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6/30/2025

Cenários

 


E andamos nisto há 50 anos. Mudam os actores e até a força das forças,  mas os cenários são mais ou menos os mesmos.

Revista "Opção" - Abril/Maio 1976.

6/02/2025

Canada Dry - Beba...como ela


A Canada Dry é uma marca de refrigerantes com uma história rica que remonta ao início do século XX, conhecida principalmente pela sua Ginger Ale (refrigerante de gengibre).

Origens e Inovação

A história da Canada Dry começa em 1890 com John J. McLaughlin, um farmacêutico e químico canadense que abriu uma fábrica de água carbonatada em Toronto. Em 1904, McLaughlin aperfeiçoou a fórmula da Canada Dry Pale Ginger Ale, uma versão mais leve e menos doce do que as outras ginger ales da época. O termo "Dry" no nome da marca refere-se justamente a essa característica menos açucarada, similar à classificação de um vinho "seco".

Popularidade e Expansão

A Canada Dry Ginger Ale começou a ganhar popularidade e, em 1919, McLaughlin expandiu a sua operação para Nova Iorque devido à crescente demanda. Após a sua morte em 1914, o negócio foi vendido em 1923, formando a Canada Dry Ginger Ale, Inc.

A sua popularidade disparou durante a Lei Seca nos Estados Unidos, pois o sabor marcante da ginger ale ajudava a mascarar o gosto das bebidas alcoólicas caseiras. Era frequentemente chamada de "champanhe dos refrigerantes" e comercializada para um público mais refinado. Nos anos 1930, a Canada Dry expandiu-se globalmente, chegando a cerca de 30 países.

Evolução e Propriedade

Ao longo dos anos, a marca passou por várias mudanças de propriedade. A Canada Dry foi adquirida pela Dr Pepper em 1982, e depois vendida para a unidade Del Monte Foods da R.J. Reynolds em 1984. Em 1986, a R.J. Reynolds Nabisco vendeu o seu negócio de refrigerantes para a Cadbury Schweppes. Hoje, a Canada Dry pertence à Keurig Dr Pepper, que foi desmembrada da Cadbury Schweppes em 2008.

O logotipo da marca, que historicamente incluiu um mapa do Canadá com uma coroa real (adicionada em 1907), também evoluiu ao longo do tempo, com remodelações em 1975, 2000 e 2010 para modernizar o seu visual.

A Canada Dry continua a ser uma marca de refrigerantes reconhecida mundialmente, oferecendo uma variedade de sabores, embora a Ginger Ale permaneça o seu produto mais icónico e apreciado.

4/23/2025

Cartilha Moderna - M.A. Amor


AMOR, Manuel Antunes, 1881-1940

Cartilha Moderna : método legográfico analítico-sintético de ensino inicial educativo / por

Manuel Antunes Amor. – Nova ed. – Lisboa : J. Rodrigues [deposit.], 1930. – 2 vol. : il. ;

19 cm. – (Como Lili e Lulu foram educados no primeiro ano de escola).

1.ª Parte: Método. – 68 p.


MANUEL ANTUNES AMOR, Educador e Professor, natural da Freguesia de Igreja Nova (Ferreira do Zêzere), nasceu em 1881 e faleceu a 11-07-1940. Diplomado pela Escola Normal de Leiria, começou a exercer o magistério primário em 1902 no lugar da Serra, em Tomar. Posteriormente, foi transferido para a escola do Rossio ao Sul do Tejo (Abrantes). Em 1907, foi-lhe atribuída uma bolsa de estudo na Alemanha. Visitou escolas primárias alemãs, austríacas, suíças e francesas, frequentou em Leipzig, a Escola do Magistério Primário, o Instituto de Pedagogia e Psicologia Experimental e as cadeiras pedagógicas da Faculdade de Letras (onde foi aluno de Wundt). 

Regressou a Portugal em 1909 e, na escola primária do Rossio de Abrantes, utiliza os novos métodos pedagógicos que aprendeu na Alemanha. De 1911 a 1912 foi inspector primário nos currículos escolares de Abrantes e Moimenta da Beira. De 1912 a 1916 foi professor de Alemão e de Desenho no Liceu Colonial, em Cernache de Bonjardim. Em 1916 foi para a Índia, como inspector primário, e introduz nas suas escolas os mais modernos métodos de ensino. Em 1919, segue para Macau com a função de superintendente das escolas municipais, regendo também um curso de Pedagogia. Em 1922, voltou à Índia, reassumindo as suas antigas funções. 

Em 1930, aposentou-se devido a doença. Manuel Antunes Amor é um dos autores de referência da primeira metade do Século XX. Apesar de não ter tido uma acção preponderante no ensino normal, como desejava, o seu trabalho na divulgação de novos métodos de ensino foi extremamente importante. A sua carreira como autor didáctico iniciou-se em 1906 com a aprovação oficial do seu Compêndio de Desenho e continuou, em 1910, com a publicação do Manual de Estenografia e Caligrafia. No entanto, foi com a divulgação, que se iniciou nesse mesmo ano, da sua Cartilha Moderna, que o tornou conhecido. Esta obra, que tinha como subtítulo “Método Legográfico Analítico-Sintético de Ensino Inicial Educativo”, era produto da sua imaginação e dos princípios pedagógicos que observara no estrangeiro e ensaiara já em Portugal. 

