Ontem, na minha aldeia como em muitas regiões do pais, reviveu-se a tradição das Maias. Esta obriga a que nas fechaduras e fechos de todas as janelas e portas do exterior das habitações sejam colocados ramos de giestas em flor, as chamadas Maias. A colocação deve ser extensiva aos currais dos animais.
Se em alguma porta ou janela não for colocado o ramo de Maia diz-se que "entrará o diabo e chupará o sangue de quem ali morar".
Esta é uma tradição muito antiga e generalizada no país, sobretudo na região norte e dizem os estudiosos que tem a ver com ritos associados à Primavera e à fertilidade da terra e dos animais. Há também quem diga que tem reminiscências religiosas já que reza a lenda que Nossa Senhora, na fuga para o Egipto, com o Menino e S. José, espalhou ou semeou giestas pelo caminho para depois o encontrar no regresso.
Outra lenda, também diz que por alturas da Páscoa, estando Jesus em Jerusalém, os judeus marcaram com um ramos de giestas a casa onde Ele estava hospedado para melhor ser identificado na altura da sua prisão, mas no dia seguinte, todas as portas e janelas da cidade estavam ornamentadas com as flores das giestas, perdendo-se assim a tal marca.
São lendas, obviamente, mas que demonstram a riqueza das nossas tradições.
Também há quem associe esta tradição a origens celtas, já mais ligadas ao início do Verão.
Na minha região, mesmo na minha aldeia, nesta época do ano as giestas são abundantes e floridas em majestosas manchas de amarelo vivo.
Também há giestas na cor branca, mas por cá já são extremamente raras.
Em criança lembro-me de minha mãe me mandar ir às Maias, sempre na tarde do 30 de Abril. Depois percorria-se tudo quanto era porta e janela. Não havia buraco da casa que ficasse desprotegido à tentativa de entrada pelo diabo.
Apesar de a tradição já não ser o que era, ainda há muitos que a seguem, principalmente em zonas rurais. Para além das portas e janelas das casas, agora até é vulgar verem-se as Maias colocadas nos automóveis.
Ainda sobre as giestas, depois de cair cada flor, forma-se uma vagem. No Verão, nos dias quentes, quem passar pelos caminhos e pinhais é frequente ouvirem-se estalidos, originados pelo rebentamento das vagens que assim soltam as suas sementes, pequenas ervilhas pretas ou castanhas.
As giestas, depois de colhidas pelo pé e deixadas secar á sombra, eram atadas com vimes, seguindo-se uma certa técnica, e assim era utilizadas pelos lavradores como vassouras (vassoiras), muito úteis e eficazes na limpeza das eiras e na recolha de grão disperso pela mesma. Também serviam para varrer as folhas no quintal ou no pomar. Ainda hoje se usam em certas zonas rurais.