-se, pelo menos no mundo dos adultos.
Hoje em dia Anita continua a ser um êxito editorial, e continua a exercer o mesmo encanto e paixão. Está presente nas prateleiras de qualquer livraria e grandes superfícies comerciais. Por conseguinte, para os mais pequerruchos, é motivo de oferta obrigatória, seja como prenda de anos, prenda de Natal ou Páscoa, ou por qualquer outro motivo em qualquer outra ocasião. Muitas vezes, são os próprios miúdos que os enfiam no carrinho das compras.
Poder-se-á dizer que o fascínio e encanto por Anita é quase intemporal, apesar dos quarenta anos passos entre nós, mas pode-se levantar a questão se as crianças de agora têm algo a ver com a Anita de há 50, 40, 30 ou 20 anos atrás? Muitos dos valores tendem a perder-se, mas certamente que sim, porque as crianças são sempre seres puros e fascinantes e o mundo de Anita acaba por ser o seu próprio mundo. Os adultos de hoje já não são como os adultos dessas alturas mas as crianças continuam no seu mundo mágico e hermético de fantasia, sonho e alegria.
Eis alguns dos muitos títulos de Anita, que ao longo de quarenta anos tem fascinado as crianças portuguesas e depois os filhos delas próprias:
Anita Mamã, Anita no Jardim Zoológico, Anita e a prende de anos, Anita perdeu o cão, Anita na escola de vela, Anita e a tia Lúcia, Anita no circo, Anita no ballet, Anita aprende a nadar, Anita e as quatro estações, Anita de bicicleta, Anita está doente, Anita na cozinha, Anita na floresta, Anita e o dia da mãe, Anita e a noite de Natal, Anita a cavalo, Anita no jardim, Anita na montanha, Anita e a festa de anos, Anita descobre a música, Anita muda de casa, Anita e um Domingo diferente, Anita e o pardalito, Anita na festa das flores, Anita de comboio, Anita e o burrito, Anita num balão, Anita vai às aulas, Anita e a vizinha do lado, Anita e o baile de máscaras, Anita e os gatinhos, Anita no hospital, Anita baby-sitter, Anita e a visita de estudo, Anita de férias com os avós, Anita no país dos contos.
Marcel Marlier, é um talentoso ilustrador, nascido a 18 de Novembro de 1930, em Herseaux, na Bélgica. O seu universo é mais amplo do que o mundo de Anita (Martine), sendo por isso criador de outros títulos, mas sempre com o inconfundível traço e sensibilidade. O artista utiliza várias técnicas, como a aguarela, principalmente nos trabalhos iniciais, mas preferencialmente o guache porque lhe permite trabalhos mais rápidos e posteriores retoques. Os seus trabalhos são minuciosos, repletos de cor e luz.
Marcel Marlier esteve em Portugal, pela primeira vez, em 2006, aquando do lançamento de um novo título (Anita e os Fantasmas), em simultâneo com uma exposição de esboços seus, originais. Diz que ao fim de todo estes anos a criar Anita, continua a ser inspirado pelo quotidiano das crianças, dos filhos e da neta.
Por tudo isto, Anita ocupa um lugar importante no fundo do nosso baú de memórias e nostalgias. Pegar num dos seus vários livros, agora propriedade dos nossos filhos, e entretanto dos nossos netos, é regressar assim à infância mágica e maravilhosa.
(sobre Marcel Marlier)
Jogo do "Cantinho"
Nas poucas "horas mortas" da nossa infância, o jogo do "Cantinho" merecia-nos uma especial atenção, pela sua simplicidade e interesse. Era do gosto tanto de rapazes como de raparigas.
O jogo era disputado por dois jogadores: Um seria o "carpinteiro" e o outro o "pedreiro". Uma vez feita a escolha da profissão, o "pedreiro" apanhava do chão três pedrinhas, com tamanhos mais ou menos uniformes e o "carpinteiro" escolhia do mesmo modo três pauzinhos. Depois, no chão era desenhada uma grelha com quatro quadrados. O jogo iniciava com as pedrinhas dispostas horizontalmente na primeira linha e os pauzinhos distribuídos do mesmo modo mas na linha oposta. Por norma iniciava o "pedreiro". Depois da primeira partida iniciava o perdedor. Os jogadores íam mudando uma peça de cada vez, alternadamente, colocando-a em qualquer umas das inter-secções vazias das grelha. Ganhava a partida aquele que primeiro ocupasse com as suas peças uma linha horizontal, vertical ou diagonal.
No fundo, pelas suas características, o "Cantinho" pode considerar-se como uma variante do conhecido "jogo do galo" ou "jogo da velha".
Quando um jogador colocava as peças de modo a ficar com duas opções de completar a linha, dizia-se ter "jogo de duas maneiras". Dada a sua simplicidade, cada partida ganha resultava normalmente da distracção de um dos jogadores. Quando bem concentrados e analisando previamente os movimentos, o jogo decorria durante muito tempo sem que alguém levasse a melhor.
Hoje, está praticamente esquecido e já ninguém o joga, nem mesmo as crianças de agora o conhecerão. Faz, contudo, parte do património da nostalgia do nosso tempo de meninos.
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