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1/01/2011

E tudo recomeça…

 

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E pronto...Não custou nada!
Cá estamos no ano de 2011, acabadinho de chegar. Faz-nos lembrar quando compramos um novo telemóvel em que lhe damos mil cuidados para se manter brilhante e impecável e até hesitamos em remover a película protectora do ecrã. Durante os primeiros dias anda todo embrulhadinho, mas volvidas duas ou três semanas, lá está ele como todos os anteriores, pousado em qualquer sítio, sujo, desmazelado, repleto de riscos e mossas de algumas quedas.


No fundo é mais ou menos isto: Nos dias que antecedem a passagem de ano somos bombardeados com um chorrilho de votos de um bom e próspero ano novo, uns sinceros outros apenas de forma maquinal. Creio até que o caminho que o Natal tem vindo a percorrer, muito consignado na matriz comercial e consumista, tem esvaziado a celebração do seu verdadeiro sentido e isso também reflecte-se na forma como o desejamos. Assim, os votos de boas festas, feliz natal e feliz e próspero ano novo, regra geral são desejos vazios, sem corpo e sem alma, expressados de forma rotineira e maquinal.


Ao fim e ao cabo, no que ao ano novo diz respeito, bem sabemos que regra geral tudo vai continuar na mesma e do ano velho, como quem muda de casa, transportamos toda a mobília e todos os problemas que tínhamos às costas a 31 de Dezembro. Bem podemos pensar que será sempre bom que pelo menos se aproveitem os também habituais votos de saúde, paz e amor. Porventura será nesta trilogia onde residirá alguma da esperança ao mudarmos de ano. Se é verdade que nos podemos manter fiéis ao amor, e dependemos de nós para o cultivar, já a saúde é um dom que dependendo também de nós, da forma como nos cuidamos nos diferentes aspectos da mente e do corpo, ela também depende do que a sociedade pode fazer por nós; A sociedade, o Estado e por conseguinte o seu sistema de Saúde. Aqui, quem tem dinheiro continua a ter um melhor acesso.


Bem sabemos com o que vamos contar ao nível da nossa governação, atolados em dificuldades, com um enorme desemprego, uma imensa dívida pública que cresce a olhos vistos, impostos gravosos e cortes orçamentais nos diversos sectores. Como alguém me dizia, a diferença substancial entre os antigos e os novos tempos, é que nos outros as pessoas viviam de acordo com as suas possibilidade e nestes vivem bem acima das suas possibilidades. Se queremos perceber a origem das nossas dificuldades, não haja mistificação quanto a esta leitura.


É esta a realidade. Logo depois de rebentados os últimos foguetes, tombadas no chão as rolhas do champanhe e curadas as bebedeiras do reveilon, os portugueses entrarão nela de queixos, como um forcado acagaçado que teme o cornos do bicho enfurecido que tem diante de si.
Não queremos abandonar a esperança e tudo o que possa significar. Ela ainda é uma das poucas âncoras que nos podem estabilizar neste fundo arenoso e instável que é o estado a que o país chegou.


Haja optimismo, mas até este voto pode ser vazio de sentido.


6/23/2009

Santa Nostalgia

rebucados zoologicos santa nostalgia

O blogue SANTA NOSTALGIA, temo-lo já dito aqui, não tem quaisquer outros pretenciosismos senão os de partilhar memórias e recordações que certamente são comuns a muitos portugueses, fundamentalmente localizadas no tempo entres os anos 1960 e 1980.

O SANTA NOSTALGIA está quase a completar 3 anos, (apenas em 25 de Julho) embora com um início pouco regular. Apesar disso, tem vindo a crescer dia-após-dia em número de visitas e comentários, o que nos dá alento à sua continuidade. Por email também temos recebido inúmeros contactos de incentivo.

É certo que existem alguns blogues com conceitos algo idênticos, o da partilha de memórias e recordações passadas, com destaque temporal para os anos 80 e 90, mas nem por isso os consideramos como concorrentes e como tal considera-se que cada um tem justamente o seu espaço próprio.   

