10/28/2010

Combóios e Pastilhas elásticas Piratas

 comboios piratas sn1

Hoje, 28 de Outubro, passam 154 anos (1856) sobre a primeira viagam de combóio realizada em Portugal, exactamente no troço de Lisboa ao Carregado.
De lá para cá, o caminho-de-ferro conheceu momentos de enorme interesse, expansão e desenvolvimento, levando o comboio a quase toda a extensão do território nacional, unindo o interior ao litoral, o norte ao sul e até mesmo a Espanha e à Europa, mas com o desenvolvimento paralelo do automóvel e da rede de estradas, este meio de transporte foi perdendo importância, nomeadamente nos troços do Portugal interior, cujos factores decorreram sobretudo dos interesses económicos e da pouca rentabilidade desses percursos. Apesar disso, apesar de algum desse património estar irrecuperavelmente perdido, há esperanças de que algumas clássicas linhas sejam postas ao serviço num contexto turístico.

Ao invés, as linhas principais, que ligam as maiores cidades do nosso litoral, foram sendo ajustadas e mantêm-se como eixos determinantes no fluxo de pessoas e bens, entre o norte e sul. A questão do TGV - Combóio de Alta Velocidade, (do francês: train à grande vitesse), muito actual, uma vez ultrapassada a questão política e económica, será uma importante etapa da já longa história do comboio e caminhos-de-ferro em Portugal, agora numa perspectiva de extensão à Europa.

A este propósito, o da efeméride, trago à memória uma das emblemáticas colecções de cromos editada pela empresa Fomento Eborense, ligada aos produtos Diana, de onde se destacam as pastilhas elásticas Piratas. Aliás a caderneta era considerada um exclusivo das Pastilhas Piratas. 
 
A caderneta dos comboios apresenta duas versões, uma com 170 cromos e outra com os mesmos 170 cromos e um puzzle nas páginas centrais que comportam 20 cromos adicionais, portanto com 190 cromos. Por sua vez, ambas as versões parecem ter conhecido diversas edições, situação que se deduz pelo diferente grafismo do verso dos cromos. Estes são belas aguarelas representando comboios de diferentes épocas e categorias, desde os primórdios até aos tempos actuais (meados dos anos 70).

A caderneta apresenta um formato generoso de 235 mm x 335 mm e cada página com 1 cromos, excepto na última, apenas com 9.
No âmbito da popularidade das pastilhas elásticas Piratas, a empresa produziu várias colecções de cromos, nomeadamente a "Aviões a Jacto", "Europa Geográfica, Política e Económica" e também uma colecção de cromos de truques de magia bem como diversos cromos de outros temas, tais como as 80 histórias da Pirata Milocas e o João Balão, que cheguei a ter completa mas que se extraviou. 
 
Destaque também para a revista "O Pirata" que conheceu mais de centena e meia de revistas desde o ano de 1968 até quase final dos anos 70, bem como ainda o "Clube Pirata", que chegou a reunir quase cem mil sócios os quais beneficiavam de algumas promoções ligadas à marca.
Não surpreende, pois, que as pastilhas elásticas Piratas e o seu universo editorial estejam ainda bem vivos em todos aqueles que foram crianças nos anos 60 e 70, como é o nosso caso.

comboios piratas sn3

comboios piratas sn4

comboios piratas sn5

comboios piratas sn2

pastilhas piratas diana fomento eborense

comboios piratas sn6

revista pirata

revista pirata sn2

10/27/2010

Vinagre Cristal – Espumante Magos

vinagre cristal sn

Hoje, com um cartaz publicitário do ano de 1974,  trago à memória o vinagre Cristal, que desde há muitos anos dá um tempero ou toque especial nas nossas saladas e alguns pratos típicos, sendo, por isso, presença habitual nas despensas domésticas ou em restaurantes.

O vinagre Cristal é produzido pela empresa José Marques Agostinho, Filhos e Cia. Lda, do Entroncamento, com uma história de mais de 100 anos, também conhecida pela comercialização de uma marca igualmente a merecer referência, a Magos, vinho espumante distribuído em pequenas garrafas.

