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1/16/2025

A Nikita do Elton, que era tão inglesa como ele

Anya Major - A Musa de "Nikita".

Nos anos 1980, os videoclipes desempenhavam um papel central na promoção de músicas, muitas vezes criando narrativas visuais inesquecíveis. Um exemplo marcante foi "Nikita", de Elton John, lançado em 1985. O videoclipe tornou-se um clássico não só pela música emotiva, mas também pela participação da bela Anya Major, a mulher que, nascida em 1966,  deu vida à personagem-título e se tornou um ícone visual daquela era.

Quem era, afinal a Nikita? Soviética, alemã oriental?

Anya Major não era uma actriz ou modelo muito conhecida na época, mas já havia chamado atenção em outro projecto marcante. Ela tinha sido a protagonista do famoso comercial "1984" da Apple, dirigido por Ridley Scott, no qual destrói simbolicamente o controle opressivo do "Big Brother". Esse papel destacou sua presença atlética e forte, características que a tornaram perfeita para o videoclipe de "Nikita".

Antes de sua fama em "1984" e "Nikita", Anya Major era uma atleta britânica, conhecida por sua determinação e carisma natural. Sua habilidade de combinar força e feminilidade chamou a atenção de produtores, garantindo-lhe oportunidades como essa.

 O Contexto do videoclipe de "Nikita"

A canção "Nikita", escrita por Elton John e Bernie Taupin, é uma balada romântica que captura a melancolia e as limitações impostas pela divisão política da Guerra Fria. A letra narra a história de um amor impossível entre o narrador e Nikita, uma agente da polícia de fronteira da Alemanha Oriental, que então separava o outro lado do muro de Berlim.

No videoclipe, dirigido por Ken Russell, Anya Major encarna a figura de Nikita, vestida em um uniforme militar e o emblemático gorro de pelo, mas com traços de vulnerabilidade e doçura. A sua personagem simboliza a humanidade que transcende as barreiras ideológicas. Apesar do uniforme rígido, o olhar de Anya transmitia emoções que contrastavam com a frieza política do cenário.

O Impacto do videoclipe

"Nikita" foi lançado em uma época em que a tensão entre o Ocidente e o Bloco Soviético era um tema constante na mídia e na cultura popular. O videoclipe, com uma narrativa simples e nem sempre consentâneo com a história cantada, ressoou, contudo, com as audiências de todo o mundo. Anya Major tornou-se a personificação visual de Nikita, eternizando seu papel como o rosto de um amor que desafiava barreiras.

Curiosamente, a canção gerou alguma controvérsia após seu lançamento. Na letra, "Nikita" é referida como um homem, já que, em russo, Nikita é um nome masculino. No entanto, o videoclipe reinterpretou a narrativa, apresentando Nikita como uma mulher, o que ajudou a universalizar a mensagem da música.

Anya Major após "Nikita"

Após o sucesso de "Nikita", Anya Major optou por uma vida mais discreta, afastando-se dos holofotes. Seu papel no videoclipe, no entanto, permanece como um marco na cultura pop, sendo lembrado por sua beleza, força e a emoção que trouxe à história visual da música de Elton John.

Um Símbolo de resistência e emoção

O videoclipe de "Nikita" não seria o mesmo sem a presença magnética de Anya Major. Ela conseguiu transmitir a tensão de uma época e a ternura de um amor impossível com um simples olhar. Sua atuação reforçou a mensagem da música: a de que barreiras políticas podem separar pessoas, mas não têm o poder de apagar os sentimentos que elas compartilham.

Anya Major será para sempre lembrada como a guarda de fronteira que, mesmo sem palavras, nos contou uma história que atravessou décadas.

12/26/2016

Sequim de Ouro (Zecchino D´oro)

 

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Hoje trago à memória o Zecchino d'Oro (Sequim de Ouro), Festival Internacional da Canção para Crianças, de origem italiana, que anualmente e desde 1959 marca esta quadra natalícia já que, embora seja realizado em Novembro, é transmitido pela televisão italiana - RAI, com difusão por muitas outras estações europeias e mundiais no dia de Natal ou muito próximo deste. 

O festival acontece na cidade italiana de Bolonha, no Teatro Antoniano, onde os pequenos artistas são superiormente acompanhados pelo "Piccolo Coro Mariele Ventre dell Antoniano" dirigido por Sabrina Simoni. Uma grande figura deste festival e seu impulsionador, foi o apresentador Cino Tortorella, já retirado.


O Festival teve a sua primeira transmissão pela rede Eurovisão em 1969 e em 1976 tornou-se internacional com a admissão de crianças e canções estrangeiras.
Em Portugal este Festival passou a despertar as atenções depois da participação da pequenita Maria Armanda, na 23ª edição, no ano de 1980, que venceu com a canção "Eu vi um sapo" (Ho visto un rospo).

Um ano antes, com a mesma canção, a pequenita Maria Armanda participou e venceu a I Gala Internacional dos Pequenos Cantores, realizada na Figueira da Foz. Apesar disso, Portugal já tinha tido uma anterior representação neste Sequim de Ouro no ano de 1978, com a conhecida canção “Foi na Loja do Mestre André” (Nella bottega di Mastro Andrè) interpertada pela pequenita Ana Rita Marques Guimarães, quedando-se, no entanto, por um humilde ante-penúltimo lugar na classificação.

“Eu vi um sapo” tornou-se um tema popular e durante gerações andou na boca dos portugueses, sobretudo da criançada. Contribuiu de facto para o interesse no Zecchino D´Oro no nosso país e este durante décadas tornou-se parte tradicional da quadra de Natal. Nos dias de hoje (ainda vi esta semana a versão de 2016 - 59ª edição), o festival  já não desperta o mesmo interesse nem terá a mesma popularidade. No entanto, ao contrário do Festival Eurovisão da Canção que tem sido alterado e desfigurado, o Zecchino D´Oro continua igual a si mesmo, sem grandes alterações, onde as crianças e as canções são a parte principal e a sua maior riqueza. Oxalá que continue por muitos mais anos, este “Património para uma cultura de paz”, reconhecido como tal pela UNESCO no ano de 2008 aquando das suas bodas de ouro (edição 50).

