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2/14/2025

Chuckie Egg - Nostalgia de 80


"Chuckie Egg" era um jogo de plataforma lançado pela A&F Software em 1983, com versões iniciais para o ZX Spectrum, BBC Micro e Dragon 32/64.

O rápido sucesso do jogo levou à sua adaptação para diversos computadores, como o Commodore 64, Acorn Electron, MSX, Tatung Einstein, Amstrad CPC e a família Atari de 8 bits. Posteriormente, o jogo foi reeditado para sistemas mais modernos, incluindo o Commodore Amiga, Atari ST e computadores compatíveis com IBM PC.

A autoria do jogo é atribuída ao británico Nigel Alderton, na época apena com 16 ou 17 anos de idade. Depois de alguns meses dedicados ao do jogo, Alderton levou uma versão preliminar de seu código para o Spectrum até a A&F, uma empresa de software, então com apenas dois anos de existência, fundada por Doug Anderson e Mike Fitzgerald (representando as iniciais "A" e "F", respectivamente). Doug ficou responsável pelo desenvolvimento da versão para o BBC Micro, enquanto Mike Webb, um dos colaboradores da A&F, trabalhou na adaptação para o Dragon.

Embora as versões de diferentes plataformas variem em alguns aspectos técnicos, os níveis do jogo permaneceram em grande parte os mesmos. As edições para os sistemas de 8 bits são amplamente reconhecidas como clássicos, sendo lembradas até hoje por sua jogabilidade envolvente e seu impacto no gênero de jogos de plataforma.

Pessoalmente, não sendo de jogos electrónicos, confesso que então já detentor de um ZX Spectrum 128 K+, com um monitor, fartei-me de perder horas com este jogo até alcançar todos os diferentes níveis.

Outros tempos em que para além de tudo havia paciência para além de que, coisa ao alcance de poucos.

Na onda, chegue a aprender Sinclair Basic e até programei umas pequenas coisas, incluindo algumas múiscas feitas por bips.

Bons tempos!


Aqui, uma interessante entrevista do Nigel Alderton sobre a sua criação, embora já de 2011.



10/07/2016

Gô-Gô o brinquedo “sensação” do Verão de 83

 

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É verdade, no Verão de 1983 o Gô-Gô era anunciado como “o brinquedo de todos, a nova “febre” do Verão de 83”.

Este produto da MMD, da qual não conseguimos descobrir grande coisa, consistia em lançar uma bola ao ar e fazer com que ela entrasse no buraco do suporte em plástico. A bola estava presa ao suporte com um fio e o objectivo era fazer várias vezes o mesmo movimento até que o fio ficasse todo enrolado. Claro está que quando esta brincadeira era feita a dois ou a três, como no cartaz acima, ganhava quem enrolasse primeiramente todo o fio. Resta acrescentar que quando se falhava a recepção da boa no buraco, muitas vezes ela batia no pulso ou nos dedos e por vezes até na cabeça, o que acabava para fazer mossa pois a bola era de um plástico duro e pesado.

2/17/2014

Cartaz dos furos - Brindes

 

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Hoje trago à memória um dos muitos cartazes de furos, ou furinhos, que pelos anos 60 e 70 faziam parte do cardápio de qualquer café ou mercearia de aldeia. Com a ponta de uma caneta ou lápis pressionava-se no centro de um dos muitos quadradinhos e extraía-se um pequeno círculo de cartão (chamado bucha) que normalmente tinha uma letra ou um número impressos e que por sua vez indicavam qual o prémio saído em sorte, normalmente chocolates e guloseimas mas também brinquedos.

Havia buchas especiais com cores específicas que davam prémios especiais, assim como para o último furo de cada quadrante e o último furo do cartaz, que todos almejavem mas que invariavelmente saíam ao pessoal da casa . Claro está que ao lado morava sempre o expositor com os prémios mais importantes presos por elásticos, a apelar ao jogo.

Estes cartazes tinham vários editores e vários temas, variando de região para região, mas um dos mais simples e populares corresponde à réplica que publicamos acima, isto é com quadrantes coloridos integrando os emblemas dos principais clubes de futebol, invariavelmente o Benfica, Sporting e Porto e um quarto que tanto podia ser o V. de Setúbal como o Belenenses ou outro clube popular na região onde era feita a venda dos cartazes.

O futebol, tal como no Cartão Brinde Popular, que já aqui falei, era um dos temas preferidos para este tipo de jogos.

3/31/2011

Os dedos – Dedo mendinho quere pão…

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Num post de 26 de Agosto de 2008, recordamos aqui algumas das brincadeiras ou lengalengas associadas aos dedos das mãos.

Hoje voltamos à carga, agora com a publicação de uma página extraída de um belo livro de leituras da 2ª classe, datado de 1941 do qual já aqui falamos.


6/25/2010

Brinquedo Osul – Estádio de Futebol - Espelho




Hoje trago à memória um simples mas prático e interessante objecto, que é simultaneamente um jogo e um espelho. Este brinquedo, com sensivelmente 50 mm de diâmetro e 15 mm de espessura, era fabricado pela Osul. Esta fábrica que produziu inúmeros brinquedos que povoam agora o nosso imaginário infantil, teve a sua origem em 1931, na cidade de Espinho. Então, os irmãos Manuel Henriques (1886-1954) e Artur Henriques (1892-1965), provenientes de Lisboa, fundaram uma pequena empresa de bijuterias e quinquilharias diversas, designada de Henriques e Irmão, Lda, que derivou depois para Luso Celulóide. Nos anos 50 os irmãos apartaram a sociedade e um deles prosseguiu a actividade com uma nova marca, a Hércules e o outro continuou mas mudando o nome de Luso Celulóide para Osul (Luso lido ao contrário). Curiosamente, neste brinquedo é possível lêr-se as duas designações (Luso e Osul).