"A marca Cristal foi registada em 1939 e já conta com mais de 75 anos de existência no mercado.
Começou em garrafa de vidro, a embalagem disponível nessa época, sendo depois adoptada a galheta em polietileno, que lhe trouxe bastante sucesso.
Mais tarde, nos anos 90, passou para embalagem PET desenvolvida especialmente para a marca, garantindo uma melhor conservação do produto.
Em 1985 foi criada a marca Cristal Gourmet com o intuito de abranger outros tipos de segmentos alvo nomeadamente os apreciadores de vinagres “à moda antiga” (com aroma distinto e uma acidez intensa).
A marca Cristal ao longo dos tempos tem acompanhado o mercado de uma forma dinâmica, lançando novos sabores e aromas."

O vinho espumante Magos ainda deve ser um produto popular, até porque se vê com facilidade nas prateleiras dos estabelecimentos de distribuição, mas pessoalmente, que ainda o compro ocasionalmente,  parece-me que já teve melhores dias. Recordo-me que pelos anos 80 o Magos era uma bebida muito requisitada mesmo pela juventude, sobretudo ao fim-de-semana, já que emprestava um certo ar de comemoração sem ser necessário abrir uma tradicional garrafa de 0,75 l. Penso que o sucesso do Magos se deveu e deve sobretudo à pequena embalagem e quantidade, uma espécie de venda em dose individual.

"Durante a 2ª Guerra Mundial, em 1940, o Sr. António Marques Agostinho procedeu à importação dos equipamentos e da tecnologia para fabricar vinhos espumantes sob a "inovadora" técnica denominada “Método Charmat”.
Esta técnica permite a produção de vinhos espumantes de excelente qualidade de forma mais rápida e económica.
A nova tecnologia permitiu servir os consumidores com doses individuais, uma vez que não existia então oferta de espumante em garrafas de 200ml.
Procedeu-se ao lançamento do novo produto-vinho espumante MAGOS.
O MAGOS foi desde o seu lançamento um êxito comercial.
A evolução do mercado de vinhos com gás ditou uma decisão implementada quarenta e três anos depois do lançamento do espumante MAGOS: a apresentação ao mercado do MAGOS Frisante, um vinho mais fácil de beber e em linha com as novas tendências de consumo."

Quanto ao vinagre, sua origem e utilização, fica aqui um texto extraído do sítio da própria empresa fabricante do Cristal:

Ao longo da história o vinagre provou ser o mais versátil dos produtos alimentares. Desde à 10.000 anos até hoje, os consumidores continuam a utilizar o vinagre das mais variadas maneiras. O vinagre produzido actualmente é muito semelhante ao produzido nos tempos antigos, mas hoje em dia o vinagre foi redescoberto através da utilização de novos sabores. Assim, aos clássicos vinagre de vinho e de cidra, juntaram-se os vinagres: balsâmico, de arroz, de framboesa, aromatizados, entre outros.
O vinagre é produzido através de dois processos biológicos distintos, ambos resultantes da acção de microrganismos que transformam açúcares (hidratos de carbono) em acido acético. Ao primeiro processo é dado o nome de fermentação alcoólica e ocorre quando a fermentação transforma os açúcares naturais em álcool, em condições controladas. No segundo processo, existe uma bactéria que converte a porção de álcool em acido. É a partir desta fermentação acética que se forma o Vinagre.
magos



A José Marques Agostinho, Filhos e Cia. Lda, tem nestes dois produtos e marcas as suas principais referências comerciais, mas o seu actual portfólio conta com outros artigos como o azeite, vinagres de diferentes variedades, bebidas licorosas, pickles, molhos e condimentos como a maionese e o ketchup e também geleias. Em suma, uma empresa cimentada no sucesso e qualidade dos seus produtos e marcas e cuja história é, ao contrário de outros casos, sinónimo de consolidação e enriquecimento.

