10/10/2010

Harmónica – Gaita de Beiços

 

crianca hamonica 

Por um mero acaso - as coisas interessantes chegam ao nosso conhecimento quase sempre dessa forma aleatória - hoje cheguei a um blog (Janela Aberta) onde o assunto gira à volta das harmónicas e dos seus mais famosos intérpretes, nomeadamente os portugueses, que sempre foram mestres na arte de soprar na gaita. Repleto de documentos e apontamentos, é um excelente sítio para os entusiastas do instrumento.


A harmónica, popularmente designada de "gaita de beiços", pela sua sonoridade algo parecida com a concertina ou acordeão, desde tempos antigos que foi um instrumento com fortes raízes populares. No tempo da meninice de meus pais e avós, era frequente armar-se um bailarico ao som da harmónica, que alguém sacava do bolso no momento mais oportuno. É claro que quando a ela se juntava uma viola braguesa ou um cavaquinho, então a festa tornava-se mesmo concorrida e animada.

Para além da harmónica como elo de vários grupos da especialidade, desde duos, trios, quartetos, quintetos, etc, e recordo sobretudo o famoso Trio Harmonia, que frequentemente passava na RTP de outras eras, este instrumento tornou-se companheiro de vários estilos musicais, nomeadamente dos blues. Uma das figuras mais conhecidas pela utilização frequente da harmónnica, nomeadamente nos seus primeiros tempos, é Bob Dylan.
Nas minhas memórias de infância, a harmónica também tem lugar porque nesses tempos era em si própria um brinquedo, sendo frequentemente comprada nas feiras e romarias. Nessa altura tinham alguma qualidade, sonora e construtiva, mas depois começaram a surgir as "Made in China" e a gaita em pouco tempo desafnava e enferrujava.
Por conseguinte, cheguei a ter várias harmónicas e alguém dizia que até tinha jeito no assopro.

Cheguei a ter uma excelente Hohner (muito semelhante à da ternurenta imagem do bébé) tal como nos acordeões e concertinas, uma das marcas mais prestigiadas e sinónimo de qualidade. Pena foi que nas curvas do tempo ficasse pelo caminho e fosse ter aos beiços de algém que a desviou. Mas fica a memória e o eco dos viras e rusgas que dela arrancava a força de pulmões  e calo nos beiços.

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- Alguns dos actuais modelos de hamónicas constantes do catálogo da Hohner.

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- Bob Dylan, umas das figuras da música que frequentemente usava a harmónica nas suas interpretações.

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- Quarteto Português de Harmónicas


“Fazem parte da história da harmónica em Portugal. Seus nomes, da esquerda para a direita: Manuel Gonçalves, José Peralta, Hermenegildo Mendes e Bastos de Almeida. O ano? 1957.”  Fonte: Janela Aberta.

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- Trio Harmonia

“O Trio Harmonia ao longo dos seus 25 anos de existência conheceu três formações. Assim a 1ª formação, de 1957 a 1966, foi constituído por Hermenegildo Mendes - Raul Mendes - José Peralta.
De 1966 a 1969 conheceu a 2ª formação Hermenegildo Mendes - Raul Mendes - Carlos Pais.
E finalmente a terceira e última formação Hermenegildo Mendes - Raul Mendes - José Correia.” – fonte: Janela Aberta

10/08/2010

Os nossos seguidores

 

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Quase sem darmos por isso, o Santa Nostalgia atingiu e ultrapassou os 170 seguidores, cadastrados pelo widget do Blogger.
Bem sabemos que este registo vale o que vale, como sabemos também que dos 171 actuais certamente que uma boa parte passa por cá apenas esporadicamente pelo que o conceito de seguidor é naturalmente relativo. Seja como for, o número vale sobretudo como um eco de alguém que por um motivo ou outro entendeu o blog ser relevante e merecedor de ser seguido. Agradecemos, pois, essa deferência.
Para além desse reflexo de quem nos acompanha com alguma regularidade, temos os nossos instrumentos de medição das visitas do blog, nomeadamente o Google Analytics que nos dá conta da evolução das visitas, suas características, origens e preferências. Neste sentido ficamos satisfeitos que o número de visitas tenha vindo a subir de forma regular e hoje  estamos sensivelmente nas 1000 diárias e milhares de páginas visualizadas, o que não é mau tendo em conta as características do blog e do seu nicho temático. Paralelamente também tem aumentado o nível de participação e desta quase todos os dias temos novos comentários espalhados pelos diferentes artigos, para além de vários contactos via email.
Vamos, pois, continuar com o nosso percurso de memórias e nostalgias certos de que  serão do agrado comum de muitos visitantes, regulares ou ocasionais, mas convencidos, porém, de que nem sempre alguns pensamentos ou considerações associadas possam ser do agrado de todos, o que de resto só confirma a regra da naturalidade das coisas.