Sem particularizar, com uma análise mais ou menos atenta, verifica-se, contudo, que a maioria desses espaços usam e abusam dos vídeos do Youtube, como sendo “pau para toda a colher”. Faz-se apenas essa inclusão e, pronto, já está! Um post pronto a publicar, sem quaisquer outros considerandos pessoais ou gerais sobre o tópico ou assunto, que digam qualquer coisa mais aos visitantes. Ou seja, um produto com muita casca mas com pouco ou nenhum sumo.

Cada qual faz como quer e como pode, é certo. Por nós, dentro do possível, procuramos quase sempre dizer algo mais sobre o tema publicado, quer numa abordagem de vivência pessoal, quer referindo alguns aspectos contextuais, mais ou menos técnicos. Esta vertente, no entanto, pode por vezes não ser tão rigorosa ou extensiva como desejaríamos e isto porque a maior parte dos casos recorremos apenas à memória, pura e dura, já que nem sempre existe a informação pretendida. Por isso, são sempre bem vindas correcções e informações adicionais por parte dos nossos visitantes.

A este propósito, e porque aqui recordamos várias séries de TV, temos solicitado por diversas vezes informações aos serviços de arquivo da RTP mas, infelizmente, as ínúmeras questões colocadas, principalmente relacionadas com aspectos técnicos, nunca conheceram resposta. Uma ou outra foi respondida meses depois e com um sintomático esclarecimento do género:  "desculpe mas não dispomos de elementos que possam ajudar!". São estes os serviços públicos que temos.

Face a esta situação, torna-se uma missão quase impossível prestar muitos detalhes técnicos sobre determinadas séries, já que por vezes, na própria Internet essas informações são escassas ou até inexistentes o que obriga a um trabalho suplementar de pesquisa.

Apesar desta simplicidade dos artigos resultantes das nossas simples recordações e memórias, há quem nos honre com a cópia de alguns artigos e imagens. Uns fazem-no dentro das boas regras, citando e ligando a fonte, outros porém, fazem-no de forma abusiva, reproduzindo artigos na íntegra, como sendo de sua autoria, portanto sem qualquer referência ao autor e origem. Mesmo depois de contactados, mantêm a mesma atitude. Lamentável. Poderia aqui deixar os links de alguns espaços onde isso foi detectado, mas, talvez noutra altura. Por ora, pensamos que seria dar publicidade a quem a não merece, já que por vezes essa postura tem precisamente esse objectivo oportunista.

Portanto, se andar por aí a matar saudades e reviver memórias passadas não se surpreenda se encontrar, sem qualquer referência à fonte,  imagens e artigos reproduzidos do SANTA NOSTALGIA.

6/06/2009

Provérbios, rifões ou ditados populares - 1

 

Fazem parte da minha memória desde criança, os provérbios, ditados ou rifões populares. Cada um deles, na sua simplicidade, carrega importantes ensinamentos adquiridos por gerações com base na experiência de um quotidiano quase sempre ligado à vida do campo. Um provérbio dito no contexto certo diz mais que muitos considerandos.

Vou deixar por aqui, às prestações, alguns muito característicos da minha terra. Naturalmente, alguns serão também comuns a outras regiões, com maior ou menor aproximação, quer na construção quer no significado, que, creio, será perceptível à maioria dos meus leitores.

 

burro com livros burro carregado de livros burro doutor santa nostalgia

- Um burro carregado de livros é doutor.

- A pensar morreu um burro.

- Porque um burro dá um coice, não se lhe há-de cortar a perna.

- Quem não pode aluga um burro.

- Uma sardinha ao longe carrega um burro.

- Abundante a chuva, gorda a uva.

- A gado que roe nunca faltaram farrapos.

- À custa dos tolos riem-se os assisados.

- Alegrai-vos tripas, que aí vai vinho!

- Antes ser martelo que bigorna.

- A lã nunca pesou ao carneiro.

- A fome é sombra da miséria.

- Barriga vazia nem força nem ideia.

- Barriga vazia não padece de azia.

- Bem se canta na Sé, mas é quem é.

- Bem fala o são ao doente.

- Bem fala Frei Tomás. Olhai p´ró que ele diz e não p´ró que faz.

- Com cunhas é que se racham pedras.

- Deus é bom e o diabo não é mau.

- Depois que foge o coelho todos dão bom conselho.

- Deus dá o pão mas não amassa a farinha.