Para além dos interessantes aspectos ligados à história da empresa em questão, que pela Web podem ser encontrados, a verdade é que os inúmeros brinquedos que fabricou, mesmo as internacionalmente conceituadas miniaturas de automóveis com a marca Metosul, designação que a empresa adoptou já numa fase posterior aquando da introdução no fabrico de maquinaria de fundição injectada, fazem hoje parte das nossas mais gratas memórias do tempo de criança e as brincadeiras associadas.

Este brinquedo em particular, fez parte das minhas brincadeiras no final dos anso 60 e princípios de 70. Para além da óbvia função do espelho de bolso, o jogo traduzia-se numa representação de um estádio de futebol, com bancadas, relvado e  balizas. Dentro do estádio existe uma pequena bola, uma esfera metálica e o princípio do jogo passa por tentar introduzir a bola numa das balizas. É claro que este jogo podia ser  disputado a dois, em que cada criança tinha direito a uma, duas ou três tentativas, estipulando-se um critério para terminar o jogo que poderia ser por um determinado número de séries de lançamentos, de modo a encontrar-se um vencedor. 
  
Recordo-me muito bem que este brinquedo, de que tive vários exemplares, acompanhava-me sobretudo em locais onde tivesse que esperar, nomeadamente no barbeiro, mas também nas horas de recreio onde com os colegas disputávamos campeonatos.
Compare-se o brinquedo em toda a sua simplicidade com uma das actuais consolas de jogos, mesmo as mais banais e de facto as diferenças são abismais, mas a magia que sobrou desses temos e desse brinquedo, como de outros, é  inconfundível e intemporal.

Artigo relacionado: [Link]


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6/13/2010

HandySound Yamaha – O instrumento com jogos!

 

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Quem se recorda deste interessante órgão musical electrónico que fazia furor entre a criançada no início dos anos 80?
Desde logo pela qualidade da Yamaha, não só fabricante de motos mas também de instrumentos musicais. Para além de tudo, para além do teclado e da música, este brinquedo também tinha os tão apetecidos jogos electrónicos. 5 jogos, ainda que musicais. Uma maravilha.
É verdade que em criança nunca tive a felicidade de ter um brinquedo com esta qualidade, mas felizmente, já em adulto adquiri um excelente sintetizador da mesma fabricante, um Yamaha PSR 640, que na altura (vai para 10 anos, custou uma pipa de massa. Ainda está como novo e de vez em quando lá sai música.
Este cartaz publicitário não deixa de evocar o fascínio que esse instrumento brinquedo despertava em quem o lia. Depois, era sonhar ou, com uns papás endinheirados, como aparenta o rapazito do anúncio, com cara de intelectual e filhinho de papá, era pedir e esperar pelo Natal ou pelo aniversário.
Quem sabe se a partir desde HandySound não nasceram bons múiscos. Quem sabe...

É bestial!

12/12/2009

Os nossos carrinhos de rolamentos

 

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O nosso blog Santa Nostalgia, a propósito do tema de carrinhos de rolamentos, foi por estes dias citado na rubrica “Caderneta de Cromos”, de Nuno Markl, no programa que leva a cabo na Rádio Comercial.

Neste sentido, pelo que nos sentimos lisonjeados, voltamos a publicar o respectivo artigo.

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Hoje em dia as crianças estão "intoxicadas" com toda a qualidade de brinquedos, desde os mais simples aos mais sofisticados, incluindo leitores de música e vídeo, telemóveis, consolas de jogos e até carros e motos movidos a bateria.
Sempre que há aniversário, Páscoa ou Natal, esse arsenal de brinquedos aumenta consideravelmente. Por conseguinte, não há criança, por mais pobre que seja, que não tenha em casa uma panóplia de brinquedos.
Mas nem sempre foi assim. Se é certo que o brinquedo sempre ocupou um importante lugar no mundo da infância e sempre os houve, também é verdade que só as as crianças nascidas em boas palhas é que tinham direito a brinquedos mais ou menos sofisticados, de acordo com a época.

Ora no nosso tempo, os meninos ricos já dispunham de uns carrinhos em chapa, movidos a pedais e ainda de bonitos triciclos e até trotinetes. Eram um sonho. Porém, os meninos pobres, a maior parte, à falta de melhor, construíam eles mesmos os seus brinquedos e por conseguinte os seus próprios carrinhos.
Neste particular aspecto, o carrinho de rolamentos tornou-se assim num companheiro de  brincadeiras e distracções. Tanta distracção que, invariavelmente, os mesmos acabavam destruídos e queimados na lareira pela mão impiedosa das mães furiosas pelas constantes distracções e incumprimentos dos deveres de casa e da escola. Pela parte que me toca, a minha mãe especializou-se na destruição deste tipo de bólides, mesmo aqueles mais sofisticados. Primeiramente era uma machadada e depois, uma vez esfrangalhado o carrinho, lareira ou forno com ele. Era uma tristeza que fazia doer a alma, mas pouco depois um novo carrinho nascia.

