Mostrar mensagens com a etiqueta Opiniões. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Opiniões. Mostrar todas as mensagens

10/17/2024

E que falta nos faz...

 


Num tempo em que a pretexto de tudo e de nada usamos inglesismos, que falta nos faz a prática da nossa língua mãe. Todavia, pelo que se vai lendo, vendo e ouvindo, já não há volta a dar porque estamos mesmo colonizados.

Exaspera esta falta de amor próprio, mas sempre fomos de engate fácil e vendemo-nos por tão pouco, por tuta e meia.  

1/04/2024

Pseudo-concursos da RTP


A propósito de um "pseudo-concurso" "Temos Artista - Especial Fado" no programa "A Praça da Alegria" na RTP:

Não somos muito de comentar, sobretudo em redes sociais porque invariavlemente é "chover no molhado", mas, por excepção, deixamos um comentário no Facebook do respectivo programa.

Infelizmente a RTP presta-se a estas tristes figuras. O apelo ao voto das massas, que por regra têm em conta a simpatia e não a qualidade intrínseca do talento dos concorrentes, dá nisto e demonstra que o factor da receita das chamadas tem mais peso. O júri, mesmo que competente, como o José Gonzalez, que percebe como poucos do fado, faz apenas figura de corpo-presente.

 Neste caso, apesar de globalmente ter reconhecido a qualidade do Franklim e da Tânia e de apontar as fragilidades técnicas da mais jovem, a Bea, que demonstrou notoriamente problemas de dicção, atrapalhação com algumas palavras e de respiração, e que, todavia, naturalmente pela sua juventude tem qualidades a explorar, com caminho a percorrer e muito a aprender, viu o público a confirmar o paradoxo destes pseudo-concursos que acabam por premiar a capacidade dos familiares, amigos, escola, empresa e comunidade local onde se inserem, em concentrarem os telefonemas.

Posto isto, estes pseudo-concursos na RTP, não são mesmo para levar a sério e em rigor sujeita-se a eles quem quer. Dá-lhes montra? Dá! Isso é o mais importante? Cada um que responda por si!

Em todo o caso, de pouco ou nada vale comentar aqui méritos, justiça ou injustiças. Ninguém da RTP e da produção se incomoda com isso nem virá aqui prestar contas. Quem não gostar, como eu, ponha de lado no prato. Apenas comentei agora, pela primeira e última vez, porque apesar de já ter ocorrido antes, este caso foi flagrante no paradoxo criado, em que de facto a qualidade e o mérito não contaram para o totobola. 

O próprio júri deve ter-se sentido mal mas faz parte do contrato aguentarem com estas singularidades. É para isso que lhes pagam. Poderia haver uma classificação apenas pelo júri, mas isso já seria pedir de mais. O nosso modelo de televisão, mesmo pseudo-público não se compadece com  lirismos e o liga, liga, liga, é quem mais ordena!

[foto: RTP]

4/03/2020

À margem...Não pode valer tudo


Concordando que esta é uma situação deveras extraordinária, a que vivemos, não concordo de todo com a medida proposta pelo presidente da república, com o apoio do Governo, quanto à libertação de mais de um milhar de reclusos. E não concordo por entender que isso pouco ou nada resolve quanto à questão da pandemia nos estabelecimentos prisionais. Segundo as notícias, os casos ali confirmados ainda são poucos e perfeitamente controláveis se desde logo forem tomadas as medidas adequadas, tanto à quarentena quanto à realização de testes de despistagem da doença, tanto nos reclusos como nos guardas e pessoal auxiliar.

É certo que imagino que as prisões estão sobrelotadas e não têm grandes condições, nomeadamente ao nível dos espaços sanitários, mas também não me parece que gente criminosa, condenada, mesmo que tendo direitos, nomeadamente à dignidade humana, porventura à mesma que subtraíram ou aniquilaram gratuitamente a muitas das suas vítimas, tenha que ter condições de hotel de cinco estrelas, quando porventura os portugueses na sua larga maioria, que vive a sua vida honestamente, não têm.

Por outro lado, ainda, é sabido que uma larga maioria dos reclusos quando cumprem as penas e vão para a sociedade, ou por dificuldades objectivas de reinserção ou porque o mal lhe está nos hábitos, acaba por voltar ao mesmo, ou seja, ao mundo da criminalidade, muitas vezes violenta. São, infelizmente, recorrentes estas situações. É certo que ficam de fora os autores de crimes violentes, mas está contemplada toda a quadrilha de ladrões e vigaristas, especialistas na arte de viver à custa do suor dos demais.