Mais tarde, em 1929, criou a Caixa Legográfica, ou seja “uma máquina universal para o ensino inicial da leitura e da escrita simultâneas e combinadas”, cuja patente registou em vários países e que ganhou a medalha de prata da Exposição Colonial de Paris, em 1931. Para além desta actividade central, Manuel Antunes Amor colaborou regularmente com a imprensa pedagógica, com artigos sobre “o professor actual e o mestre-escola antigo” (Revista Pedagógica, 1904), o “ensono do Desenho” (Revista Pedagógica, 1904), o “Cinema na Escola” (Revista Escolar, 1923-1924), a “Instrução Elementar na Índia” (Educação Nova, 1924), o “Ensino da Escrita” (Revista Escolar, 1933-1934). Manuel Antunes Amor deu um contributo importante para a inovação do ensino da leitura e da escrita em Portugal. A sua “Caixa Legográfica”, que doou à Biblioteca-Museu do Ensino Primário e que, ainda na década de 1980, se encontrava exposta na Escola do Magistério Primário de Lisboa, ilustra bem o seu esforço como educador.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Ferreira do Zêzere (Penedinho, Freguesia da Igreja Nova – Estrada Manuel Antunes Amor).

Fonte: “Dicionário de Educadores Portugueses”, (Direcção de António Nóvoa, Edições Asa, 1º Edição, Outubro de 2003, Pág. 90, 91 e 92)

3/03/2025

The Point Sisters


The Pointer Sisters é um grupo vocal feminino norte-americano, proveniente de Oakland, que se destacou nas décadas de 1970 e 1980. Com um repertório diversificado, exploraram géneros como R&B, dance-pop, jazz, rock, bebop e disco. Ao longo da carreira, conquistaram três prémios Grammy e, em 1994, foram homenageadas com uma estrela no Passeio da Fama de Hollywood. Entre 1973 e 1985, conseguiram colocar 13 temas entre os 20 primeiros da tabela Billboard Hot 100.

O grupo teve início em 1969, quando as irmãs June e Bonnie Pointer começaram a actuar em clubes nocturnos sob o nome "Pointers Au Pair". Mais tarde, com a entrada da irmã Anita, tornaram-se um trio. No entanto, o contrato com a Atlantic Records não trouxe o êxito esperado. Em Dezembro de 1972, a formação cresceu para quarteto com a chegada de Ruth. Ao assinarem com a Blue Thumb Records, lançaram o seu primeiro álbum e alcançaram finalmente o reconhecimento, vencendo um Grammy em 1975 com "Fairytale" na categoria de Melhor Performance Vocal Country. Em 1977, Bonnie decidiu deixar o grupo para seguir carreira a solo, obtendo um sucesso moderado. Durante a década de 1980, o trio composto por June, Ruth e Anita alcançou o seu auge comercial, conquistando mais dois Grammys em 1984 com os êxitos "Automatic" e "Jump (For My Love)".

June, a mais nova das irmãs, enfrentou problemas de toxicodependência durante anos, afastando-se do grupo em Abril de 2004. Infelizmente, faleceu vítima de cancro em Abril de 2006, aos 52 anos. Foi então substituída pela filha de Ruth, Issa Pointer. Em 2005, a nova formação obteve grande êxito na Bélgica ao alcançar o segundo lugar das tabelas com uma versão de "Sisters Are Doin' It for Themselves", em parceria com a cantora belga Natalia. Entre 2009 e 2015, a formação incluiu Anita, Ruth, Issa e a neta de Ruth, Sadako Pointer. Apesar de serem quatro membros, normalmente actuavam como trio, alternando os elementos conforme necessário. Em 2015, devido a problemas de saúde, Anita retirou-se, deixando Ruth como a única integrante original ainda no grupo.

Em Dezembro de 2016, a revista Billboard classificou-as como o 80.º artista de música de dança mais bem-sucedido de sempre. No ano seguinte, a mesma publicação colocou-as no 93.º lugar entre os artistas mais bem-sucedidos da história da Billboard Hot 100 e em 32.º lugar entre as artistas femininas. Durante a sua trajectória, The Pointer Sisters venderam mais de 40 milhões de discos em todo o mundo.

2/28/2025

António Ramalho Eanes


António dos Santos Ramalho Eanes nasceu a 25 de Janeiro de 1935, em Alcains, Castelo Branco. Oriundo de uma família modesta, ingressou na carreira militar em 1952, frequentando a Escola do Exército. Participou activamente na Guerra Colonial Portuguesa, servindo em Angola e Moçambique.

Destacou-se nos acontecimentos que se seguiram ao golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, especialmente na estabilização da nossa democracia. Durante o Verão Quente de 1975, Portugal viveu uma forte disputa entre sectores da esquerda revolucionária e defensores de uma democracia pluralista, num contexto marcado por nacionalizações, ocupações de terras e instabilidade política. 

A 25 de Novembro de 1975, Ramalho Eanes comandou as forças militares que neutralizaram uma tentativa de golpe de Estado promovida por sectores mais radicais do MFA (Movimento das Forças Armadas). A sua actuação foi decisiva para a transição para um regime democrático multipartidário, garantindo que Portugal não seguisse o modelo dos regimes socialistas do Leste Europeu. Tratava-se de passar de uma ditadura de Direita para uma de Esquerda. Ramalho Eanes, Mários Soares e tantos outros impediram esse caminho e cubanização do país.