Mas enquanto duravam, as corridas eram a brincadeira preferida. Pelo meio ficavam as constantes cambalhotas como consequência natural de despistes. Afinal convém lembrar que os carrinhos não tinham sistema de travões a não ser a sola das botas (de quem as tinha) ou a sola de pele dos próprios pés.
Como variante dos carrinhos de rolamentos, a malta do meu tempo tambés se especializou em construir motos, também em madeira e com rodas de triciclos. A condução destes bicharocos exigia equilíbrio pelo que as quedas eram mais frequentes.
Bons e inesquecíveis tempos. Para além da essencial componente lúdica dos brinquedos, a arte e o engenho postos na sua construção eram também uma tarefa aliciante, em si mesmos uma brincadeira. Hoje, como diria alguém, já se compra tudo feito.

Volvido todo este tempo, os carrinhos de rolamentos sofisticaram-se e são motivo de corridas organizadas em algumas localidades do país, incluindo a freguesia de Sanguedo, do concelho de Santa Maria da Feira, que se auto proclama como capital portuguesa de Fórmula Roll. No YouTube estão disponíveis diversos vídeos destas corridas disuptadas um pouco por todo o país.

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10/07/2009

O “Jogo da Macaca”

 

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Dos jogos de crianças associados ao recreio da escola primária, o  "Jogo da Macaca" era um dos mais populares.
Este jogo é conhecido por todo o país, mas, naturalmente, com variantes de região para região, quer na forma geométrica da “macaca” quer nas suas regras.


Na minha aldeia, brinca-se assim o jogo da macaca: No chão, preferencialmente de terra, desenha-se de forma indelével a "macaca", constituída por sete "casas", sendo três seguidas de formato sensivalmente rectangular e terminando num círculo dividido em quatro quartos.


Habitualmente eram admitidas a jogo três crianças, quase sempre raparigas, que sorteavam entre si a ordem de começo. A primeira ficava com o nome de "primas", a segunda de "xigas", a terceira e última de "restas".

O objecto que serviria para percorrer a "macaca", em forma de disco ou patela, chamava-se "malha" e habitualmente era feita toscamente com um caco de barro que poderia ser de uma telha ou de um prato. Também poderia ser em pedra, desde que regular e achatada.

A primeira jogadora lançava a malha com a mão de modo a que esta ficasse no interior da primeira "casa", mas sem que ficasse a "pisar" ou a “queimar” o risco. Se assim fosse teria que dar o lugar à jogadora seguinte e assim sucessivamente. Este princípio aplicava-se também no caso da "malha" caír na "casa" errada ou saltar fora da "macaca". Sendo que a "malha" ficava na casa de forma correcta, a jogadora saltava de pé-coxinho para a mesma casa e sempre nessa postura posicionava a ponta do pé junto à malha e com um movimento rápido atirava com a "malha" para para a “casa” imediata no sentido contrário ao movimento dos ponteiros de um relógio, até que dessa forma completasse todo o percurso até saír para a zona do “céu”, no exterior da “macaca”.

Importa esclarecer que quando a "malha" ficava posicionada de forma legal mas muito próxima do risco fronteiro com a "casa" anterior, o que impedia o posicionamento do pé sem que calcasse o respectivo risco, era permitida uma manobra que consistia em posicionar o pé de forma lateral à "malha", mas sem calcar o risco e depois num rápido movimento de vai-e-vem, jogava a "malha". No entanto, quando o pé retornasse à primeira posição não poderia ficar em cima do risco, a “queimar”,  sob pena de perder a vez. Sempre que se retomava a vez de jogar, reiniciava-se no ponto onde se havia perdido a vez.


O processo repetia-se de forma sucessiva até que cada jogadora percorresse todas as "casas". Sempre que isso acontecia, a jogadora colocava-se de costas junto à extremidade da "macaca" na chamada zona do "céu", e lançava a malha sobre o ombro para dentro da "macaca". Se a "malha" caísse numa das casas vazias assinalava a mesma com o seu nome ou uma marca que a diferenciasse. Neste caso dizia-se que tinha feito uma "rola". Se nessa etapa do lançamento "às cegas" da "malha" para o interior da macaca falhasse, saindo fora da "macaca" ou caíndo numa "casa" já assinalada, perdia a vez para a jogadora seguinte. O número destes lançamentos poderia ser combinado previamente, mas não poderia ultrapassar as três tentativas.


O "Jogo da Macaca" terminava quando todos os sete espaços da "macaca" estivessem com "rolas". Ganhava a jogadora que somasse mais "rolas".


Resta acrescentar que à medida que a "macaca" ía ficando preenchida com "rolas" o jogo tornava-se mais difícil pois não era permitido lançar a malha para as casas com "rolas" adversárias nem passar por lá, pelo que exigia por vezes grandes saltos. Todavia, cada jogadora podia calcar ou passar pelas "casas" com "rolas" desde que fossem suas ou se autorizada pela dona das “rolas”. Esta situação de autorização por vezes criava conflitos e rivalidades já que comportava regras de favorecimento. Por isto, por vezes determinava-se previamente que essa situação não seria permitida.


Esta era a tradicional "macaca" da minha aldeia. Muito raramente era jogada a versão mais vulgarizada de nove "casas".

 

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7/03/2009

Os bois teimosos – Viagens pelos livros escolares - 13

 

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(clicar nas imagens para ampliar)

 

Esta história do Manel Jeirinhas e os seus bois teimosos, como muitas outras que fazem parte do meu livro de leitura da terceira classe, remete-me frequentemente para os meus tempos de criança e para algumas situações então vividas.