- Vencedora da edição de 2016

3/25/2015

“Os Taras” e Montenegro - “O autocarro do amor”

 

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Estávamos em 1969 e o grupo "Os Taras" e Montenegro, no qual se incluía o então desconhecido Quim Barreiros, gravou um EP com quatro temas (*)  do qual sobreviveu na memória colectiva o título "Autocarro do Amor", que ainda hoje esporadicamente assalta a memória da malta com idades acima dos 50 anos, então jovens e adolescentes e que, na rádio, nas romarias ou bailes de garagem ouviam com frequência esta simples canção mas de melodia que facilmente entrava no ouvido, ou não fosse o refrão baseado no inconfundível lá lá lá lá..
Uns anos mais tarde o cançonestista Jorge Ferreira trouxe o tema para o seu reportório, incluido no CD "Meu coração bate por ti".

Letra:

Lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá, Lá lá lá lá lá lá lá lá lá

Num belo autocarro um dia entrei, e eu nele tudo estranhei
Dois empregados bem gentis, como nunca teve a carris
Que carro é este, perguntei, pois, que nunca assim eu viajei
É o autocarro do amor, logo respondeu o revisor

Refrão
Lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá, Lá lá lá lá lá lá lá lá lá

Só entravam nele passageiros, jovens bem bonitos e solteiros
Logo a seguir noutra paragem, entrou uma moça na viagem
Olhando p’ra todos perguntou, que carro é este em que eu vou
É o autocarro do amor, logo respondeu o revisor

Refrão
Lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá, Lá lá lá lá lá lá lá lá lá

Eu por ela então me apaixonei, e o meu amor lhe declarei
Quando a viagem terminou, e ela comigo se casou
Era o autocarro mais feliz, de quantos haviam na carris

Lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá, Lá lá lá lá lá lá lá lá lá

 

(*) Sobre o formato dos discos de vinil [fonte: wikipédia]

Durante o seu apogeu, os discos de vinil foram produzidos sob diferentes formatos:

LP: abreviatura do inglês Long Play (conhecido na indústria como, Twelve inches--- ou, "12 polegadas" (em português) ). Disco com 31 cm de diâmetro que era tocado a 33 1/3 rotações por minuto. A sua capacidade normal era de cerca de 20 minutos por lado. O formato LP era utilizado, usualmente, para a comercialização de álbuns completos. Nota-se a diferença entre as primeiras gerações dos LP que foram gravadas a 78 RPM (rotações por minuto).
EP: abreviatura do inglês Extended Play. Disco com 25 cm de diâmetro (10 polegadas), que era tocado, normalmente, a 45 RPM. A sua capacidade normal era de cerca de 8 minutos por lado. O EP normalmente continha em torno de quatro faixas.
Single ou compacto simples: abreviatura do inglês Single Play (também conhecido como, seven inches---ou, "7 polegadas" (em português) ); ou como compacto simples. Disco com 17 cm de diâmetro, tocado usualmente a 45 RPM (no Brasil, a 33 1/3 RPM). A sua capacidade normal rondava os 4 minutos por lado. O single era geralmente empregado para a difusão das músicas de trabalho de um álbum completo a ser posteriormente lançado .
Máxi: abreviatura do inglês Maxi Single. Disco com 31 cm de diâmetro e que era tocado a 45 RPM. A sua capacidade era de cerca de 12 minutos por lado.

3/28/2014

A Aldeia da Roupa Branca

 

Ontem a RTP Memória passou o popular filme português “Aldeia da Roupa Branca”, realizado por Chianca de Garcia, com Beatriz Costa num dos principais papéis. Este filme de 1938, estreado no início de 1939, é um dos incluídos  na chamda idade de ouro do cinema português. Apesar das inúmeras vezes que tem passado na televisão, é sempre agradável de ver e recordar pelo pitoresco das personagens e sobretudo pela enorme rixa entre povo e músicos na cena da romaria.

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Aqui ficam as letras de duas das músicas cantadas pela Beatriz Costa

ALDEIA DA ROUPA BRANCA

Ai rio não te queixes,
Ai o sabão não mata,
Ai até lava os peixes,
Ai põe-nos cor de prata.
Roupa no monte a corar
Vê lá bem tão branca e leve
Dá ideia a quem olhar
Vê lá bem que caiu neve

Água fria, da ribeira,
Água fria que o sol aqueceu,
Velha aldeia, traga a ideia,
Roupa branca que a gente estendeu.
Três corpetes, um avental,
Sete fronhas, um lençol,
Três camisas do enxoval,
Que a freguesa deu ao rol.

Ai rio não te queixes,
Ai o sabão não mata,
Ai até lava os peixes,
Ai põe-nos cor de prata.
Olha ali o enxoval
Vê lá bem de azul da esperança
Parece o monte um pombal
Vê lá bem que pombas brancas

Água fria, da ribeira,
Água fria que o sol aqueceu,
Velha aldeia, traga a ideia,
Roupa branca que a gente estendeu.
Três corpetes, um avental,
Sete fronhas, um lençol,
Três camisas do enxoval,
Que a freguesa deu ao rol.

Ai rio não te queixes,
Ai o sabão não mata,
Ai até lava os peixes,
Ai põe-nos cor de prata.
Um lençol de pano cru,
Vê lá bem tão lavadinho,
Dormimos nele, eu e tu,
Vê lá bem, está cor de linho.

