10/06/2010

Vicissitudes da blogosfera – Semear para colher

 

A blogosfera, sendo virtual, é em si mesma um mundo em tudo semelhante ao mundo real e nem de outra forma poderia ser pois ele é composto pelas mesmas pessoas, com as mesmas virtudes e capacidades fantásticas e os mesmos defeitos, profundos ou comezinhos.
Serve este simples pensamento para tentar compreender os motivos que levaram a que pelo menos dois blogues tivessem retirado a referência e respectivo link ao Santa Nostalgia. Obviamente que não pedimos qualquer explicação nem procuramos saber dos autores os motivos subjacentes, até porque as suas referências ao nosso espaço haviam sido integradas no seu blog-rol sem qualquer pedido ou interferência de nossa parte.
Apesar de habitualmente nem darmos importância a este tipo de retribuições, mas porque de algum modo alguém, com um põe-e-tira, se predispôs a brincar com o nome do Santa Nostalgia, fica a observação na certeza de que os visados compreenderão para quem falamos.
Por outro lado, como "amor com amor se paga", quando detectamos a "delicadeza", mesmo depois de um espaço de tempo concedido “à consideração”, retiramos a retribuição na nossa lista de links na página Lugares.

(…)

Entretanto, aproveita-se a oportunidade para publicar uma das belas páginas do meu Livro de Leitura da Segunda Classe, dedicada ao tempo das colheitas. Na verdade, o início do Outono é o tempo dedicado às colheitas dos frutos e plantas que cresceram na Primavera e amadureceram no Verão. Até mesmo cá por casa, num amplo quintal e pomar, já colhi, com a ajuda do forte vento de Domingo passado, cerca de 10 Kg de nozes e mais há para recolher. Algumas maçãs serôdias ainda estão por colher e as castanhas estão quase a sorrir nos ouriços. Os diospiros estão já a pintar e os kiwis estão a amadurecer e aos poucos começam a colher-se sendo que estarão mesmo maduros lá para finais de Novembo. Depois serão os citrinos. Por tudo o que falta colher, pelo que ao longo do Verão já se colheu, tanto na horta como no pomar, faz-se juz ao título da lição: – Bendita seja a terra!

 

colheitas sn

10/05/2010

Milo – Nestlé – …e coisas da República


milo nestle pub antiga sn05102010

O Milo, certamente um dos nostálgicos produtos alimentares  das gerações de 60 e 70, sobretudo, até porque já não se comercializa por cá, eventualmente em canais específicos, volta novamente ao Santa Nostalgia.
Desta feita um cartaz publicitário do início da década de 1960. NO caso, é feita a apologia dos benefícios da mistura do Milo com o leite da Nestlé, como forma de combater o cansaço, aumentando a energia e, por conseguinte, a capacidade de trabalho.
Em dia de comemoração do centenário de uma República que começou mal e nunca se encontrou, mas que vale pelo feriado com que anualmente nos presenteia, é caso para dizer que esta República estaria bem melhor se noutros tempos tivesse tomado MILO. Não tomou e agora são tomadas MIL medidas de austeridade para levaram a poupar mais uns MIL MILhões à custa dos pagadores do costume. De facto, em 100 anos esta República  pouco mais conseguiu do que se transformar numa república de bananas e de governantes  quase sempre incompetentes.
Várias revoluções, 17 presidentes (há quem diga 19), 71 Governos, quase uma centena de primeiros-ministros. Enfim, muita parra e pouca uva.

Ainda hoje, num ano em que o Governo anunciou o encerramento de 900 escolas, 500 para já, o mesmo Governo percorre o país para actos de inauguração de 100 novas escolas, algumas das quais inauguradas pelo…Ministro da Agricultura. Simbólico, mas paradoxal. Encerrar velhas e degradadas para abrir novas com melhores condições (pagas com fundos europeus), justificarão. Certamente, mas com isso o Governo rompe com algumas esperanças do combate à interioridade e nisso 100 anos pouco mudaram para além de algumas auto-estradas, e não surpreende que celebrado o centenário, o país se prepare para mais uma revolução, a das greves e protestos, a do apertar-do-cinto, a da indignação geral e transversal. Raio da crise, que dizem internacional, que tem umas costas largas do tamanho do mundo e que abanou tanto monarquias como principados e repúblicas. Até a nossa, que passou 100 vetustos anos com a tremideira nas maminhas e descaído o barrete frígio. No fundo, é simbólico, porque em 100 anos os portugueses não fizeram mais nada do que tremer e enfiar barretes e carapuços.

Tópicos relacionados:
Milo - Hummmm, que delicioso!
Publicidade nostálgica - Milo da Nestlé

9/30/2010

Leite pasteurizado

leite pasteurizado publicidade antiga

No início da década de 60, precisamente em Dezembro de 1960, este nostálgico cartaz publicitário já chamava a importância dos pais para a defesa da saúde de seus filhos quanto à utilização do leite, proclamando o pasteurizado como “o único cientificamente tratado, sem conter micróbios patogénicos, garantindo pureza e qualidade”. Esta era uma garantia assumida pela Câmara Municipal de Lisboa. No cartaz, precisamente no gráfico da garrafa, o anagrama C.P.L.L. Não conseguimos apurar a que se referia; provavelmente a Cooperativa de Produtores de Leite de …(Lisboa? Loures?). Fica a incógnita e a dúvida de que, porventura, fosse possível no início dos anos 60 a cidade de Lisboa ter uma cooperativa de produtores leiteiros.