Actualização: 30 Março 2020.
Entretanto soubemos que a empresa  teve algumas mudanças e agora refere-se à Contemp - Companhia dos Temperos, L.da. Resulta da fusão entre as empresas José Marques Agostinho, Filhos & Cª. e ICPA - António da Silva & Filho, Lda., ambas com tradição vinagreira desde o início do século XX

Por sua vez a Magos também mudou de imagem, nomeadamente nos seus rótulos.

10/25/2010

Cores com sabores

cores_texturas

Hoje estive fora quase todo o dia, em serviço, e ao regressar, já por volta das 17:00 horas, parei numa pastelaria para tomar café. Na vitrine, a abarrotar de coisas doces e apetitosas, um belo pão-de-ló, fatiado. Essa imagem fez-me associar outra imagem e recuei no tempo, ao meu livro de leitura da primeira classe, nomeadamente à página 33, onde nunca mais esqueci as deliciosas ilustrações da Maria Keil, nomeadamente aquele belo pêssego, quase real e a convidar a uma fresca trincadela, ou mesmo a fatia de bolo, tão amarela como o pão-de-ló que minha mãe confeccionava por altura da Páscoa. Ficava sempre roído de inveja da menina Edite por receber aquela fatia de bolo, esperando, em vão, ser o próximo a ser servido.

Sempre que desfolhava o livro, essas imagens saltavam-me e com elas um doce apetite por coisas boas. Aliás esse livro estava recheado de coisas boas que apeteciam comer, nomeadamente as iguarias dispostas na mesa de Natal, na página 98. Hoje, ao reler, essas sensações são as mesmas, por isso intemporais.

10/24/2010

Binaca – Dentífrico de eficácia comprovada

binaca ciba elixir sn

Cartaz publicitário ao dentífrico e elixir Binaca, publicado na primeira metade da década de 1960.

O Binaca, no formato de dentífrico em pasta e elixir, foi relativamente popular nos anos 60, mas nunca passou a popularidade de marcas como a Pepsodent, Colgate ou mesma a portuguesa pasta medicinal Couto.

A Binaca nessa época era uma das marcas da Ciba, empresa suiça, com origem em 1859, a qual em 1970 integrou a Geigy, também suiça, esta com origem bem mais remota, em 1758. Por sua vez, a fusão da  Ciba-Geigy Ltd com a Sandoz Laboratories, em 1996, deram origem ao poderoso grupo farmacêutico Novartis. Depois desta fusão, a vertente química proveniente da Ciba passou para a BASF.

Quanto à pasta de dentes Binaca, não me parece que seja actualmente comercializada no mercado português. Pelas pesquisas realizadas, são poucas as referências encontradas sobre o produto mas tudo indica que ainda seja produzido e com alguma popularidade em mercados como a Índia e Paquistão, de onde consegui relacionar um curioso spot publicitário televisivo.

Existe também o Binaca na específica versão de spray perfumado para a boca, como ajuda ao combate ao mau hálito, popular sobretudo nos Estados Unidos, onde é produzido pela empresa Dr. Fresh, Inc , mas não consegui apurar a relação desta marca e produto com a Binaca, dentífrico, da Ciba.

image

10/22/2010

Atrix – Creme

 

atrix creme sn

- Cartaz publicitário ao creme Atrix – 1970

Da mesma empresa proprietária do popular creme Nivea, a multinacional Beiersdorf, o creme Atrix, essencialmente vocacionado para o tratamento e protecção das mãos, também é um produto muito popular e com uma rica história, a passar de meio século, já que foi criada em 1955 por Oscar Troplowitz, igualmente um dos proprietários da Nivea nos seus primeiros tempos.
Tal como o creme Nivea, o Atrix tornou-se popular pelas suas elegantes latinhas, as quais ao longo dos tempos foram mudando de visual.

atrix creme 01

atrix creme 02

atrix creme 03

atrix creme 04

 

- Tópico relacionado:

NIVEA Creme

10/18/2010

Modess – Quando as raparigas modernas conversam

 

modess sn

Ainda há alguns dias falamos da Modess, uma conhecida marca de pensos-higiénicos da Johnson & Johnson. Hoje trazemos à memória um novo (antigo - início dos anos 60) cartaz publicitário a esse produto da higiene íntima feminina.