Água fria, da ribeira,
Água fria que o sol aqueceu,
Velha aldeia, traga a ideia,
Roupa branca que a gente estendeu.
Três corpetes, um avental,
Sete fronhas, um lençol,
Três camisas do enxoval,
Que a freguesa deu ao rol.

 

AS PRINCESAS DA CIDADE

As princesas da cidade, oh, ai!
São bonequinhas de armar
Só a nossa “colidade”
É de lavar e durar
Só a nossa “colidade”
É de lavar e durar

Se o noivo é de Caneças
E a noiva é da Malveira
Já podem pedir meças
Á saloiada inteira
Mas se não for com essas
Vá lá doutra maneira
A noiva de Caneças
O noivo da Malveira

Toma lá, dá cá
Quem não tem não dá
Quem estala a capa do canejo
Quem não deu, não dá
Quem já deu, dará
Não sejas tola
Dá-me um beijo

Nossos braços são quentinhos, oh ai!
Têm força para abraçar
E nos peitos redondinhos
Pode um homem descansar
E nos peitos redondinhos
Pode um homem descansar

Se o noivo é de Caneças
E a noiva é da Malveira
Já podem pedir meças
Á saloiada inteira
Mas se não for com essas
Vá lá doutra maneira
A noiva de Caneças
O noivo da Malveira

Não temos bocas pintadas, oh ai!
Não temos a carne mole
“Semos” desenxovalhadas
E crestadas pelo sol
“Semos” desenxovalhadas
E crestadas pelo sol

Se o noivo é de Caneças
E a noiva é da Malveira
Já podem pedir meças
Á saloiada inteira
Mas se não for com essas
Vá lá doutra maneira
A noiva de Caneças
O noivo da Malveira

3/06/2014

Century – Lover Why

 

A qualidade da música pop que foi produzida durante toda a década de 80, principalmente da sua primeira metade, é amplamente reconhecida não só pelos apreciadores como pelos críticos. Ainda hoje, não só é recordada com verdadeira nostalgia pelas gerações que a vivenciaram como continua a passar com frequência na rádio, pelo que diríamos que se mantém actual. No caso de Portugal, mas também de muitos outros países, existe até uma estação (M80) cuja essência assenta sobretudo na música dessa década. Também na TV por cabo existem canais onde os vídeo clips da música dos anos 80 são exibidos a toda a hora.

Neste contexto, dos inúmeros temas que aqui poderíamos elencar e recordar, hoje salta-nos à memória uma balada rock, "Lover Why", dos franceses "Century". Esta banda, fundada em Marselha no ano de 1979 foi liderada pelo cantor e compositor Jean Duperron. Dos seus vários trabalhos, não há dúvida que a balada "Lover Why", do álbum "And Soul it Goes", de 1986, foi o mais marcante e aquele que tornou famoso o grupo e por essa altura animava romanticamente todas as pistas de dança, mesmo as festas de anos caseiras e bailaricos organizados pelos jovens de então.

No meu caso pessoal, o primeiro contacto com o “Lover Why” e os “Century” foi precisamente numa festa de aniversário caseira (um colega fazia 20 anos) e a meia-luz, com a bola-de-cristal, em reflexos coloridos, a girar no tecto da garagem, dancei apaixonados “slows” com a então namorada e hoje minha esposa. Por isso, para o bem ou para o mal, há efectivamente temas musicais que marcam uma época ou mesmo uma vida.

Ainda quanto aos “Century”, para além do líder, Jean Duperron (na voz), era formada por Jean-Louis Milford (nas teclas), Éric Traissard e Jean-Dominique Sallaberry  (nas guitarras), Laurent Cokelaere (no baixo), Christian Portes (na bateria). Infelizmente o grupo terminou ainda nos anos 80 (1989), mas “Lover Why” ficou como o seu tema marcante e certamente que assim continuará a ser no futuro.

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[Vídeo clip no Youtube]

- Letra:

A sign of time
I lost my life, forgot to die
Like any man, a frightened guy
I'm keeping memories inside
Of wounded love

But I know
I'm more than sad and more today
I'm eating words too hard to say
A single tear and I'm away
Away and gone

I need you
So far from hell, so far from you
'Cause heaven's hard and black and gray
You're just a someone gone away
You never said goodbye

Why, lover why?
Why do flowers die?
Why, lover why?

Everytime
I hear your voice, you heard my name
You built the fire, I wet the flame
I swim for life, can't take the rain
No turning back

I need you
So far from hell, so far from you
'Cause heaven's hard and black and gray
You're just a someone gone away
You never said goodbye

Why, lover why?
Why do flowers die?
Why, lover why?

Why, lover why?
Why do flowers die?
Why, lover why?

12/26/2013

Timothy - C'est la vie c'est joli


No Verão de 1977, debaixo do seu êxito  “C'est la vie c'est joli”,  chegava a Portugal um jovem naturalizado como belga, chamado Timothy. Não veio actuar mas apenas dar entrevistas e promover junta da imprensa o lançamento do seu próximo disco.
Na altura era anunciado como um concorrente ou rival de outro belga bem parecido que pela mesma altura fazia bater os corações do público feminino, exactamente o Art Sullivan, que até tinha uma música com o mesmo nome e que estivera a actuar em Portugal pela mesma altura.
 
Efectivamente basta ouvir os dois artistas para se perceber que o estilo romântico é muito semelhante. Todavia, não deixa de ser curioso que Timothy, talvez a pensar na comunidade portuguesa por terras francófonas, tenha interpretado alguns temas relacionados a Portugal, incluindo Lisboa e Alentejo. De resto, Timothy apaixonou-se por Portugal e chegou mesmo a viver em Lisboa. Fala fluentemente português e passa por cá longas temporadas várias vezes ao longo do ano.
 
Como muitos dos artistas cantores virados para o público feminino, apesar de alguns discos e alguns sucessos, Timothy passou à história, mas não deixa de ser motivo de nostalgia porque evoca toda uma época. Daí a nossa memória.
 
