A propósito do aniversário de Samuel Morse (218 anos sobre o seu nascimento em 1791), criador do célebre código de comunicação que ficou conhecido com o seu nome, a que hoje o Google faz referência com o logotipo adaptado à efeméride, como acontece com outros eventos, saltou-me à memória a minha experiência como Operador Táctico, uma vertente da especialidade de Comunicações na Marinha de Guerra Portuguesa, onde prestei serviço militar em meados dos anos 80. Os operadores tácticos tinham a especialidade de comunicação visual, como mensagens por bandeiras e transmissão e recepção de comunicações via código morse visual.
Recordo, por isso, de ter participado num concurso designado de COMPCOMAR, onde obtive um honroso terceiro lugar na especialidade de transmissão e um quinto lugar na recepção. Nada mau, se considerarmos que eram vinte ou trinta colegas concorrentes.
Na altura o serviço militar era considerado uma autêntica seca, tanto mais que era obrigatório. Foram dois anos subtraídos à vida civil com os inerentes atrasos, como se compreenderá. Apesar de tudo, hoje à distância de mais de vinte anos, recordo com saudade muitos momentos e experiências, tanto mais que a Marinha tinha uma componente educativa muito forte, que julgo ter aproveitado, devidamente, para além de muitos outros aspectos de convivência e camaradagem.
Creio que já o disse noutra ocasião, mas depois da recruta na Escola de Alunos Marinheiros, em Vila Franca de Xira, passei para a Base Naval do Alfeite, para a Escola de Comunicações, onde tirei o curso atrás referido e finalmente passei para o Comando Naval do Continente, na Base Naval de Lisboa, onde estive até completar dois anos inteirinhos de serviço.
Quanto ao Código Morse, é claro que o aprendi de cor-e-salteado, pelo que durante muito tempo os traços e os pontos estavam na ponta da língua, nos olhos e nos dedos. Mas pronto, hoje em dia apenas sei de cor os códigos de alguns caracteres.
Também aprendi o nome e significado de todas as bandeiras, o chamado alfabeto fonético. O método de aprendizagem passava pela distribuição de um baralho de cartas contendo todas as bandeiras numa face e o nome das mesmas no lado oposto. Nas horas vagas era um exercício obrigatório.
Como curiosidade, neste link, pode-se escrever um determinado texto e depois ver e ouvir a sua tradução em Código Morse.
Por exemplo: Santa Nostalgia: ... .- -. - .- / -. --- ... - .- .-.. --. .. .-
Uma das medalhas que conquistei no concurso COMPCOMAR.
As minhas divisas do posto de segundo-marinheiro, com que terminei o serviço militar obrigatório, na especialidade de Comunicações.
Ainda a propósito do meu serviço militar, não importa para o caso, mas nesta foto acima, eu devo estar por ali, algures na segunda fila da frente para trás, misturado entre os colegas do curso de Comunicações.
Bons tempos que já não voltam, apenas na nostalgia da nossa memória. Voltarei às memórias da tropa.