- Devagar que tenho pressa.

- Duas mós ásperas não fazem farinha.

- Enquanto o pau vai e vem folgam as costas.

- Falai no Mendes, à porta o tendes.

- Gente nova e burros velhos botam o mundo a perder.

- Macaco velho não põe pé em galho seco.

- Graças a Deus muitas, graças com Deus, poucas.

- Grilo cantador sinal de calor.

- Mulheres, mulas e muletas, tudo se escreve com as mesmas letras.

- Nem sempre galinha e nem sempre sardinha.

- Melro que pia o poiso denuncia.

- Nunca faltou casa ao vivo e cova ao morto.

- O sino chama para a missa mas não vai a ela.

- O que é doce nunca amargou.

- Pai galego, filho fidalgo, neto ladrão.

- Pelo sim pelo não, levar o chapéu na mão.

- Por falta de um alho não se há-de perder o molho.

- Onde vires o corpo bota carga.

- Quem engorda os bóis são os olhos do dono.

- Quando a raposa anda aos grilos, mal da mãe pior dos filhos.

- Quem cabritos vende e cabras não tem, dalgures lhe vem.

- O que tem telha é telhado e quem tem telha é telhudo.

- Vaca magra dá leite de cabra.

 

*****SN*****

5/12/2009

Coisas sentidas - 1

 

Eu sei. Eu sei que não sou poeta nem almejo a esse enlevado estado de alma, tão intrínseco dessas criativas criaturas, capazes de nos arrebatar a estados de sublimes emoções. Mas, pronto… por vezes, mesmo que a um simples mortal, surge om lampejo de sensibilidade, um raro vislumbre de sentimentos e a coisa dá para algo parecido com poesia, se calhar nem tanto no âmago mas pelo menos na forma.

Sendo assim, e porque também importam em nostalgias, permitir-me-ão os meus visitantes, que de vez em quando por aqui rabisque alguns desses lamentos ou exaltações emocionais. Em suma, deixem-me tentar ser poeta, ainda que por efêmeros instantes.

solidao santa nostalgia 12052009 02

(clicar para ampliar)

 

Solidão

Gosto da solidão da alma,
Como da solidão dos montes,
Planícies doces e vagas.
Gosto dessa paz, dessa calma,
Do suave cantar das fontes
Do morno calor das fragas.

 

*****Santa Nostalgia*****

4/25/2009

25 de Abril de 1974 - 35 liberdades depois

 

cravos de abril

Recordo-me bem do dia 25 de Abril de 1974. Recordo-o sobretudo porque nessa tarde fomos mandados da escola para casa. Depois, durante o resto do dia, a televisão em constantes transmissões, onde sobretudo se via gente, muita gente na rua, misturada com soldados.

No imediato, no meu mundo de criança, não me apercebi da verdadeira dimensão do acontecimento, das suas origens e dos seus objectivos. Confesso que em todo esse período nunca tive noção do regime político em que o país estava mergulhado. Lembro-me, apenas, creio que pela segunda-classe, de um qualquer colega de carteira ter dito no recreio que quem falasse do Caetano seria preso. Veio-me logo à ideia o Sr. Caetano, um nosso vizinho, lavrador abastado e barrigudo. Seria esse o Caetano? Durante mais alguns anos pensei que sim pelo que quando calhava em cruzar com o homem, todo eu era educação e respeito, não fosse mandar-me prender.

Bom...o certo é que pelos anos seguintes fui tomando a natural noção do significado da Revolução que veio a ser baptizada "dos cravos". Hoje, à distância de 35 anos, dou como sábias as palavras de alguém que deixou mais ou menos escrito que as revoluções são pensadas por idealistas, levadas a cabo por fanáticos e aproveitadas por toda a espécie de oportunistas. Sem grandes considerações filosóficas e análises histórico-sociais profundas, quase sou obrigado a concordar com este sumário da nossa Revolução.

É certo que a liberdade conquistada permitiu a que Portugal encontrasse o seu próprio destino e retomasse um caminho de progresso e desenvolvimento, que dizem ter sido atrasado 40 anos, mas hoje, à distância de quase outro tanto tempo, sobram muitas desilusões conquistadas nesse histórico dia de Abril. A liberdade hoje está transformada em libertinagem; O exercício do poder, seus tentâculos, clientelismo, oportunismo, corrupção e favorecimento, continuam piores, com a agravante de exercidos de forma clara. O povo continua a ser o pião das nicas e a sua liberdade só serve para legitimar governos, governantes e políticos quase sempre incompetentes.

