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6/19/2014

Postcrossing – Partilha de postais

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O cartão-postal, bilhete-postal ou simplesmente postal, é uma simplificação da carta. Trata-se de um pequeno retângulo de papelão fino, com a intenção de circular pelo Correio sem envelope, tendo uma das faces destinada ao endereço do destinatário, postagem do selo, mensagem do remetente e na outra alguma imagem.

A vantagem dos postais, como também são conhecidos, é o porte de valor inferior ao das cartas comuns e a dispensa do uso do envelope tornava a correspondência mais fácil e mais barata.
Os primeiros cartões-postais emitidos (hoje conhecidos como inteiros–postais) eram de monopólio oficial e já vinha selados. Com o decorrer dos anos outros países passaram a autorizar as indústrias a imprimirem cartões-postais para circularem pelos correios depois de serem devidamente selados no valor do porte fixado. [fonte: wikipedia]
 
Para quem gosta de postais e de os coleccionar, nos seus mais diversos temas, e são muitos, o Postcrossing, um projecto de portugueses, é um excelente serviço que agiliza e permite a partilha de postais físicos um pouco por todo o mundo. O projecto tem sido um sucesso e isso constata-se pelos milhares de utilizadores dispersos pelo mundo inteiro.
Sobre o Postcrossing:
O projecto
O objectivo deste projecto é permitir a qualquer pessoa receber postais de todo o mundo, gratuitamente. Ou quase. A regra base é: se enviar um postal, irás receber um de volta, de um outro postcrosser algures no mundo.
Porquê? Porque, tal como o fundador do projecto, existem muitas pessoas que gostam de receber correio.

O factor surpresa de receber postais de diferentes sítios do mundo (muitos dos quais provavelmente nunca se ouviu sequer falar) pode tornar uma simples caixa de correio num pequena caixa de surpresas - e quem não gostaria disso?
Como funciona?
Primeiro, a versão simplificada:
  1. pedir uma morada no site
  2. enviar um postal para essa morada
  3. esperar para receber um postal
  4. registar o postal que se recebeu
O primeiro passo é pedir uma morada de outro utilizador para onde se deverá enviar um postal. Irá receber uma morada por email, em conjunto com um ID (ex: PT-567) que identifica univocamente esse postal no sistema. 
Depois, deverá enviar o postal sem esquecer de escrever o ID do postal que lhe foi dado - isso irá permitir à pessoa que o vai receber registá-lo neste website.
Isso irá tornar a morada da pessoa que enviou o postal na próxima a ser seleccionada quando alguém pedir uma morada.

Pode ter até 5 postais a viajar em simultâneo, e cada vez que um postal que enviou for registado, pode pedir outra morada.

[fonte: Postcrossing]

6/17/2014

Exposição dos pintores Margarida e Filipe Abreu

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Tive o privilégio de receber um convite da Galeria S. Franciso (Rua Ivens, 40 – Lisboa) para participar na inauguração da exposição conjunta dos pintores e irmãos Margarida de Abreu e Filipe Abreu, que se realiza neste Sábado, dia 21 de Junho, das 15:00 às 19:00 horas.

De realçar que Margarida (Lisboa – 1966) e Filipe (Lisboa 1970) são filhos do ilustre e conceituado artista plástico Luis Filipe de Abreu, que por diversas vezes já aqui temos feito referência, desde logo porque foi um dos ilustradores dos belos livros de leitura da primeira e segunda classes da escola primária pelos quais  eu e muitos milhares de portugueses aprenderam a ler e a escrever. Mas claro que a grandeza artística de Luis Filipe de Abreu é deveras mais basta e multifacetada.

Dada a distância, não poderei marcar presença, mas sinto-me honrado com o convite e triste por não poder apreciar in loco os trabalhos daqueles irmãos pintores que certamente terão algumas influências comuns de seu pai, até porque estamos certos que estes “filhos de peixe sabem nadar”.

6/13/2014

Casamentos de Santo António

 

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Sendo católico, não tenho, todavia, absolutamente nada contra os casamentos civis sem qualquer cerimónia religiosa. Infelizmente a tendência é que a convicção, seriedade e sentido de compromisso para com um casamento de carácter religioso sejam atributos menosprezados, pelo que na maior parte dos casos um casamento religioso não é mais que o pretexto e cenário para a festa, para inglês ver, como se costuma dizer. Sendo assim, não existindo essa convicção de princípios, casando-se só por civil, pelo menos dispensa-se o ridículo de um casamento religioso só para a fotografia ou como um frete para contentar alguém, nomeadamente os pais e famíliares.