Os meus avõs paternos eram grandes lavradores da aldeia e por conseguinte o meu pai, mesmo depois de casar, seguiu no início a vida da agricultura, ou da lavoura como se dizia, dedicando-se a amanhar uma meia-dúzia de ribeiras e alguns pinhais, que lhe couberam em herança, tirando daí o parco sustento para a família. É claro que a lavoura nunca enriqueceu ninguém, tanto mais nessa época sem subsídios nem apoios estatais, pelo que quando os filhos começaram a aparecer e a crescer teve que arranjar um emprego fixo numa oficina, onde mesmo assim obtinha um magro salário, ficando a lavoura a cargo de minha mãe. No entanto, toda a família ajudava em todos os momentos que podia, quer nos tempos livres da escola quer aos sábados, um dia que se dedicava totalmente aos trabalhos nos campos.


Nessa vida muito ligada à lavoura, para além de algumas vacas leiteiras, o meu pai possuía uma junta de bois, daqueles amarelos, de raça arouquesa. Neste sentido, muitas vezes, eu, com 10 anitos e o meu irmão chegado, com 12 anos, frequentemente ía-mos levar os bois a pastar nuns pinhais da família. Enquanto os bois pastavam livremente, nós brincávamos. Quando chegava a hora de voltar a casa, porque o sino da igreja repicara o toque de meio-dia, aplicávamos uma valente varada no lombo dos bois e estes, de forma desenfreada, corriam até a casa. Quando lá chegávamos, uns largos minutos depois, os bois já estavam no curral, ou no aido como era vulgar dizer-se. Estes bois eram de facto trabalhadores, inteligentes e nada teimosos, como os do Manuel Jeirinhas. É claro, que muitas e muitas vezes cheguei a fazer o papel do Jeirinhas, conduzindo os nossos bois desde desde as ribeiras e várzeas até a casa, carreando por caminhos difíceis o pasto, milho, feijão, batatas, uvas, lenha, tojo, etc, afinal de contas os produtos que eram a razão de ser do dia-a-dia de uma família ligada à lavoura. Foram tempos de canseiras e trabalhos mas que dava tudo para voltar a reviver.


Hoje em dia, seria impensável enviar duas crianças para um pinhal afastado com a responsabilidade de cuidar de uma junta de bois. Mas nós gostávamos e o trabalho era sempre aliado à brincadeira. Éramos assim uma espécie de crianças-homens. Hoje, à custa de tanta mudança, à custa de tanta protecção, à custa de tanta dependência,  predominam os homens-criança e assim há-de continuar.

Estando agora de férias da escola, olho para o meu filho de 11 anitos, acomodado no sofá, com o portátil em cima das pernas ou a consola de jogos nas mãos, entretido horas e horas a fio com os jogos e os filmes. Imagino-me, então, com aquela idade a conduzir pela soga uma junta de enormes bois, por caminhos e quelhos à procura de viçoso pasto dos pinhais e cômoros. Meu Deus, como as coisas mudaram…


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. As coisas são como são. É a marcha imparável do Tempo.

 

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- Vaca de raça arouquesa, fotografada num destes dias na Serra da Freita - (clicar na imagem para ampliar)

 

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5/29/2009

Erva de S. Roberto – Serafim, torce, torce!

 A Erva de S. Roberto é uma planta relativamente vulgar e que cresce espontaneamente por todo o país, de modo especial em campos, cômoros, muros de pedra e bermas de caminhos. É caracterizada pelos seus caules vermelhos, pequenas flores lilás e um aroma acre, forte e pouco agradável.
Sendo bastante vulgar, é uma planta há muito conhecida pelas suas fantásticas propriedades medicinais, sendo indicada sobretudo para inflamações, problemas na boca, como aftas, úlceras, hemorragias, hemorróides, cálculo dos rins, nefrite, infecções ao nível dos olhos, gastrites e muitas outras. 

Esta erva é por conseguinte muito abundante na minha aldeia e desde há muitos anos que conheço as suas propriedades e indicações.
A Erva de S. Roberto, também conhecida por Bico-de-Cegonha (no Brasil) e Erva Roberta, entre outros nomes, estava sempre disponível na "farmácia da minha bisavó, profunda conhecedora de tudo quanto era erva medicinal. Colhia-a na fase madura, quando já tinha florido e as suas folhas e caules adquiriam uma cor avermelhada. Depois de seca em local sombrio, era utilizada em chã. 

Mais do que pelas características de erva medicinal, recordo esta planta sobretudo pelas suas sementes características em forma de espigão, ou até mesmo de espermatozóides gigantes. Quando maduras uma vez separadas cada uma das sementes do invólucro, os respectivos chicotes retorcem-se ao calor do sol. Por esse motivo, as crianças do meu tempo costumavam espetar na roupa esses espigões para os ver a retorcer, a encaracolar sobre si. Quando isto acontecia, dizíamos uma pequena lenga-lenga: Serafim torce, torce! Serafim torce, torce!.
É claro que ignoro a origem desta brincadeira, mas sei que era muito conhecida por todas as crianças do meu tempo.

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3/11/2009

Detergente JUÁ - A Régua Mágica e outros brindes

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 O detergente JUÁ era fabricado pela SONADEL - Sociedade Nacional de Detergentes, por sua vez parte do grupo CUF.

O detergente  JUÁ foi sem dúvida um dos mais populares nas décadas de 60 e 70, sendo, no entanto, ainda comercializado pelo menos em parte dos anos 80. Este produto de limpeza de roupa mas também de louça, tornou-se popular, se não pela sua eficiência, seguramente pelos inúmeros brindes que fazia distribuir em cada caixa do pó azul. Desde as úteis molas (por cá na terra conhecidas por pregadeiras) destinadas a segurar a roupa no arame do estendal, até porta-chaves, passando por artigos de uso na cozinha, como copos e taças em vidro, mas sobretudo por bonecos em miniatura moldados em plástico e outros brinquedos, o que eram então a alegria dos mais novos. Hoje em dia, os que sobrevivceram são objectos cobiçados por coleccionadores e saudosistas.