Como curiosidade, nesse Verão de 77, dominavam os tops de vendas em Portugal, entre outros, os singles “L´Oiseau et L´Enfant”, de Marie Myriam e “Dont´t Cry for me Argentina”, de Julie Convington e os LP´s “Hotel California” dos The Eagles e “Even in the Quietest Moments”, dos Supertramp.

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11/22/2013

O rapaz da camisola verde – Pedro Homem de Mello

 

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Certamente que não das gerações mais novas, mas das outras poucos serão aqueles que não conhecem o poema "O rapaz da camisola verde", de Pedro Homem de Mello (6 Setembro 1904 — 5 Março 1984), sobretudo por o ouvirem na forma de canção, de autoria de Frei Hermano da Câmara, que a cantou, mas  também pela voz da imortal Amália Rodrigues e Sérgio Godinho, entre outros.


Poucos ainda o saberão, mas desta grande figura da cultura portuguesa, também é a autoria de outros poemas de populares fados cantados por Amália, como "Povo que lavas no rio" e "Havemos de ir a Viana".
As primeiras memórias que tenho de Pedro Homem de Melo ecoam dos finais dos anos 60 e princípios dos anos 70, quando aos domingos, na RTP, nos entrava portas adentro para divulgar o folclore português, sendo dele um profundo conhecedor e especialista. A par das suas introduções, era ver ranchos folclóricos a dançar no lajedo granítico das eiras minhotas à sombra de altos espigueiros. Tratava-se do programa “Danças e Cantares”, que iniciou em 1958, pouco depois do nascimento da RTP, e que se estendeu na sua programação até meados de 70.

 
O rapaz da camisola verde

De mãos nos bolso e de olhar distante,
Jeito de marinheiro ou de soldado,
Era um rapaz de camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.


Perguntei-lhe quem era e ele me disse
“Sou do monte, Senhor, e um seu criado”.
Pobre rapaz de camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.

Porque me assaltam turvos pensamentos?
Na minha frente estava um condenado.
Vai-te, rapaz da camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.


Ouvindo-me, quedou-se o bravo moço,
Indiferente à raiva do meu brado,
E ali ficou de camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.

Soube depois ali que se perdera
Esse que só eu pudera ter salvado.
Ai do rapaz da camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.


Ai do rapaz da camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.


- Pedro Homem de Melo

7/20/2012

Memórias musicais - 1

 

Olhando para as minhas memórias dos anos 60 e 70, deixo abaixo uma lista, de muitas possíveis, de algumas das músicas que hoje à distância temporal considero emblemáticas.


Fosse porque eram demasiado populares e andavam na boca da rapaziada, passando com frequência na rádio e televisão, fosse porque os grupos e os cantores apareciam nas revistas, fosse porque passavam nos altifalantes das festas das aldeias ou nas aparelhagens e gira-discos nos bailaricos, fosse ainda porque estão associadas a momentos mais ou menos marcantes, a verdade é que sabe bem recordar estas preciosidades.

Sem nenhuma ordem de preferência especial, alfabética, cronológica ou de estilo, e não repetindo grupos ou cantores, aqui fica a primeira lista (ligando ao Youtube):

 

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Los Bravos: Black is Black

Francoise Hardy: Tous les garcons et les filles

Procul Harum: A whiter shade of pale

The Monkees: I´m a believer

Giani Morandi: Non son degno di te

Nazareth: Love hurts

Rlling Stones: Angie

Pink Floyd: Shine On You Crazy Diamond

The Beatles: Help

The Archies: Sugar

The Eagles: Hotel Califórnia

Simon & Garfunkel: The Sound of Silence

Beach Boys: Surf in USA

Cat Stevens: Morning has broken

Demis Roussos: Forever and ever

Brotherhood of Man: Save Your Kisses for Me

Abba: Fernando

Creedence Clearwater Revival: Have you ever seen the rain?

Paulo de Carvalho: E depois do adeus

José Cid: Ontem, hoje e amanhã

Sérgio Godinho: Liberdade

Zeca Afonso: Vejam bem

Quarteto 1111: A lenda de el-rei D. Sebastião

Green Windows: No dia em que o rei fez anos

Os Sheiks: Missing You

Duo Ouro Negro: Amanhã

Roberto Carlos: Quero que vá tudo para o inferno

Hermes Aquino: Eu sou nuvem passageira

Art Sullivan: Jenny, Jenny Lady

2/04/2011

Torneró – I Santo Califórnia

 

Hoje veio-me à memória uma das inesquecíveis baladas italianas, exactamente "Torneró", dos "I Santo Califórnia", um grupo italiano formado em meados dos anos 70, composto por Pietro Barbella (vozes e teclado), Gianni Galizia (guitarra), Donato Farina (bateria), Domenico Ajello (baixo) e Massimo Caso (guitarra).


"Torneró" (Voltarei), foi de facto o seu maior êxito e extravasou a Itália para se tornar popular em todo o mundo com um registo superior a 10 milhões de cópias vendidas.


Os “I Santo Califórnia”  participaram em 1977 no clássico festival musical "San Remo" com o tema "Mónica" que se classificou em 3º lugar.
Com o tempo o grupo foi perdendo notoriedade mas em função de "Torneró" fará sempre parte das boas recordações dos temas românticos italianos dos anos 70. Continua assim a ser escutado com agrado, principalmente naqueles momentos mais melancólicos. Para além da música, a letra também se “põe a jeito”.

 

- Uns anos depois…

i santa california 2

i santa california

Tornerò
Rivedo ancora il treno
allontanarsi e tu
asciughi quella lacrima
Tornerò

Com'è possibile
un anno senza te.