Para além do mais, um casamento religioso nos dias que correm, porque sem as bases intrínsecas, não tem qualquer garantia de responsabilidade e compromisso e são tão vulneráveis a separações precoces quanto os formalizados apenas pelo civil.


Serve esta contextualização para dizer que apesar de tudo o que expressei, há coisas que são elementares e não fica nada bem que se desrespeitem ou se relativizem. Veja-se o caso da tradição dos casamentos de Santo António em Lisboa – que ainda ontem foram realizados: É uma tradição bonita e meritória mas também já não é o que era.

Sendo Santo António uma figura da Igreja e da religião católica, soa a ridículo que parte desses casamentos possam ser realizados apenas pelo civil, mantendo, no entanto, a associação ao santinho. É uma incoerência e banalização, mesmo sabendo-se que nos tempos que correm vale tudo.Se houvesse mais rigor e respeito pela figura do santo e dos valores da Igreja associados, tanto pelos organizadores como pelos noivos, só deveriam ter lugar casamentos com celebração religiosa. Nestas coisas é possível respeitar-se tudo e todos mas não podemos é ser oportunistas e incoerentes nas nossas opções. Ou somos ou não somos. Casem-se só por civil, porque têm todo o direito, mas deixem lá o santinho em paz e chame-se-lhes, nesse caso, casamentos do manjerico ou outra designação que o valha. Mas, vá lá, haja coerência e respeito por princípios e valores.

2/04/2014

Um país que perdeu referências morais tem as praxes que merece

 

Uma opinião de José Manuel Fernandes, expressa num artigo no Público, que assino por baixo:

 

Este país é assim. Ninguém sabe exactamente o que se passou naquela noite no Meco em que uma onda arrastou para a morte seis jovens estudantes, mas em nome do que talvez se tenha passado discute-se acaloradamente se as praxes académicas devem ou não ser proibidas. É a nossa velha tendência para achar que uma proibição resolve tudo, e que uma lei muda o país e as pessoas. É também a nossa irreprimível tendência para nos indignarmos e nos excitarmos, todos ao mesmo tempo, todos em manada – até quando é para criticar o comportamento de manada que é característico das praxes.

Pessoalmente, detesto as praxes. No meu tempo não havia praxes. O que era bom era que os estudantes formassem grupos de teatro ou, melhor ainda, fossem activistas políticos – afinal, era assim no meu tempo.

 

[fonte e resto do artigo]

10/31/2013

Praxes: Integração ou exercício de idiotas?

 

Porque concordo a 101%, tomo a liberdade de transcrever, do jornal “A Ordem”  um artigo do conhecido Dr. Daniel Serrão acerca do despropósito de certas praxes académicas que envergonham e não dignificam quem as executa e defende.

 

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Tenho 86 anos e não gosto de fazer figura de Velho do Restelo ou de velho caturra. Mas esta questão das praxes académicas tira-me do sério. Vivo próximo de um Instituto Superior e escrevo este texto ouvindo uma gritaria que sai do espaço do Instituto desde há mais de duas horas. Estive a ver o que se passava e vi: um grupo de 30 ou mais jovens, vestidos com uma roupa ridícula, enquadrados por outros jovens de capa e batina que os comandavam como se fossem as ovelhas de um rebanho e os obrigavam a gritar, proferindo frases, elas também ridículas, e, por vezes, obscenas. Nos tempos de modernidade que são os nossos, não consigo deixar de olhar para estas manifestações como verdadeiramente pirosas...

Quero dizer com isto que sou contra o que chamam praxe? De forma nenhuma. Sou absolutamente a favor de que os jovens que chegam pela primeira vez ao Ensino Superior sejam recebidos pelos estudantes mais velhos, com rituais de acolhimento e integração na nova casa onde irão viver e aprender durante 5 ou 6 anos. Acolhidos com brutalidades e boçalidades que até já ocasionaram risco de vida? Com humilhações que põem a nu a falta de carácter dos estudantes mais velhos? Com atitudes ridículas que dão uma imagem falsa do que é a dignidade do Ensino Superior? Com tudo isto a durar meses no início e mais meses próximo do final do ano lectivo? Claramente que não.

A integração só se consegue com atitudes de simpatia, que podem ser espirituosas mas nunca violentas e boçais. E que serão eficazes e intensas durante uma semana; mas que se tornam numa rotina sem qualquer valor quando se arrastam ao longo do ano. O jovem que chega ao Ensino Superior, politécnico ou universitário, traz uma imagem de um espaço e um tempo em que irá ascender a um nível superior de conhecimento e a uma preparação rigorosa para obter capacidades profissionais de grande responsabi1idade — vai ser médico, engenheiro, enfermeiro, economista, etc. E esta imagem que os novos esperam receber dos mais velhos, dos que já estão a meio caminho do seu percurso e que bem os podem ajudar a integrarem-se e a terem sucesso escolar. Uma semana com múltiplas actividades, preparadas com inteligência e sentido de responsabilidade pelos estudantes mais velhos, bastará para que o objectivo da integração amigável dos novos seja bem conseguido.