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Hoje reconheço que nessa época da nossa História havia medo, não um medo generalizado mas um medo elitista, da classe pensadora, dos homens e mulheres, não do campo e das fábricas, mas dos livros, da cultura e das artes. O povo, na sua maioria, não tinha medo. Tinha medo do fantasma real da guerra, isso sim, e esse terá sido o pecado capital do regime, que nos afogou em mortes e adiou o progresso, mas não tinha medo da insegurança, pelo que os seus filhos brincavam alegremente na rua, na escola, nos pinhais. As portas das casas e dos comércios podiam ficar escancaradas durante o dia e durante a noite. Hoje temos medo de deixar sair as nossas crianças fora da porta e até a escola tornou-se tudo menos um exemplo de virtudes, educação e disciplina. Quem então trabalhava para o sustento do dia-a-dia hoje continua a ter que o fazer, com a agravante de ter que ganhar para o pão e para os livros da escola mas também para os carros, para a casa, para todo um conjunto de inutilidades, para pagar os medicamentos para curar as nossas depressões, para engordar os bancos e os cofres públicos. Os outros, a tal classe elitista, foi quem mais ganhou com o 25 de Abril, porque deixou de ter medo e hoje é quem ocupa os grandes cargos  dos governos, das instituições, enfim, o poder, o seu exercício e as suas altas benesses.

Hoje reconheço que a liberdade teve um preço demasiado caro e vivemos mergulhados numa crise, num desemprego que fustiga quase todas as famílias, onde a economia geral atinge valores idênticos aos dos anos 70, onde a criminalidade, ligeira e violenta enche as páginas dos jornais e os ecrãs da televisão, onde os criminosos vivem e actuam sem medo de um sistema que os devia castigar e onde o povo, desprotegido, continua a ter que "pagar as favas", onde quem tem dinheiro é que se defende, onde quem tem  "padrinhos" é que aspira aos melhores cargos e lugares.

Enfim, o povo continua unido (nesse dia gritava-se " O povo unido jamais será vencido"), mas unido no desfavorecimento, na insegurança e na incerteza, porque no resto continua dividido, porque as desigualdades que existiam antes do 25 de Abril continuam a vigorar 35 anos depois.

Foi para isto que serviu o 25 de Abril de 1974? Claro que não, mas, por desgraça do nosso destino, tenho dúvidas que no cômputo geral estejamos melhor. Livres, é certo, mas inseguros, endividados e desprotegidos, face ao presente e sobretudo face ao futuro, já não tanto de nós próprios (os da minha geração e mais velhos), mas fundamentalmente dos nossos filhos e dos nossos netos.

Mas eu quero acreditar que, mesmo assim, apesar de nem tudo ter sido perfeito, o 25 de Abril de 1974 valeu de facto a pena. Tenhamos esperança, pois nela ainda reside a génese dessa Revolução.

25 de abril de 1974 img3

 (fonte: santa nostalgia - clicar para ampliar)

25 de abril de 1974 img4

 (fonte: santa nostalgia - clicar para ampliar)

 

*****SN*****

10/23/2008

Domingo de Outono

 

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DOMINGO DE OUTONO

Voltei a subir aos montes da minha infância
E percorri velhos caminhos,
Trilhos de sombras e murmúrios das águas.

A brisa dos meus passos quando menino,
Afagou de leve o meus rosto de homem,
Deixando neblina na forma de lágrimas.

Calcorreei tojo, silvados e subi ao velho carvalho,
Brinquei às escondidas na sua gasta folhagem
Tão quente como as suas cores.

Ouvi os gracejos do melro preto
E avistei o pisco de peito ruivo.

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É de facto uma emoção redobrada e sentida, sempre que percorremos caminhos e lugares que noutros tempos foram palcos das nossas brincadeiras de criança. A distância do tempo ajuda a sedimentar essa emoção e nostalgia.