Consolidada a democracia, foi eleito Presidente da República a 27 de junho de 1976, tornando-se o 16.º presidente e o primeiro democraticamente eleito após a Revolução dos Cravos. Foi reeleito em 1980, exercendo o cargo até 9 de março de 1986. Durante os seus mandatos, empenhou-se na consolidação das instituições democráticas e na promoção da estabilidade política do país.

Após a presidência, envolveu-se na vida política como líder do Partido Renovador Democrático (PRD) entre 1986 e 1987. Em 2000, recusou a promoção honorífica a Marechal por razões ético-políticas. Em 2006, obteve o doutoramento com a tese "Sociedade Civil e Poder Político em Portugal".

Actualmente, continua a contribuir para a sociedade portuguesa, sendo membro do Conselho de Estado e presidente do Conselho de Curadores do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa. É casado com Manuela Ramalho Eanes desde 1970, com quem tem dois filhos, Manuel António e Miguel.

A sua trajectória, com elevados valores morais e homem de princípios, reflecte um compromisso inabalável com a democracia e o desenvolvimento de Portugal. Faz e continuará afazer parte da galeria de homens notáveis que estiveram ao serviço da nação.

2/27/2025

Cesário Verde

José Joaquim Cesário Verde (Madalena, Lisboa, 25 de Fevereiro de 1855 — Lisboa, Lumiar, 19 de Julho de 1886) foi um poeta português, sendo considerado um dos pioneiros, precursores da poesia que seria feita em Portugal no século XX.

A Forca

Já que adorar-me dizes que não podes,

Imperatriz serena, alva e discreta,

Ai, como no teu colo há muita seta

E o teu peito é peito dum Herodes,

Eu antes que encaneçam meus bigodes

Ao meu mister de ama-te hei de pôr meta,

O coração mo diz – feroz profeta,

Que anões faz dos colossos lá de Rodes.

E a vida depurada no cadinho

Das eróticas dores do alvoroço,

Acabará na forca, num azinho,

Mas o que há de apertar o meu pescoço

Em lugar de ser corda de bom linho

Será do teu cabelo um menos grosso.

2/19/2025

António Aleixo - A voz da sabedoria popular

 


Passaram ontem, 18 de Fevereiro de 2025, 126 anos sobre a data de nascimento do poeta popular algarvio e português,  António Aleixo (António Fernandes Aleixo - Vila Real de Santo António, 18 de Fevereiro de 1899 – Loulé, 16 de Novembro de 1949).

Foi um poeta popular, conhecido pelas suas quadras de carácter satírico, filosófico e social. Nascido em Vila Real de Santo António, no Algarve, viveu grande parte da sua vida em Loulé. De origem humilde, trabalhou como guardador de gado, cauteleiro e vendedor ambulante, mas destacou-se pela sua capacidade de expressar, em versos simples e directos, críticas sociais, reflexões sobre a vida e a condição humana.

A sua poesia, apesar de aparentemente singela, revela uma grande profundidade e inteligência, tocando temas como a injustiça, a hipocrisia e as dificuldades dos mais pobres. Muitas das suas quadras tornaram-se intemporais e continuam a ser citadas como verdades indesmentíveis.

Algumas quadras famosas de António Aleixo:


Eu não tenho vistas largas,

Nem grande sabedoria,

Mas dão-me as horas amargas

Lições de Filosofia.


Há tantos burros mandando

Em homens de inteligência,

Que, às vezes, fico pensando

Que a burrice é uma ciência.


P'ra mentira ser segura

e atingir profundidade,

tem que trazer à mistura

qualquer coisa de verdade.


Sei que pareço um ladrão...

mas há muitos que eu conheço

que, não parecendo o que são,

são aquilo que eu pareço.


Entre leigos ou letrados,

fala só de vez em quando,

que nós, às vezes, calados,

dizemos mais que falando.


Não sou esperto nem bruto,

nem bem nem mal educado:

sou simplesmente o produto

do meio em que fui criado.


Apesar de ter enfrentado dificuldades financeiras e problemas de saúde (sofreu de tuberculose), António Aleixo deixou um legado importante na literatura portuguesa. 


Títulos:


Quando começo a cantar – (1943);

Intencionais – (1945);

Auto da vida e da morte – (1948);

Auto do curandeiro – (1949);

Auto do Ti Jaquim - incompleto (1969);

Este livro que vos deixo – (1969) - reunião de toda a obra do poeta;

Inéditos – (1979); tendo sido, estes quatro últimos, publicados postumamente.

1/28/2025

Luís Filipe de Abreu - O mestre


Já falei aqui do grande mestre das artes plásticas, Luís Filipe de Abreu. Volto a falar, só para reavivar e reaviver a sua pessoa, já quase nos 90 anos, e a sua fantástica e multifacetada obra.

Pessoalmente tenho uma enorme admiração desde que, em criança, tomei contacto com os livros de leitura da primeira e segunda classes, que ilustrou a meias com a saudosa Maria Keil.

Por outro lado, já tive o privilégio de ver por is autografados esses dois livros,  que naturalmente, me marcaram, bem como dele recebi, como oferta, uma bela ilustração em técnica de aguarela e ainda uma serigrafia com o castelo cá do sítio.