Ora quanto aos inúmeros brindes oferecidos pelo JUÁ, quem se lembra do detergente de lavar roupa marca JUÁ, com o seu slogan: "Juá a lavar é sol a corar!" ? Este detergente, que creio que rivalizava com as marcas OMO, PRESTO, e TIDE, já desapareceu do mercado mas tornou-se muito popular nos anos 60 e 70, não tanto pelas suas qualidades, que de resto não seriam inferiores aos concorrentes, mas sobretudo pela vasta gama de brindes que oferecia.
É caso para se dizer que os jornais actuais copiaram o conceito ao JUÁ. De resto na época a oferta de brindes era uma éstratégia usada por muitas marcas, nomeadamente as ligadas a produtos de uso doméstico e da alimentação.
Recordo-me sobretudo dos brindes na forma de bonecos em PVC, monocromáticos. Pessoalmente cheguei a ter dezenas deles, a que juntava outros semelhantes oferecidos pelos gelados Olá.

Para além dos bonecos, que actualmente são muito procurados, a JUÁ oferecia outras coisas, tal como copos. A minha mãe até ainda há pouco tempo tinha uma interessante colecção de copos castanhos.
O poster publicitário acima publicado, datado de 1963, refere-se à oferta de um fervedor. Para o efeito, à dona-de-casa, bastaria acrescentar 19$50 a uma tampa da caixa gigante, ou a duas tampas das caixas grandes ou a três tampas das caixas pequenas.

De todos os brindes proporcionados pelo detergente JUÁ, um dos mais originais chamava-se "Régua Mágica", que hoje sabemos que funcionava pelo princípio do Espirógrafo (Spirograph).

A régua de que me lembro (idêntica à exibida acima), e que infelizmente alguém desviou do lote dos meus brinquedos, era composta por um conjunto de 2 círculos dentados interiormente, abertos na própria régua e 3 rodas dentadas móveis, de diferentes tamanhos, por sua vez cada uma com um conjuntos de orifícios feitos a diferentes distâncias do centro. A ideia era inserir a ponta do lápis ou da esferográfica num dos orifícios da roda dentada móvel e fazendo girar a mesma entre si que por sua vez percorria a circunferência dentada do círculo fixo.

De acordo com os tamanhos das rodas e do ponto de inserção da esferográfica, os desenhos realizados apresentavam-se diferentes mas todos fascinantes para a imaginação de crianças.
Claro está que a combinação das diferentes rodas e de diferentes cores, era possível desenhar umas coisas giras, para admiração dos colegas da escola.

Hoje em dia, com as ferramentas da Internet, até podemos brincar com Espirógrafos virtuais e assim, de certa maneira, recriar aqueles momentos inesquecíveis com a "Régua Mágica" oferecida pelo detergente JUÁ.

3/06/2009

A importância dos botões

 

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Botões e mais botões.
Estes simpáticos objectos são intemporais e existem desde há milhares de anos, quase desde o tempo em que o homem sentiu necessidade de se vestir.

Os botões estão presentes em quase todo o tipo de vestuário, desde a roupa interior até às camisas, casacos, calças e sobretudos, mas também em calçado e outros acessórios.
Para além da sua função, prática ou meramente decorativa, os botões sempre foram feitos com variados materias, desde osso ao moderno plástico, passando por pedra, madeira, metal, vidro, etc. Há ainda os botões num determinado material base mas revestidos com outro, como tecido, couro e metal.


Apesar de existirem em diversos tamanhos e formatos, não deixam de ser objectos pequeninos e predominantemente de forma circular.
Há botões com dois ou mais buracos e também sem buracos, com sistema de argola na base.


Os botões estão integrados num grupo de artigos a que se chama de retrosaria. Sempre achei piada a esta designação e desconheço a sua origem concreta, sendo que deriva do substantivo retrós, um termo ligado à costura, assim como sempre me intrigou o termo marroquinaria, para os acessórios de couro, como cintos e malas.


Nos meus tempos de criança os botões eram uma preciosa moeda de troca e de participação em muitos jogos, incluindo o do pião, o rapa, as cartas e outros. Por conseguinte, era norma cada criança ter uma latinha ou caixinha repleta de botões, desde os mais pequenos e discretos até aos maiores, coloridos e exóticos. Para abastecer as necessidades, muitas vezes os botões eram propositadamente surripiados à roupa pelo que normalmente faltavam botões nas camisas, no casaco e até na braguilha. Recordo ainda que tinha umas primas costureiras pelo que frequentemente por lá dava a volta sempre pronto a roubar um ou outro botão.


Aos botões grandes, normalmente de casacões ou sobretudos, chamávamos de pincholas. Desconheço se o termo é usado noutras regiões.
É claro que, a modos do dinheiro, a uma pinchola correspondia o valor de vários botões, porque eram naturalmente mais raras e valiosas.


Há ainda quem coleccione botões, mas sendo um artigo tão diversificado, é uma colecção que nunca mais tem fim.
Pode parecer uma minudência, mas foi bom recordar a importância dos botões nas nossas brincadeiras de criança.

Ah, já agora, o desenho que ilustra este post foi desenhado por mim, para que o não reclamem....

 

Assunto relecionado, ou não:

Rei, capitão, soldado, ladrão...