Da leitura do cartaz e da sua mensagem, resulta a análise curiosa do facto de nos dias de hoje frequentemente se dar como adquirido que noutros tempos alguns assuntos eram tabú e as pessoas viviam fechadas num certo convencionalismo. Por isso não deixa de ser surpreendente, e desmistificador, vá lá, que num cartaz com 50 anos já se propagandeasse esse modernismo e esse à vontade das raparigas “já então modernas” em contraponto às suas avozinhas.

Agora podemos admitir que hoje em dia já não será pretexto ou sinal de modernidade que as raparigas falem entre si sobre os seus ciclos menstruais e os pensos higiénicos. Modernidade actual, e bastará ler a revista “Maria” ou outra do género”, lida maioritariamente por um publico feminino adolescente ou mesmo pré-adolescente, será discutir-se coisas triviais como perguntar se um beijo tido com o namorado implicará uma gravidez, ou que está a achar estranho o namorado, por este ao fim de duas semanas de namoro ainda ainda não querer ter relações sexuais ou ele a perguntar se será homossexual porque fica excitado quando pensa nos colegas ou preocupado por achar o seu pénis pequeno e descaído para a esquerda ou triste por a namorada não gostar de sexo oral por sentir nojo ou aflito por ela não querer outra coisa a toda a hora. Preocupações preocupantes.

Bom…bem sabemos que os famosos consultórios deste tipo de revistas extravasam os limites da realidade e aproximam-se mais de um certo surrealismo de mentalidades com pouca saúde, tanto mais tendo em conta o indesculpável fácil acesso à formação e informação. Mesmo não usando estes exemplos como regra, a verdade é que todos sabemos mais ou menos onde assenta ou fundamenta a modernidade da maioria dos nossos jovens. As redes sociais na Web são palco desse mundo moderno onde as amizades, seja lá o que isso significa, são medidas ou contadas aos milhares quando, afinal, essas pseudo-relações virtuais são conseguidas no escuro e na solidão de um quarto ou de uma sala. As sequências e consequências são já palpáveis mas daqui a 50 anos esta realidade terá certamente a mesma desmistificação do que a agora transmitida pela leitura contemporânea do cartaz da Modess.

Concluimos, pois, que a modernidade é sempre o tempo presente e somos tão modernos hoje em relação ao ontem como amanhã seremos em relação a hoje. Confuso mas compreensível.

10/14/2010

Desodorizante MUM

 

mum desodorizante roll sn

Hoje trago à memória um cartaz publicitário do princípio dos anos 60, alusivo ao MUM, uma popular marca de desodorizante com o sistema de roll, com uma esfera plástica na boca do frasco que ajuda a distribuir o produto, este ligeiramente leitoso.
É claro que para além deste formato, porventura o mais popular nos nossos dias, o MUM já existiu na variante spray e também em latinhas de creme.
Em diversas alturas cheguei a experimentar o MUM mas nunca foi hábito que pegou, mas reconheça-se que é um excelente produto.

A Bristol-Myers Squibb teve a sua origem no longínquo ano de 1858, pelo então jovem médico da Marinha dos USA, Robinson Squibb, em Brooklyn, Nova York, Estados Unidos, como empresa de produtos farmacêuticos.
Mais tarde entraram na sociedade William McLaren Bristol e John Ripley Myers e ambos investiram na compra da Farmacêutica Clinton. Em 1895, Robinson Squibb afastou-se e passou a maior parte das responsabilidades para seus filhos e a empresa passa a designar-se de ER Squibb & Sons.
De então até aos nossos dias, a Bristol-Myers Squibb foi passando por mudanças significativas, ao ritmo e exigências do mercado, mas  hoje em dia é uma importante empresa no sector de produtos farmacêuticos e de higiene íntima.