Bac – Desodorizante Spray

 

bac spray olivin

Da mesma fabricante do creme depilatório OPILCA, a Olivin, trago à memória o desodorizante Bac Spray, aqui num cartaz do início da década de 1960.

 
"Ela sabe que todos admiram a sua frescura irradiante, porque usa BAC", é a mensagem que se faz passar.

São poucas as referências encontradas a respeito deste produto pelo que presumo que, pelo menos em Portugal, há muito que deixou de se comercializar.
Sei que o Bac teve a sua origem em 1954, logo depois da invenção do desodorizante. O sistema de spray ou aerosol (que o anúncio refere) foi introduzido em 1960, tornando-se um sucesso e depressa o Bac Spray transformou-se num dos produtos mais populares da Olivin, actualmente e desde 1975 integrada na Schwarzkopf & Henkel GmbH, Dusseldorf, Hamburgo.
O termo BAC, deriva do conceito de que os desodorizantes eliminavam as bactérias do corpo que produziam o mau cheiro.

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- Os desodorizantes Bac em 1965, em diferentes variantes de perfume.

10/06/2010

Anita na Quinta

 

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Hoje, ao passar como habitualmente no Pequenos Detalhes, da simpática Maria João, vi a capa do livro “Anita na Quinta” a ilustrar uma bela história. Esta, de facto fantástica, a fazer-nos recordar tantos episódios mais ou menos parecidos e vividos na nossa escola primária. Só não digo que que vivi algo igual porque no meu tempo as turmas eram por sexo, ou seja meninos e meninas em salas distintas. Apenas a partir do 5º ano passei por uma turma onde entre 26 rapazes havia 4 raparigas e por uma das quais resultou uma paixoneta própria dos 12 anos. Já só lhe recordo o nome, o cabelo, os olhos e o sorriso.

Quanto ao livro da Anita, por coincidência, dele já tinha digitalizado algumas belas ilustrações do Marcel Marlier. É claro que tenho muitos livros da série Anita, tanto de edições recentes como das mais antigas, mas este em particular, já com a lombada rompida pelo tempo e se calhar por algum mau uso, adquiri-o há poucos dias, num Domingo de manhã, na aldeia de Rio Mau, concelho de Penafiel, nas margens do rio Douro, à face da EN 108. Dava uma volta com dois amigos, numa aventura de Geocaching, e por lá deparamos com uma interessante ferinha, com muitos e bons livros com preços entre os 0,50 e 3,00 euros. Com um investimento de 10,00 euros lá apanhei algumas preciosidades, essencialmente de livros infantis, entre eles este “Anita na Quinta”. Recorde-se que este foi o primeiro álbum da série Anita (no original, “Martine à la Ferme), datado de 1954. Entre nós, adoptando nome de Anita, terá sido publicado ainda nos anos 60. Por curiosidade, o mesmo título foi posteriormente editado com capas diferentes.

Quanto à Feira, tanto quanto percebi, estava a ser organizada por um grupo de jovens e as receitas revertiam para a aquisição de equipamento bem como para um fundo para participação em algumas actividades de férias. Os livros seriam assim oferecidos ao grupo pela comunidade local. Interessante nos princípios e nos objectivos tendo os livros como elo de ligação.

Ficam, pois, algumas das belas ilustrações insertas no “Anita na Quinta" (clicar para ampliar)..