Assim, num contexto actual em que todas as forças da ordem e segurança públicas estão ocupadas no auxílio e controlo da pandemia da Covid-19, essa gente criminosa encontrará, querendo, caminho mais livre para fazerem o que bem sabem. E as notícias recentes dão conta de algum aumento da criminalidade no aproveitamento da debilidade de muita gente, sobretudo os mais idosos e isolados. Ora com o desemprego à porta e a natural perda ou baixa de rendimentos das pessoas, não surpreenderá que a coisa descambe no que a crimes, roubos e assaltos diz respeito. Engrossar o lote de criminosos à solta não parece lá grande ideia. De todo.

Não posso, pois, concordar com esta medida. Que mais não fosse porque no outro lado, há vítimas dessa gente que agora se prepara para o regresso à liberdade, mesmo que supostamente um pouco condicionada e vigiada. Bastaria que houvesse algum respeito pelas vítimas para que tal medida não fosse equacionada.

É, no meu entendimento, um aviso e um sinal de que o crime compensa. Vamos indo e vendo mas não auguro nada de bom neste aspecto e cada vez mais as vítimas são-no duplamente, às mãos dos criminosos e às mão de um sistema que invariavelmente mostra-se fraco para com os fortes e forte para com os fracos.

É apenas uma opinião e não faltará quem concorde com a medida. Mas nem sempre vamos lá com paninhos quentes de um certo tique de politicamente correcto. O momento não é propício.
Direitos sim, mesmo os que têm os reclusos dentro dos condicionalismos da sua natureza, mas deve haver limites porque senão passamos a viver numa sociedade onde vale tudo. 

6/13/2014

Casamentos de Santo António

 

image

Sendo católico, não tenho, todavia, absolutamente nada contra os casamentos civis sem qualquer cerimónia religiosa. Infelizmente a tendência é que a convicção, seriedade e sentido de compromisso para com um casamento de carácter religioso sejam atributos menosprezados, pelo que na maior parte dos casos um casamento religioso não é mais que o pretexto e cenário para a festa, para inglês ver, como se costuma dizer. Sendo assim, não existindo essa convicção de princípios, casando-se só por civil, pelo menos dispensa-se o ridículo de um casamento religioso só para a fotografia ou como um frete para contentar alguém, nomeadamente os pais e famíliares.


Para além do mais, um casamento religioso nos dias que correm, porque sem as bases intrínsecas, não tem qualquer garantia de responsabilidade e compromisso e são tão vulneráveis a separações precoces quanto os formalizados apenas pelo civil.


Serve esta contextualização para dizer que apesar de tudo o que expressei, há coisas que são elementares e não fica nada bem que se desrespeitem ou se relativizem. Veja-se o caso da tradição dos casamentos de Santo António em Lisboa – que ainda ontem foram realizados: É uma tradição bonita e meritória mas também já não é o que era.

Sendo Santo António uma figura da Igreja e da religião católica, soa a ridículo que parte desses casamentos possam ser realizados apenas pelo civil, mantendo, no entanto, a associação ao santinho. É uma incoerência e banalização, mesmo sabendo-se que nos tempos que correm vale tudo.Se houvesse mais rigor e respeito pela figura do santo e dos valores da Igreja associados, tanto pelos organizadores como pelos noivos, só deveriam ter lugar casamentos com celebração religiosa. Nestas coisas é possível respeitar-se tudo e todos mas não podemos é ser oportunistas e incoerentes nas nossas opções. Ou somos ou não somos. Casem-se só por civil, porque têm todo o direito, mas deixem lá o santinho em paz e chame-se-lhes, nesse caso, casamentos do manjerico ou outra designação que o valha. Mas, vá lá, haja coerência e respeito por princípios e valores.

2/04/2014

Um país que perdeu referências morais tem as praxes que merece

 

Uma opinião de José Manuel Fernandes, expressa num artigo no Público, que assino por baixo:

 

Este país é assim. Ninguém sabe exactamente o que se passou naquela noite no Meco em que uma onda arrastou para a morte seis jovens estudantes, mas em nome do que talvez se tenha passado discute-se acaloradamente se as praxes académicas devem ou não ser proibidas. É a nossa velha tendência para achar que uma proibição resolve tudo, e que uma lei muda o país e as pessoas. É também a nossa irreprimível tendência para nos indignarmos e nos excitarmos, todos ao mesmo tempo, todos em manada – até quando é para criticar o comportamento de manada que é característico das praxes.

Pessoalmente, detesto as praxes. No meu tempo não havia praxes. O que era bom era que os estudantes formassem grupos de teatro ou, melhor ainda, fossem activistas políticos – afinal, era assim no meu tempo.