Este local a que me refiro, neste meu simples poema, uma espécie de paraíso perdido, no fundo da minha aldeia, todo ele emana memórias e recordações: Os caminhos, os campos, os pinhais, a  ribeira, as nascentes de água, a represa, o moinho de água, as levadas, os velhos carvalhos, os castanheiros, as cerejeiras e macieiras, os melros, os piscos, os cucos, as poupas, as rolas, os pombos, os seus ninhos e seus chilreios, são elementos inesquecíveis e que, apesar dos anos e do aspecto de abandonado, permanecem ali, como que a convidar ao regresso, ao trabalho duro do campo, é certo, mas também às folias, aos jogos, às escondidas, ao apanha, ao nadar na represa de água tão fria quanto límpida e à construção das cabanas num renque de árvores.

Mas não...Há por ali um sentimento de mera nostalgia e ao mesmo tempo um sentimento de comoção por algo que se perdeu e apenas revive na memória. A morte do local, desse pequeno paraíso, é irreversível quanto a impiedosa abertura de uma nova auto-estrada, que inexoravelmente vai rasgar aquelas entranhas, bem por cima da represa, bem por cima do moinho, bem por cima das nossas mais puras recordações.


Mas a memória tem o dom e o condão de ressuscitar esses momentos, de condensar esses istantes, esses lugares e como tal viverão dentro de nós para sempre. As fotografias que fui colhendo vão dar uma ajuda.

9/17/2008

Coisas do antigamente

 

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Há dias recebi um email de uma simpática visitante, questionando-me sobre o facto de não publicar memórias e nostalgias sobre os anos mais recentes. Agradeci a questão e respondi o seguinte:

O Blogue Santa Nostalgia, modestamente, abarca sobretudo memórias pessoais e colectivas vividas nos anos, 60, 70 e 80. Embora até já tenha existido essa referência na apresentação do blogue, foi no entanto retirada, porque nâo existe um espartilho temporal assim tão rígido. É apenas um farol no mar das divagações.
Por outro lado, mesmo recordando, revivendo e partilhando (com cada vez mais visitantes) as memórias que guardo desse período, a verdade é que muitas delas têm ligações que descem a períodos anteriores como até sobem aos nossos dias, nomeadamente nos posts relacionados com o que chamo de publicidade antiga ou nostálgica, onde recordo produtos e marcas que, sendo antigas, ainda se mantêm actuais.


Não será, pois, de esperar que traga aqui como memórias e nostalgias situações referenciadas aos anos 90, pelo menos de forma recorrente. Para mim, um programa de televisão, uma música, um filme ou um produto dessa década não é assim uma nostalgia tão forte que mereça, pelo menos para já,  ser aqui trazida à memória, porque, obviamente, ainda está muito presente.


Olhando para a nossa blogosfera, abarcando os finais dos anos 80 e a década de 90, constato que há diversos espaços que exploram esse intervalo temporal. Por conseguinte, é com um sorriso que verifico que memórias dos anos 90 já são consideradas coisas do antigamente para certos bloguistas e respectivos visitantes. Nada contra, pelo contrário, mas as minhas coisas do antigamente, os meus verdes anos, e estou certo que do grosso dos visitantes do Santa Nostalgia, situam-se um pouco mais abaixo no poço do tempo. Em contrapartida, há também quem fale de coisas ainda mais antigas, para mim as mais interessantes de recordar. Essas eu não perco.

Faz, pois, sentido que a apresentação do Santa Nostalgia refira: Um espaço onde se pretende matar saudades e memórias ou até ressuscitá-las. Recordações dos tempos idos da nossa infância e juventude. Porque recordar é viver.

Ora os meus tempos de infância e juventude, já lá vão. Agora só mesmo em memórias e nostalgias. É esse o sentido do Santa Nostalgia.

7/31/2008

Bom dia! Como tem passado Vossa Excelência? Bem, muito obrigado! Até amanhã!

 

 bucha e estica santa nostalgia

Hoje em dia é concensual a ideia de que vivemos numa pequena aldeia global. A internet, uma tecnologia de comunicação e informação, veio materializar esta realidade. Neste sentido, o conhecimento e a partilha de informação e conhecimento está ao alcançe de um simples clique.