image image  
image image

image

- MUM, algumas embalagens na actualidade

10/12/2010

Tebe - Thermotebe -Tebesport


 

 


 Quem não se lembra das frases publicitárias:

Frio? Eu não tenho frio! Estou bem protegido! “Thermotebe - Camisola interior de características turbo-eléctricas, mantém o calor do corpo, protege da humidade, ideal para estados reumáticos. É também aconselhável para senhoras e crianças em idade escolar”.
Noutra variante do reclame ao mesmo artigo, uma criança dizia-nos: “Frio? Eu não tenho frio! Eu uso uma Thermotebe e o meu pai também!”

Foi em meados dos anos 80 que estes spots publicitários ao produto da Tebe, deixaram marca na RTP e ainda hoje gozam desse reconhecimento. As camisolas Thermotebe, como seria de esperar, tornaram-se uma novidade e um produto vendável.

Sabe-se que a actual  Tebe Empresa Têxtil de Barcelos, S.A.  foi fundada em 1945, pelo Comendador Mário Campos Henriques, com instalações localizadas no centro de Barcelos, mas em 1972/73 foi adquirida por um empresário francês, que ainda se mantém. Apesar do êxito dos produtos e das marcas próprias, como a Marie Claire e Thermotebe, a transformação do mercado dos têxteis decorrente da entrada de Portugal na actual União Europeia ditou novas regras e dificuldades. Nessa nova realidade pelo caminho ficaram as famosas marcas da Tebe e a empresa modernizou-se e adaptou-se transformando-se numa fabricante para marcas de grande distribuição.

Para além dos tais anúncios televisivos às camisolas Thermotebe, publico acima um anúncio do final dos anos 70 ao vestuário desportivo com a etiqueta Tebesport. Não consegui apurar a sua relação com a empresa Tebe, mas pelo nome tudo indica que seria uma das etiquetas da empresa da cidade do Cávado no segmento do vestuário desportivo. Penso, também, que há muito que ficou pelo caminho.

Em termos de memórias pessoais, para além da natural lembrança dos anúncios às camisolas Thermotebe, não me recordo de algum dia ter usado esse tipo de roupa. Apesar do sucesso, creio que a Tebe tinha um grande problema que era o excesso de acumulação de electricidade estática. Fosse ou não um problema, a Tebe e sobretudo as suas camisolas interiores, com o que se diria hoje de tecnologia, Thermotebe, fazem parte das nossas memórias associadas aos spots publicitários tão característicos de uma época.

10/10/2010

Harmónica – Gaita de Beiços

 

crianca hamonica 

Por um mero acaso - as coisas interessantes chegam ao nosso conhecimento quase sempre dessa forma aleatória - hoje cheguei a um blog (Janela Aberta) onde o assunto gira à volta das harmónicas e dos seus mais famosos intérpretes, nomeadamente os portugueses, que sempre foram mestres na arte de soprar na gaita. Repleto de documentos e apontamentos, é um excelente sítio para os entusiastas do instrumento.


A harmónica, popularmente designada de "gaita de beiços", pela sua sonoridade algo parecida com a concertina ou acordeão, desde tempos antigos que foi um instrumento com fortes raízes populares. No tempo da meninice de meus pais e avós, era frequente armar-se um bailarico ao som da harmónica, que alguém sacava do bolso no momento mais oportuno. É claro que quando a ela se juntava uma viola braguesa ou um cavaquinho, então a festa tornava-se mesmo concorrida e animada.