Adesso scrivi aspettami
il tempo passerà
un anno non è un secolo
Tornerò

Com'è difficile
restare senza te.

Sei
sei la vita mia
quanta nostalgia
senza te
Tornerò, tornerò.

Da quando sei partito è, cominciato per me la solitudine
intorno a me c'è il ricordo dei giorni belli del nostro amore
la rosa che mi hai lasciato si è ormai seccata
ed io la tengo in un libro che non finisco mai di leggere.

Ricominciare insieme
ti voglio tanto bene
il tempo vola aspettami
Tornerò

pensami sempre sai
e il tempo passerà.

Sei
sei la vita mia (amore mio)
quanta nostalgia (un anno non è un secolo)
senza te
Tornerò
Tornerò
pensami sempre sai
tornerò
tornerò


1/27/2010

W. A. Mozart – Faria hoje 254 anos

 

 

mozart

 

Se fosse vivo, qual uma das grandes figuras bíblicas, Wolfgang Amadeus Mozart completaria hoje 254 anos, pois nasceu na cidade de Salzburgo, na Áustria, em 27 de Janeiro de 1756.
Adoro a música clássica no geral, mas sobretudo a música de Mozart e sou apreciador do artista e da sua genialidade que, infelizmente para a música e para o tesouro artístico da humanidade, desapareceu precocemente, às portas de completar 36 anos, em 5 de Dezembro de 1791 (este 5 de Dezembro coincide com a data de falecimento de meu pai).
Tenho em CD a maior e mais significativa parte da sua obra musical, desde música de câmara, concertos, missas, sinfonias e óperas, bem como vários livros biográficos.
Situada no chamado período clássico, a sua música é intemporal e Mozart ainda hoje é dos autores mais apreciados, exaltados e executados.
Porque faz assim parte das minhas memórias musicais e artísticas, é merecida esta lembrança no dia em que se evoca o seu nascimento.

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10/20/2009

Patrick Hernandez – Born to be alive

 

Estávamos no final da década de 70 e a chamada disco music estava mais ou menos no seu apogeu, muito à custa da populariadde de filmes como "Saturday Night Fever", de 1977, com John Travolta e a banda sonora dos famos Bee Gee.

No meio deste reboliço musical, surgiu um francês chamado Patrick Hernandez que fez sucesso em 1979 com o tema “Born to be alive”. O sucesso estendia-se desde a venda do disco até à sua passagem constante na rádio, na televisão e nas discotecas.

É certo que Patrick Hernandez ainda teve um tema que também vendeu bem, “Loosing sleep over you”, até porque no Brasil fez parte da banda sonora de uma popular telenovela, “Baila Comigo”, mas praticamente desapareceu a partir de meados de 80. Todavia, a partir daí, e ainda quase até aos nossos dias, continuou a ser solicitado para cantar esse seu grande êxito. Deste modo, Patrick Hernandez é sinónimo de “Born to be alive”.

Pessoalmente este tema traz-me fortes memórias do meu tempo de adolescente, e obviamente todo esse ambiente e essa cultura que foi o disco music. Só por esse facto, Patrick Hernandez, apesar do seu estilo algo piroso, merece ser aqui recordado.

 

patrick hernandez born to be alive santa nostalgia

 

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6/18/2009

Paul McCartney – 18 de Junho de 1942

 

the beatles 01 santa nostalgia

O Sr. Paul MacCartney, um dos famosos da banda rock The Beatles, faz hoje 67 anos, já que nasceu a 18 de Junho de 1942. Tal como os seus ex-colegas da banda, John Lennon (já desaparecido), Ringo Starr e George Harrison, é uma figura por demais conhecida pelo que qualquer coisa que se pretenda dizer sobre ela será uma mera redundância, para além de que não falta boa informação ao alcance de um simples clique.

É minha intenção, num destes dias, trazer a lume algumas das  memórias particulares relacionadas com os The Beatles, já que é uma das minhas bandas preferidas e que aprendi a conhecer e a gostar desde os princípios dos anos 70, então ainda no activo.

Para já fica este simples registo sobre esta efeméride. Muitos anos de vida a sir Paul MacCartney e muitos mais êxitos musicais!

 

*****SN*****

5/06/2009

Blondie – Heart of Glass - Atomic

 

Em 1980, os teenagers de então, onde me incluía, não tinham os actuais leitores de MP3 nem telemóveis artilhados com as modernas tecnologias, mas tinham leitores de cassetes e os famosos walkmans, da Sony. Por isso, mesmo sem memórias internas ou pen-drives, usavam as clássicas cassetes de fita magnética, nomeadamente as produzidas pela BASF e TDK, entre outras. Era frequente irem às lojas de discos onde era possível escolher os temas para as suas compilações.


Nesse ano, uma das músicas quase obrigatórias era o single Atomic, do grupo “Blondie”, extraído do álbum “Eat to the Beat”, de 1979. Este tema, um dos mais conhecidos desta banda norte-americana de características New Wave/Punk Rock, foi um êxito mundial logo após o seu lançamento e em Outubro, chegou ao número 1 do top de vendas no Reino Unido e Estados Unidos (no  Billboard's Hot Dance Club Play Chart, chegando ainda a lugares cimeiros em muitos outros países, não só da Europa como na Austrália e Nova Zelândia.


"Blondie", era um grupo constituído inicialmente por Deborah Harry, a vocalista loura e único elemento feminino do grupo, Chris Stein, Clem Burke, Jimmy Destri e Gary Valentine. Antes da adopção do nome Blondie, o grupo era designado de “Angel and the Snakes”.
A explosiva Deborah Harry era de facto a figura principal da banda, sendo vista como uma sex-symbol da época. O seu álbum de estreia, "Blondie" foi lançado em 1978 mas o êxito e popularidade chegariam em 1978 com o single "Heart of Glass" do álbum "Parallel Lines" (que vendeu milhões de cópias), obtendo um êxito a nível mundial. O êxito da banda continuou com a sua participação na banda sonora do conhecido filme "American Gigolo", nomeadamente com o tema "Call Me" e depois com o  já referido “Atomic”, de 1979, do álbum “Eat to the Beat”.