Apesar desta globalização, desta pseudo-aproximação, o certo é que se traduz numa relação fundamentalmente virtual. Estamos demasiado próximos, separados apenas por uma janela em forma de ecrã, mas na realidade nunca estivemos tão distantes, pelo menos em termos de afectividades e sua partilha. 
Actualmente as pessoas têm uma vida com círculos de relações muito compartimentadas. Vivemos num prédio  onde habitam 100 ou 200 pessoas mas não conhecemos nem nos relacionamentos com ninguém. Quando muito, com os vizinhos do lado porque inevitavelmente nos encontramos à saída ou à entrada da escada ou do elevador. Por conseguinte, somos desconhecidos e agimos como isso.


Neste contexto, hoje quase não nos cumprimentamos nem nos saudámos. Fora do ciclo rotineiro da casa, da família, da escola e do emprego, ninguém cumprimenta um desconhecido. Quando na rua nos cruzamos com um qualquer estranho, ou mesmo conhecido mas sem qualquer grau de confiança, não somos capazes de lhe dizer um "bom dia" ou um simples "olá". Nem um simples olhar directo ou sorriso. A maior parte das vezes olhamos para o chão ou até desviamos caminho ou paramos a olhar para o lado a fingir que estamos distraídos.
Esta situação, obviamente, tende a agravar-se, porque com o permanente clima de insegurança, ninguém confia em ninguém e qualquer pessoa desconhecida, até prova em contrário, é um potencial ladrão, um terrorista ou um pedófilo. O medo está a condicionar as nossas relações de confiança e afectos com pessoas menos conhecidas.


Noutros tempos, porém, o cumprimento era uma regra geral de bom trato e boa educação. Mesmo a desconhecidos, não se regateava os bons-dias, boas-tardes ou boas-noites, conforme a altura do dia. Esses cumprimentos eram mútuos. Por outro lado, as saudações podiam ainda ser mais íntimas, como o desejar um "até amanhã" ou um simples "até logo". Frequentemente também se saudava com um "como tem passado?" e despedia-se com um "até amanhã, se Deus quiser". Independentemente da crença, este tipo de saudação comportava alguma intimidade e afectividade, mesmo para com pessoas estranhas. Era essa a norma.


Por outro lado, gestos de afectividade, deferência e respeito para com os outros, superiores ou subalternos, e principalmente para com as senhoras e idosos, hoje estão quase perdidos ou em desuso. O gesto de se tirar o chapéu como forma de cumprimento, principalmente perante superiores e senhoras, hoje não passa de uma raridade e até motivo de ridículo, bem como as formas de tratamento, quer verbais quer na escrita.


É, pois, com saudade, que trazemos à memória coisas tão simples como os cumprimentos e as saudações entre pessoas, que no antigamente eram espontâneos e sinais de boa educação e respeito e que hoje se vão tornando raros e confinados a situações de protocolo dos nossos nichos da sociedade, repletos de doutores e engenheiros. Hoje o tratamento por "senhor doutor" ou "senhor engenheiro", mais do que um tratamento de educação, é um formalismo artificial e sempre com alguma segunda intenção em mente, de gozo ou impostorice, de graxa como se costuma dizer.


O resto é o que se sabe e o que se vê: Muita gente mal educada, sem qualquer noção da boa educação e respeito pelos outros. Os velhos livros e manuais de princípios e deveres cívicos estão nos arquivos e quase sempre são conotados com os tempos da velha senhora como se o respeito e a boa educação fossem exclusividades de um tempo e de um status.

A educação hoje fundamenta-se na liberdade e todos sabemos no que dá a zelosa liberdade quanto aos direitos mas escassa e deficiente quanto aos deveres.
Não é de admirar, pois, que seja já uma saudade e uma memória a forma franca e correcta como as pessoas, ainda num passado recente se cumprimentavam e saudavam.

7/30/2008

Brincadeiras de ontem e de hoje

 

santa nostalgia brincadeiras

Actualmente o grosso dos tempos livres das crianças é passado de forma estática frente ao televisor, em jogos no computador ou em consolas, como a Play Station.
Sem dúvida que os tempos, os contextos e os meios são outros, bastante diferentes dos anos 70, por exemplo, mas desde logo há uma ideia base que ressalta: As crianças de agora tendem a passar os tempos livres em situações de isolamento, com todos os inconvenientes, não só em casa, como até nos ambientes do recreio na escola. Os brinquedos actuais, as consolas, os telemóveis e afins, confina-os a esse auto isolamento porque pela sua natureza não são propriamente brinquedos de partilha ou de conjunto.

