Ilustração do "Livro de Leitura da 3.ª Classe", 1958 - 4.ª edição
De um antigo catálgo das motorizadas EFS, o robusto modelo GT. Publicação rara e que resgatei em imagens algures numa pequena oficina de uma terra de Trás-os-Montes.
Quanto à EFS, a ter em conta alguns dados publicados pela web, a marca nasceu em 1911, fundada por Eurico Ferreira de Sucena, com estabelecimento na Borralha, em Àgueda, então como fabricante de de acessórios para bicicletas e para o ciclismo. Anos depois, em 1939, a EFS fabricou as primeiras bicicletas a pedais e posteriormente em 1952 iniciou a produção de bicicletas equipadas com motor.
A década de 1960 foi muito positiva para a marca de Eurico Ferreira de Sucena, com um incremento das encomendas para o mercado interno mas também com o início das exportações dos seus veículos para alguns países europeus, americanos e mesmo asiáticos.
A empresa continuou a crescer nos anos seguintes e em 1974 entrou em laboração uma segunda unidade industrial, localizada em Avelãs de Caminho - Anadia, dando-se simultaneamente a mudança da sede e administração da EFS.
O grosso da produção centrava-se então nos ciclomotores mas em 1978 a empresa dá corpo aos motociclos com a fabricação de uma moto de 125 cm3 equipada com motor Puch, de dois tempos. De resto a empresa não tinha motor de fabrico próprio e os seus modelos eram equipados sobretudo com motores Sachs, Zundapp, Casal, Puch e Kreidler, Cucciolo, Derbi, Minarelli e até mesmo da japonesa Yamaha.
Já na década de 1980, embora ainda com muita venda de ciclomotores, a EFS deparou-se com forte concorrência, nomeadamente de outros países e acabou por entrar em decadência e veio mesmo a encerrar as portas. De resto esta mexida no mercado por essa época afectou muitas empresas do ramo, como a Macal, Casal, Famel e muitas outras que caíram inapelavelmente deixando um rasto de história.
Por sua vez, a metalurgia Casal foi fundada em 1964 por João Francisco do Casal. Foi a maior fábrica de motores nacionais, produzindo motores de diversas cilindradas para diversos fins, incluindo motociclos. A Casal foi a marca portuguesa que atingiu maior notoriedade e chegou a exportou para diversos países.
A Famel, Fábrica de Produtos Metálicos, foi fundada em 1949 na Mourisca, em Águeda, por João Simões Cunha, Augusto Valente de Almeida e Agnelo Simões.
Cartaz publicitário aos frigoríficos da marca Philips - 1941
Por esses tempos, iniício da década de 1940, os frigoríficos já eram correntes mas convenhamos que raros na maioria das casas portugueses. Proporcionalmente aos ordenados ou rendimentos da generailidade das pessoas, seria um equipamento caríssimo, para além de que a rede eléctrica não chegava ainda a muitas terras. Por cá, na aldeia, chegou a electricidade só por volta do final da década de 1950 mas a sua ligação às casas ainda demorou mais. Por conseguinte, frigoríficos ou outros electrodomésticos, nem vê-los, só muito mais tarde. Mesmo a primeira televisão só por 1967 por força da vinda do papa Paulo VI a Fátima, em 13 de Maio desse ano.
Sem frigoríficos, o método de conservação era sobretudo o sal, para o peixe, essencialmente as abundantes sardinhas, e ainda a carne de porco, que era sebado em muitas das casas em ambientes rurais. Galinhas ou um coelho, matavam-se e comiam-se no dia ou seguinte. Carne de vaca ou vitela só mesmo em dia de justificada festa, como cheirinho, e comprada na véspera num dos raros talhos da vila.
Hoje em dia o frigorífico é um dos equipamentos mais utilizados nas nossas casas, mais simples ou sofisticados, em si autênticas despensas, e já não somos capazes de viver sem eles. Basta que a electricidade falhe por umas horas e fica tudo à nora.
Tenho nas minhas memórias mais recuadas uma ligação ao então saboros queijo "Pastor", do tipo flamengo, que nas mercearias da aldeia era vendido em bolas vermelhas. Claro que comprar um queijo inteiro só em dias de festa e para senhores doutores porque nos demais dias e para a generalidade das pessoas, comprava-se às fatias. 100, 150 gramas, raramente mais. Ora este então bom queijo, era fabricado pela empresa Lacto Lusa, L.da.