1/16/2025

A Nikita do Elton, que era tão inglesa como ele

Anya Major - A Musa de "Nikita".

Nos anos 1980, os videoclipes desempenhavam um papel central na promoção de músicas, muitas vezes criando narrativas visuais inesquecíveis. Um exemplo marcante foi "Nikita", de Elton John, lançado em 1985. O videoclipe tornou-se um clássico não só pela música emotiva, mas também pela participação da bela Anya Major, a mulher que, nascida em 1966,  deu vida à personagem-título e se tornou um ícone visual daquela era.

Quem era, afinal a Nikita? Soviética, alemã oriental?

Anya Major não era uma actriz ou modelo muito conhecida na época, mas já havia chamado atenção em outro projecto marcante. Ela tinha sido a protagonista do famoso comercial "1984" da Apple, dirigido por Ridley Scott, no qual destrói simbolicamente o controle opressivo do "Big Brother". Esse papel destacou sua presença atlética e forte, características que a tornaram perfeita para o videoclipe de "Nikita".

Antes de sua fama em "1984" e "Nikita", Anya Major era uma atleta britânica, conhecida por sua determinação e carisma natural. Sua habilidade de combinar força e feminilidade chamou a atenção de produtores, garantindo-lhe oportunidades como essa.

 O Contexto do videoclipe de "Nikita"

A canção "Nikita", escrita por Elton John e Bernie Taupin, é uma balada romântica que captura a melancolia e as limitações impostas pela divisão política da Guerra Fria. A letra narra a história de um amor impossível entre o narrador e Nikita, uma agente da polícia de fronteira da Alemanha Oriental, que então separava o outro lado do muro de Berlim.

No videoclipe, dirigido por Ken Russell, Anya Major encarna a figura de Nikita, vestida em um uniforme militar e o emblemático gorro de pelo, mas com traços de vulnerabilidade e doçura. A sua personagem simboliza a humanidade que transcende as barreiras ideológicas. Apesar do uniforme rígido, o olhar de Anya transmitia emoções que contrastavam com a frieza política do cenário.

O Impacto do videoclipe

"Nikita" foi lançado em uma época em que a tensão entre o Ocidente e o Bloco Soviético era um tema constante na mídia e na cultura popular. O videoclipe, com uma narrativa simples e nem sempre consentâneo com a história cantada, ressoou, contudo, com as audiências de todo o mundo. Anya Major tornou-se a personificação visual de Nikita, eternizando seu papel como o rosto de um amor que desafiava barreiras.

Curiosamente, a canção gerou alguma controvérsia após seu lançamento. Na letra, "Nikita" é referida como um homem, já que, em russo, Nikita é um nome masculino. No entanto, o videoclipe reinterpretou a narrativa, apresentando Nikita como uma mulher, o que ajudou a universalizar a mensagem da música.

Anya Major após "Nikita"

Após o sucesso de "Nikita", Anya Major optou por uma vida mais discreta, afastando-se dos holofotes. Seu papel no videoclipe, no entanto, permanece como um marco na cultura pop, sendo lembrado por sua beleza, força e a emoção que trouxe à história visual da música de Elton John.

Um Símbolo de resistência e emoção

O videoclipe de "Nikita" não seria o mesmo sem a presença magnética de Anya Major. Ela conseguiu transmitir a tensão de uma época e a ternura de um amor impossível com um simples olhar. Sua atuação reforçou a mensagem da música: a de que barreiras políticas podem separar pessoas, mas não têm o poder de apagar os sentimentos que elas compartilham.

Anya Major será para sempre lembrada como a guarda de fronteira que, mesmo sem palavras, nos contou uma história que atravessou décadas.

10/24/2024

Marco Paulo, o adeus

 


A notícia já é conhecida por todo o país. Faleceu o Marco Paulo, essa figura incontornável da musica popular portuguesa, seja lá o que isso for.

Sobre a sua vida e obra pouco importa aqui acrescentar pois nada será novidade, já que por demais conhecidas, pois para além de ser cantor muito popular, teve uma longa ligação à televisão.

Neste momento da sua despedida, mesmo que já previsível face ao seu estado de saúde, verifico que em todos estes anos de blog Santa Nostalgia e entre centenas de artigos e memórias reavivadas, nunca foi dado qualquer destaque a esta figura. Concerteza que também de muitos outros, mas sem dúvida que mereceria um destaque, uma memória.

Não sei se foi por isso, essa falha, mas porventura por nunca ter sido um cantor que colhesse de minha parte um entusiasmo por aí além. Não regateio nem nem lhe retiro a mínima importância e popularidade de que gozou durante várias décadas no nosso panorama musical e de entretenimento, porque a teve, e de resto os números falam por si, mas a todo o seu vasto reportório nunca lhe dei qualquer importância. Talvez pelo seu estilo muito "azeiteiro", muito kitsch, talvez por ter cantado essencialmente covers, trabalhos de terceiros, limitando-se a ser a voz, o que nem foi pouco pois a esse nível era bom e profissional, mas seja como for, passou-me ao lado do apreço puramente artístico.

Apesar disso, foi de facto uma figura e pêras, e deixa um legado musical ao nível da interpretação que tão cedo não será esquecido e, goste-se ou não, deixou temas que serão emblemáticos durante muitos anos, até que passadas algumas gerações deixem de ser lembrados e, como tudo, passem à história, ficando então como meros registos documentais.