As emoções são assim individualizadas e pouco exteriorizadas. Qualquer técnico da temática da criança, sua psicologia e desenvolvimento, saberá identificar os aspectos negativos que esta realidade pode comportar se não houver outras situações que procurem menorizar esta realidade.


Pelo contrário, de há vinte e cinco anos para trás, as crianças brincavam sobretudo em conjunto, praticando jogos que requeriam precisamente essa componente de equipa. Frequentemente, as brincadeiras e os jogos implicavam a disputa, o desafio constante de se levar a melhor sobre os outros e a superação sobre si próprio, commportando na sua maioria uma forte componente lúdica mas também desportiva. O exercício físico estava assim presente na maior parte das brincadeiras. As corridas, os saltos, a perícia e até mesmo os exercícios mentais, estavam omnipresentes em todos os momentos de brincadeira, tanto no recreio da escola, como nos restantes tempos livros. Acresce que muitos dos brinquedos eram construídos pelas próprias crianças, incluindo todo um processo de imaginação e destreza.


Hoje as crianças, fora do contexto escolar, quase não tem amigos ou colegas de brincadeira. Até mesmo em ambientes pouco urbanos, as crianças quase não têm vizinhos. Outrora, a rua era um dos palcos da brincadeiras. Hoje, pelos piores motivos relacionados com a insegurança, ninguém permite que o filho brinque na rua, mesmo que em frente da casa. Para além do mais, hoje a maior parte das crianças são filhos únicos, pelo que nem com os próprios irmãos é complementada a partilha dos jogos e emoções das brincadeiras. Para agravar a situação, é reconhecido que os pais, devido às exigências do dia-a-dia, também brincam muito pouco com os seus filhoes. Os pais portugueses estão à frente nesta negativa realidade.


Com toda esta situação como pano de fundo, trazer à memória neste espaço,  brinquedos, brincadeiras e formas de brincar das crianças de há trinta anos, acaba por ser um exercício de comparação e reflexão entre os diferentes contextos temporais, sociais e culturais, mas também uma forma de documentar esses momentos mágicos, que certamente jamais serão repetidos.

7/25/2008

Tempo da tropa

 

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Quem não se recorda do seu tempo de tropa?


Com o fim do serviço militar obrigatório a tropa tornou-se mais uma saída profissional do que propriamente uma forma de servir a Pátria. Depois, há que dizê-lo, quem é que sentia realmente esse sentido do dever, quando por ali andavam obrigados e arrastados das suas casas, familiares e amigos, principalmente no tempo da tropa a sério, em plena Guerra do Ultramar, nas suas diversas frentes.


Seja como for, não pretendo aqui fazer um exercício sobre a tropa, o serviço militar, nem debater os seus contextos históricos e sociais. Pretendo apenas recordar o tempo de tropa, pura e simples, e se possível trazer à baila as melhores lembranças, aqueles momentos que jamais esqueceremos e agora nos fazem sorrir com saudade e até mesmo, estou certo que na maioria dos casos, em desejar voltar a esse tempo e a essa experiência.


No meu caso, passei pela tropa já depois de assentes as poeiras decorrentes da revolução do 25 de Abril de 1974, portanto já sem o pesadelo e o estigma da Guerra no Ultramar.
Quiz o destino ou o acaso, ou outras coincidências, que prestasse o serviço militar durante dois anos, completos, ao serviço do ramo da Marinha de Guerra Portuguesa.


Iniciei o serviço militar na Escola de Alunos Marinheiros, em Vila Franca de Xira, mesmo na borda do Tejo, seguindo, depois de concluída a instrução básica, até ao Alfeite, mais concretamente para a Escola de Comunicações, no complexo da Marinha, frequentando o respectivo curso na especialidade de Operador Táctico.


