A série teve um início prometedor, tornando-se numa fiel evocação de um período ocorrido entre meados dos anos 60 e 70 (25 de Abril de 1974).
Aos poucos, a par de alguma inconsistência nos horários e ritmos de exibição, a série foi perdendo gás e terminou quase esvaziada.
Em rigor, com excepção dos primeiros episódios, onde de facto se conseguiu transmitir de forma excelente o espírito desses tempos, toda a restante série tornou-se num caldo morno de situações inconsistentes e inconsequentes, de forma muito ligeira e rebuscada.
Finalmente, sendo retratada uma família da classe média e um bairro na periferia da capital, o retrato ficou incompleto. A realidade noutros cenários era totalmente diferente. Teria sido importante que a série, um pouco como as novelas, abarcasse em simultâneo ou em paralelo, outros cenários, como o da cidade e da aldeia, focando tanto a classe média, como a classe alta e as classes mais pobres. Foram esboçados uns ligeiros traços dessa ideia , nomeadamente quando a Margarida regressou à terra natal, mas algo deturpados e demasiado confinados.
Mas, convenhamos, aspirar a tanto, seria demasiado pano para as curtas mangas da nossa televisão.
Apesar de tudo, o saldo é positivo, desde logo porque é uma produção nacional e sempre com o excelente desempenho de actores como o Miguel Guilhereme (António) e Rita Blanco (Margarida) e mesmo de Catarina Avelar (D. Hermínia).