Esteja onde estiver, que repouse em paz o Marco Paulo. Teve fama e proveito mas também a sua dose de infortúnios, nomeadamente ao nível de saúde. Continuará, concerteza, a ser recordado e evocado por muito tempo.

[imagem:Fonoteca Municipal do Porto]

7/11/2024

Brian do Alf, agora no outro mundo

 


Soube da notícia da morte de Benji Gregory, a criança que, no papel de Brian, participou na série Alf - Uma coisa do outro mundo.

Benji Gregory, que participou em quatro temporadas da série, morreu aos 46 anos. A morte, inesperada terá tido causas por agora desconhecidas e terá ocorrido já a 13 de junho mas só agora foi revelada.

Numa publicação feita na rede social Facebook, a irmã de Benji revelou que o seu irmão foi encontrado morto dentro do carro, com o seu cão, também ele morto. Acredita ela que o irmão adormeceu no automóvel e acabou por morrer devido ao calor dentro da viatura.

Aguardam-se melhores conclusões. Para quem viu a série ficam naturalmente uma pena e nostalgia. Que descanse em paz!

7/02/2024

Fausto - A saudade vai de saída

 

Fausto, nome artístico de Carlos Fausto Bordalo Gomes Dias, foi um compositor e cantor português. Faleceu: 1 de Julho de 2024.

Parte um grande artista e deixa um rico legado musical. Que descanse em paz!

6/05/2023

The Beatles - Série de animação

 

Hoje trazemos à memória a série de animação "The Beatles", ou "The Beatles Cartoon". Como se perceberá, referia-se à banda de música pop rock inglesa com o mesmo nome e que por essa época, no final dos anos da década de 1960, fazia furor pelo mundo ocidental e não só.

A série, num registo divertido e caricaturado, foi originalmente transmitida de 1965 a 1967 na ABC nos Estados Unidos. Cada um dos 39 episódios tem o nome de uma música dos Beatles, com a  história baseada na respectiva letra e que também era tocada no decurso do episódio. 

Em Portugal não tenho informação correcta do ano em que passou originalmente, mas tenho memória que ainda na década de 1970 pois ainda no registo "preto-branco".

Dizem as informações que os quatro Beatles não se envolveram na série e que dela pouco ou nada falavam mas que anos mais tarde terão tido comentários positivos. Não se sabe, mas é ainda natural que a série nem sequer tenha pago direitos de imagem. Era outros tempos. Hoje certamente, a exemplo dos cromos de futebol, a coisa seria diferente.

De minha parte posso dizer que a série ajudou em muito a moldar o gosto pelos The Beatles e pela sua música.

De mencionar que por essa época, na mesma onda de sucesso da banda, foi ainda produzido (em 1968) um filme de animação dedicado aos The Beatles, o "Yellow Submarine" (Submarino Amarelo).

4/03/2023

Jesse James - Bandido ou herói?

 








Passam hoje 141 anos (3 de Abril de 1882) sobre a data da morte do famoso bandido do oeste americano, Jesse James
Acima alguns dos cartazes de alguns dos vários filmes que foram realizados à volta dessa mítica figura.
Até mesmo na Banda Desenhada a figura de Jesse James foi sempre muito utilizada, incluindo o seu aparecimento num dos álbus de Lucky Luke, de autoria de Morris.

3/29/2023

Calabote - O árbitro inocente ou inocêncio

Hoje, data do seu nascimento, trazemos à memória o árbitro de futebol Inocêncio Calabote. Falado e invocado não tanto por quem foi seu contemporâneo e o viu a actuar mas sobretudo por gente de gerações seguintes, em rigor por quem nunca o viu mais gordo ou mais magro, mas tão somente porque a reboque de velhas rivalidades e novas discussões entre os nossos maiores clubes de futebol, nomeadamente o Benfica e o F.C. do Porto. 

Assim, sempre que há casos de arbitragens mais ou menos controversos, esses dois clubes, seja por se sentirem prejudicados ou porque acusados pelo adversário de favorecimento, tanto ao nível de dirigentes como de adeptos, degladiam-se ferozmente, tantas vezes de forma irracional. E nessa discussão o há muito desaparecido árbitro Calabote com frequência lá vem à baila para se esgrimir com mais ou menos fundamentos os casos de favorecimento  de certos clubes pelos homens do apito.

Inocêncio João Teixeira Calabote nasceu em 29 de Março de 1917, na freguesia de Santo Antão, Évora, filho de José Calabote e Caridade Amélia. Faleceu em 2 de Janeiro de 1999, com 81 anos. Como jogador de futebol, informação que não consegui confirmar, terá jogado no Lusitano de Évora e chegou a  árbitro da Associação de Futebol de Évora tendo chegado à categoria de internacional. 

Para a história ficou conhecido sobretudo pela sua actuação no jogo no Estádio da Luz entre Sport Lisboa e Benfica e Grupo Desportivo da CUF, em 22 de Março de 1959, partida que os lisboetas venceram por 7-1 sendo que foi insuficiente face ao resultado do jogo que na mesma altura decorria em Torres Vedras com a equipa local, o Torreense, a defrontar o F.C. do Porto, tendo este jogo terminado com a vitória dos portistas por 0-3 o que lhes garantiu a vitória no campeonato nacional dessa época por diferencial de golos. 