Não tem que ser formal. Deve ser descontraída, alegre e muito comunicativa, ocupando todo o dia e as noites com programas variados pensados e estruturados apenas pelos estudantes. Mas uma semana é suficiente.

Mas o que é que vejo, aqui, ao redor da minha casa? E que pode ser visto em outras partes da nossa Cidade do Porto: Bandos de jovens dominados e colocados em atitudes de humilhação por uns seres que se ju1gam superiores, por estarem vestidos com uma capa de estudante — que deverá ser vista como um sinal de qualidade e não de poder — que revelam toda a sua falta de carácter e de respeito pela autonomia e liberdade dos novos alunos; como se entrarem para a Universidade fosse uma situação da perda dos direitos de cidadania, às mãos dos ditos estudantes "doutores" que se comportam como energúmenos boçais e ignorantes.

Assisti, em plena rua, a um desses ditos "doutores" forçar uma jovem "caloira" a repetir frases com palavrões abjectos de cariz sexual. Ao fazê-lo o dito "doutor" apenas exprimia os seus complexos freudianos em relação à sexualidade pessoal mal assumida. Era digno de pena, embora o seu comportamento fosse de grande indignidade.

Tem de se encontrar uma solução boa. Que deverá partir dos próprios estudantes que, em vez de se vingarem, no ano seguinte, sobre os mais novos, do que sofreram, compreendam que há que romper com esta má tradição e encontrar práticas de acolhimento e integração que sejam dignas e exaltantes.

Não é cobrindo uma jovem com bosta de vaca que se acolhe uma colega que tem todo o direito a ser respeitada como pessoa humana.

 

Daniel Serrão

9/15/2013

A velhice é um posto

 

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“A velhice é um posto”; Será um ditado ou mesmo uma máxima que nos diz que a experiência de quem é mais velho equivale a um patamar que permite uma vantagem de conhecimento sobre quem é mais novo. Vem esta sentença a propósito do que hoje ouvi de Jerónimo de Sousa, líder do PCP, sobre o que considera quanto a recentes posições do Governo de Passos Coelho. Diz-nos que a  "Mentira" da viragem durou "tanto como manteiga em nariz de cão”. Lá experimentei e esfreguei um pouco de manteiga no nariz do meu  cão (na imagem), um cruzado de “serra da estrela” (pai) e “boxer” (mãe)”; A verdade é que com duas boas lambidelas, a manteiga lá desapareceu, e rapidamente, do nariz. Pelo menos  ficou mais brilhante.

Achei curiosa e engraçada esta afirmação que corresponde a uma utilização de um provérbio popular que, confesso, desconhecia. Logo, reconheço ao secretário geral do Partido Comunista Português uma aptidão para trazer, com frequência, ao contexto do discurso político, uma utilização dos ditados populares que norma geral saem bem e descrevem na perfeição o que pretende transmitir.  Os ditados ou provérbios  têm esta característica e só por isso fiquei mais fã do tio Jerónimo.

9/03/2013

Deixa arder!

 

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Todos os anos, em todos os verões, Portugal arde, numa rotina tão normal e tão expectável como quem depois de uma noite espera o nascer do sol.


Não é preciso ser-se bruxo para se constatar que pelo menos nove em cada dez incêndios serão de origem criminosa, desde motivos fúteis e de vinganças mesquinhas até aos de interesse económico, em que até a malta que tem interesse no negócio do combate por meios aéreos é frequentemente tida como suspeita. Afinal ninguém ganha com as asas em terra.

Sabe-se que todos os anos são detidos e interrogados suspeitos, mas ninguém saberá ao certo quantos estarão detidos com aplicação de penas efectivas. Sabe-se que dizem que a maior parte dos autores, muitos confessos, uns serão bêbados, outros tolos, outros coitadinhos. Ainda nesta semana foram apanhados vários menores, gandulões com pouco menos de 16 anos e como tal ininputáveis, malta que não pode ser detida. Também dizem que muitos dos apanhados são reincidentes (…olha a novidade!).