 

[fonte e resto do artigo]

10/31/2013

Praxes: Integração ou exercício de idiotas?

 

Porque concordo a 101%, tomo a liberdade de transcrever, do jornal “A Ordem”  um artigo do conhecido Dr. Daniel Serrão acerca do despropósito de certas praxes académicas que envergonham e não dignificam quem as executa e defende.

 

image

Tenho 86 anos e não gosto de fazer figura de Velho do Restelo ou de velho caturra. Mas esta questão das praxes académicas tira-me do sério. Vivo próximo de um Instituto Superior e escrevo este texto ouvindo uma gritaria que sai do espaço do Instituto desde há mais de duas horas. Estive a ver o que se passava e vi: um grupo de 30 ou mais jovens, vestidos com uma roupa ridícula, enquadrados por outros jovens de capa e batina que os comandavam como se fossem as ovelhas de um rebanho e os obrigavam a gritar, proferindo frases, elas também ridículas, e, por vezes, obscenas. Nos tempos de modernidade que são os nossos, não consigo deixar de olhar para estas manifestações como verdadeiramente pirosas...

Quero dizer com isto que sou contra o que chamam praxe? De forma nenhuma. Sou absolutamente a favor de que os jovens que chegam pela primeira vez ao Ensino Superior sejam recebidos pelos estudantes mais velhos, com rituais de acolhimento e integração na nova casa onde irão viver e aprender durante 5 ou 6 anos. Acolhidos com brutalidades e boçalidades que até já ocasionaram risco de vida? Com humilhações que põem a nu a falta de carácter dos estudantes mais velhos? Com atitudes ridículas que dão uma imagem falsa do que é a dignidade do Ensino Superior? Com tudo isto a durar meses no início e mais meses próximo do final do ano lectivo? Claramente que não.

A integração só se consegue com atitudes de simpatia, que podem ser espirituosas mas nunca violentas e boçais. E que serão eficazes e intensas durante uma semana; mas que se tornam numa rotina sem qualquer valor quando se arrastam ao longo do ano. O jovem que chega ao Ensino Superior, politécnico ou universitário, traz uma imagem de um espaço e um tempo em que irá ascender a um nível superior de conhecimento e a uma preparação rigorosa para obter capacidades profissionais de grande responsabi1idade — vai ser médico, engenheiro, enfermeiro, economista, etc. E esta imagem que os novos esperam receber dos mais velhos, dos que já estão a meio caminho do seu percurso e que bem os podem ajudar a integrarem-se e a terem sucesso escolar. Uma semana com múltiplas actividades, preparadas com inteligência e sentido de responsabilidade pelos estudantes mais velhos, bastará para que o objectivo da integração amigável dos novos seja bem conseguido.

Não tem que ser formal. Deve ser descontraída, alegre e muito comunicativa, ocupando todo o dia e as noites com programas variados pensados e estruturados apenas pelos estudantes. Mas uma semana é suficiente.

Mas o que é que vejo, aqui, ao redor da minha casa? E que pode ser visto em outras partes da nossa Cidade do Porto: Bandos de jovens dominados e colocados em atitudes de humilhação por uns seres que se ju1gam superiores, por estarem vestidos com uma capa de estudante — que deverá ser vista como um sinal de qualidade e não de poder — que revelam toda a sua falta de carácter e de respeito pela autonomia e liberdade dos novos alunos; como se entrarem para a Universidade fosse uma situação da perda dos direitos de cidadania, às mãos dos ditos estudantes "doutores" que se comportam como energúmenos boçais e ignorantes.

Assisti, em plena rua, a um desses ditos "doutores" forçar uma jovem "caloira" a repetir frases com palavrões abjectos de cariz sexual. Ao fazê-lo o dito "doutor" apenas exprimia os seus complexos freudianos em relação à sexualidade pessoal mal assumida. Era digno de pena, embora o seu comportamento fosse de grande indignidade.

Tem de se encontrar uma solução boa. Que deverá partir dos próprios estudantes que, em vez de se vingarem, no ano seguinte, sobre os mais novos, do que sofreram, compreendam que há que romper com esta má tradição e encontrar práticas de acolhimento e integração que sejam dignas e exaltantes.

Não é cobrindo uma jovem com bosta de vaca que se acolhe uma colega que tem todo o direito a ser respeitada como pessoa humana.

 

Daniel Serrão

Pesquisar no Blog

Pão-de-ló de Arouca - Tradição e modernidade

  Casa do Pão-de-Ló de Arouca - A. Teixeira Pinto

Populares