3/17/2025
2/27/2025
Cesário Verde
José Joaquim Cesário Verde (Madalena, Lisboa, 25 de Fevereiro de 1855 — Lisboa, Lumiar, 19 de Julho de 1886) foi um poeta português, sendo considerado um dos pioneiros, precursores da poesia que seria feita em Portugal no século XX.
A Forca
Já que adorar-me dizes que não podes,
Imperatriz serena, alva e discreta,
Ai, como no teu colo há muita seta
E o teu peito é peito dum Herodes,
Eu antes que encaneçam meus bigodes
Ao meu mister de ama-te hei de pôr meta,
O coração mo diz – feroz profeta,
Que anões faz dos colossos lá de Rodes.
E a vida depurada no cadinho
Das eróticas dores do alvoroço,
Acabará na forca, num azinho,
Mas o que há de apertar o meu pescoço
Em lugar de ser corda de bom linho
Será do teu cabelo um menos grosso.
2/19/2025
António Aleixo - A voz da sabedoria popular
Passaram ontem, 18 de Fevereiro de 2025, 126 anos sobre a data de nascimento do poeta popular algarvio e português, António Aleixo (António Fernandes Aleixo - Vila Real de Santo António, 18 de Fevereiro de 1899 – Loulé, 16 de Novembro de 1949).
Foi um poeta popular, conhecido pelas suas quadras de carácter satírico, filosófico e social. Nascido em Vila Real de Santo António, no Algarve, viveu grande parte da sua vida em Loulé. De origem humilde, trabalhou como guardador de gado, cauteleiro e vendedor ambulante, mas destacou-se pela sua capacidade de expressar, em versos simples e directos, críticas sociais, reflexões sobre a vida e a condição humana.
A sua poesia, apesar de aparentemente singela, revela uma grande profundidade e inteligência, tocando temas como a injustiça, a hipocrisia e as dificuldades dos mais pobres. Muitas das suas quadras tornaram-se intemporais e continuam a ser citadas como verdades indesmentíveis.
Algumas quadras famosas de António Aleixo:
Eu não tenho vistas largas,
Nem grande sabedoria,
Mas dão-me as horas amargas
Lições de Filosofia.
Há tantos burros mandando
Em homens de inteligência,
Que, às vezes, fico pensando
Que a burrice é uma ciência.
P'ra mentira ser segura
e atingir profundidade,
tem que trazer à mistura
qualquer coisa de verdade.
Sei que pareço um ladrão...
mas há muitos que eu conheço
que, não parecendo o que são,
são aquilo que eu pareço.
Entre leigos ou letrados,
fala só de vez em quando,
que nós, às vezes, calados,
dizemos mais que falando.
Não sou esperto nem bruto,
nem bem nem mal educado:
sou simplesmente o produto
do meio em que fui criado.
Apesar de ter enfrentado dificuldades financeiras e problemas de saúde (sofreu de tuberculose), António Aleixo deixou um legado importante na literatura portuguesa.
Títulos:
Quando começo a cantar – (1943);
Intencionais – (1945);
Auto da vida e da morte – (1948);
Auto do curandeiro – (1949);
Auto do Ti Jaquim - incompleto (1969);
Este livro que vos deixo – (1969) - reunião de toda a obra do poeta;
Inéditos – (1979); tendo sido, estes quatro últimos, publicados postumamente.
11/25/2016
Revisitando - Eça de Queirós

8/13/2015
1/14/2015
Lewis Carroll – O pai de Alice
Passam hoje 117 anos (14 de Janeiro de 1898) sobre o falecimento de Lewis Carroll, escritor e matemático inglês, que com o pseudónimo de Charles Lutwidge Dodgson escreveu "Alice's Adventures in Wonderland", em português como "Alice no País das Maravilhas", de que aqui já falamos.
12/20/2013
John Steinbeck – As vinhas da ira
Passam hoje 45 anos sobre a morte do escritor norte-americano John Steinbeck (27 de Fevereiro de 1902 - 20 de Dezembro de 1968).
Recordo-o sobretudo como autor do livro "As Vinhas da Ira", de 1939, considerada a sua obra-prima, que li em adolescente. O livro, no formato de bolso, edição da Europa-América, ainda mora na minha estante apesar de algumas folhas soltas, como era característica desses livros, devido ao sistema da lombada colada, que ressequia e quebrava.
Um pouco paradoxalmente, porque pouco dado a filmes, nunca cheguei a ver do princípio ao fim a versão no grande ecrã, de 1940, com John Ford.
9/13/2013
Aquilino Ribeiro
Passam hoje 128 anos sobre a data de nascimento de Aquilino Ribeiro (Sernancelhe, Carregal, 13 de Setembro de 1885 — Lisboa, 27 de Maio de 1963), um dos grandes nomes da literatura portuguesa.
Das suas obras, "O Romance da Raposa" será porventura a mais conhecida e uma das mais deliciosas. Entre outras finalidades, foi motivo de inspiração para uma série portuguesa de animação de que já falamos aqui. Vale a pena recordar.
Também do que dedicou ao universo infantil, incluindo a já citada obra “O Romance da Raposa”, gosto particularmente de “A Arca de Noé III Classe”, de que tenho um exemplar da edição da Bertrand, deliciosamente ilustrado por Luis Filipe de Abreu.