Entretanto, a banda teve alguns problemas internos mas volvido algum tempo, em 1982, gravou o álbum “The Hunter”  e depois dele só voltou a juntar-se para gravar em 1999, produzindo o álbum “No Exit”, onde o principal tema viria a ser “Maria”. Pelo meio, Deborah (Debbie) realizou alguns trabalhos  a solo.

Por tudo isto, e independentemente do estilo musical  tão característico dos anos 80, “Blondie” e os seus principais êxitos, fazem parte da minha memória musical e, certamente, de muitos portugueses. Apesar dos anos, são temas que ainda hoje se ouvem com alguma frequência e, diga-se, com agrado e nostalgia.

 

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(Heart of Glass)

(Atomic)

 

*****SN*****

4/21/2009

Al Bano & Romina Power - Uma dupla musical

 

Hoje quero trazer à memória uma das mais populares duplas da canção internacional dos anos 80 e 90, precisamente Al Bano e Romina Power. Ele italiano, nascido Albano Carrisi, em 1943 e ela, uma bela norte-americana, nascida em 1951, filha do conhecido actor Tyrone Power.
Conheceram-se durante a rodagem do filme "Nel Sole", em 1967 e casaram um Julho de 1970.
O primeiro álbum conjunto da dupla, "Dialogo" surgiu em 1975, depois de alguns trabalhos ligados ao cinema e de Romina como solista depois de interromper a sua carreira de actriz.

A popularidade deste duo pode dizer-se que começou em 1976 pela sua participação no Euro Festival da Canção (ano em que Portugal foi representado por Carlos do Carmo, com "Flor de verde pinho"), em representação de Itália, com o tema "E Fu Subito Amore", que obteve um excelente sétimo lugar. No ano seguinte, em 1976, um novo impulso na popularidade do casal, com a participação no prestigiado festival de S. Remo, conseguindo o segundo lugar com o tema "Felicita", que veio a tornar-se numa das suas músicas mais emblemáticas e que em pouco tempo vendeu milhões de cópias em toda a Europa.

Em 1984 voltaram a S. Remo para vencerem com a música "Ci Sara", outra das mais conhecidas da sua discografia.
Durante os anos 80 o casal de cantores continuou a sua saga de êxitos e popularidade, com a edição de diversos álbuns.
A sua participação no S. Remo voltou a acontecer em 1991, com o tema "Oggi Sposi", no ano em que comemoraram bodas-de-prata (25 anos) de carreira e de novo em 1996, interpretando "È La Mia Vita".

O drama bateu à porta do casal, em 1997, com o desaparecimento da filha Ylenia, que, ao que se sabe, não mais voltou a aparecer, apesar da mãe continuar a alimentar a esperança de que ainda continue viva.


Como não há bela sem senão, este famoso casal, unido pelo amor e pela música, talvez pelo cansaço de uma longa carreira e pelo drama do desaparecimento da filha, acabaram por se separar em 1999.
Romina Power mudou-se em 2008 para os Estados Unidos, exercendo uma vida de artista, sobretudo como escritora e pintora (veja o seu sítio), enquanto que Al Bano se ficou pela sua Itália, novamente como Albano Carrisi (visite o seu sítio), continuando uma carreira a solo e como homem de negócios explorando a sua propriedade vinícola e o seu hotel.

Curiosamente, visitando os sítios destas duas figuras, é impressionante a forma como ambos quase omitem a forte interligação de mais de 30 anos, quer como casal quer como artistas, como se toda essa fantástica carreira fosse para esquecer. Aliás, o sítio de Romina acompanha-nos com uma sombria e pesarosa música de fundo, emprestando um ambiente mais de tristeza do que contemplação. É pena que seja assim, mas as coisas são como são e nem sempre o presente se serve das boas heranças do passado.


Al Bano e Romina Power formaram assim, durante mais de 30 anos, um casal unido pela música, sempre com a popularidade em alta, deixando um legado de belas canções, num estilo pop-ligeiro, mas sempre com o romantismo presente, bem à maneira italiana.
Muitas das suas obras ficaram para sempre na nossa memória musical.
Pessoalmente dava comigo muitas vezes a cantarolar os seus principais êxitos, como "Felicitá", "Vivirlo otra vez" e  "Ci Sara", tentando imitar a característica voz aguda do Al Bano.

Quem não se recorda das muitas músicas deste casal musical?

Vivirlo otra vez

Sharazan

Sempre sempre

Santa Maria

Gli Innamorati

Domani domani

Fragile

Impossibili

Angeli

Abbandonati

Grazie

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("Felicitá", apresentada em S.Remo, em 1976).

 

*****SN*****

2/17/2009

Procol Harum - A whiter shade of pale

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Pronto. Chamem-me o que quiserem, mas para mim o tema "A whiter shade of pale", da banda inglesa "Procol Harum", é uma das melhores músicas de sempre. Pelo menos está seguramente entre o Top Ten da minha lista pessoal.

Para além deste emblemático tema, a banda, classificada como de rock progressivo, tem muitos outros, igualmente de forte sonoridade, pelo que estão sempre presentes no meu leitor MP3.

Esta ligação aos Procol Harum e ao "A whiter shade of pale",  não é, obviamente, de agora. Já vem do início dos meados dos anos 70, era eu pouco mais do que uma criança. Posso até dizer que a minha paixão pelos Procol Harum é ainda anterior aos The Beatles, outra das minhas paixões musicais. Digamos que foi paixão à primeira audição, mesmo que num dos pequenos rádios (transistores) a pilhas, daqueles que tinham uma interminável antena, imensamente maior do que o pequeno rádio do tamnho de um sabonete.