Está tudo dito: Num país em que é politicamente incorrecto tratar certos males pela raíz, de chamar os bois pelos nomes, constatamos que esse mesmo país vai ardendo numa destruição de vidas e bens, incendiado por ininputáveis, bêbados, drogados, tolos e afins; afinal um circo de criaturas parecidas com quem nos (des)governa. O resto é a conversa surda do costume e que dura há décadas: Que não há verbas, que não há política florestal, que não há legislação capaz, incluindo a penal, que não há vigilância e prevenção efectivas, que todos querem mandar e ninguém manda,, que se combate de forma descoordenada, etc, etc.


Perante isto, apetece dizer: Deixa arder! The show must go on!

3/22/2013

Sporting Clube de Portugal

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O Sporting Clube de Portugal é indiscutivelmente um dos três grandes clubes portugueses. Infelizmente atravessa no presente graves problemas financeiros agravados pela crise directiva e desportiva e todos estes factores estão obviamente interligados e por isso cada um por si determinante sobre os demais.

Será já neste Sábado, 23 de Março, que o clube vai a votos com três listas concorrentes.

Não sou sportinguista, mas paradoxalmente sou um benfiquista que gosta do Sporting, pelo que desejo com sinceridade que o clube e a sua equipa de futebol retomem rapida e sustentavelmente o sucesso porque fazem falta ao panorama desportivo, futebolista e social do país.

Abaixo publico uma foto da excelente equipa leonina da época 78/79. Recorde-se que nesta época o clube de Alvalade ficou-se pelo 3º lugar atrás do FC Porto (1º) e Benfica (2º).  Contudo viria a ser campeão na época seguinte (79/80), seguindo-se-lhes o FC do Porto em 2º e o Benfica em 3º.

Em baixo, uma equipa do Sporting da época 77/78 (3º lugar no Campeonato Nacional da 1ª Divisão), extraída de uma colecção de cromos de caramelos, a Ballstar´s, da Sorcácius, com um interessante esquema de cromos que misturavam a fotografia (rostos) com o desenho (corpos).

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5/05/2012

A panela ao lume

 

Com os tempos de crise económica que varrem este nosso pobre país, no sentido da redução de custos nos orçamentos familiares, começam já a ser adoptados alguns expedientes ou práticas comuns há três ou quatro décadas atrás. Uma dessas situações tem a ver com a poupança nos gastos com electricidade e gás, cozinhando-se com lenha, na lareira, pelo que voltam a estar em uso, pelo menos em ambientes rurais, as velhinhas panelas de ferro que noutros tempos tantas vezes vi na lareira da casa paterna. E que saborosa era a comida que daqueles potes enegrados de fuligem saía…

Adaptadas a essa função estavam as panelas de três pernas, em ferro fundido. Nesses tempos eram presença obrigatória nas feiras, vendidas em diferentes tamanhos.

Para se começar a usar uma dessas panelas, era necessária uma preparação  destinada a retirar o sabor do ferro e de outros produtos usados na fundição, que, no caso da minha aldeia, norma geral consistía em cozinhar-se durante longas horas uma mistura de farinha de milho com nacos de unto (gordura de porco). Este processo poderia ser repetido duas ou três vezes até que o interior da panela ficasse revestido com uma película de gordura. Uma vez preparada, podiam então ser confeccionadas as típicas comidas de lavrador, nomeadamente a sopa ou mais popularmente, o caldo, muito substancial com feijão, legumes, um talhada de carne de porco salgada e de quando em vez uns arrozeiros.

panela ao lume cozinhar

panela ao lume cozinha lareira

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8/24/2011

Crise? Qual crise?

 

Os tempos são de crise!
Dizem-nos todos os dias e os cortes nas depesas e o aumento impiedoso dos impostos reiteram esta realidade. As empresas encerram e engrossa o número de desempregados.


Todavia, desconfia-se que as pessoas, os portugueses, claro está, ainda não adequaram o seu comportamento à crise pelo que o anúncio da mesma em certo sentido torna-se ridículo.


Vejamos: Apesar de dizerem que o consumo baixou, por estes tempos os restaurantes e os bares estão repletos, as estradas pejadas de automóveis e os centros comerciais inundados de gente. Continua-se a ir de férias para o Algarve ou para o estrangeiro. Os hotéis não se têm queixado.


Mesmo os vários festivais de Verão, um pouco por todo o país, abarrotaram de gente mais nova. Ora sendo que o grosso dos jovens é da classe estudante, pergunta-se de onde virá o dinheiro para suportar tanta farra? Mesmo admitindo que dormem ao relento, onde vem o dinheiro para os transportes, para os telélés, para as muitas bejecas, para a comida, para os bilhetes? Muitos deles no desemprego e outros sem receitas porque estudam, quiçá recorrendo a bolsas de estudo (estas cada vez mais magras), de onde virá o dinheiro? Dos papás? Do céu?