 

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2/11/2009

Brincar às casinhas

Esta é uma das mais fortes imagens relacionadas com o nosso tempo de criança. Brincar às casinhas era uma forma de imitar a realidade dos adultos, nas tarefas do quotidiano, mas também uma forma de viver, ainda que por instantes, num mundo próprio e fantástico. Mágico até.

É certo que à imagem dos adultos, mas com um simbolismo muito infantil, instintivo, mas também imaginário.
Não é de admirar, pois, que os brinquedos de outros tempos fossem imitações das coisas e dos objectos do dia-a-dia dos adultos. Desde logo as bonecas, também os apetrechos da casa, como os electrodomésticos, os móveis, a tábua de passar a ferro, os tachos, as panelas, a loiça e os talheres e também as roupas. Estes, claro, mais para as meninas. Para os rapazes, as ferramentas, os carros, os tractores, as máquinas, a bola, o pião, etc.

Este leque de brinquedos permitia assim um ensinamento precoce para as coisas da vida real de uma forma instrutiva mas lúdica e imaginária.
Hoje em dia, o contraste é enorme. Certamente que ainda se brinca às casinhas, e estou a recordar os meus filhos e as minhas sobrinhas e também ainda se vendem brinquedos com as características referidas, mas a tendência há muito que deixou de ser essa. Os jogos electrónicos, em consolas, no computador e até no telemóvel, estão já numa posição de supremacia, pelo menos no aspecto de brinquedos desejados e preferidos. Depois as armas, muitas armas e todo um leque de brinquedos que instigam à realidade da luta e da violência. Sinais dos tempos.

Não surpreende, por isso, que as crianças desde cedo aprendam a viver em contextos onde a violência e a indisciplina sejam encaradas de forma quase natural e instintiva, mas com consequências nefastas ao nível familiar e depois no percurso da escola e da sociedade.
As crianças de hoje, amanhã adultos, serão a imagem daquilo que brincaram e da educação, ou da falta dela, que receberam.

Por mim, ainda hoje gosto de brincar às casinhas, mas num outro sentido. Gosto de desenhar pequenas aldeias, com casas amontoadas, com a igreja a dominar o lugar, bem ao estilo de muitas e características aldeias portuguesas. Depois, periodicamente, vou acrescentando novas construções.
Infelizmente, muitas destas aldeias que fui desenhando, perderam-se. Todavia, mesmo agora, fazendo uso de modernas ferramentas de desenho, como o AutoCad e o Revit, por vezes dou comigo a construir aldeias, enfim...a brincar às casinhas.
Esta pequena paixão tem raízes nos tempos de criança e nas brincadeiras de então, em que, armados em pedreiros e carpinteiros, como no jogo do "cantinho", usando pedrinhas e pauzinhos, num espaço do jardim ou da horta, lá ía-mos levantando casinhas, pontes e muros e moldando colinas e regatos sinuosos, como construtores de mundos.
Bons tempos.
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10/23/2008

Domingo de Outono

 

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DOMINGO DE OUTONO

Voltei a subir aos montes da minha infância
E percorri velhos caminhos,
Trilhos de sombras e murmúrios das águas.

A brisa dos meus passos quando menino,
Afagou de leve o meus rosto de homem,
Deixando neblina na forma de lágrimas.

Calcorreei tojo, silvados e subi ao velho carvalho,
Brinquei às escondidas na sua gasta folhagem
Tão quente como as suas cores.

Ouvi os gracejos do melro preto
E avistei o pisco de peito ruivo.

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É de facto uma emoção redobrada e sentida, sempre que percorremos caminhos e lugares que noutros tempos foram palcos das nossas brincadeiras de criança. A distância do tempo ajuda a sedimentar essa emoção e nostalgia.


Este local a que me refiro, neste meu simples poema, uma espécie de paraíso perdido, no fundo da minha aldeia, todo ele emana memórias e recordações: Os caminhos, os campos, os pinhais, a  ribeira, as nascentes de água, a represa, o moinho de água, as levadas, os velhos carvalhos, os castanheiros, as cerejeiras e macieiras, os melros, os piscos, os cucos, as poupas, as rolas, os pombos, os seus ninhos e seus chilreios, são elementos inesquecíveis e que, apesar dos anos e do aspecto de abandonado, permanecem ali, como que a convidar ao regresso, ao trabalho duro do campo, é certo, mas também às folias, aos jogos, às escondidas, ao apanha, ao nadar na represa de água tão fria quanto límpida e à construção das cabanas num renque de árvores.

Mas não...Há por ali um sentimento de mera nostalgia e ao mesmo tempo um sentimento de comoção por algo que se perdeu e apenas revive na memória. A morte do local, desse pequeno paraíso, é irreversível quanto a impiedosa abertura de uma nova auto-estrada, que inexoravelmente vai rasgar aquelas entranhas, bem por cima da represa, bem por cima do moinho, bem por cima das nossas mais puras recordações.


Mas a memória tem o dom e o condão de ressuscitar esses momentos, de condensar esses istantes, esses lugares e como tal viverão dentro de nós para sempre. As fotografias que fui colhendo vão dar uma ajuda.

10/09/2008

Brinquedos Estrela - O sonho das crianças

 

brinquedos estrela

Fundada em 1937 como uma modesta fábrica de bonecas de pano e carrinhos de madeira, em poucos anos, acompanhando a evolução industrial do País, a Estrela passou a ser uma indústria automatizada e a produzir brinquedos também de plásticos, metal e outros materiais. Desde a primeira boneca, a Estrela já produziu mais de 25 mil brinquedos diferentes, num total de mais de 1,2 bilhão de unidades que foram distribuídas em todo o País.
Ao longo dos anos a Estrela construiu a força de sua marca combinando qualidade, pioneirismo e inovação na oferta de brinquedos ao mercado brasileiro. A trajetória da empresa é identificada por inúmeros marcos de sua liderança, tendo sido, inclusive, uma das primeiras companhias brasileiras a abrir seu capital em 1944, constituindo-se em sociedade anônima.

