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Vozes de animais – Viagens pelos livros escolares - 8

 

Do livro de leitura da terceira classe, recordamos a lição “Vozes de animais”. Esta lição é frequente em muitos livros de leitura do ensino primário, de diferentes décadas. Com ela aprendia-se a conhecer a designação das diferentes vozes dos animais mais conhecidos. Esta era sempre matéria que aparecia nas provas.

Hoje em dia, parece-me que esta lição está arrumada dos manuais escolares pelo que não me surpreende que uma criança de 10 anos ou uma criançola de 15 ou mais, ignore que a raposa regougue, que os corvos crocitem ou que grunhem os porcos. Poderão até saber que o cavalo relincha e que cacareja a galinha, mas já se nos afigura mais difícil quanto ao tigre, à ovelha ou ao pombo.

Actualmente este tipo de lições são consideradas conservadoras e até anacrónicas. Apregoa-se, positivamente, uma filosofia pelo respeito dos animais mas ignora-se uma fundamental parte cultural que lhes diz respeito. Esta situação nem surpreende: Uma parte substancial das nossas crianças cresce num considerando cultural de que os animais se resumem ao cão, ao gato, à tartaruga ou ao periquito que têm dentro do apartamento. O resto da arca-de-noé aprendem-no ao nível dos livros, da televisão e da internet. Por isso, o contacto in-loco com uma vaca, um porco, uma raposa, um coelho um perú ou uma pega, quando se visita o Jardim Zoológico ou uma Quinta Pedagógica, uma invenção moderna e adaptada a essa falha, resulta quase sempre numa espécie de encontro imediato de terceiro grau.

Com isto não significa, obviamente, que as crianças de agora são ignorantes porque não conhecem nem contactam desde cedo com uma vaca, uma galinha, um burro ou outros animais, de menor ou maior envergadura. Apenas pretende-se dizer que o afastamento das pessoas das zonas interiores e rurais, para concentrados populacionais das médias e grandes cidades, originou necessariamente várias gerações de pessoas com um reduzido contacto com as coisas da natureza, fauna e flora, com todas as consequências que se queiram considerar.

Numa era em que as crianças dispendem todo o seu tempo livre com as tecnologias, os Magalhães, a Internet, as consolas de vídeo-jogos, os telemóveis, os leitores de MP3 e televisão, etç, pode-se questionar qual a importância neste contexto do conhecimento e contacto mais estreito com os animais, domésticos ou selvagens; Muitos até argumentarão que a importância é nula e até bucólica, retrógada talvez, mas atentos a estudos sérios sobre a importância do contacto das crianças com os animais, como mecanismo do desenvolvimento das afectividades e emoções, não custa admitir que cada vez mais estamos a educar as nossas crianças num sentido demasiado impessoal, tecnológico, mecânico e menos relacional com a Natureza e os seus elementos, esquecendo-nos que, afinal, somos nós parte intrínseca dessa mesma Natureza. Depois, não nos podemos queixar já que “quem semeia ventos colhe tempestades”.

 

a voz dos animais 01

a voz dos animais 02

(clicar nas imagens para ampliar)

 

*****SN*****

Comentários

  1. Apesar de pertencer a uma geração dos anos 80 recordo que a minha mãe possuía esse livro. Recordo-me do aconchego que senti quando ela mo deu a conhecer e um calor maternal por ela estar a partilhar algo que outrora fora tão importante para ela.
    Concordo perfeitamente quando diz que as crianças de hoje em dia são condicionadas por um sistema tecnológico. Há coisas que se perderam, e outras que já nem valores dão. Cada vez mais se fecham no mundo deles e absorvem apenas o que lhes transmite a televisão e afins.
    Estou grata por ter nascido nos anos 80 e grata por ter aprendido com gerações mais antigas.
    Adorei o seu Blog. Obrigada por recordar a minha infância e os tempos dos meus pais.

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  2. Apesar de pertencer a uma geração dos anos 80 recordo que a minha mãe possuía esse livro. Recordo-me do aconchego que senti quando ela mo deu a conhecer e um calor maternal por ela estar a partilhar algo que outrora fora tão importante para ela.
    Concordo perfeitamente quando diz que as crianças de hoje em dia são condicionadas por um sistema tecnológico. Há coisas que se perderam, e outras que já nem valores dão. Cada vez mais se fecham no mundo deles e absorvem apenas o que lhes transmite a televisão e afins.
    Estou grata por ter nascido nos anos 80 e grata por ter aprendido com gerações mais antigas.
    Adorei o seu Blog. Obrigada por recordar a minha infância e os tempos dos meus pais.

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  3. Eu nasci nos anos 60 e lembro-me muito bem dessa lição, acho que sabia alguns versos de cor. É verdade, é uma boa forma de aprender, cantilenas, versos...

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