Não, meus senhores, a crise, por enquanto ainda não se faz sentir e por isso quase todos ainda gozam à grande e à francesa.
É possível que a crise ainda esteja nos preliminares mas não tardará a ejaculação e então depois é que o país, terminado o êxtase, cairá em si.


Crise? Qual crise?

4/19/2011

Hoje como há 40 anos


O assunto do pedido de ajuda económica à Europa é tema que tem dominado a actualidade. Escusado será repetir aqui os contornos e as consequências, os quês e os porquês.
Todavia, tendo em conta a capa da revista "Gaiola Aberta", de 15 de Outubro de 1975, publicada pouco mais de um ano depois da revolução do 25 de Abril de 1974, não deixa de ser irónico que, decorridos quase quarenta anos após uma revolução que entre outros predicados pretendia acabar com o atraso do desenvolvimento relativamente aos demais países ocidentais, Portugal chega a esta ante-câmara da falência, após um percurso em que sempre gastou mais do que devia e podia, em que viveu sempre acima das reais possibilidades.

Ontem, há 40 anos, como hoje, Portugal continua na cauda da corrida e a precisar constantemente das tetas generosas da velha Europa, mas com a agravante de que, mal habituados a um bem-estar suportado por dinheiro que nunca tivemos, desde o Estado às famílias, as dificuldades e os sacrifícios são bem maiores do que aqueles que passamos no final dos anos 70 e princípios de 80. Então as famílias não estavam endividadas como agora nem o consumo e a sua dependência tinham os níveis actuais. A uma geração à rasca mas com um alto consumo de tecnologias, internet, televisão por cabo, automóvel, etc, e que mesmo em plena crise ainda teima em viver acima das possibilidades, os cortes e os sacrifícios que aí vêem vão causar verdadeiros estragos.
Nunca tanto como agora Portugal foi uma autêntica gaiola aberta, só que agora os passarões são em maior número e quando vemos estampados os indecorosos altos ordenados e reformas que auferem nas e das empresas públicas, ficamos a perceber um pouco dos motivos que nos trouxeram até aqui, até a este estado de pedintes.

gaiola aberta 15101975

- Sobre José Vilhena e a “Gaiola Aberta”

3/22/2011

Artur Agostinho – Eterno adeus

 

Artur Agostinho, um dos mais conhecidos jornalistas desportivos portugueses, morreu hoje aos 90 anos no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde estava internado há uma semana.

fonte: RTP

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Não há muito a dizer sobre Artur Agostinho, porque não haverá ninguém que não conheça esta figura ímpar da comunicação nacional, num percurso multi-facetado, como actor, jornalista e escritor. Homem da imprensa, da rádio e televisão, do entretenimento e desporto. Em todas as suas funções, o mesmo fio condutor de profissionalismo, humildade e integridade humana. Um modelo, convenhamos, cada vez mais raro.


Pessoalmente, recordo Artur Agostinho do inevitável "O Leão da Estrela", dos relatos de futebol na Emissora Nacional e Rádio Renascença e como apresentador exímio de vários concursos da RTP. Sempre simpático e comunicador. Ainda há poucos dias o vi numa entrevista na RTP Memória e o seu ar fresco e jovial não fazia adivinhar este encurtamento da sua passagem entre nós apesar da sua já bonita idade.
Um homem assim só pode deixar saudades e boas memórias que por certo perdurarão.

 


1/18/2011

A insegurança dos nossos dias

 

Desde há vários meses que o programa da RTP1, "Praça da Alegria", no ar diariamente entre as 10:00 e as 13:00 horas, com apresentação de Jorge Gabriel e Sónia Araújo, dedica sensivelmente os últimos 40 minutos da emissão a analisar e a reflectir sobre vários casos vindos a público, com impacto social e frequentemente decorrentes de situações de criminalidade, quase sempre ligados à segurança, ou falta dela.


Ontem, por exemplo, abordou-se o caso recente de uma senhora idosa, que vivendo só, foi assaltada com alguma violência, atada, amordaçada e abandonada no chão frio da casa, tendo-lhe sido roubada uma elevada quantia, a maior parte pertencente a um filho da vítima.


Habitualmente estes casos são superiormente analisados por especialistas convidados, como o médico-legista Dr. Pinto da Costa, o advogado Dr. Paulo Santos, o Juiz Rui Rangel e o médico psicólogo e sexólogo Júlio Machado Vaz.
Uma grande parte das intervenções estão disponíveis no YouTube pelo que facilmente se pode apanhar os fios às meadas de muitas das situações dissecadas.