Este é um bocadinho da história da fábrica de brinquedos Estrela, uma empresa brasileira fundada no longínquo ano de 1937,  mas que ainda está activa, continuando a fabricar maravilhosos brinquedos.

O resto da história pode ser lida no sítio oficial da empresa, onde este extracto foi retirado.

Hoje apeteceu-me trazer à memória os brinquedos Estrela. Muitas vezes esta marca é confundida com a Fábrica de Produtos Estrela, esta bem portuguesa, à qual é sempre feita referência à famosa rotunda da Circunvalação, entre o Porto e Matosinho. Esta fábrica, a portuguesa, foi mudada para Rio Tinto e a sua actividade, desde sempre, foram os electrodomésticos, de modo especial os fogões a gás.

Recordo sobretudo os brinquedos Estrela pela sua originalidade e qualidade e ainda porque frequentemente eram publicitados nas contra-capas das revistas da Disney, publicadas pela Editora Abril. Por conseguinte, estes brinquedos da Estrela eram o sonho de muitas crianças dessa época, no caso nos princípios dos anos 80, que mais não fosse, apenas a partir do papel. Creio que alguns desses brinquedos anunciados chegaram mesmo a ser vendidos cá em Portugal, até porque era recorrente nessas revistas serem feitos anúncios destinados ao mercado português. O caso da publicitação às edições de cromos da editora Disvenda era um exemplo.

Vejamos alguns cartazes publicitários da época:

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10/03/2008

Andar de andas - As nossas perigosas brincadeiras

 

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Quantos de nós, em criança, não já tiveram a oportunidade de se movimentar com umas andas?
As andas consistem num par de paus, com altura variável, mas em regra com cerca de dois metros e com um suporte horizontal,com uma extensão entre 10 a 20 cm, pregado ou afixado a uma certa altura de chão.
Conforme demonstra as imagens acima, os suportes servem para apoiar os pés e assim ficarmos elevados. Portanto, quanto maior a distância dos suportes relativamente ao chão, maior a altura que conseguimos obter.
Para se caminhar com as andas é necessário algum treino mas é relativamente fácil, obviamente dependendo da altura dos suportes.
Para que a anda fique completa, o ideal é ser revestida nos topos inferiores com um material anti-derrapante, como um bocado de couro ou um taco de borracha. Também os suportes dos pés devem ter alguma aderência, mas de modo a não prender demasiado os pés, pois em caso de queda fica-se sem movimento para saltar. Nos casos em que se enfiam umas calças compridas, é uma situação arriscada pelo que deve ser feita por quem tem muita experiência a caminhar com as andas.


Como não podia deixar de ser, em criança, aí pelos meus doze anitos, juntamente com os meus irmãos mais chegados, também construímos as nossas andas e, não fizemos por menos, com os suportes colocados a quase  1 metro de altura. Ficámos uns autênticos pernas-longas. Claro que tivemos um imenso êxito junto dos colegas que ficaram de boca aberta com o espectáculo. A moda pegou por alguns dias e era ver toda a rapaziada no largo da aldeia a caminhar com andas. Parecia uma terra de gigantes.


É claro que em tudo isto, o desafio e o risco estão sempre de mãos dadas, pelo que, não satisfeitos com o simples andar no terreiro plano ou com pouca inclinação, o nosso desafio era subir a escada exterior da casa de meus pais, com cerca de 16 degraus. Claro que conseguimos subir e descer várias vezes, mas quando a minha mãe descobriu o número de circo, a palhaçada acabou com um outro festival de porrada. E foi bem merecida pois era uma brincadeira demasiado perigosa. Uma queda a meio da escada era cabeça partida pela certa.


Bons tempos aqueles, mas cheios de traquinice e brincadeiras muito arriscadas. Mas como diz o ditado "à criança e ao borracho, põe Deus a mão por baixo". Seja como for, por uma brincadeira bem menos perigosa, fracturei em criança o meu tornozelo esquerdo e já com os meus dezoito anos também fracturei o meu pulso esquerdo. Mas isso será motivo para uma nova e futura memória.


Hoje em dia as andas não estão esquecidas e embora não façam parte das brincadeiras quotidianas das crianças, é comum vê-las em acção em alguns eventos ou espectáculos de rua.

8/30/2008

Rei, capitão, soldado, ladrão...

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Hoje trago à memória uma lengalenga muito popular, mas que também me foi ensinada pela minha bisavó, à qual já aludi num anterior post.

Esta lengalenga está relacionada com os botões de uma peça de vestuário, principalmente em vestidos, casacos ou camisas. Conforme a ilustração, a contagem era feita de baixo para cima. Quando os botões eram sete, e a lengalenga era dita completa, dizia-se que o dono da peça teria sorte  no amor. Um botão em falta pelo meio era pronúncio de má sorte ou azar no amor.

Como não podia deixar de ser, é natural que esta lengalenga, dependendo da região, tenha variantes e sentidos diversos.

8/26/2008

Cantilenas - Brincadeiras com os dedos

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Recordo-me de minha mãe ir para as lides do cultivo do campo e nessas ocasiões deixava-nos (a mim e a dois irmãos mais chegados) entregues aos cuidados da minha bisavó materna, a quem chamávamos mãe Guida. Esta dócil criatura, morreu há mais de vinte anos, e já contava com quase 100 anos.
Apesar dos seus problemas de audição, era fantástica a contar histórias, lendas, rezas, e muitas outras coisas.  Algumas guardei, da maior parte perdi-as, no tempo e na memória.

