Pois, pois, Jota Pimenta
Os mais velhos reconhecerão facilmente o slogan da popular publicidade televisiva da década de 1970 à venda de apartamentos em edifícios em altura: «Pois, pois, J. Pimenta»
J. Pimenta referia-se ao popular construtor João Gonçalves Pimenta. Nascido na aldeia do Souto, perto de Abrantes, nas bordas do Tejo, e cedo começou como servente na construção civil. Em 1956 fundou a empresa «J. Pimenta, SARL » a qual veio a ter um impacto enorme na construção de apartamentos de habitação na época, décadas de 1960 e 1970. Terá iniciado por edificar habitações na Reboleira e posteriormente em Cascais, Paço de Arcos, e outras zonas da Grande Lisboa. Faleceu por Abril de 2015 com 90 anos.
Os apartamentos construídos pela J.Pimenta, vieram revolucionar o mercado imobiliário da época, quer pela dimensão dos empreendimentos quer pelas apostas inovadoras dos apartamentos de baixo custo que se vendiam já mobilados bem como com uma actividade muito publicitada o que a popularizava.
Após a revolução do 25 de Abril de 1974 a empresa, como tantas outras, ficou nas mãos dos trabalhadores e aos desaforos da anarquia revolucionária e não resistiu aos tempos.
João Pimenta, figura maior de uma classe de empreiteiros a que o país apelidou depreciativamente de "patos-bravos", face a essa reviravolta e com processos às costas, por 1975 teve que emigrar para o Brasil e dizem que com com a mala cheia de dinheiro. Muitos negócios de facto correram mal e muitos compradores terão ficado com prejuízos e despoletado uma série de processos em tribunal a reclamar devoluções e indemnizações.
No Brasil esteve por lá quatro anos e dedicou-se ao que sabia fazer, construir e em várias urbanizações terá edificado meio milhar de habitações.
Sobre os processos de que foi alvo, bem como a sua empresa, terá dito que “Fui o homem mais roubado deste país”, não apontando nomes mas assacando responsabilidades aos governos pós revolução e que levaram ao princípio do fim do império.
Depois de regressado a Portugal e de tentativas de recuperação da empresa e do nome, o Estado e a Banca não lho permitiram. Por 1993 terá começado o processo de falência e hoje é apenas parte do passado e que mais não fosse, ficou o slogan. "Pois, pois, J. Pimenta".

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