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- Sobre Rio Mau: [ Link ]

Vicissitudes da blogosfera – Semear para colher

 

A blogosfera, sendo virtual, é em si mesma um mundo em tudo semelhante ao mundo real e nem de outra forma poderia ser pois ele é composto pelas mesmas pessoas, com as mesmas virtudes e capacidades fantásticas e os mesmos defeitos, profundos ou comezinhos.
Serve este simples pensamento para tentar compreender os motivos que levaram a que pelo menos dois blogues tivessem retirado a referência e respectivo link ao Santa Nostalgia. Obviamente que não pedimos qualquer explicação nem procuramos saber dos autores os motivos subjacentes, até porque as suas referências ao nosso espaço haviam sido integradas no seu blog-rol sem qualquer pedido ou interferência de nossa parte.
Apesar de habitualmente nem darmos importância a este tipo de retribuições, mas porque de algum modo alguém, com um põe-e-tira, se predispôs a brincar com o nome do Santa Nostalgia, fica a observação na certeza de que os visados compreenderão para quem falamos.
Por outro lado, como "amor com amor se paga", quando detectamos a "delicadeza", mesmo depois de um espaço de tempo concedido “à consideração”, retiramos a retribuição na nossa lista de links na página Lugares.

(…)

Entretanto, aproveita-se a oportunidade para publicar uma das belas páginas do meu Livro de Leitura da Segunda Classe, dedicada ao tempo das colheitas. Na verdade, o início do Outono é o tempo dedicado às colheitas dos frutos e plantas que cresceram na Primavera e amadureceram no Verão. Até mesmo cá por casa, num amplo quintal e pomar, já colhi, com a ajuda do forte vento de Domingo passado, cerca de 10 Kg de nozes e mais há para recolher. Algumas maçãs serôdias ainda estão por colher e as castanhas estão quase a sorrir nos ouriços. Os diospiros estão já a pintar e os kiwis estão a amadurecer e aos poucos começam a colher-se sendo que estarão mesmo maduros lá para finais de Novembo. Depois serão os citrinos. Por tudo o que falta colher, pelo que ao longo do Verão já se colheu, tanto na horta como no pomar, faz-se juz ao título da lição: – Bendita seja a terra!

 

colheitas sn

10/05/2010

Milo – Nestlé – …e coisas da República


milo nestle pub antiga sn05102010

O Milo, certamente um dos nostálgicos produtos alimentares  das gerações de 60 e 70, sobretudo, até porque já não se comercializa por cá, eventualmente em canais específicos, volta novamente ao Santa Nostalgia.
Desta feita um cartaz publicitário do início da década de 1960. NO caso, é feita a apologia dos benefícios da mistura do Milo com o leite da Nestlé, como forma de combater o cansaço, aumentando a energia e, por conseguinte, a capacidade de trabalho.
Em dia de comemoração do centenário de uma República que começou mal e nunca se encontrou, mas que vale pelo feriado com que anualmente nos presenteia, é caso para dizer que esta República estaria bem melhor se noutros tempos tivesse tomado MILO. Não tomou e agora são tomadas MIL medidas de austeridade para levaram a poupar mais uns MIL MILhões à custa dos pagadores do costume. De facto, em 100 anos esta República  pouco mais conseguiu do que se transformar numa república de bananas e de governantes  quase sempre incompetentes.
Várias revoluções, 17 presidentes (há quem diga 19), 71 Governos, quase uma centena de primeiros-ministros. Enfim, muita parra e pouca uva.

Ainda hoje, num ano em que o Governo anunciou o encerramento de 900 escolas, 500 para já, o mesmo Governo percorre o país para actos de inauguração de 100 novas escolas, algumas das quais inauguradas pelo…Ministro da Agricultura. Simbólico, mas paradoxal. Encerrar velhas e degradadas para abrir novas com melhores condições (pagas com fundos europeus), justificarão. Certamente, mas com isso o Governo rompe com algumas esperanças do combate à interioridade e nisso 100 anos pouco mudaram para além de algumas auto-estradas, e não surpreende que celebrado o centenário, o país se prepare para mais uma revolução, a das greves e protestos, a do apertar-do-cinto, a da indignação geral e transversal. Raio da crise, que dizem internacional, que tem umas costas largas do tamanho do mundo e que abanou tanto monarquias como principados e repúblicas. Até a nossa, que passou 100 vetustos anos com a tremideira nas maminhas e descaído o barrete frígio. No fundo, é simbólico, porque em 100 anos os portugueses não fizeram mais nada do que tremer e enfiar barretes e carapuços.