A história da Lacto Lusa, L.da, empresa que produzia o famoso e popular quijo "Pastor", remonta ao ano de 1941, quando foi fundada por Francisco da Costa Leite e Américo Tavares da Silva. No entanto, o registo oficial da denominação "Lacto Lusa Lda" só ocorreu em 1948.
A Lacto Lusa originalmente ficou sediada em Vale de Cambra, distrito de Aveiro, e concentrava-se na produção de manteiga sob a marca Lusa, aproveitando a rica região de pastagens e a significativa criação de gado para o fornecimento de bons leites.
Em 1947 a empresa expandiu sua produção para incluir queijos, como as marcas "Pastor" (tipo flamengo), "Belo Luso" (tipo Bell Paesse) e "Pastorinho". A produção do Queijo Limiano iniciou-se mais tarde, em 1959, graças a Américo Tavares da Silva. Outra marca de queijo, a "Camponesa", não teve seu registro inicialmente documentado, e a data de início de sua produção permanece desconhecida.
No final da década de 1950, a Lacto Lusa de Vale de Cambra expandiu-se para o Minho, para Ponte de Lima, onde se associou a pequenos produtores locais de queijo. Em 1957, surgiram a Lacto-Lima e a Lacto-Açoreana, com a Lacto-Lusa como principal acionista. Em 1987, a Lacto-Lusa transformou-se numa sociedade anônima, incorporando as empresas Lacto-Lima e Lacto-Açoreana.
Em 1994, o Grupo Lacto Ibérica S.A. foi criado após a aquisição e fusão de sete empresas. Com sede nas Ilhas de São Miguel, nos Açores, este grupo possui oito locais de operação, incluindo quatro unidades fabris.
Em Janeiro de 2004, a Lacto-Ibérica foi adquirida pelo grupo francês Bel, tornando-se a Bel Portugal. Esta aquisição incluiu várias empresas de laticínios, como a Lacto Lusa, S.A., Lacto Lima, S.A., Lacto Açoreana, S.A., Agrolactea, Produtos Alimentares, Lda e Lacticínios Loreto.
Actualmente, a Bel Portugal opera três fábricas em Portugal: uma delas em Vale de Cambra e as demais nos Açores, na Ribeira Grande e em Covoada. Na unidade fabril da Ribeira Grande, são produzidos os queijos "Terra Nostra" e a manteiga Loreto. Por sua vez em Vale de Cambra, mantêm-se a produção dos dois queijos mais emblemáticos: Limiano e Pastor e queijos de pequenos formatos.
Dados - Fonte [vbo.pt]
Capa e contra-capa da revista "Colecção Cinema". N.º 15 - 19.ª Série - Edição da Agência Portugues a de Revistas - Director: Mário de Aguiar.
Filme: "Isla para Dos" (Ilha para Dois), de 1959 com Arturo de Cordova e Yolanda Varela.
As lojas da sapataria Charles foram umas das icónicas marcas de outros tempos e eram sinónimo de qualidade e estatuto social, nomeadamente no sector do calçado de senhora, de resto esta vertente marcada pelo sapato de tacão alto, estilizado, transformado em logotipo.
Infelizmente, como tantas outras empresas prestigiadas e com um rico historial, também a Charles teve o seu fim. Por Agosto de 2010 a imprensa noticiava a falência da sapataria que na época atirou para o desemprego quase duas centenas de trabalhadoras.
A Christian Sapatarias S.A, então proprietária, uns poucos anos antes havia sido declarada em situação de insolvência e da qual não conseguiu ser resgatada. Dizem que por erros de gestão e de estratégia bem como por dificuldades sectoriais que então castigavam a nossa indústria do calçado, acabaram por contribuir ou ditar o desfecho.
Foram encerradas as 35 lojas então existentes por todo o país (número que chegou a ser superior) bem como a fábrica no Arco do Sardão em Vila Nova de Gaia. Já antes, por volta de 2001, havia sido encerrada a fábrica em S. João da Madeira.
A Charles em 2005, quando os problemas começaram a agravar-se com a entrada de uma nova gestão, e com ela o despedimento de mais de 700 trabalhadores, empregava cerca de 1300 funcionários entre as lojas e fábricas.
Apesar do seu desfecho, a Charles manter-se-á como uma marca que faz parte da nossa memória colectiva.
O "Monopólio", no original "Monopoly" é um clássico jogo de tabuleiro que simula a experiência de compra, venda e desenvolvimento imobiliário. O objetivo do jogo é acumular riqueza e levar à falência os adversários concorrentes. Uma lista das suas principais características:
1. Objetivo: O principal objetivo é ser o último jogador com dinheiro no jogo, enquanto os outros jogadores vão à falência.