Ensinou-me esta brincadeira com os dedos da mão:

Com a mão aberta e dedos separados, apontando com o indicador do mínimo para o polegar:

- Este vái ao moliço, este vai à lenha, este vai aos ovos, este frita-os e este come-os.


De facto, pensava eu com a minha ideia de criança de 5 ou 6 anos, residia ali o motivo do polegar ser o mais gordinho.
De explicar que o moliço na minha região corresponde à folha do pinheiro bravo, nalgumas zonas conhecida por caruma.

Ainda em relação aos dedos da mão, tinha outra variante: Do dedo mínimo para o polegar:

- Mindinho, Passarinho, Fura-Bolos, Trinca-Piolhos e Pai-de-Todos  (o polegar).

Mais uma variante, mas menos conhecida:

-soldado-raso, cabo-cabão, sargento-rabugento, tenente-sorridente e capitão-gorduchão.

Compreendia-se uma vez mais as referências à importância do polegar.

8/24/2008

Brincar aos Cowboys ou "Cóbois"

 

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Brincar aos cowboys, ou "cóbois", melhor dizendo, era dos passatempos preferidos dos rapazes da escola primária do meu tempo de criança.

Esta paixão por imitar a vida dos vaqueiros do oeste selvagem americano, era fortemente influenciada pelos filmes e séries que nessa altura passavam com muita regularidade na RTP, desde logo a série "Bonanza", com o clã Cartwright, que habitava no rancho Ponderosa, na Virgínia. Depois a série "Lancer", que passava habitualmente às sextas-feiras à noite, em episódios de uma hora, Chaparral, Daniel Boone  (estes duas séries em exibição actualmente na RTP Memória) e ainda vários filmes, principalmente os protagonizados por nomes como John Wayne, Henry Fonda, James Stewart, Gary Cooper, Wallace Ford, Charlton Heston, Doug McClure, Kirck Douglas, Bud Spencer, Terence Hill ( estes dois últimos na série "Trinita" e muitos outros.

Para além dos filmes, tinham muita influência a colecção de cartões dos "cóbois", vendidos com pastilha elástica, a que correspondem as duas primeiras imagens de cima, e que aqui já falámos num anterior post, para além, claro, da abundante banda desenhada, os "livros de cóbois" ou "cóboiada", com heróis como Cisco Kid, Bufallo Bill, Texas Jack, Matt Dillon, Matt Marriott, Lorne Green, Tex Willer, Kit Carson, etc, etc.

Apesar de ser uma brincadeira do meu tempo de escola primária, era jogada principalmente aos fins de semana (tardes de sábado e domingo) pois exigia várias horas e abrangia um grande território por entre matas e pinhais da aldeia.

Por regra, entre os colegas, quase sempre rapazes, eram escolhidos dois grupos, o dos "cóbois", ou "artistas", e os "ladrões" ou "bandidos". Em suma, os bons e os maus, como num filme a sério, como convinha.

Aos "bandidos" competia partirem antecipadamente para a mata próxima. Escondiam-se-se, combinavam entre si a estratégia e armavam armadilhas. Aos "artistas" competia irem destemidamente à procura dos "bandidos" e depois prendê-los ou "matá-los". Do lado dos "artistas" havia normalmente um que era o chefe, o "xerife". Por vezes o objectivo era recuperar o "cofre" roubado, simbolizado por uma caixa-de-sapatos com seixos brancos, que começava na possa dos "bandidos".

Os acessórios eram paus, com a forma aproximada de revólveres, ou até mesmo recortados em tábua.

A regra para se "matar" alguém, era surpreender o adversário bem destapado de qualquer esconderijo, pelo menos a uma distância de 20 metros e simular o disparo "pum" ou "tau-tau". Perante a evidência de se ter sido apanhado, o interveniente no jogo teria que abandonar o mesmo. Claro que muitas vezes dizia que fora atingido só de raspão ou que o tiro saíu ao lado. Desculpas...Raramente havia lutas.

Havia também o "cavalo", que era uma estaca de pau, com um cordel em laço na ponta, que se colocava entre as pernas, simulando a montada.

Claro que estas regras eram muito complicadas de se fazer cumprir e não raras vezes a brincadeira tornava-se mesmo séria e acabava à batatada, quando não à pedrada. No fundo era mais uma brincadeira tipo "escondidas" mas jogada na mata.

Frequentemente cada participante adoptava um nome de um dos diversos heróis das séries e filmes que passavam na RTP.

Quando a brincadeira metia "índios", usavam-se mesmo arcos e flechas feitas de paus colhidos na mata, embora mais como acessórios. Esta era uma brincadeira perigosa, como se compreenderá, mas as coisas acabavam normalmente sem grandes feridos para além dos habituais arranhões. Qualquer queixa em casa, não colhia atenção e até era motivo de se apanhar umas valentes palmadas. Se havia coisa que os pais da altura não tolrevam era queixinhas dos colegas ou dos professores.

Recodo-me particularmente de passar as minhas tardes de domingo a brincar a estes "cóbois", pelos vastos pinhais juntos à minha casa, que por acaso até ficava junto à escola primária.

Boas memórias guardo desses tempos e dessas saudáveis brincadeiras com o grande grupo de amigos, irmãos, vizinhos e colegas de escola.

Recordar é viver.

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