Para além da harmónica como elo de vários grupos da especialidade, desde duos, trios, quartetos, quintetos, etc, e recordo sobretudo o famoso Trio Harmonia, que frequentemente passava na RTP de outras eras, este instrumento tornou-se companheiro de vários estilos musicais, nomeadamente dos blues. Uma das figuras mais conhecidas pela utilização frequente da harmónnica, nomeadamente nos seus primeiros tempos, é Bob Dylan.
Nas minhas memórias de infância, a harmónica também tem lugar porque nesses tempos era em si própria um brinquedo, sendo frequentemente comprada nas feiras e romarias. Nessa altura tinham alguma qualidade, sonora e construtiva, mas depois começaram a surgir as "Made in China" e a gaita em pouco tempo desafnava e enferrujava.
Por conseguinte, cheguei a ter várias harmónicas e alguém dizia que até tinha jeito no assopro.

Cheguei a ter uma excelente Hohner (muito semelhante à da ternurenta imagem do bébé) tal como nos acordeões e concertinas, uma das marcas mais prestigiadas e sinónimo de qualidade. Pena foi que nas curvas do tempo ficasse pelo caminho e fosse ter aos beiços de algém que a desviou. Mas fica a memória e o eco dos viras e rusgas que dela arrancava a força de pulmões  e calo nos beiços.

image

- Alguns dos actuais modelos de hamónicas constantes do catálogo da Hohner.

image

- Bob Dylan, umas das figuras da música que frequentemente usava a harmónica nas suas interpretações.

image

- Quarteto Português de Harmónicas


“Fazem parte da história da harmónica em Portugal. Seus nomes, da esquerda para a direita: Manuel Gonçalves, José Peralta, Hermenegildo Mendes e Bastos de Almeida. O ano? 1957.”  Fonte: Janela Aberta.

image

- Trio Harmonia

“O Trio Harmonia ao longo dos seus 25 anos de existência conheceu três formações. Assim a 1ª formação, de 1957 a 1966, foi constituído por Hermenegildo Mendes - Raul Mendes - José Peralta.
De 1966 a 1969 conheceu a 2ª formação Hermenegildo Mendes - Raul Mendes - Carlos Pais.
E finalmente a terceira e última formação Hermenegildo Mendes - Raul Mendes - José Correia.” – fonte: Janela Aberta

10/08/2010

Os nossos seguidores

 

image

Quase sem darmos por isso, o Santa Nostalgia atingiu e ultrapassou os 170 seguidores, cadastrados pelo widget do Blogger.
Bem sabemos que este registo vale o que vale, como sabemos também que dos 171 actuais certamente que uma boa parte passa por cá apenas esporadicamente pelo que o conceito de seguidor é naturalmente relativo. Seja como for, o número vale sobretudo como um eco de alguém que por um motivo ou outro entendeu o blog ser relevante e merecedor de ser seguido. Agradecemos, pois, essa deferência.
Para além desse reflexo de quem nos acompanha com alguma regularidade, temos os nossos instrumentos de medição das visitas do blog, nomeadamente o Google Analytics que nos dá conta da evolução das visitas, suas características, origens e preferências. Neste sentido ficamos satisfeitos que o número de visitas tenha vindo a subir de forma regular e hoje  estamos sensivelmente nas 1000 diárias e milhares de páginas visualizadas, o que não é mau tendo em conta as características do blog e do seu nicho temático. Paralelamente também tem aumentado o nível de participação e desta quase todos os dias temos novos comentários espalhados pelos diferentes artigos, para além de vários contactos via email.
Vamos, pois, continuar com o nosso percurso de memórias e nostalgias certos de que  serão do agrado comum de muitos visitantes, regulares ou ocasionais, mas convencidos, porém, de que nem sempre alguns pensamentos ou considerações associadas possam ser do agrado de todos, o que de resto só confirma a regra da naturalidade das coisas.

Bac – Desodorizante Spray

 

bac spray olivin

Da mesma fabricante do creme depilatório OPILCA, a Olivin, trago à memória o desodorizante Bac Spray, aqui num cartaz do início da década de 1960.

 
"Ela sabe que todos admiram a sua frescura irradiante, porque usa BAC", é a mensagem que se faz passar.

