Avançar para o conteúdo principal

Santinhos de casamento

santinhos_santa nostalgia_01

santinhos_santa nostalgia_02

santinhos_santa nostalgia_03

santinhos_santa nostalgia_04

santinhos_santa nostalgia_05

Quem não se recorda dos santinhos de casamento? Estas estampas, habitualmente litografias italianas, com dimensões aproximadas de 60 x 100 mm, eram oferecidas pelos noivos aos seus convidados de casamento, e funcionavam como recordação do enlace. Desta forma, no verso da estampa, era impresso a letra dourada os nomes dos noivos, data e local do casamento.

Conservo vários destes santinhos de casamentos, dos anos 60, de pessoas conhecidas da minha aldeia, oferecidos a familiares meus.

Sem moralismos, e porque nestas coisas cada cabeça tem o seu chapéu e a sua sentença, mas constata-se que hoje em dia, os casamentos religiosos são cada vez menos porque é mais fácil o compromisso com os homens do que com Deus. Não admira, pois, que os modernos casamentos, consubstanciados numa génese fortemente materialista, tenham pouca sustentabilidade e durabilidade, pelo que já não surpreende o número cada vez maior de divórcios, alguns deles decorridos poucos dias ou meses do casamento. O casamento convencional está, pois, em decadência e em desuso e vão ganhando lugar as relações meramente factuais e ou de interesse. Algumas duram dias, outras meses e poucas anos.

Claro que um casamento religioso, só por si  não é sinónimo de sucesso, até porque para muitos a componente religiosa é apenas uma consequência do tal materialismo, funcionando aqui como pretexto e cenário para a fotografia e para a pompa e circunstância. O verdadeiro compromisso entre os noivos e estes com Deus, é apenas uma mera leviandade. Não admira que sejam cada vez mais raros os casais que completam bodas-de-prata (25 anos de casados), já para não falar de bodas-de-ouro (50 anos). O acto de promessas e juras mútuas de amor na saúde e na doença, na tristeza e na alegria, na prosperidade e na adversidade, são, regra geral, compromissos fúteis e vazios de sentido. Há até quem se divorcie só para fugir da rotina. À primeira dificuldade, à exigência do primeiro sacrifício, da uma banal contradição, à primeira vaga de ondulações, o barco do casamento vacila e afunda-se. O divórcio é uma tábua de salvação ali ao lado.

A importância do casamento, nos nossos dias,  está assim quase limitada ao copo-de-água, em locais luxuosos, com custos quase sempre acima das possibilidades dos noivos e dos próprios convidados que, apesar de tudo, acabam por suportar essas vaidades e ainda a lua-de-mel, que, modernamente, deve ocorrer sempre no estrangeiro.

É claro que os tempos são outros, mas num passado não muito distante, os noivos trabalhavam quase até ao dia do casamento. A boda era muito simples, quase sempre em casa dos pais da noiva, constituída por um almoço melhorado mas frugal e oferecido apenas aos familiares próximos e a meia-dúzia de amigos. Não havia tempo nem dinheiro para lua-de-mel pelo que quase sempre no dia seguinte o fresco marido tinha que retomar o seu trabalho habitual e a jovem esposa encarregava-se das funções domésticos e do campo. Era assim para a maior parte dos portuguesas, mesmo da classe média. Foi assim com os meus pais e meus tios.

Como extensão do actual luxo, os convites de casamento primam pelo originalidade e só por si representam um grande custo. Depois, quase no final do copo-de-água, é habitual os noivos oferecerem aos convidados uma lembrança, pequenas peças decorativas, mas nunca os tais santinhos ou estampas, de que acima falámos. Isso era coisa dos anos 60 e 70. Hoje em dia o interesse está em procurar oferecer algo que se considere como original e único.

Realmente, outros tempos, outras modas, outros luxos. A simplicidade deu lugar à extravagância; A escassez deu lugar à abundância e desperdício. Quem tem ido a casamentos nos últimos anos (e a quem não calha estes compromissos pouco desejados?)) sabe perfeitamente do que falámos.

Recordámos assim os santinhos ou estampas como lembranças de outros tempos, de outros casamentos.

Por curiosidade, os casamentos a que se referem os santinhos acima publicados, ocorridos em meados dos anos 60, todos eles ainda duram, ou seja, já a caminho de bodas de ouro.

Comentários

Mensagens Populares

Livrinho da Tabuada

Já aqui tinha falado da Tabuada , que tão diligentemente aprendíamos na escola primária. Pois bem, hoje dou a conhecer mais um dos livrinhos onde se aprendia a mesma Tabuada. Para além das tabuadas propriamente ditas (somar, diminuir, multiplicar e dividir), este livrinho incluía a numeração, números cardinais, numeração romana e ainda trazia noções sobre as diversas operações aritméticas, incluindo os números decimais, números fraccionários, noções de moeda, sistema métrico, medidas de comprimento, de capacidade, massa ou peso, superfície, agrárias, volumes e ainda equivalências.  Até mesmo medidas de lenha, como a Decaster, a Ester e Decister. Um pequeno grande livro onde estava toda a base de um bom aluno em aritmética. No meu tempo da escola primária, estas eram coisas que tinham que estar sempre na "ponta-da-língua". Será ainda assim actualmente?

Memórias revisitadas - Séries TV

Séries TV - Memórias por aqui publicadas: A abelha Maia AFamília Bellamy A família Boussardel - Les Boussardel A Flecha Negra - La Freccia Nera A hora de Alfred Hithcock A ilha da fantasia A Pedra Branca - Série TV A rapariga que sabia de mais Abbott and Costello Adeus Meus Quinze Anos – Série TV ALF – Uma coisa do outro mundo Allo! Allo! A Morgadinha dos Canaviais Ana e o Rei – Série TV Arthur and the Square Knights of the Round As aventuras de Flash Gordon As aventuras de Robin Hood As fábulas da floresta verde As Solteironas – Série TV As Trapalhadas de Robin dos Bosques – Série TV Automan – O Homem Automático Bana e Flapi Banacek Baretta Barbapapa – Uma família colorida e maleável Blackadder Bonanza Bozo, o palhaço mais famoso do mundo Calimero - É uma injustiça, não é? Candy Candy – Um vale de lágrimas Charlie's Angels - Os Anjos de Charlie Chefe, mas Pouco - Who´s the Boss Colditz Crime, disse ela...

Mapa administrativo de Portugal

Quem não se recorda dos antigos mapas de parede que existiam nas nossas escolas primárias, tanto o de Portugal como o dos arquipélagos da Madeira e Açores e ainda de todas as províncias ultramarinas, como Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Ango, Moçambique, Índia Portuguesa (Goa, Damão e Diu) e finalmente o longínquo Timor? Quanto de nós nessa altura não fomos chamados ao quadro para indicar cidades, capitais, províncias, rios, serras e caminhos de ferro? É certo que à conta de tanta disciplina e método, nessa altura aprendia-se mesmo, pelo que a História e Geografia tinham que estar na ponta da língua, ou seja, de cor-e-salteado, mas por vezes lá surgia a confusão: O rio Limpopo seria de Angola ou Moçambique? E o rio Cunene ? E o Kuanza ? Com esta santa nostalgia, hoje publico um desses mapas, o do Portugal Administrativo, retirado de um dos meus antigos livros escolares, com a indicação das províncias, as capitais de distrito, os rios, as serras e os caminhos d...