Durante todo este percurso de dois anos passei pelos postos de segundo grumete recruta, segundo grumete, primeiro grumete e segundo marinheiro. Tenho ideia de que o posto de primeiro marinheiro era para quem decidisse permanecer no quadros depois do serviço militar obrigatório, podendo depois concorrer ao posto de cabo e por aí fora.

Durante o último ano, já com o curso, estive de serviço no Centro de Telecomunicações, no Comando Naval do Continente, na Base Naval de Lisboa, sediada no Alfeite, onde fazia parte de uma das três divisões que asseguravam um serviço permanente 24 horas por dia.

Foi assim um tempo que hoje recordo, com uma mistura de sentimentos, desde lembranças de bons momentos, que foram muitos, mas também de dificuldades, responsabilidades e até coisas negativas, desde logo pela suspensão da vida activa que a tropa representava.


Pelo meio recordo todos os episódios durante a recruta, durante o curso e mesmo durante o serviço final, nomeadamente os vários turnos durante a madrugada. Também lembro as intermináveis viagens de combóio, pela madrugada fora, com paragens em todas as estações e apeadeiros, em jornadas que demoravam seis e sete horas.
Recordo os episódios na caserna, com a cama feita à espanhola, açúcar nos lenções e as peripécias no refeitório e nas saídas e escapadelas às meninas do Intendente, em Lisboa. Também me lembro de ter que decorar os postos, as bandeiras do Código Internacional de Sinais, e aprender os nós-de-marinheiro.

Também não esqueço, porque foi uma das bases do meu curso, a aprendizagem do código morse na especialidade de luzes. Cheguei mesmo a ganhar medalhas, tanto na categoria de transmissão como recepção.

Inesquecível as inúmeras vezes que subia as dezenas de degraus de acesso à torre central na Base Naval, ao nascer e ao pôr-do-sol para içar a bandeira (tenho ideia de que se chamava preparativa), pondo em sentido todas as guarnições ali acostadas. Pelo meio recusei a oportunidade de embarcar no emblemático Navio Escola Sagres, por troca com um colega. Não há nada como ter os pés firmes em terra.

Não posso também esquecer os vários amigos que fiz, provenientes de vários locais do nosso país, desde o Algarve até ao Minho.
Como vêem, até a tropa pode ser sinónimo de recordações e nostalgias. Quem as não tem?

escola de alunos marinheiros vila franca

- Vista aérea da Escola de Alunos Marinheiros, em Vila Franca de Xira, onde realizei a recruta. Lá está, junto à parada, o edifício da minha caserna.

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- Vista aérea do complexo de escolas da Marinha de Guerra Portuguesa, no Alfeite. Lá está a Escola de Comunicações, a parada, as casernas e o refeitório. Ah, e o Tejo.

7/25/2006

Matar saudades

Este espaço está a começar, como uma criança que ensaia os primeiros passos, tímidos, medrosos e pouco convincentes, mas que com o tempo e paciência crescerá firme e bem mais determinado na caminhada.

Este espaço até pode ser mais um, mas que seja. Será, pois, mais uma alternativa como lugar de recordações, de nostalgia, de matar saudades, ou, como diz a descrição do blogue, "até para ressuscitá-las".

O Homem tem uma necessidade intrínseca de regressar ao seu passado, de criança, de meninice, de juventude e de aí beber das coisas, dos momentos, das gentes e lugares, que preencheram então o dia-a-dia de uma caminhada pela vida fora.

Hoje homens e mulheres, ainda recordámos emocionados, os nossos primeiros passos na escola primária, os nossos colegas, os professores, os livros, as brinacadeiras e os brinquedos. Recordámos extasiados os nossos passatempos, os programas na televisão, os filmes, as séries, os documentários, os livros de leitura, a banda-desenhada e mil-e-uma-coisas que sedimentarm a nossa existência e nos ajudaram, com maior ou menor importância, a tornarmo-nos naquilo que somos hoje.

Por mim, vivo o presente e tento perspectivar o futuro, mas faz parte de mim esta necessidade de rejuvenescer e voltar ao meu passado de menino, de adolescente e voltar a ver e viver todas as suas nuances.

Vamos, pois, começar!

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Pão-de-ló de Arouca - Tradição e modernidade

  Casa do Pão-de-Ló de Arouca - A. Teixeira Pinto

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