Quanto a Calabote, acabou por ser irradiado devido a questões técnicas relacionadas a esse jogo, não tanto das decisões, incluindo o ter assinalado 3 penalties para o Benfica, mas por ter mentido no relatório ao afirmar que o jogo tinha começado a horas e que tinha tido apenas 2 minutos de compensação, o que não correspondia à verdade já que o início do jogo terá iniciado mais tarde 6 minutos após a hora marcada e o tempo de descontos foram 4 minutos (uma brincadeira comparados com os 10 minutos que agora é habitual em alguns jogos). Todavia, importa dizer que quando Calabote foi afastado da arbitragem, numa carreira de 22 anos,  tinha já mais de 40 de idade o que, convenhamos, estava já na hora de se retirar.

Do que temos lido sobre o assunto, ou o "caso", e há muita coisa escrita, e atentos às versões de portistas e benfiquistas, há nitidamente diferentes leituras e interpretações, como convém. Por isso aos portistas importa realçar e extrapolar os casos que ocorreram na Luz (que de resto nem foram decisivos) e omitirem os que aconteceram em Torres Vedras (esses sim, decisivos), e vice-versa. 

De facto, os portistas, nas considerações sobre esse assunto, nunca abordam ou explicam os "casos" ocorridos no jogo com o Torreense. Já os benfiquistas procuram esgrimir que a história está mal contada ou extrapolada e que em rigor desse jogo nada conseguiram para além de que imprensa da época não encontrou assim tantas anormalidades, para além do atraso do início do jogo que deveria ter coincidido com o jogo de Torres Vedras. De resto, 3 penalties num jogo? Em jogos mais recentes têm sido várias as equipas a beneficiarem de 3 penalties na mesma partida e sem tanto espanto. Também por 4 minutos de descontos? Em jogos recentes, mesmo envolvendo Benfica e Porto, chegam a ser 10 ou mais.

Em resumo, e não disfarçamos uma costela benfiquista, era só o que faltava, mas numa análise tão imparcial quanto possível, parece-nos que em rigor existiram anomalias e "casos" estranhos não só nesses dois jogos finais como mesmo em jornadas anteriores, com resultados muito "esquisitos". Veja-se que a 3 jornadas do fim do campeonato, quando se perspectivava que a coisa poderia vir a ser decidida por diferença de golos, o F.C. do Porto, então bastante atrás nesse requisito, recebeu e venceu o Beleneneses por 7-0, com a particularidade de que a equipa de Belém foi, apenas, a terceira classificada, por isso uma das melhores dessa época e que só nesse jogo sofreu quase 1/3 dos 27 golos que consentiu em todas as 26 jornadas da competição. Ou seja, no mínimo deu para desconfiar de que já havia certas coisas a prepararem-se, tanto mais que, poucas jornadas antes, o Belenenses havia protestado o jogo que perdeu com o Benfica, tendo por isso e a partir daí ficado azedado nas relações. Mesmo no jogo anterior, o Benfica perdeu em Alvalade frente ao Sporting e acabou o jogo com 9 jogadores o que estraga a tese de que estaria a ser "encaminhado" para o título.

Mesmo voltando aos famosos dois jogos da última jornada (26.ª), o F.C. do Porto venceu o Torreense por 3-0 sendo que a 2 minutos do fim estava apenas 1-0 e o terceiro golo que acabou por ditar a conquista do campeonato foi apontado a 20 segundos do apito do árbitro e numa altura em que Torreense já estava a jogar apenas com nove jogadores e com dez a partir dos 20 minutos da segunda parte. Aqui, o árbitro Francisco Guiomar bem que poderia ser também ele um "Calabote". Mas a história não lhe deu tanta fama, desde logo porque os incidentes desse jogo não foram nem têm sido tão discutidos.

Já no jogo da Luz, dos três penalties apontados a favor do Benfica, a imprensa da época considerou que dois deles foram bem assinalados e um com dúvidas, mas em contraponto terá ficado mesmo por marcar a favor dos encarnados um descarado, coisa que até terá sido reconhecido pelo treinador da CUF no final da partida. 

Ou seja, se Calabote estava assim "inclinado" e instruído para beneficiar o Benfica, como querem fazer crer as hostes portistas, de modo a conseguir a tão milagrosa diferença de golos, desempenhou mal o seu papel pois em quase dez minutos de jogo finais não arranjou qualquer "solução" e até se esqueceu de assinalar um penaltie então considerado como evidente, que poderia ter feito a diferença. Certo é que o F.C. do Porto por via do resultado em Torres Vedras sagrou-se campeão da época 1958/1959 com 1 golo de diferença entre marcados e sofridos (81-22 (59) e 78-20 (58), respectivamente). Caso para se dizer que Calabote e por arrasto o Benfica, ficaram com a (má) fama mas sem o proveito. 

Este "caso" terà à época durado apenas alguns dias, arrefecendo logo após os acontecimentos e durante praticamente 20 anos ninguém se lembrou da figura de Calabote. Mas a coisa foi ressuscitada quando o Benfica começou a contestar os favores da arbitragem ao FC Porto no campeonato de 1977/78, que o clube azul e branco venceu após um longo jejum, e o treinador portista, José Maria Pedroto, replicando, provocava na imprensa: "- O que vocês queriam era o Calabote!". Por isso, o Calabote lá foi então ressuscitado (sendo que nessa altura ainda vivinho da silva) e sempre que importa ao caso das rivalidades.