São poucas as referências encontradas a respeito deste produto pelo que presumo que, pelo menos em Portugal, há muito que deixou de se comercializar.
Sei que o Bac teve a sua origem em 1954, logo depois da invenção do desodorizante. O sistema de spray ou aerosol (que o anúncio refere) foi introduzido em 1960, tornando-se um sucesso e depressa o Bac Spray transformou-se num dos produtos mais populares da Olivin, actualmente e desde 1975 integrada na Schwarzkopf & Henkel GmbH, Dusseldorf, Hamburgo.
O termo BAC, deriva do conceito de que os desodorizantes eliminavam as bactérias do corpo que produziam o mau cheiro.

bac spray olivin 02

- Os desodorizantes Bac em 1965, em diferentes variantes de perfume.

10/06/2010

Anita na Quinta

 

anita na quinta sn_06102010

Hoje, ao passar como habitualmente no Pequenos Detalhes, da simpática Maria João, vi a capa do livro “Anita na Quinta” a ilustrar uma bela história. Esta, de facto fantástica, a fazer-nos recordar tantos episódios mais ou menos parecidos e vividos na nossa escola primária. Só não digo que que vivi algo igual porque no meu tempo as turmas eram por sexo, ou seja meninos e meninas em salas distintas. Apenas a partir do 5º ano passei por uma turma onde entre 26 rapazes havia 4 raparigas e por uma das quais resultou uma paixoneta própria dos 12 anos. Já só lhe recordo o nome, o cabelo, os olhos e o sorriso.

Quanto ao livro da Anita, por coincidência, dele já tinha digitalizado algumas belas ilustrações do Marcel Marlier. É claro que tenho muitos livros da série Anita, tanto de edições recentes como das mais antigas, mas este em particular, já com a lombada rompida pelo tempo e se calhar por algum mau uso, adquiri-o há poucos dias, num Domingo de manhã, na aldeia de Rio Mau, concelho de Penafiel, nas margens do rio Douro, à face da EN 108. Dava uma volta com dois amigos, numa aventura de Geocaching, e por lá deparamos com uma interessante ferinha, com muitos e bons livros com preços entre os 0,50 e 3,00 euros. Com um investimento de 10,00 euros lá apanhei algumas preciosidades, essencialmente de livros infantis, entre eles este “Anita na Quinta”. Recorde-se que este foi o primeiro álbum da série Anita (no original, “Martine à la Ferme), datado de 1954. Entre nós, adoptando nome de Anita, terá sido publicado ainda nos anos 60. Por curiosidade, o mesmo título foi posteriormente editado com capas diferentes.

Quanto à Feira, tanto quanto percebi, estava a ser organizada por um grupo de jovens e as receitas revertiam para a aquisição de equipamento bem como para um fundo para participação em algumas actividades de férias. Os livros seriam assim oferecidos ao grupo pela comunidade local. Interessante nos princípios e nos objectivos tendo os livros como elo de ligação.

Ficam, pois, algumas das belas ilustrações insertas no “Anita na Quinta" (clicar para ampliar)..

anita sn01

anita sn02

anita sn03

anita sn04

anita sn05

- Sobre Rio Mau: [ Link ]

Vicissitudes da blogosfera – Semear para colher

 

A blogosfera, sendo virtual, é em si mesma um mundo em tudo semelhante ao mundo real e nem de outra forma poderia ser pois ele é composto pelas mesmas pessoas, com as mesmas virtudes e capacidades fantásticas e os mesmos defeitos, profundos ou comezinhos.
Serve este simples pensamento para tentar compreender os motivos que levaram a que pelo menos dois blogues tivessem retirado a referência e respectivo link ao Santa Nostalgia. Obviamente que não pedimos qualquer explicação nem procuramos saber dos autores os motivos subjacentes, até porque as suas referências ao nosso espaço haviam sido integradas no seu blog-rol sem qualquer pedido ou interferência de nossa parte.
Apesar de habitualmente nem darmos importância a este tipo de retribuições, mas porque de algum modo alguém, com um põe-e-tira, se predispôs a brincar com o nome do Santa Nostalgia, fica a observação na certeza de que os visados compreenderão para quem falamos.
Por outro lado, como "amor com amor se paga", quando detectamos a "delicadeza", mesmo depois de um espaço de tempo concedido “à consideração”, retiramos a retribuição na nossa lista de links na página Lugares.