Resta acrescentar que "A whiter shade of pale",  é consideras como uma das músicas mais passadas na rádio, desde sempre.



A whiter shade of pale
We skipped a light fandango,
Turned cartwheels 'cross the floor.
I was feeling kind of seasick,
But the crowd called out for more.

The room was humming harder,
As the ceiling flew away.
When we called out for another drink,
The waiter brought a tray.
And so it was that later,
As the miller told his tale,
That her face at first just ghostly,
Turned a whiter shade of pale.
She said there is no reason,
And the truth is plain to see
That I wandered through my playing cards,
And would not let her be

One of sixteen vestal virgins
Who were leaving for the coast.
And although my eyes were open,
They might just as well have been closed.
And so it was later,
As the miller told his tale,
That her face at first just ghostly,
Turned a whiter shade of pale.

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11/26/2008

Ritchie - Menina Veneno

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Estávamos no ano de 1983 quando foi lançada a música "Menina Veneno", interpretada pelo inglês (Richard David Court) radicado no Brasil, de nome artístico Ritchie
 
A música pegou de estaca e depressa se tornou num êxito tanto no Brasil quanto cá em Portugal.
No Brasil, nesse ano, foi o tema que mais passou na rádio. Por cá não deve ter andado longe do pódio. 
 
Recordo muito bem esse tempo e o tema a passar em tudo quanto era rádio. Nas discotecas da altura era tema obrigatório e em alguns dos meus namoricos da época estão associados à "Menina Veneno". Como não podia deixar de ser, mandei gravar a faixa numa cassete das melhores, a BASF Chrome Extra II 9. Ainda deve andar por alguma das velhas gavetas. Durante algum tempo, "Menina Veneno"  foi um tema que frequentemente interpretava com o meu violão.

"Menina Veneno" foi escrita em parceria com Bernardo Vilhena e fazia parte do álbum "Voo do Coração", com a etiqueta da Sony.
A música de facto teve muito êxito e ao longo dos tempos já conheceu diversas versões interpretadas por reputados artistas, nomeadamente a Rita Lee.

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Foi numa cassete como esta que gravei o êxito do Ritchie, "Menina Veneno", que mandei gravar numa loja de discos da minha zona.

Sobre Ritchie, pode visitar a sua página, onde são dados a conhecer alguns pormenores da sua biografia, carreira e discografia.
Aqui fica a letra da famosa música dos anos 80:

Menina Veneno

Ouço passos na escada
Vejo a porta abrir
Um abajur cor de carne
Um lençol azul
Cortinas de seda
O seu corpo nu

Menina Veneno
O mundo é pequeno demais pra nós dois
Em toda cama que eu durmo
Só dá você, só dá você,
Só dá você, (yeah, yeah, yeah, yeah)
Seus olhos verdes no espelho
Brilham para mim
Seu corpo inteiro é um prazer
Do principio ao sim
Sozinho no meu quarto
Eu acordo sem você
Fico falando pras paredes
Até anoitecer

Menina Veneno
Você tem um jeito sereno de ser
E toda noite no meu quarto
Vem me entorpecer, me entorpecer
Me entorpecer, (yeah, yeah, yeah, yeah)
Meia-noite no meu quarto
Ela vai surgir
Eu ouço passos na escada
Vejo a porta abrir
Você vem não sei de onde
Eu sei vem me amar
Eu nem sei qual o seu nome
Mas nem preciso chamar

9/12/2008

Nazareth - Love Hurts

 

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nazareth santa nostalgia 3

nazareth santa nostalgia 2

"Love Hurts", no YouTube

 

Hoje quero trazer à memória uma canção que integra o portfólio das minhas recordações musicais dos idos anos de 70. Trata-se de "Love Hurts", dos NAZARETH, uma banda rock escocesa. Poder-se-ía pensar que daquelas terras altas das ilhas Britânicas apenas existissem tocadores de gaitas de foles, trajados com as tradicionais saias, as "kilts", mas não; também saíu bom rock.


Creio que já falei nisso numa memória anterior, mas recordo a romaria da minha aldeia como uma fonte de memórias musicais pois nessa altura, antes uns dias da data da festa, era montada no arraial a aparelhagem sonora, com aqueles clássicos altifalantes, a que chamavam "bocas" ou "cornetas" (1). O dono da mesma aparelhagem trazia então uma carrada de caixas com carradas de discos de vinil, singles e LP,s. Era uma alegria quando ele permitia que déssemos uma desfolhadela ao conteúdo das caixas. Então, os Nazareth, com o "Love Hurts" era presença habitual, sendo uma das músicas mais passadas.


É, pois, com nostalgia que trago à memória esta preciosidade que ainda hoje se ouve pelas rádios.
Os Nazareth, escoceses, como disse, formaram-se nos anos 60, na cidade de Dunfermline, com Dan McCafferty (vocalista), Manny Charlton (guitarrista), Pete Agnew (baixista) e Darrell Sweet (baterista).
A banda mudou-se no início dos anos 70 para Londres e foi melhorando, nomeadamente com a junção ao produtor Roger Glover, que imprimiu à banda um som mais hard. Para além de "Love Hurts", a banda teve muitos outros sucessos, tais como "Broken Down Angel" e "Bad Bad Boy". Ao nível de álbuns, merece destaque o "Hair of the Dog", de 1975.
Pode ler a história detalhada da banda no seu sítio oficial.

 

Letra da música:

Love hurts

Love hurts
love scares
love wounds and mares any heart
Not tough nor strong enough to take a lot of pain
Take a lot of pain
love is like a cloud
holds a lot of rain.
Love hurts
love hurts
I'm young I know but even so
I know a thing or two I've learned from you
I've really learned a lot
really learned a lot.
Love is like a stove
burns you when it's hot.
Love hurts
love hurts
some fools rave of happiness

Blissfulness
togetherness
some fools fool themselves
I guess

But they're not fooling me I know it isn't true

No
it isn't ture. Love is just a lie made to make you blue.
Love hurts
love hurts.