Tópicos relacionados:
Milo - Hummmm, que delicioso!
Publicidade nostálgica - Milo da Nestlé

9/30/2010

Leite pasteurizado

leite pasteurizado publicidade antiga

No início da década de 60, precisamente em Dezembro de 1960, este nostálgico cartaz publicitário já chamava a importância dos pais para a defesa da saúde de seus filhos quanto à utilização do leite, proclamando o pasteurizado como “o único cientificamente tratado, sem conter micróbios patogénicos, garantindo pureza e qualidade”. Esta era uma garantia assumida pela Câmara Municipal de Lisboa. No cartaz, precisamente no gráfico da garrafa, o anagrama C.P.L.L. Não conseguimos apurar a que se referia; provavelmente a Cooperativa de Produtores de Leite de …(Lisboa? Loures?). Fica a incógnita e a dúvida de que, porventura, fosse possível no início dos anos 60 a cidade de Lisboa ter uma cooperativa de produtores leiteiros.

Este cartaz e a sua mensagem remetem-me para os meus tempos de criança e para uma época em que os meus pais tinham algumas cabeças de gado, incluindo vacas leiteiras. Recordo-me, por isso, do nosso pequeno almoço incluir leite natural, muitas vezes ainda quente, acabado de sair da teta da vaca. Em tempos de fartura de leite, o que geralmente ocorria logo depois das vacas darem criação, e em alturas de abundantes pastos, algum leite era reservado para a casa, sobretudo para os pequenos almoços ou para a confecção de alguma lambarice – como o leite creme que minha mãe ainda bem prepara -  e o grosso era encaminhado para um dos dois postos de leite da aldeia, que ali o recolhiam em grandes bilhas de alumínio (mais ou menos parecidas com esta) e diariamente, da parte da manhã e da parte da tarde, eram recolhidas pelo homem do leite, numa camioneta (idêntica à recordada no artigo referente aos brinquedos da PEPE, mas coberta com uma lona), que o encaminhava para uma emblemática empresa do concelho, hoje já extinta e cujas instalações e terrenos deram lugar a um Shopping e a uma moderna urbanização.

Nesses tempos, e porque o grosso da população vivia da agricultura, em quase cada casa da aldeia existia pelo menos uma vaca leiteira e o resultado da venda do leite, a “quinzena”, porque era pago quinzenalmente, era um importante recurso para a subsistência das famílias. Hoje em dia, falando pela minha aldeia, certo de que o panorama é quase geral, exceptuando um ou outro caso já ninguém tem vacas leiteiras num contexto de ajuda à economia da casa, até porque o grosso dos campos de cultivo estão “a monte” ou a produzir apenas batata. Existem sim, alguns lavradores que têm pequenas explorações, tipo com uma dezena de cabeças, sendo o leite ali recolhido por métodos mecânicas, em ordenha privada, e despachado já não em bilhas de 50 litros mas por um camião cisterna que o encaminha  para um empresa de lacticínios da região. Falo sem certeza, mas creio que esta recolha já há algum tempo que deixou de interessar à cooperativa local, estando esta transformada num mero posto de venda de produtos ligados à lavoura e não só, sendo mais uma espécie de drogaria. Adaptações aos tempos correntes.

Recordo ainda, nesse contexto, que durante muito tempo, e esta tarefa passava pelos irmãos mais velhos, que se sucediam uns aos outros, eu transportei duas vezes ao dia, de manhãzinha e ao fim da tarde, o leite produzido em casa para o posto, num percurso por carreiros e atalhos, com cerca de 2 quilómetros. Algumas vezes, na correria e na ânsia de regressar depressa à brincadeira suspensa, lá colocava o pé fora do trilho e tropeçava numa pedra ou raiz, esparramando o leite e as lágrimas. Depois, o castigo era certo e merecido e o cuidado passava a ser redobrado.
Tempos que já lá vão mas que sabe bem recordar.

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