Este cartaz e a sua mensagem remetem-me para os meus tempos de criança e para uma época em que os meus pais tinham algumas cabeças de gado, incluindo vacas leiteiras. Recordo-me, por isso, do nosso pequeno almoço incluir leite natural, muitas vezes ainda quente, acabado de sair da teta da vaca. Em tempos de fartura de leite, o que geralmente ocorria logo depois das vacas darem criação, e em alturas de abundantes pastos, algum leite era reservado para a casa, sobretudo para os pequenos almoços ou para a confecção de alguma lambarice – como o leite creme que minha mãe ainda bem prepara -  e o grosso era encaminhado para um dos dois postos de leite da aldeia, que ali o recolhiam em grandes bilhas de alumínio (mais ou menos parecidas com esta) e diariamente, da parte da manhã e da parte da tarde, eram recolhidas pelo homem do leite, numa camioneta (idêntica à recordada no artigo referente aos brinquedos da PEPE, mas coberta com uma lona), que o encaminhava para uma emblemática empresa do concelho, hoje já extinta e cujas instalações e terrenos deram lugar a um Shopping e a uma moderna urbanização.

Nesses tempos, e porque o grosso da população vivia da agricultura, em quase cada casa da aldeia existia pelo menos uma vaca leiteira e o resultado da venda do leite, a “quinzena”, porque era pago quinzenalmente, era um importante recurso para a subsistência das famílias. Hoje em dia, falando pela minha aldeia, certo de que o panorama é quase geral, exceptuando um ou outro caso já ninguém tem vacas leiteiras num contexto de ajuda à economia da casa, até porque o grosso dos campos de cultivo estão “a monte” ou a produzir apenas batata. Existem sim, alguns lavradores que têm pequenas explorações, tipo com uma dezena de cabeças, sendo o leite ali recolhido por métodos mecânicas, em ordenha privada, e despachado já não em bilhas de 50 litros mas por um camião cisterna que o encaminha  para um empresa de lacticínios da região. Falo sem certeza, mas creio que esta recolha já há algum tempo que deixou de interessar à cooperativa local, estando esta transformada num mero posto de venda de produtos ligados à lavoura e não só, sendo mais uma espécie de drogaria. Adaptações aos tempos correntes.

Recordo ainda, nesse contexto, que durante muito tempo, e esta tarefa passava pelos irmãos mais velhos, que se sucediam uns aos outros, eu transportei duas vezes ao dia, de manhãzinha e ao fim da tarde, o leite produzido em casa para o posto, num percurso por carreiros e atalhos, com cerca de 2 quilómetros. Algumas vezes, na correria e na ânsia de regressar depressa à brincadeira suspensa, lá colocava o pé fora do trilho e tropeçava numa pedra ou raiz, esparramando o leite e as lágrimas. Depois, o castigo era certo e merecido e o cuidado passava a ser redobrado.
Tempos que já lá vão mas que sabe bem recordar.

Os Flintstones – 50 anos

 

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O Google na sua página de abertura está-nos a lembrar que hoje completam-se 50 anos sobre a criação de “Os Flintstones”, a popular série de animação produzida pela Hanna – Barbera e que desde então tem deliciado gerações.

Recorde o artigo que já trouxemos à memória em 16 de Julho de 2008. [ Link ]

9/29/2010

Outono

 

Tão rápido como chegou, o Verão foi-se de mansinho e deu lugar ao senhor Outono, austero e experiente, habituado a colher o que a Primavera brotou e o Verão amadureceu.

Não tardou, pois, que o senhor Outono pusesse mãos à obra e num ápice convocou as gentes do campo para a azáfama das colheitas por campos e soutos, montes e vales. Espigas de milho doiradas e maduras já enchem os cestos e amontoam-se nas velhas eiras; Os pesados cachos de uvas maduras, pintadas a ouro ou a púrpura, já enchem lagares onde brotarão mosto e vinho.

É verdade que as esfolhadas ou desfolhadas, como se diz na minha aldeia, já não reúnem o povo numa roda viva de trabalho, contentamento e cantigas; Já não há xis ao milho-rei e o serandeiro já não aparece discreto com o ramo de alfádega ou rosmaninho e as raparigas já não querem partir as unhas e as suas esfolhadas são outras.

No lagar já não há pernas despidas numa dança de ombros unidos ao som da sanfona ou da concertina. Certamente que num ou noutro local remoto deste nosso Portugal, mas no resto, as máquinas pouparam-nos o esforço mas roubaram-nos a alegria do colher e transformar com as mãos.

O senhor Outono já não é o que era e até ele já parece mais desconsolado, desanimado com a partida que os tempos lhe pregaram. Já nem as suas roupagens de tons quentes nos consegue aquecer a alma ou extasiar o olhar. Ficamos, pois, indolentes, à espera do senhor Inverno, que com mais frequência se atrasa, mas que há-de-chegar, frio e molhado, a remeter-nos, já não à lareira e adormecer no morno das brasas ou ao ritmo de histórias e lendas, mas ao sofá a matar o tempo olhando a televisão até que o sono diga: - Boa-noite!

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- Outono – José Malhoa – Museu do Chiado - Lisboa

LANDER – Desodorizante stick

 Há alguns dias falamos aqui do Lander, um clássico desodorizante do tipo stick, que ainda continua no activo.
Voltamos ao assunto e à marca com um novo cartaz publicitário da primeira metade da década de 1960.
Ah, já agora...ainda hoje, depois do banho matinal, uma aplicação ligeira de Lander nos sovacos. Espero que no escritório ninguém se queixe, caso contrário vou ter que lhes falar do passado nobre de tão clássico produto que me garante 24 horas sem odor corporal. A avaliar pelo cartaz, só tenho pena que no escritório não trabalhem mulheres.

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