(…)

Entretanto, aproveita-se a oportunidade para publicar uma das belas páginas do meu Livro de Leitura da Segunda Classe, dedicada ao tempo das colheitas. Na verdade, o início do Outono é o tempo dedicado às colheitas dos frutos e plantas que cresceram na Primavera e amadureceram no Verão. Até mesmo cá por casa, num amplo quintal e pomar, já colhi, com a ajuda do forte vento de Domingo passado, cerca de 10 Kg de nozes e mais há para recolher. Algumas maçãs serôdias ainda estão por colher e as castanhas estão quase a sorrir nos ouriços. Os diospiros estão já a pintar e os kiwis estão a amadurecer e aos poucos começam a colher-se sendo que estarão mesmo maduros lá para finais de Novembo. Depois serão os citrinos. Por tudo o que falta colher, pelo que ao longo do Verão já se colheu, tanto na horta como no pomar, faz-se juz ao título da lição: – Bendita seja a terra!

 

colheitas sn

10/05/2010

Milo – Nestlé – …e coisas da República


milo nestle pub antiga sn05102010

O Milo, certamente um dos nostálgicos produtos alimentares  das gerações de 60 e 70, sobretudo, até porque já não se comercializa por cá, eventualmente em canais específicos, volta novamente ao Santa Nostalgia.
Desta feita um cartaz publicitário do início da década de 1960. NO caso, é feita a apologia dos benefícios da mistura do Milo com o leite da Nestlé, como forma de combater o cansaço, aumentando a energia e, por conseguinte, a capacidade de trabalho.
Em dia de comemoração do centenário de uma República que começou mal e nunca se encontrou, mas que vale pelo feriado com que anualmente nos presenteia, é caso para dizer que esta República estaria bem melhor se noutros tempos tivesse tomado MILO. Não tomou e agora são tomadas MIL medidas de austeridade para levaram a poupar mais uns MIL MILhões à custa dos pagadores do costume. De facto, em 100 anos esta República  pouco mais conseguiu do que se transformar numa república de bananas e de governantes  quase sempre incompetentes.
Várias revoluções, 17 presidentes (há quem diga 19), 71 Governos, quase uma centena de primeiros-ministros. Enfim, muita parra e pouca uva.

Ainda hoje, num ano em que o Governo anunciou o encerramento de 900 escolas, 500 para já, o mesmo Governo percorre o país para actos de inauguração de 100 novas escolas, algumas das quais inauguradas pelo…Ministro da Agricultura. Simbólico, mas paradoxal. Encerrar velhas e degradadas para abrir novas com melhores condições (pagas com fundos europeus), justificarão. Certamente, mas com isso o Governo rompe com algumas esperanças do combate à interioridade e nisso 100 anos pouco mudaram para além de algumas auto-estradas, e não surpreende que celebrado o centenário, o país se prepare para mais uma revolução, a das greves e protestos, a do apertar-do-cinto, a da indignação geral e transversal. Raio da crise, que dizem internacional, que tem umas costas largas do tamanho do mundo e que abanou tanto monarquias como principados e repúblicas. Até a nossa, que passou 100 vetustos anos com a tremideira nas maminhas e descaído o barrete frígio. No fundo, é simbólico, porque em 100 anos os portugueses não fizeram mais nada do que tremer e enfiar barretes e carapuços.

Tópicos relacionados:
Milo - Hummmm, que delicioso!
Publicidade nostálgica - Milo da Nestlé

Pesquisar no Blog

Boavista Futebol Clube - 1975/1976

  Boavista Futebol Clube, da época de  1975-1976. Uma fantástica equipa que ficou em 2.º lugar do campeonato, a 2 pontos do campeão Benfica....

Populares