Tudo isto para se constatar que não raras vezes, principalmente pela análise experiente do Dr. Pinto da Costa, todos estes casos, nomeadamente ligados à criminalidade, revelam um forte desprezo pela vida e pessoa humana, nomeadamente os ocorridos contra pessoas idosas, fragilizadas na incapacidade física e na solidão, bem como a uma falta de valores e princípios cívicos que afecta o grosso da nossa actual sociedade.


Louva-se, evidentemente, a análise destes casos na televisão pública, mas não temos dúvidas que a insistência neste conceito de rubrica, que põe a nu a insegurança, a criminalidade e muitas vezes a ineficácia da autoridade e a lentidão e benevolência da Justiça, formatada legalmente num quadro favorável ao criminoso e pouco ou nada protector quanto à vítima, deve sobremaneira desagradar a muitos, incluindo a sectores do Governo e sobretudo a sectores de uma certa sociedade liberal e progressista que em nome de supostos critérios de defesa contra preconceitos, liberdades e garantias,  vêem na classe criminosa um grupo de coitadinhos a quem se deve relevar as suas acções e conceder-lhes todas as oportunidades de recuperação.

Todos esses sectores têm conduzido o país a um crescente clima de insegurança e criminalidade, cada vez mais organizada e violenta bem como a um código penal onde a morte premeditada e agressiva de alguém, independentemente da quantidade de vítimas, é, quando é, penalizada com pouco mais de uma dúzia de anos de prisão.


Quando viramos as atenções para o recente e mediatizado caso da morte do jornalista do jetset, Carlos Castro, e quando se constata que pela lei do Estado de Nova Iorque, o assassino confesso, no mínimo, salvo inimputabilidade do foro psiquiátrico, não se livrará de 25 anos de cadeia, correndo até o risco de apanhar perpétua, é que chegamos à conclusão que neste capítulo Portugal ainda é uma república das bananas onde compensa e vale a pena ser-se criminoso, porque o risco é reduzido e o castigo é lento e benévolo.


A este respeito, dizia há dias o Dr. Pinto da Costa, para a maior parte dos crimes, mesmo que apanhado em flagrante, o criminoso que actua em Portugal fica com a ridícula obrigatoriedade de se apresentar semanalmente às autoridades, por exemplo, à Quinta-Feira, ficando com o resto do tempo livre para se dedicar ao que melhor sabe fazer, ou seja, atentar contra os elementares direitos dos cidadãos, seja quanto ao património seja, o que é mais grave e frequente, contra a integridade física e a vida de treceiros, sejam crianças, jovens, adultos ou idosos. Não surpreende, pois, que recorrentemente cheguem notícias sobre indivíduos que num mesmo dia são apanhados diversas vezes na sua actividade ilícita, alguns dos quais em liberdade condicional ou já sujeitos à medida de coação de termo de identidade e residência. Banaliza-se assim o sentido de justiça e da sua aplicação.

Pode-se, pois, invocar mil motivos, pretextos e razões sociais ou culturais  para se defender ou relativizar o papel dos criminosos, mas não se pode ignorar que na maior parte dos casos, este tipo de gente só compreende a linguagem da violência gratuita pelo que, para boa compreensão, tem que se dialogar em consonância, com justiça implacável, dura e efectiva, mesmo que isso possa custar investimento em mais autoridade, meios de segurança e prisões. A liberdade e a sua garantia só deve fazer sentido se a ela na justa proporção corresponder o direito, o dever e a disciplina. A política dos paninhos quentes e do politicamente correcto tem conduzido aos resultados que se vêem e só não não se apercebe disso quem não lê, não vê e não ouve os seus ecos diários nos diferentes suportes da comunicação social, mesmo sabendo-se que esta só dá conta de uma ínfima parte.

Até quando?


1/17/2011

O direito à indignação

 

Estou revoltado! Indignado! E não é por ser segunda-feira.

O Estado e quem nele nos governa, os seus organismos e entidades tentaculares que corporizam a chamada administração pública, por regra quase nunca me merecem considerações positivas porque quase nunca cumprem os desígnios da sua génese de serviços públicos, de serviço ao cidadão enquanto pessoa, mas antes funcionam como uma enorme fábrica com linhas de montagem intrincadas, complexas e programadas para fazerem a vida negra, já não aos cidadãos porque não nos tem em tal conta, mas aos contribuintes, essa categoria de gente amorfa, com uma identidade de 9 algarismos onde a única relação admitida é a contabilidade, as contribuições, os impostos, as finanças.