- Biografia no Instituto Camões
1/20/2012
Trindade Coelho – Quando a esperança não se cumpre
De um dos belos livros de leitura da quarta classe, datado de 1973, uma das leituras, intitulada “Marcha para o futuro”, incluía um curto mas belo texto de Trindade Coelho, onde de forma esperançosa antevia uma marcha vitoriosa dos jovens de então rumo a um futuro de uma Pátria renovada, assente na herança dos pais e antepassados.
Lembrava, também, “…indignos sereis da liberdade sem as virtudes dum bom cidadão: amar a Pátria; tornar próspero o País e fazê-lo respeitar.”.
José Francisco Trindade Coelho, um notável cidadão transmontano, de Mogadouro, homem da política e da literatura, viveu entre 18 de Junho de 1861 e 18 de Agosto de 1908, um republicano que partiu às portas da implantação da república (1910) embora ainda vivesse no tempo do cobarde regicídio que conduziu ao fim da monarquia (1 de Fevereiro de 1908).
Olhando agora para o actual estado da nação, não deixa de ser irónico ou quase profético que Trindade Coelho, a mais de um século de distância temporal, apesar de esperançoso nos tempos futuros, como os republicanos de então, alertava já para a indignidade de uma raça de cidadãos com liberdades mas sem as suas virtudes. As gerações que se lhe seguiram até aos nossos dias, tanto em período de ditadura como de democracia, com raras excepcções, não mais fizeram do que arrastar o país para este lodaçal onde falta a prosperidade, no seu sentido lato, bem como o respeito. Temos sido consecutivamente governados por gente incapaz, corrupta, oportunista, indiferente à realidade do país, fazendo-o viver acima das possibilidades, “à Lagardér”, desgovernando alguns raros períodos em que tivemos condições para nos cimentarmos na igualdade e justiça.
Chegamos a este ponto, triste e lamentável da nossa História e Trindade Coelho de algum modo, apesar de incitar à esperança as futuras gerações, não viu de todo concretizado o lado optimista do seu pensamento mas precisamente o mais pessimista.
1/18/2012
Miguel Torga - Evocação
Ontem passaram 17 anos sobre a sua morte (17 de Janeiro de 1995 - Coimbra). De forma singela, e com um novo rabisco, fica aqui a evocação.
A um negrilhoNa terra onde nasci há um só poeta
Os meus versos são folhas dos seus ramos.
Quando chego de longe e conversamos,
É ele que me revela o mundo visitado.
Desce a noite do céu, ergue-se a madrugada,
E a luz do sol aceso ou apagado
É nos seus olhos que se vê pousada.Esse poeta és tu, mestre da inquietação
Serena!
Tu, imortal avena
Que harmonizas o vento e adormeces o imenso
Redil de estrelas ao luar maninho.
Tu, gigante a sonhar, bosque suspenso
Onde os pássaros e o tempo fazem ninho!
Tópicos relacionados:
Miguel Torga - 12 de Agosto de 1907
Um palmo de sonho
11/25/2010
Eça de Queirós
Sobre a sua vida e obra, não faltam exaustivas biografias e referências, pelo que ficamos apenas pela lembrança da efeméride.
Para além de tudo, é um dos meus autores preferidos e da sua obra conhecida e publicada já li tudo, de resto uma leitura que periodicamente se vai renovando como aconteceu recentemente com "As cidades e as serras".
Cada parágrafo de Eça de Queirós é um rendilhado pormenorizado e simultaneamente resumido da condição humana, das suas personagens e seus carácteres. É certo que retratou uma sociedade numa época muito própria mas, salvas as distâncias dos usos e costumes, a génese humana e os contornos relacionais da sociedade continuam quase os mesmos e por isso Eça, como os grandes escritores, permanece actual.
6/22/2010
José Saramago
(caricatura: santa nostalgia)
Não tive a oportunidade de o fazer na data, mas não queria deixar passar em branco o desaparecimento de José Saramago, homem e escritor.
Confesso que não sou consumidor nem apreciador da sua obra. Do que tentei ler em diversas ocasiões e de diversos títulos, nunca gostei. E há impressões assim, imediatas. Ou se gosta ou não gosta. Uma espécie de contacto com água gelada ou a ferver, sem paciência e tempo para que ambas amornem e a leitura se torne tépida. Há na obra de Saramago algo de intragável, de ilegível e incompreensível e não resulta apenas daquela tempestade de vírgulas e pontuação destemperada. Não. Há algo mais.Talvez mal habituado a ler e a gostar da literatura balizada de Eça a Torga, passando por Lobo Antunes (este o meu Nobel) sem terem nada a ver entre si, nunca entrei nos carris que conduzem o vagão da interpretação à obra de Saramago, que dizem, e acredito, ser profunda e desmistificadora. Seja como for, o seu legado literário deve ser importante porque, para além de tudo, foi reconhecida pelos fazedores de nobeis e a malta da escola conhece-a à custa de tanto turrar nas memórias imemoriais do convento e Blimunda.
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Pão-de-ló de Arouca - Tradição e modernidade
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