Seja como for, discutir estas coisas, tanto mais na perspectiva de dois clubes fortemente rivais, em que nem sempre a lucidez e imparcialidade são qualidades, bem pelo contrário, este "caso" do Calabote ficou na nossa memória colectiva e há-de continuar a ser periodicamente chamado à actualidade sempre que der jeito.

Inocente ou culpado, Inocêncio Calabote ficou ligado para a história do nosso futebol. Realidade, mito ou lenda, há-de continuar por aí a ser invocado porque o futebol não sabe gerar valores positivos mas antes rivalidades por vezes, quase sempre, doentias e irracionais. Ademais, os casos, mais ou menos escandalosos sempre foram uma parte intrínseca do futebol e no nosso campeonato e nela o Benfica e Porto não são nem nunca foram inocentes. Com mais ou menos decoro, sempre procuraram virar o sistema a seu favor. Ora uns, ora outros. Por isso ficam mal estas discussões de virgens ofendidas a travarem-se de razões e contabilizar prejuízos ou benefícios. E andamos nisto há quase um século. Calabotes, Calheiros, Martins dos Santos, Augustos Duartes, Lucílios, apreciadores de quinhentinhos, viagens ao Brasil e taças de frutas, e tantos que tais, etc, etc,  foi o que nunca faltou ao nosso futebol e outros tantos continuam a andar por aí. Ora para lá, ora para cá e todos se queixam.

Inocêncio Calabote, que já não apita há quase 70 anos e faleceu há mais de 20, bem que merecia que o deixassem em paz! De resto, quase todos nós que ainda falamos nele, nunca o conhecemos e até pode ter sido um árbitro medíocre, como tantos na actualidade, mas provavelmente um excelente ser humano. Por isso, que descanse em paz.

3/03/2023

Roger Ramjet - Série de animação




Hoje trazemos à memória a divertida série de animação "Roger Ramjet", criada pelo talentoso Fred Crippen (1928-2018). 

Dos Estados Unidos, como habitualmente, foi produzida entre os anos de 1965 a 1969, com cinco temporadas e 156 episódios, com estes a terem uma curta duração de aproximadamente 5 minutos e meio.

Entre nós foi passando em diferentes alturas na RTP, tanto na década de 1970 como na década de 1980 e mesmo já nos anos 90.

A série segue as aventuras de Roger Ramjet, um super-herói americano, piloto de um caça, que lidera uma equipe de combatentes do crime conhecida como American Eagle Squadron. Com a ajuda de seus jovens companheiros, Roger luta contra uma série de diferentes vilões internacionais e alienígenas para proteger a América e o mundo. A série é conhecida por seu estilo de animação único, diálogos cómicos e personagens caricatos. Desde sua estreia, Roger Ramjet se tornou um ícone da cultura pop e tem sido lembrado como um clássico da animação americana.

Roger Ramjet é apresentado como herói impregnado de patriotismo amercicano e com um padrão de moralidade muito apurado tipo da América do seu tempo. Está constantemente em acções heróicas a "salvar o mundo", em missões do Governo organizadas pelo General GI Brassbottom, contando para isso com a ajuda de suas pílulas de energia de prótons ("PEP"), que lhe dão "a força de vinte bombas atômicas por um período de vinte segundos". 

Roger Ramjet é retratado como um homem alto e musculoso, com um queixo proeminente e um penteado extravagante, envolto na sua roupa imaculadamente branca. Ele é extremamente corajoso e confiante em suas habilidades, mas muitas vezes age de forma impulsiva e ingênua, o que pode colocar ele e sua equipe em perigo. É claro que em rigor o herói é tudo menos isso e na maior parte das situações em que se envolve é apanhado, no que lhe valem os seus amigos do esquadrão, bem mais astutos e inteligentes.

Apesar dos quase 60 anos da série, o estilo de desenho é muito interessante e até dentro dos conceitos da animação actual, e muito caricatural, o que dá à série uma importância gráfica e identidade muito particulares.

2/28/2023

Tó Neto - O Jean-Michel Jarre português




Hoje trazemos à memória o artista musical português Tó Neto, falecido em Junho de 2013.

É considerado um pioneiro em Portugal na utilização de recursos electrónicos no panorama musical da época, seguindo de algum modo tendências de famosos artistas internacionais nesse género musical, com destaque para o francês Jean-Michel Jarre, o japonês Kitaro , o grego  Vangelis e outros mais.

Tó Neto nasceu em Angola em 1955, como  António Eduardo Benidy Neto.  Chegou a Lisboa em meados da década de 1970 onde iniciou a sua formação.

O seu disco de estreia foi lançado em 1983 num período em que já mexia a onda do rock em português.

Editado pela Sassetti, Láctea foi o seu disco de estreia, remetendo para uma temática do espaço e universo, tal como os temas de Jean-Michel Jarre, não se livrando por isso de uma certa associação ao estilo e conceito da música do francês. Talvez por isso, ou não, o álbum colheu algum interesse mediático na ocasião mas depois passou ao lado da onda do pop rock e de algum modo a sua carreira e os seus posteriores trabalhos pouca notoriedade tiveram, remetendo-se de algum modo a um mero circuito underground onde apesar disso era muito apreciado e conceituado.

