Mostrar mensagens com a etiqueta Trabalhos manuais. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Trabalhos manuais. Mostrar todas as mensagens

7/30/2008

A fisga, um brinquedo e uma arma

 

fisga santa nostalgia 01

fisga santa nostalgia 2

miudo com fisga santa nostalgia 

Um dos brinquedos muito populares entre os rapazes do meu tempo de criança, era, sem dúvida alguma, a fisga. Pela sua natureza, um objecto que permitia projectar pequenas pedras a longa distância, com algum grau de precisão, dependendo da destreza do atirador, a fisga era um forte complemento das aventuras e brincadeiras, quase sempre versões adaptadas das séries de televisão, de modo especial do tema do western americano, ou seja os "filmes de cowboys".


Certamente que a fisga habitualmente era usada com propósitos pouco recomendáveis, pois quase sempre eram usadas para atirar contra os pássaros, de modo especial os pardais e os melros. Os mais rebeldes também usavam as fisgas para outras maldades, como partir vidros e lâmpadas da iluminação pública e danificar a fruta nos pomares dos vizinhos. Frequentemente eram utilizadas nas "guerras" entre diversos grupos rivais de rapazes, pelo que por vezes o seu uso provocava ferimentos.

Era, pois, um brinquedo, mas demasiado perigoso, diga-se, tanto mais que os rapazes brincavam livremente sem a orientação de adultos, pais ou professores.
Usada de forma adequada, a fisga servia para brincadeiras que implicavam destreza, como atirar contra alvos feitos por latas ou garrafas de vidro.


Para o processo de construção de uma fisga é necessária uma parte de um ramo de uma árvore, em forma de Y, de modo geral seleccionada de um ramo de carvalho, ou castanheiro, pela sua resistência. Também eram necessárias duas tiras de material elástico, com cerca de 25 cm de comprimento e 1,5 cm de largura, norma geral recortadas de uma câmara-de-ar do pneu de motorizada ou bicicleta. Finalmente era preciso o suporte ou a funda para a colocação da pedrinha. Para o efeito usava-se um bocado de couro, em forma de rectângulo, com as dimensões aproximadas de 4 x 8 cm, geralmente recortado de uma bota ou sapato velhos.


Para preparação, alisava-se a peça de madeira, chamada na minha terra de galha, retirando-se todas as imperfeições. A cerca de 1 cm abaixo das duas extremidades superiores da galha eram feitos sulcos circulares para melhor afixar as tiras de borracha. No rectângulo de couro, nas extremidades, eram feitos dois rasgos para passagem das extremidades das tiras de borracha que depois eram devidamente atadas com um fio de sapateiro ou um arame fino, acontecendo o mesmo com as extremidades opostas que se prendiam à galha.

Realizadas estas operações estava construída a fisga, que nalgumas regiões do nosso país é também conhecida por atiradeira.
Finalmente, como munições, eram necessárias as indispensáveis pedrinhas, de preferência do tamanho de uma cereja, ou até mais pequenas, quanto mais regulares melhor, sendo as ideais os seixos do rio ou da praia, pois eram as que garantiam um tiro mais certeiro. Um bom atirador de fisga andava sempre com os bolsos cheios de pedras.


A fisga, apesar dos perigos de um uso indevido, é um brinquedo, quando usado num contexto adequado, sem dúvida, mas noutros tempos mais remotos era sobretudo arma artesanal, tanto usada para caçar como em situações de ataque, cuja capacidade dependia do seu tamanho, sendo o seu conceito aplicado noutras armas.

Para quem pretende reviver o uso da fisga, deixando as crianças experimentar, é conveniente uma adequada vigilância e em local propício, com campo aberto pela frente, não vá acontecer o pior.

7/02/2008

Rendas de papel

santa nostalgia renda de papel 2

santa nostalgia renda de papel 3

Recordo hoje uma das coisas que aprendi desde cedo. na disciplina de trabalhos manuais, que era exactamente a "renda-de-papel". À falta de melhor papel, que os dinheiros nesse tempo não abundavam, o habitual era usar-se uma folha de jornal. Dobrava-se um pedaço de folha em 4 ou 8 triângulos e com a tesoura recortava-se de forma aleatória a silhueta que depois de desdobrada dava origem a uma figura mais ou menos circular e com um belo efeito resultante da repetição simétrica das respectivas partes. Desde os mais simples aos mais complexos, o efeito final era invariavelmente uma incógnita, mas sempre deslumbrante.

À falta de outros materiais, recordo ainda que alguns dos meus colegas durante o exame da quarta-classe, uma coisa séria nesse tempo, apresentaram como trabalho manual precisamente uma dessas rendas, executada no emblemático papel de lustro, o qual só era usado em ocasiões e motivos especiais.

Para além do mais, recordo que à falta de rendas verdadeiras ou panos decorativos, as pessoas mais pobres recortavam precisamente em folhas de jornal as suas rendas para decorarem as prateleiras do seu pobre mobiliário da cozinha (ver aqui). Mais tarde começou a haver esse tipo de papel produzido de forma industrial, bem recortado e com bonitos motivos coloridos mas com tempo caíram em desuso.

A arte de recortar papel é milenar e nos países orientais, sobretudo no Japão e China existem fantásticos artistas.

Pesquisar no Blog

Pão-de-ló de Arouca - Tradição e modernidade

  Casa do Pão-de-Ló de Arouca - A. Teixeira Pinto

Populares