Em suma, desta relação estritamente numérica, não sobra tempo nem espaço para o lado humano, para a razão ou a emoção. A um contributo ou dever financeiro, o Estado e toda a sua máquina retribui com indiferença, com frieza. Se nos tem que responder, elenca e fá-lo com regulamentos, portarias, leis e despachos. Ora isto é penoso porque quando temos que responder a alguém que nos diz que somos um merdas, sabemos como responder e que argumentos usar. Mas o Estado responde-nos com uma qualquer alínea c) do ponto 3 do art.º 56º da Portaria 345e catrapuz, barra dois mil e tal de tantos dos tantos. Ora uma linguagem assim deve ser descodificada porque o Estado fala-nos como se estivesse num constante período de guerra e tudo o que nos revela e transmite é codificado. Com esta forma de comunicação, não há relação que aguente e daí que o Estado viva num processo contínuo de divórcio com os seus cidadãos e vice-versa. Designações como Estado Social, proximidade ao cidadão, desburocratização, etç, são meros artifícios, capas ou camuflagens, fazendo-nos lembrar aquelas telas publicitárias que com cenários paradisíacos escondem fachadas de edifícios em ruínas em muitos dos nossos espaços urbanos.

Mas não me custa partilhar aqui o motivo deste estado de revolta, de indignação porque, estou certo,  é comum a centenas ou milhares de pessoas.

Direi que tenho uma filha no segundo ano de um curso superior, que como uma grande maioria dos estudantes portugueses, candidatou-se à atribuição de uma Bolsa de Estudo. De forma relativamente descomplicada e justa, obteve-a no ano transacto, até que o Estado, em nome dos cortes e poupanças, porque é exímio a poupar no farelo para esbanjar na farinha, decidiu ligar o complicador que é como quem diz, apertar a malha da peneira. Ou seja, ao processo de candidatura, aberto creio que em Maio de 2010, mandou-o dar uma volta e decidiu alterar a regulamentação como lhe é característico, uma espécie de árbitro que a meio de um jogo decide mudar as regras. Qualquer coisa justificada desta forma:

A entrada em vigor do Decreto-Lei nº70/2010, de 16 de Junho, impôs alterações ao nível do formuláriode candidatura a Bolsa de Estudo. O referido Decreto-Lei, determina, no Artigo 25º, a “reavaliação extraordinária da condição de recursos”.

Deste modo, em Setembro lá abriu um novo sistema e tudo teve que voltar ao princípio. As candidaturas a serem feitas numa plataforma online, com uma complexa rede de dados e informações e uma lista de documentos requeridos, desde logo um documento assinado pelos membros do agregado com vista à autorização de consulta de dados na Segurança Social, como se o Estado precisasse disso. Apesar desse “salvo-conduto”, foram solicitados documentos de prova de abonos e rendimentos que, como seria expectável, foram quase sempre recusados aos balcões das delegações da SS. O Estado e a sua Administração Pública no seu melhor, numa teia intricada de redundâncias, de recusas e acusas mútuas, numa calda de burocracia tão necessária à sobrevivência da sua massa de funcionários.

Apesar das dificuldades iniciais, a candidatura e documentos foram devidamente submetidos. O processo entra em estado de análise, uma espécie de hibernação de um qualquer urso ou lagarto. A vigília à caverna foi quase diária na expectativa do despertar da besta.

Foi assim durante mais de 3 meses e meio, “sem xús nem mús”. De repente o urso acorda estremunhado, mesmo às portas do Natal (se calhar com o cheiro quente das rabanadas) já com os estudantes em férias, e apressado notifica os candidatos, anunciado-lhes a boa nova que há documentos em falta (não requeridos como necessários no processo de candidatura) e que têm 5 diazitos para os apresentar. Que se despachem! Que vão bater à porta das repartições, esses templos sagrados do bom atendimento, simpatia e disponibilidade, porque não há tempo a perder.

Por desmazelo ou falha do sistema, a verdade é que um grosso dessas notificações chega às caixas de email dos candidatos já passado o prazo, isto em plena véspera de natal.

Face à inesperada notificação de Indeferimento da candidatura, é feito o procedimento de Oposição, com a argumentação devida e submetidos os tais documentos. Passados mais uns dias, no início do ano, o urso, refeito do despertar atribulado, lá vem notificar que concede um prazo de 5 dias para apresentação dos documentos em falta, já que os submetidos (certidões de prédios) não estão conforme. Pretendem que seja apresentada certidão por parte do Serviço de Finanças, que esclareça devidamente o que cada elemento do agregado possui, mesmo os menores. Com a "atenciosidade" própria das nossas repartições públicas, travei uma dura batalha para conseguir tal documento, uma espécie de batalha de Aljubarrota, onde tive vontade de resolver a questão à maneira da famosa padeira Brites de Almeida.