Ao disco Láctea seguiram-se outros trabalhos como Big Bang, de 1986, e O Negro de 1989 num registo igualmente de música electrónica mas com sonoridades que remetiam para as suas origens angolanas e africanas. Seguiram-se os álbuns Wave View (1992), Angola (1994) e Planetário (1999). Néctar, foi o seu último trabalho discográfico.

Na década de  1980 chegou a trabalhar na RTP como músico residente e na década seguinte formou-se em Los Angeles, seguindo um caminho profissional na área do ensino da música electrónica. 

Tó Neto foi um importante artista do nosso panoram musical e mesmo que sem uma popularidade por aí além, até porque com actividade em tempos em que a carreira tinha que ser ganha a pulso, merece ser recordado porque faz parte da nossa melhor memória colectiva.

2/22/2023

Professor José Hermano Saraiva - Horizontes da Memória

 




O saudoso Professor Dr. José Hermano Saraiva, [Leiria, 3 de Outubro de 1919 – Palmela, 20 de Julho de 2012] dispensa apresentações tal foi a importância do seu nome e acção em várias vertentes da vida cultural no nosso país, tanto quanto na sua vida profissional de advogado e professor como também na sua passagem pelo Governo do Estado Novo enquanto Ministro da Educação e depois diplomata como embaixador português no Brasil, mas sobretudo pelo legado que deixou como especialista, investigador, autor e divulgador da nossa História, tanto pelos muitos livros que publicou mas sobretudo pelas várias séries televisivas de sua autoria que apresentou sempre na RTP ao longo de vários anos e praticamente até ao ano da sua morte (2012).

Foi autor do livro "História Concisa de Portugal", um best-seller, actualmente na sua 26.ª edição e com mais de 180 mil exemplares vendidos que de forma económica e acessével levou o conhecimento e gosto pela nossa História à generalidade dos portugueses.

Concerteza que foi uma figura algo controversa, nomeadamente por ter feito parte do antigo regime, e alvo da ira reaccionária e inflamada, mas sempre e desde os seus tempos de estudante, mostrou-se como um notável comunicador e que por essa via e clareza do seu discurso se tornou popular em todo o país e de um modo geral apreciado e considerado pelos portugueses que durante décadas seguiram com interesse os seus programas documentários. Sobre muitos dos momentos da nossa História, tinha uma visão muito própria, o que nem sempre agradou aos académicos, avançando tantas vezes com versões e possibilidades, mas sem nunca as garantir como verdadeiras mas como meras hipóteses. 

Não considero que o professor tenha reescrito a História de Portugal, mas soube dá-la a conhecer de uma forma simplificada e entendível à generalidade dos portugueses mas sem nunca a desvirtuar, antes pelo contrário.

Segue-se a lista das várias séries e documentários de televisão, iniciadas no início da década de 1970, todos exibidos na RTP:

1971 - O Tempo e a Alma, com 13 episódios;

1978-1979 - Gente de Paz, com 16 episódios;

1980 - O Acto e o Destino;

1986 - Histórias de Cidades, com 18 episódios;

1988 - Coisas do Mundo, com 12 episódios;

1989 - A Grande Aventura, com 15 apisódios;

1993 - A Bruma da Memória, com 13 episódios;

1993 - Se a Gente Nova Soubesse

1994 - Histórias que o Tempo Apagou, com 45 apisódios;

1995 - Lendas e Narrativas - com 45 episódios

1996-2003 - Horizontes da Memória, com 315 episódios;

1997 - Lisboa Sobre Carris, com 6  episódios;

2000 - Mitos Eternos, com 9 episódios;

2003-2011 - A Alma e a Gente, com 455 episódios;

2012 - História Essencial de Portugal.

De todos estes documentáriios, pelo número de episódios e sua duração temporal, merecem destaque as séries "A Alma e a Gente" e "Horizontes da Memória", que facilmente podem ser revistos porque disponíveis no Youtube ou nos arquivos da RTP. São, sem dúvidas, duas das séries mais emblemáticas da nossa televisão pública e que em muito ajudaram os portugueses a ter um melhor conhecimento tanto histórico como geográfico e social das nossas regiões, vilas e cidades e sua principais figuras. 

Para além da componente da divulgação, foi sempre um acérrimo defensor do nosso património, deixando críticas a entidades e ao próprio Estado, denunciando inúmeras situações de atentados, desmazelo e abandono de tantos elementos do nossos elementos históricos e na sua maioria classificados como património nacional. Castelos, mosteiros, conventos, igrejas, capelas, solares, etc, etc, foram tantas vezes mostrados na sua pobreza e ruína. Dessas muitas denúncias algumas colheram frutos e houve obras de conservação e requalificação, mas certamente muitas mais cairam em saco roto porque este país, as suas autoridades e municípios, nem sempre souberam estar à altura das responsabilidades.

Por todas estas razões e mais algumas, o Professor José Hermano Saraiva merece justamente ser considerado uma das figuras maiores do nosso país e a ele somos devedores pela forma como nos ensinou a nossa História e a ter orgulho nela, com todos os seus perídos de glória ou inglória, altos e baixos, progressos e recuos, guerra e paz, miséria e progresso.

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