Love hurts
love scares
love wounds and mares any heart

 

(fonte: URL)

(1) o altifalante, "boca" ou "corneta", a que acima referia. Aparelhos que "vomitavam" muita da música que agora faz parte das minhas memórias e nostalgias.

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altifalante santa nostalgia 2

9/09/2008

Earth & Fire - Weekend

No final dos anos 70, mais concretamente em Outubro de 79, por isso à porta dos anos 80, o grupo de rock progressivo holandês "Earth & Fire" saltou para os tops e para a ribalta do sucesso com o tema "Weekend", um single do LP "Reality Fills Fantasy".

Sinceramente, nunca acompanhei muito a carreira deste grupo, que teve o seu início em 1969 e terminou em 1983, com a vocalista, Jerney Kaagmam a lançar-se numa carreira a solo, mas entre dois ou três temas reti este "Weekend".

A banda era particularmente reconhecida no seu país como na vizinhança, de modo especial na Alemanha e por aí gozava de assinalável notoriedade. No entanto, esta música em particular, o "Weekend", projectou a banda para a popularidade na restante Europa.

O tema ficou no ouvido e durante meses passou com frequência na televisão e rádio. A RTP estava no início da era da cor (7 de Março de 1980) pelo que o vídeo-clip já o vi nessa altura a cores.
Para além da música, ficou-me na retina a vocalista, Jerney Kaagmam,  e o seu fato-macaco plástico, azulado brilhante, e uma dança ondulante muito sensual para a altura, entre fumos e um enorme órgão musical que mais parecia um imponente móvel de sala.

Ainda no Domingo passado, durante o passeio-dos-tristes, em fim de tarde, ouvi esta música na Rádio Renascença, e com ela avivei algumas das memórias musicais desse tempo. Era eu  já um teenager.
Vale a pena recordar, e estou certo que muita malta da altura a reconhecerá.

O grupo era composto por:
Jerney Kaagman: vocalista
Hans Ziech: Baixo
Gerard Koerts: Órgão, piano e vozes
Chris Koerts: Guitarra e vozes
Ton van der Kleij: Bateria e percurssão

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JERNEY KAAGMAN, na altura do "Weekend"


JERNEY KAAGMAN, na actualidade, com o peso dos anos a fazer a diferença, como a todos nós.
Em baixo uma imagem do vídeo-clip que recordo de ver já a cores na RTP.

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Acima o tema: Weekend.

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A letra:
Sunday and it’s so hard to say goodbye
I don’t know what to do passing the days without you
Friday night when I see you again
You’ll make a fool out of me
I don’t wanna be your lover for the weekend
Sometimes when I’m looking at your face
There’s something in your eyes that makes me realize
We’ve got no chance if we’re going on this way
You mean such a lot to me
I don’t wanna be your lover for the weekend
Coro:
Love in a woman’s heart
I wanna have the whole and not a part
It’s strange that this feeling grows more and more
‘Cause I’ve never loved someone like you before
Sunday and it’s so hard to say goodbye
I don’t know what to do passing the days without you
Friday night when I see you again
You’ll make a fool out of me
I don’t wanna be your lover for the weekend
Coro (2x)
Sometimes when I’m looking at your face
There’s something in your eyes that makes me realize
We’ve got no chance if we’re going on this way
You mean such a lot to me
I don’t wanna be your lover for the weekend

7/06/2008

Art Sullivan

 

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santa nostalgia art sullivan 2

Art Sullivan. Nos anos 70 viveu um êxito tremendo, que transbordou da sua Bélgica natal e passou por Portugal, onde esteve nessa altura (1977) arrastando multidões.

As suas canções, muito melódicas e sentimentais, aliadas à sua boa figura tornaram-no adorado pelas suas fãs femininas.

Por tudo isso, ainda hoje, entre as quarentonas deste país Art Sullivan  tem vivas verdadeiras paixões à sua música e sua pessoa. Para matar saudades, voltou a Portugal em 2007, onde deu dois concertos no Coliseu de Lisboa e Coliseu do Porto. Pelo meio tinha participado no Big Show SIC há uns anos atrás, em 2000 e em 2005 novamente na SIC no programa do Herman José. Pode-se dizer, que Portugal foi de facto um marco importante no percurso deste artista.

Para recordar ficaram muitos êxitos:

Jenny, Jenny lady

Vien prés de moi

Donne, donne moi

Sans Toi

L´enfant perdu

Si tu veux

Petit demoiselle

Monsieur Tu, Madame Vous

Adieu sois heureuse

Ensemble

 

- Sítio oficial de Art Sullivan

7/01/2008

Demis Roussos

 

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A música, com as canções e os seus intérpretes, é um filão inesgotável de memórias e recordações. É pois, natural, que este tesouro revivalista nos reporte facilmente a tempos idos, a lugares e a momentos que nos marcaram indelevelmente.


Neste contexto, o cantor grego Demis Roussos, com a sua voz inconfundível, marcou toda a década de 70 com canções maravilhosas, tais como "Forever and ever", "Good by my love good by", "My Friend The Wind" e muitas, muitas outras que andavam na boca da malta jovem de então.

Recordo-me que quando tinha os meus dez anitos, no início de Agosto era montada a tradicional romaria na minha aldeia e logo que eram colocados os altifalantes, os discos de vinil soltavam a voz de Demis Roussos que enchia todo o arraial. Hoje, ao voltar a ouvir alguns dos seus temas musicais, é como um regresso a esse passado que agora recordamos com nostalgia

- Biografia

- Sítio oficial

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