Mesmo assim, com toda esta "franca colaboração" do serviço público, o tal documento lá foi submetido bem dentro do tal prazo de 5 dias.

Renascia assim a legítima esperança de que a coisa se ía resolver. Mas não: No dia 14 último, friamente, é feita a solene notificação que a candidatura foi liminarmente indeferida com base na instrução incompleta do processo. Ou seja, entre o dia 6/1/2011, data de submissão do documento em falta, dentro do tal prazo concedido, e a data da notificação final, a 14 de Janeiro, não houve qualquer contacto ou notificação quanto à falta ou inconformidade de documentos, legitimando um pressuposto de que tudo estava conforme. Puro engano.

Creio, assim, estar justificada esta revolta, esta indignação, até porque advém de outras constatações, especulativas, é certo, mas que encaixam: Todo o processo de candidatura foi concebido num pressuposto de dificuldades, levando uma grande percentagem de candidatos a desistirem, por impaciência ou incapacidade de responder e apresentar a documentação suplementar, não prevista no início. Basta fazer a leitura das listas finais de atribuições para se perceber o alcance dessa ratoeira.

Foram três meses e meio em espera, em stand by, para depois, às portas do Natal, em período de férias, notificaram de forma apressada requerendo documentos que têm que ser arrancados a ferros na mesma administração pública.

Por outro lado, face à importância do assunto, não se percebe de todo que a notificação seja feita apenas por email, sem qualquer outro meio complementar, como poderia ser uma carta registada ou até mesmo um corriqueiro SMS. Todo o processo montado remete-nos para aquelas típicas cenas de filmes de assaltos a um banco ou a um museu, com o alvo envolto em armadilhas e uma teia de raios ou feixes laser que logo que tocados inadvertidamente accionam um ruidoso ALARME, ALARME, ALARME, no caso substituídos por um não menos estridente INDEFERIDO, INDEFERIDO, INDEFERIDO.

Mesmo quando se consegue transpôr toda esta sofisticada tecnologia, não ao alcance de qualquer cidadão, o Estado recorre às clássicas mas eficazes cascas-de-banana, largadas no trajecto de quem a ele recorre. Em suma, um árbitro tendencioso, que para prejudicar uma equipa não hesita em inventar um penalti fora da área, nem que seja no último segundo do prolongamento.

É este o nosso Estado. Para além de tudo, indiferente a indignações.

Face a tudo isto, com a esposa em situação de desemprego de longa duração, há anos sem qualquer subsídio, com a implacável prestação de crédito à habitação a bater pontualmente à porta de casa, com um segundo filho menor no ensino  básico, com tudo o resto que caracteriza os gastos de uma normal família, urge fazer algumas opções e uma delas passará pela suspensão do curso e dos estudos. Se considerarmos que no ano transacto, a Bolsa rondou os 300 euros mensais, e mesmo admitindo uma expectável redução, estará assim em causa uma verba a rondar os 2500 euros, bastante significativa, diga-se, dentro do tal contexto e das próprias dificuldades que os portugueses em geral vão ter durante os próximos anos.

Para além do mais, os noventa e poucos euros que desde Outubro têm sido transferidos a título de “adiantamento” certamente que vão ser reclamados.

Desculpem o desabafo!


1/05/2011

Censos – Há 40 anos

 

Está a arrancar a campanha dos Censos 2011, a levar a efeito pelo INE – Instituto Nacional de Estatística, estando já abertas as candidaturas para os recenseadores (o que pessoalmente já fizemos). Será o XV Recenseamento Geral da População e do V Recenseamento Geral da Habitação, o que, desde 1864, tem acontecido com regularidade de 10 em 10 anos.

Pela primeira vez os inquéritos serão processados via internet, o que não deixa de ser uma situação normal tendo em conta a crescente dependência desta plataforma de comunicação e informação face aos serviços e entidades da administração pública.

A propósito, publicamos hoje um artigo de Março de 1970 relacionado aos Censos desse ano, correspondentes ao XI Recenseamento Geral da População, o que não deixa de ser interessante por se verificar os meios informáticos assegurados na altura, cujo computador e unidades periféricas foram alugados nos Estados Unidos, por 450 contos mensais, uma fortuna.

À distância de 40 anos percebe-se que o desenvolvimento na área da informática foi imenso e não surpreende que hoje em dia um simples computador portátil tenha mais capacidade de cálculo, processamento e armazenamento do que uma enorme unidade que então ocupava uma grande sala e requeria vários operadores e que se vangloriava de processar 63000 caracteres por segundo, o que de facto na altura era obra.

 

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(clicar nas imagens para ampliar)

- História dos Censos


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