2. Tabuleiro: O tabuleiro é composto por propriedades, empresas e espaços especiais, com nomes adaptados a cada país onde se vende. No caso da versão portuguesa há sobretudo edifícios reportados às cidades de Lisboa e Porto. Em Portugal o Monopólio teve sua primeira edição sob os cuidados da Majora/Parker Brothers Portugal na década de 1950, com o seu nome traduzido. Contudo, em 1961, uma nova edição foi lançada pela Majora, cedendo à pressão da Parker Brothers e adotando a designação internacional Monopoly. Nessas versões lusas, as propriedades são nomeadas a partir de ruas notáveis, predominantemente de Lisboa e Porto, além de estações ferroviárias. Embora os nomes das ruas possam variar nas diferentes versões, destaca-se que o Rossio (Lisboa) consistentemente figura como a propriedade mais valiosa, enquanto o Campo Grande (Lisboa) mantém sua posição como a menos valiosa. Cada propriedade pode ser comprada, vendida e desenvolvida.
3. Dinheiro: Os jogadores começam com uma quantia em dinheiro e ganham ou perdem dinheiro conforme avançam pelo tabuleiro.
4. Propriedades: Os jogadores podem comprar propriedades quando caem em espaços não adquiridos. Possuir conjuntos de propriedades do mesmo tipo aumenta o valor de aluguel cobrado aos oponentes que caem nelas.
5. Construções: Os jogadores podem construir casas e hotéis em suas propriedades para aumentar o valor do aluguel. Quanto mais desenvolvida a propriedade, maior o custo para os adversários.
6. Sorte e Estratégia: O jogo envolve sorte, já que os jogadores avançam de acordo com os resultados de dados, mas também requer estratégia na compra, negociação e gestão de propriedades.
7. Cartas de Sorte ou Revés: Os jogadores podem receber cartas de "Sorte" ou "Azar" que trazem eventos inesperados, como multas ou recompensas financeiras.
8.Falência: Se um jogador não consegue pagar suas dívidas, ele vai à falência e seus ativos são geralmente distribuídos entre os outros jogadores.
O Monopoly é conhecido por suas longas partidas e negociações intensas, tornando-se um clássico intemporal no mundo dos jogos de tabuleiro.
Alguns apontamentos sobre a sua origem e história:
O Monopoly foi criado nos Estados Unidos por Elizabeth Magie no início do século XX. Em 1935, Parker Brothers, uma empresa de jogos de tabuleiro, adquiriu os direitos do jogo e o lançou com algumas modificações. O jogo foi inicialmente chamado de "The Landlord's Game" e tinha o objetivo de ilustrar as consequências negativas da concentração de propriedade.
Charles Darrow, um desempregado durante a Grande Depressão, adaptou o jogo e o apresentou à Parker Brothers. A empresa inicialmente rejeitou, mas depois reconsiderou diante de sua crescente popularidade. Em 1935, o Monopoly foi lançado comercialmente e imediatamente tornou-se num enorme sucesso porque reflectia a mentalidade da época, centrada em acumulação de propriedades e riqueza.
O Monopoly rapidamente se espalhou para outros países, e diversas versões locais foram criadas ao longo dos anos. O jogo foi adaptado para refletir as ruas e propriedades das cidades em todo o mundo.
Ao longo das décadas, várias edições temáticas do Monopoly foram lançadas, incorporando elementos de cultura popular, marcas famosas e locais icônicos.
O Monopoly tornou-se um fenômeno cultural, sendo um dos jogos de tabuleiro mais conhecidos e jogados em todo o mundo. O jogo também gerou competições e estratégias avançadas entre os jogadores. Apesar das mudanças e adaptações ao longo dos anos, o Monopoly continua sendo um dos jogos de tabuleiro mais populares e reconhecíveis, mantendo sua posição como um clássico intemporal.
Charles Darrow permaneceu perpetuamente vinculado ao Monopoly, sendo creditado como seu inventor pela Parker Brothers, a empresa que adquiriu os direitos do jogo. A Hasbro consolidou essa herança ao adquirir os direitos na década de 1990, marcando uma transição crucial na história do Monopoly.
Por tudo, pela sua história e características, o jogo do Monopólio de facto é um clássico intemporal, mantendo-se popular mesmo na era dos sofosticados jogos electrónicos.
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| Versão inicial, ainda em escudos |
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| Esquema actual de versão em Portugal, desde 2006 |
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