O meu actual Cauny Calendario, de 17 rubis
A característica marca no fundo da caixa
O meu Cauny Major, com o inconfundível ponteiro vermelho
A marcação no fundo da tampa do Major
O Cauny Apollon, em homenagem da chegada do Homem à Lua. É um dos modelos mais populares
O meu modelo mais recente, ainda embalado, de movimento automático e resistente à água
Actualmente o uso de relógio está extremamente vulgarizado, pelo que mesmo em idade pré-escolar já se vêem crianças ostentando estas máquinas de medir o tempo nos seus pequenos pulsos, mesmo que ainda não sejam capzes de ler as horas. Quase sempre modelos em plástico, coloridos e com temas dos desenhos animados.
As tendas dos vendedores asiáticos e marroquinos, instaladas em qualquer romaria, vendem ao preço da "uva-chorona" relógios para todos os gostos, quase sempre aparatosos, com muitos ponteiros e muitos botões laterais, e quase sempre imitações de grandes marcas como o Tag Heur, Rolex, Patek Philippe, Longines, Tissot e outras mais. Claro que a maior parte das vezes são relógios para durar alguns dias, pelo menos enquanto se aguenta a pilha.
Hoje, de facto, a abundância é geral, e para todas as carteiras, mas no que diz respeito aos relógios nem sempre foi assim. Recordo-me que no meu tempo de criança, o normal era receber-se o primeiro relógio de pulso no final da quarta classe ou aquando da cerimónia religiosa da Comunhão Solene, como foi o meu caso. Também por tradição, o relógio quase sempre era oferecido pelo padrinho.
Não deixo, por isso, de recordar o meu primeiro medidor do tempo, oferecido precisamente pelo meu padrinho e simultaneamente avô. Tinha eu dez anos e recordo-me perfeitamente que era um Cauny Calendário. As vicissitudes do tempo e as trapalhadas nas brincadeiras de criança ajudaram a que lhe perdesse o rasto. Felizmente, já tive a oportunidade de adquirir um outro exemplar, original, como novo, adquirido em Londres. Guardo-o religiosamente como se fosse aquele que recebi do meu saudoso padrinho e uso-o principalmente em dias mais ou menos festivos ou no fim-de-semana. Com um pouco de sorte, posso admitir que foi montado pelas mesmas pacientes mãos de um qualquer mestre relojoeiro.
Este "Calendário" trata-se de um dos muitos modelos clássicos, mecânicos, de corda, da famosa marca suiça, embora com várias variantes, mas quase todos de diâmetro generoso (35 mm) e extremamente delgados, isto é, muito elegantes, quase não se sentindo o mesmo no pulso.
A Cauny Prima é ainda hoje uma das mais emblemáticas e clássicas marcas de relógios, muito famosa nos anos 60 e 70, por produzir relógios de inolvidável qualidade e beleza a preços relativamente acessíveis à classe média. Daí a sua forte implantação nessas décadas.
A Cauny tem a sua origem em Le-Chaux-de-Fonds, na Suiça, em 1889, embora há quem afirme que apenas nos anos 20, sendo que nesta década principiou a sua comercialização. A marca ainda existe e, sem investigar, até porque não há muita informação disponível, ouvi falar que foi adquirida há algum tempo por uma empresa espanhola, que lhe recuperou a dinâmica e prestígio, continuando a produzir belos relógios com a mesma marca.
Conheço muitos modelos clássicos da Cauny, para homem e senhora, desde os mais simples e elegantes até aos de linhas desportivas e mais complexos, como o Chronograph Landeron e o
Cauny Submarine; Desde os mais acessíveis até aos mais caros e luxuosos. Todos eles são de uma beleza que o tempo só veio reforçar.
Pessoalmente tenho talvez uma dúzia de modelos todos diferentes, incluindo o tal Cauny Calendário até ao Cauny Apolon, Cauny Cadet, Cauny Major, com o seu inconfundível ponteiro vermelho, que marca os segundos, e o mais recente, um Cauny automático, ainda por estrear.
Por tudo isso, dos objectos pessoais que nos marcam, os relógios ocupam um lugar de destaque. Não tanto hoje, com toda a facilidade com que se adquire, mas principalmente num tempo já distante e com todas as dificuldades próprias a ponto de se considerar então um relógio como um objecto de luxo, estimado e de valor sentimental. Devido a essa memória, a Cauny será sempre uma marca nas referências da minha memória, como também, estou certo, de muitos rapazes e raparigas da minha geração.